{"id":369822,"date":"2025-04-20T09:31:17","date_gmt":"2025-04-20T08:31:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=369822"},"modified":"2025-04-16T14:26:04","modified_gmt":"2025-04-16T13:26:04","slug":"portugal-pobreza-nao-e-uma-condicao-periferica-esta-no-centro-da-vida-de-milhares-de-familias-antonio-saraiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-pobreza-nao-e-uma-condicao-periferica-esta-no-centro-da-vida-de-milhares-de-familias-antonio-saraiva\/","title":{"rendered":"Portugal: \u00abPobreza n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, est\u00e1 no centro da vida de milhares de fam\u00edlias\u00bb &#8211; Ant\u00f3nio Saraiva"},"content":{"rendered":"<p><em>Neste domingo de P\u00e1scoa, fixamo-nos na pergunta: quantos vizinhos conhece pelo seu nome? A iniciativa \u00e9 da Cruz Vermelha Portuguesa, que atrav\u00e9s das suas delega\u00e7\u00f5es est\u00e1 a distribuir um milh\u00e3o de mensagens nas caixas de correio com essa pergunta, apelando \u00e0 consci\u00eancia social e \u00e0 proximidade comunit\u00e1ria. Ant\u00f3nio Saraiva, presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, \u00e9 o convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_369817\" aria-describedby=\"caption-attachment-369817\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-369817 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva2.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva2.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva2-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva2-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-369817\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Beatriz Pereira<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Num pa\u00eds com a popula\u00e7\u00e3o mais idosa da Uni\u00e3o Europeia, sem retaguarda familiar em\u00a0muitos casos, ganha mais import\u00e2ncia a proximidade dos vizinhos?<\/em><\/p>\n<p>Tem, diria eu, cada vez mais import\u00e2ncia, porque, como referiu, n\u00f3s\u00a0temos cerca de 500 mil idosos que vivem sozinhos em Portugal, um n\u00famero que, lamentavelmente,\u00a0vemos crescer 2% ao ano. Temos em Portugal a maior percentagem da popula\u00e7\u00e3o idosa da\u00a0Uni\u00e3o Europeia e a quarta maior do mundo.\u00a0Isto deve inquietar-nos e, para al\u00e9m de nos inquietarmos, devemos encontrar respostas adequadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>S\u00e3o esses dados que levam a avan\u00e7ar com a iniciativa?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o estes dados e a realidade que vamos constatando diariamente, atrav\u00e9s das nossas delega\u00e7\u00f5es\u00a0e do acompanhamento que fazemos destas situa\u00e7\u00f5es, que nos levam a este movimento da \u2018Porta ao\u00a0Lado\u2019, precisamente para sensibilizarmos, porque cada vez mais a pobreza n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o\u00a0perif\u00e9rica, est\u00e1 no centro da vida de milhares de fam\u00edlias. E, o que pedimos hoje \u00e0 sociedade \u00e9 que n\u00e3o finja n\u00e3o ver, n\u00e3o olhe para o lado, porque o\u00a0lado muitas vezes \u00e9 j\u00e1 a porta ao lado, efetivamente. E da\u00ed o nome do movimento o \u2018Porta ao Lado\u2019, porque muitas vezes nem o nome do vizinho conhecemos\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para al\u00e9m desta ideia, que outras iniciativas\u00a0tem a Cruz Vermelha para mitigar o isolamento social?<\/em><\/p>\n<p>Temos uma grande proximidade, porque a Cruz Vermelha \u00e9 composta por 147 delega\u00e7\u00f5es, de norte\u00a0a sul do pa\u00eds, incluindo os arquip\u00e9lagos da Madeira e dos A\u00e7ores. Atrav\u00e9s destas\u00a0147 delega\u00e7\u00f5es temos um conhecimento de proximidade, trabalhamos junto das c\u00e2maras\u00a0municipais, que sinalizam tamb\u00e9m estas situa\u00e7\u00f5es. Posso destacar outros programas que temos, o \u2018Cart\u00e3o D\u00e1\u201d, da Cruz Vermelha, que substitui cabazes por\u00a0cart\u00f5es pr\u00e9-pagos, promovendo assim a autonomia das fam\u00edlias, e desde 2021 j\u00e1 beneficiou\u00a0cerca de 10 mil pessoas. O programa \u2018Mais Feliz\u2019, que combate a pobreza com uma metodologia\u00a0estruturada, e em 2024 apoiamos 950 fam\u00edlias, sendo que destas 67% eram mulheres. E esta\u00a0agora, de um milh\u00e3o de mensagens distribu\u00eddas em caixas de correio, como referiu, precisamente para apelar \u00e0 consci\u00eancia social e \u00e0 proximidade comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que recetividade est\u00e1 a ter esta iniciativa?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 a ter uma recetividade por dois \u00e2ngulos de abordagem.\u00a0Uma enorme colabora\u00e7\u00e3o dos nossos volunt\u00e1rios, daqueles que fazem acontecer a Cruz Vermelha\u00a0diariamente, e s\u00e3o cerca de 5 mil volunt\u00e1rios, 4700 em rigor, juntamente com os nossos 2800 colaboradores. Esta rede, a ades\u00e3o que houve \u00e0 entreajuda, \u00e0 entrega das mensagens, \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o pelas caixas de correio, e depois a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o que, sendo desperta, ganhando consci\u00eancia para esta problem\u00e1tica, tem vindo a dar uma resposta, porque ao fim e ao cabo aquilo que pretendemos \u00e9 captar receita para podermos acudir a um crescente n\u00famero de pedidos que a Cruz Vermelha vem sentindo. E da\u00ed apelarmos a esta consigna\u00e7\u00e3o do IRS, para que possamos mais eficazmente cumprir a nossa miss\u00e3o de ajuda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487890338_1056872826472023_7160317592126929734_n.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-369823 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487890338_1056872826472023_7160317592126929734_n-370x260.jpg\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487890338_1056872826472023_7160317592126929734_n-370x260.jpg 370w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487890338_1056872826472023_7160317592126929734_n-1024x720.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487890338_1056872826472023_7160317592126929734_n-768x540.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487890338_1056872826472023_7160317592126929734_n.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><\/a>No Domingo P\u00e1scoa, como vemos, h\u00e1 grandes manifesta\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, particularmente no Norte do pa\u00eds. Muitas pessoas at\u00e9 v\u00e3o de casa em casa, no chamado Compasso, e depois temos o contraste de pessoas a viver este dia sozinhas, ou quase. Esta data em particular \u00e9 tamb\u00e9m uma oportunidade para sublinhar a import\u00e2ncia das rela\u00e7\u00f5es\u00a0de proximidade e at\u00e9 de portas abertas, da porta ao lado, num mundo que est\u00e1 cada vez\u00a0mais individualizado?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s sentimos que sim, porque, como diz, num mundo cada vez mais individualizado, num\u00a0mundo em que cada vez mais o ser humano est\u00e1 virado para si pr\u00f3prio, porque est\u00e1 fechado\u00a0nas redes sociais, na internet, muitas vezes n\u00e3o v\u00ea as realidades que lhe est\u00e3o pr\u00f3ximas.\u00a0Isto \u00e9 um fen\u00f3meno que acontece cada vez mais, pelo menos nos grandes centros urbanos, os guetos em que se entra, lamentavelmente. Coisa que a n\u00edvel do Interior n\u00e3o se perceciona\u00a0tanto, n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica que aconte\u00e7a, porque as pessoas t\u00eam mais partilha, t\u00eam\u00a0mais proximidade, t\u00eam mais entreajuda, e \u00e9 este humanismo, \u00e9 esta partilha, \u00e9 este\u00a0conhecer o vizinho\u2026 a P\u00e1scoa, como tamb\u00e9m o Natal, s\u00e3o alturas em que despertamos, e o ser humano fica mais desperto, mais dispon\u00edvel para estas realidades. E sim, \u00e9 aproveitando estes tempos e estes\u00a0momentos, como agora \u00e9 a P\u00e1scoa, que fazemos este apelo precisamente para ir ao encontro\u00a0da sensibiliza\u00e7\u00e3o, porque ganhar a perce\u00e7\u00e3o para os problemas \u00e9 meio caminho andado para resolver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Refletimos aqui sobre o isolamento, uma realidade com grande dimens\u00e3o nos centros\u00a0urbanos, contudo, o problema tamb\u00e9m j\u00e1 se verifica em meio rural, embora a\u00ed, na maior\u00a0parte das vezes, ainda se possa contar com a chamada solidariedade do vizinho &#8211; ou isso\u00a0tamb\u00e9m se vai perdendo?<\/em><\/p>\n<p>Uma popula\u00e7\u00e3o mais velha, diria, mais s\u00e9nior, ainda pratica essa solidariedade,\u00a0essa partilha. Aquilo que se sente nas camadas mais jovens, com as honrosas exce\u00e7\u00f5es que\u00a0sempre existem, \u00e9 que se vai perdendo essa solidariedade, esse esp\u00edrito de entreajuda, mas ele ainda\u00a0est\u00e1 muito presente, principalmente nas camadas mais seniores, como lhe digo. Mas\u00a0h\u00e1 uma realidade que vem alterando e da\u00ed estas campanhas, estes movimentos que a Cruz\u00a0Vermelha vai desenvolvendo, para que as pessoas ganhem a perce\u00e7\u00e3o, porque muitas vezes\u00a0gerar perce\u00e7\u00f5es, como eu costumo dizer, gerar e gerir perce\u00e7\u00f5es \u00e9 aquilo que se\u00a0deve atingir, seja na pol\u00edtica, no dia a dia, na fam\u00edlia, e criar esta perce\u00e7\u00e3o\u00a0das necessidades que muitas vezes est\u00e3o ao nosso lado \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As boas perce\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>As boas perce\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Al\u00e9m das iniciativas da\u00a0sociedade que visam promover a coes\u00e3o social, faltam pol\u00edticas ao n\u00edvel\u00a0do Estado para combater o flagelo do isolamento, da pobreza, daquilo que temos vindo aqui identificar?<\/em><\/p>\n<p>Na nossa perspetiva, sim, faltam pol\u00edticas p\u00fablicas, porque independentemente daquelas\u00a0que existem, muitas vezes falha a sua aplica\u00e7\u00e3o no terreno. E, sendo a fun\u00e7\u00e3o social uma\u00a0das fun\u00e7\u00f5es do Estado, o Estado recorrendo como recorre, invariavelmente, protocolando\u00a0com a sociedade, neste caso com o setor social, acaba o setor social por desenvolver esta\u00a0fun\u00e7\u00e3o do Estado. E muitas vezes de uma forma que o Estado, delegando essa responsabilidade, nem sempre vai ao encontro da correta resposta &#8211; porque nessa proximidade que temos\u00a0com as popula\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s dos nossos meios, das nossas delega\u00e7\u00f5es, e da proximidade da partilha com as c\u00e2maras,\u00a0temos essa realidade mais percecionada. O Estado n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o paga o suficiente,\u00a0porque se o Estado tivesse de cumprir a sua miss\u00e3o e fosse ele o \u00fanico a desenvolver esta\u00a0fun\u00e7\u00e3o social, teria um custo or\u00e7amental muito maior do que aquele que tem, e por isso\u00a0socorre-se do setor social, n\u00e3o pagando o justo valor &#8211; a infla\u00e7\u00e3o vai-se encargando\u00a0de aumentar anualmente estes valores, e o Estado nem sempre, acompanha, para n\u00e3o dizer, invariavelmente. E depois o pagamento tardio destas metodologias que as pol\u00edticas definem, mas que depois tardam em ser cumpridas, como lhe digo, quer na adapta\u00e7\u00e3o aos tempos e\u00a0\u00e0s novas necessidades, quer no pagamento adequado e pontual destas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ou seja, o Estado n\u00e3o pode delegar e lavar as m\u00e3os, digamos assim. <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o o deveria fazer\u2026 N\u00e3o o deveria fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Da sua experi\u00eancia,\u00a0o que \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio fazer, para al\u00e9m dessa delega\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias com a necess\u00e1ria\u00a0mochila financeira e atempada?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Uma maior liga\u00e7\u00e3o ao setor social e os munic\u00edpios, tamb\u00e9m, que n\u00e3o podem ser retirados da equa\u00e7\u00e3o. O Estado, recentemente, delegou\u00a0nas autarquias um conjunto de compet\u00eancias a este n\u00edvel. \u00c9 uma maior proximidade, uma\u00a0maior participa\u00e7\u00e3o, uma maior colabora\u00e7\u00e3o com o setor social, e depois uma revis\u00e3o\u00a0das metodologias e dos programas, porque alguns deles est\u00e3o desadequados. A realidade, o mundo hoje muda muito velozmente, como sabemos. Temos desafios completamente diferentes hoje\u00a0do que t\u00ednhamos h\u00e1 10, 15 anos. H\u00e1 val\u00eancias, como \u00e9 o caso\u00a0da viol\u00eancia dom\u00e9stica, como \u00e9 o caso do sem-abrigo, com um crescimento exponencial e \u00e9 necess\u00e1rio adequar as pol\u00edticas p\u00fablicas \u00e0s novas\u00a0realidades e participar, colaborar com o setor social de uma forma mais correta do que aquela que por muitas vezes existe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Voltamos agora a uma quest\u00e3o que falamos no in\u00edcio, porque est\u00e1 a\u00ed a campanha eleitoral\u00a0\u00e0 porta, e at\u00e9 ao momento n\u00e3o se tem ouvido falar muito em envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. Somos o pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia com maior percentagem de idosos, com meio milh\u00e3o de\u00a0idosos a viver s\u00f3s.\u00a0\u00c9 preciso convocar os partidos para a perce\u00e7\u00e3o, como dizia, deste problema?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9, \u00e9 preciso convocar os partidos, porque aproveitando, como diz, este momento\u00a0eleitoral, mais do que debater aquilo que \u00e9 pueril, aquilo que n\u00e3o tem conte\u00fado,\u00a0muitas vezes em guerras pol\u00edtico-partid\u00e1rias, que a popula\u00e7\u00e3o pouco interesse tem para\u00a0elas. E estes assuntos, como \u00e9 definir um objetivo de crescimento econ\u00f3mico para o\u00a0pa\u00eds, com esse crescimento econ\u00f3mico darmos melhores condi\u00e7\u00f5es de vida \u00e0s popula\u00e7\u00f5es,\u00a0termos mais capacidade para programas que s\u00e3o necess\u00e1rios.\u00a0Sim, h\u00e1 que chamar a aten\u00e7\u00e3o dos partidos pol\u00edticos para esta realidade, porque sendo\u00a0importante discutir o crescimento econ\u00f3mico, a defesa, a educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m que olhar\u00a0para a sa\u00fade e, dentro da sa\u00fade, para situa\u00e7\u00f5es daqueles que estando isolados, que estando\u00a0sozinhos.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio, como n\u00f3s fazemos na Cruz Vermelha, chegar-lhes de alguma maneira. E h\u00e1 que despertar consci\u00eancias para que os partidos pol\u00edticos, atingindo o poder,\u00a0como obviamente \u00e9 aquilo que os partidos tentam \u00e9 chegar \u00e0 governa\u00e7\u00e3o, sejam sensibilizados para esta realidade. E depois o governo, ou mesmo o parlamento,\u00a0num conjunto de iniciativas parlamentares, porque \u00e9 o parlamento que faz a legisla\u00e7\u00e3o, encontrem respostas adequadas a estas realidades, porque esta popula\u00e7\u00e3o idosa tem necessidades\u00a0espec\u00edficas, h\u00e1 que monitoriz\u00e1-los, h\u00e1 que ver em que condi\u00e7\u00f5es se encontram. N\u00f3s,\u00a0Cruz Vermelha, temos essa preocupa\u00e7\u00e3o e temos medidas de chegar a eles atrav\u00e9s da\u00a0nossa teleassist\u00eancia, que estamos a desenvolver com novas metodologias, atendendo ao n\u00edvel\u00a0de equipamentos que hoje h\u00e1 para essa monitoriza\u00e7\u00e3o. E sim, h\u00e1 que despertar os partidos pol\u00edticos\u00a0para esta realidade e exigir que o parlamento produza a legisla\u00e7\u00e3o adequada a estas novas\u00a0necessidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E h\u00e1 tamb\u00e9m necess\u00e1rio rejuvenescer o pa\u00eds.\u00a0N\u00e3o h\u00e1 uma verdadeira aposta em pol\u00edticas de incentivo \u00e0 natalidade?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um tema a que tamb\u00e9m n\u00e3o se quer olhar devidamente, mas a natalidade\u00a0\u00e9 um dos problemas que o pa\u00eds tem.\u00a0Ainda na altura em que era presidente da CIP (Confedera\u00e7\u00e3o Empresarial de Portugal), em concerta\u00e7\u00e3o social, entregamos um estudo\u00a0 &#8211; salvo erro ao primeiro governo de Ant\u00f3nio Costa &#8211; onde sinaliz\u00e1vamos um conjunto\u00a0de medidas para promover a natalidade. Porque a natalidade \u00e9 um dos problemas, como disse\u00a0e repito, que a sociedade portuguesa tem e para o qual temos de encontrar pol\u00edticas corretas,\u00a0porque este envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, esta perda de cidad\u00e3os que vamos sentindo\u00a0pelos poucos nascimentos, trazem problemas de dimens\u00f5es de v\u00e1rias naturezas, n\u00e3o s\u00f3\u00a0a n\u00edvel da popula\u00e7\u00e3o ativa, do crescimento econ\u00f3mico &#8211; isso \u00e9 um problema\u00a0que n\u00e3o \u00e9 apenas portugu\u00eas, \u00e9 um problema da Europa, a Uni\u00e3o Europeia tem de olhar\u00a0tamb\u00e9m para isto, porque comparativamente com outros povos, com outras geografias, n\u00f3s\u00a0caminhamos para um n\u00famero de popula\u00e7\u00e3o que compara mal com outras regi\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No atual contexto, se n\u00e3o fosse\u00a0a imigra\u00e7\u00e3o, provavelmente o pa\u00eds j\u00e1 teria muita dificuldade ao n\u00edvel da m\u00e3o de obra\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um tema que est\u00e1 na agenda, como sabemos, a quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o e as not\u00edcias que\u00a0v\u00e3o saindo, nem sempre adequadas \u00e0 realidade, nem sempre interpretando corretamente a realidade. Como \u00e9 comum dizer-se, e penso que todos percebemos, Portugal hoje n\u00e3o viveria sem\u00a0imigra\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos um conjunto de atividades econ\u00f3micas que necessitam de imigra\u00e7\u00e3o,\u00a0porque os portugueses deixaram, abandonaram, est\u00e3o pouco recetivos a determinados postos\u00a0de trabalho, a determinadas profiss\u00f5es, e setores como a constru\u00e7\u00e3o, a restaura\u00e7\u00e3o,\u00a0a agricultura, n\u00e3o viveriam hoje sem a imigra\u00e7\u00e3o, sem o acolhimento correto de imigrantes, e\u00a0isso \u00e9 que tem de ser tratado.\u00a0Temos de encarar a necessidade de que temos, para realizar determinadas tarefas, temos de ter uma pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o adequada, correta, n\u00e3o acolher sem m\u00e9todo, saber\u00a0acolher. Saber acolher exige um trabalho adequado, trabalho digno, habita\u00e7\u00e3o, enfim, h\u00e1 um\u00a0conjunto de quest\u00f5es que uma correta pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o deve atender.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_369816\" aria-describedby=\"caption-attachment-369816\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-369816\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Antonio-Saraiva.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-369816\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Beatriz Pereira<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Um dos indicadores mais reveladores da falta de retaguarda de que vimos falando \u00e9\u00a0o do n\u00famero dos chamados internamentos sociais. Esta semana ficamos a saber, atrav\u00e9s do bar\u00f3metro da Associa\u00e7\u00e3o dos Administradores Hospitalares,\u00a0que se bateu o recorde desse tipo de internamentos inapropriados com mais de 2300 casos.\u00a0Como responder\u00a0a esta quest\u00e3o?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Diria, que o Hospital\u00a0da Cruz Vermelha, felizmente, n\u00e3o tem essa situa\u00e7\u00e3o. Mas, infelizmente, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que vem\u00a0aumentando, como disse bem, e que deve envergonhar, deve envergonhar a nossa sociedade, devemo-nos inquietar com esse fen\u00f3meno. Hoje as fam\u00edlias numa situa\u00e7\u00e3o cada vez\u00a0mais d\u00e9bil, em termos de receita, tendo cada vez maiores dificuldades, e pr\u00f3pria sociedade, com vencimentos que n\u00e3o fazem face aos seus compromissos, tem hoje dificuldades acrescidas\u00a0num vasto conjunto de mat\u00e9rias. E por isso temos o aumento dos sem-abrigo, temos o abandono\u00a0de pessoas em hospitais, entregando moradas falsas, e depois n\u00e3o indo buscar os seus\u00a0familiares, \u00e9 uma quest\u00e3o que nos deve envergonhar, mas para a qual temos de saber encontrar\u00a0respostas. N\u00e3o h\u00e1 balas de prata, n\u00e3o h\u00e1 varinhas m\u00e1gicas. H\u00e1 toda uma preocupa\u00e7\u00e3o\u00a0social, toda uma intera\u00e7\u00e3o entre o Governo e a sociedade civil, e muito com o setor social,\u00a0para encontrarmos as melhores solu\u00e7\u00f5es, porque, isto \u00e9, de facto uma vergonha nacional\u00a0que temos de combater.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta conversa identificou v\u00e1rias dificuldades sociais, econ\u00f3micas, humanas. Estamos a celebrar\u00a0a P\u00e1scoa, que traz sempre consigo uma mensagem de esperan\u00e7a. O que \u00e9 que nos faz ainda acreditar no futuro?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O humanismo de que o ser humano \u00e9 dotado, a nossa condi\u00e7\u00e3o humana, e, de um modo geral, o facto de ainda estarmos num tempo, apesar dos enormes desafios que todos vamos sentindo,\u00a0com estas tens\u00f5es geopol\u00edticas, com estas quest\u00f5es de conflitos internacionais, em que o humanismo ainda desperta, em determinadas ocasi\u00f5es, e esta \u00e9 uma delas. Felizmente, podemos olhar o futuro, porque o bem ainda se sobrep\u00f5e ao mal, e esse \u00e9 o apelo que\u00a0deveremos fazer \u00e0 nossa consci\u00eancia humana, \u00e9 que n\u00e3o deixemos que o mal se sobreponha ao bem.\u00a0E isso leva-nos a uma inquietude c\u00edvica, a uma participa\u00e7\u00e3o, a uma a\u00e7\u00e3o coletiva\u00a0que n\u00e3o nos pode abandonar, porque \u00e9 da participa\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s, daquilo que\u00a0cada um de n\u00f3s pode dar ao outro, ao seu vizinho, ao seu amigo. \u00c9 esta partilha,\u00a0este humanismo, que a mim pessoalmente me faz acreditar que o bem se continuar\u00e1 a sobrepor ao mal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo de P\u00e1scoa, fixamo-nos na pergunta: quantos vizinhos conhece pelo seu nome? A iniciativa \u00e9 da Cruz Vermelha Portuguesa, que atrav\u00e9s das suas delega\u00e7\u00f5es est\u00e1 a distribuir um milh\u00e3o de mensagens nas caixas de correio com essa pergunta, apelando \u00e0 consci\u00eancia social e \u00e0 proximidade comunit\u00e1ria. Ant\u00f3nio Saraiva, presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":369817,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630,4],"tags":[314],"class_list":["post-369822","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","category-internacional","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=369822"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369822\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/369817"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=369822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=369822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=369822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}