{"id":36981,"date":"2009-02-17T09:33:05","date_gmt":"2009-02-17T09:33:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/17\/trabalho-mais-e-melhor-em-tempo-de-crise\/"},"modified":"2009-02-17T09:33:05","modified_gmt":"2009-02-17T09:33:05","slug":"trabalho-mais-e-melhor-em-tempo-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/trabalho-mais-e-melhor-em-tempo-de-crise\/","title":{"rendered":"Trabalho (mais e melhor) em tempo de crise"},"content":{"rendered":"<p>A concep\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica do trabalho coloca-o num patamar que ultrapassa, em muito, uma concep\u00e7\u00e3o economicista do mesmo, inserindo-o na &#8220;condi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria&#8221; do ser humano, meio para a sua realiza\u00e7\u00e3o enquanto tal. Desde a &#8220;Rerum Novarum&#8221; (Le\u00e3o XIII, 1891), a Igreja jamais deixou de considerar os problemas do trabalho no contexto de uma quest\u00e3o social que foi progressivamente assumindo dimens\u00f5es mundiais. A enc\u00edclica &#8220;Laborem Exercens&#8221; (Jo\u00e3o Paulo II, 1981) enriquece a vis\u00e3o perso-nalista do trabalho caracter\u00edstica dos documentos sociais precedentes, indicando a necessidade de um aprofundamento dos significados e das tarefas que o trabalho comporta, tendo presente o facto de que &#8220;surgem sempre, na verdade, novas interroga\u00e7\u00f5es e novos problemas, nascem novas esperan\u00e7as, como tamb\u00e9m motivos de temor e amea\u00e7as, ligados a esta dimens\u00e3o fundamental da exist\u00eancia humana&#8221;. No Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja pode ler-se que &#8220;o trabalho deve ser honrado porque fonte de riqueza ou pelo menos de condi\u00e7\u00f5es de vida decorosas e, em geral, \u00e9 instrumento eficaz contra a pobreza&#8221;. Uma indica\u00e7\u00e3o que a actual crise internacional tem vindo a fazer esquecer, colocando a s\u00edlaba t\u00f3nica apenas na exist\u00eancia ou n\u00e3o dos postos de trabalho e abrindo a porta a chantagens sobre os trabalhadores por parte de quem lhes pode fechar a porta, sem aviso, e lan\u00e7\u00e1-los para o drama cada vez mais doloroso do desemprego. \u00c9 neste tempo de incertezas e de mudan\u00e7as que a Ag\u00eancia ECCLESIA apresenta um dossier sobre a mat\u00e9ria, procurando um olhar de optimismo, de f\u00e9, na convic\u00e7\u00e3o de que mesmo em plena crise \u00e9 poss\u00edvel sonhar com mais e melhor trabalho. Temas como o emprego, a protec\u00e7\u00e3o social, os sal\u00e1rios, o di\u00e1logo social, os direitos laborais fundamentais, a qualidade de vida no trabalho e a flexiseguran\u00e7a fazem parte do dia-a-dia desta crise, em que os trabalhados aparecem muitas vezes, quase sempre, como o elo mais fraco. Num discurso dirigentes da Confedera\u00e7\u00e3o Italiana Sindical dos Trabalhadores, Bento XVI defendia que &#8220;para superar a crise econ\u00f3mica e social que estamos a viver, sabemos que \u00e9 necess\u00e1rio um esfor\u00e7o livre e respons\u00e1vel da parte de todos, ou seja, \u00e9 necess\u00e1rio ultrapassar os interesses particularistas e sectorais, de maneira a enfrentar em conjunto e unidos as dificuldades que investem todos os \u00e2mbitos da sociedade, de modo especial o mundo do trabalho&#8221;.  &#8220;Nunca se sentiu tal urg\u00eancia como hoje: as dificuldades que angustiam o mundo do trabalho impelem a uma concerta\u00e7\u00e3o efectiva e mais estreita entre os m\u00faltiplos e diversos componentes da sociedade&#8221;, indicou. O equil\u00edbrio entre a iniciativa das pessoas e dos grupos e a ac\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 um dos principais desafios que se apresentam nesta situa\u00e7\u00e3o. Na sua enc\u00edclica &#8220;Centesimus Annus&#8221;, Jo\u00e3o Paulo II frisava que &#8220;o trabalho \u00e9 um bem de todos, que deve estar dispon\u00edvel para todos aqueles que s\u00e3o capazes de trabalhar&#8221;. O &#8220;pleno emprego&#8221;, que hoje aparece como uma miragem em pleno deserto de crise(s) \u00e9, segundo a Igreja Cat\u00f3lica, um &#8220;objectivo obrigat\u00f3rio para todo o orde-namento econ\u00f3mico orientado para a justi\u00e7a e para o bem comum&#8221;.  Neste olhar sobre a realidade laboral, cabe ainda uma palavra para os mais fracos. Teme-se que a crise relance a discuss\u00e3o sobre a efectiva &#8220;bondade&#8221; do trabalho infantil, sabendo-se que h\u00e1 quem defenda que as crian\u00e7as t\u00eam o direito de trabalhar se o quiserem fazer. Os falhan\u00e7os da nossa sociedade n\u00e3o devem chegar ao ponto de sacrificar a inf\u00e2ncia, que tem o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o &#8220;direito&#8221; ao trabalho.  Ora et Labora O lema &#8220;reza e trabalha&#8221; que se espalhou pela Europa atrav\u00e9s dos seguidores de S\u00e3o Bento marcou a hist\u00f3ria do Velho Continente, tanto no dom\u00ednio da economia, como da cultura e da espiritualidade. O trabalho est\u00e1 no ADN europeu, numa perspectiva de disciplina, optimismo, de rela\u00e7\u00e3o positiva entre o indiv\u00edduo e a sociedade. Faz parte tamb\u00e9m da identidade do cristianismo, ao longo de toda a sua hist\u00f3ria. Ela \u00e9 revisitada por D. Manuel Clemente na rubrica &#8220;O Passado do Presente&#8221; que em cada quinta-feira \u00e9 emitida no Programa Ecclesia (RTP2, \u00e0s 18h30).  O Bispo do Porto, e investigador da Hist\u00f3ria da Igreja, explica como o trabalho faz parte do dinamismo de Deus e da pessoa humana, atrav\u00e9s do contributo de diferentes autores crist\u00e3os, desde os b\u00edblicos \u00e0queles que sintetizaram, na Doutrina Social da Igreja, o pensamento crist\u00e3o acerca do trabalho. Ele \u00e9 encarado n\u00e3o como indicador de produtividade, antes como express\u00e3o da pessoa humana, contribuindo decisivamente para a constru\u00e7\u00e3o da sua dignidade. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A concep\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica do trabalho coloca-o num patamar que ultrapassa, em muito, uma concep\u00e7\u00e3o economicista do mesmo, inserindo-o na &#8220;condi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria&#8221; do ser humano, meio para a sua realiza\u00e7\u00e3o enquanto tal. 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