{"id":36948,"date":"2009-02-16T11:23:29","date_gmt":"2009-02-16T11:23:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/16\/porque-escolheu-o-beato-nuno-os-carmelitas\/"},"modified":"2009-02-16T11:23:29","modified_gmt":"2009-02-16T11:23:29","slug":"porque-escolheu-o-beato-nuno-os-carmelitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porque-escolheu-o-beato-nuno-os-carmelitas\/","title":{"rendered":"Porque escolheu o Beato Nuno os Carmelitas?"},"content":{"rendered":"<p>Durante mais de um s\u00e9culo, o convento de Moura continuou a ser o \u00fanico que os Carmelitas possuiam em terras lusitanas, at\u00e9 \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do imortal Condest\u00e1vel D. Nuno \u00c1lvares Pereira, o instrumento por Deus escolhido para dar nova vida a Portugal e ao Carmo portugu\u00eas. As gl\u00f3rias e grandezas conquistadas nos campos de Aljubarrota e Valverde, realizando a liberta\u00e7\u00e3o da sua P\u00e1tria estremecida, Nuno as dep\u00f4s humildemente aos p\u00e9s da Virgem, orando pelo desap\u00eago a liberta\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria alma. Num poema de pedra e granito externou a sua gratid\u00e3o para com Nossa Senhora, construindo em sua honra uma magn\u00edfica igreja g\u00f3tica e um mosteiro para os religiosos que seriam chamados para o culto divino. A igreja devia ser a mais bela e espa\u00e7osa de toda a C\u00f4rte. E Nuno conseguiu realizar o seu piedoso sonho. A primeira pedra foi lan\u00e7ada em 1389, no m\u00eas de Julho, e alguns anos mais tarde as obras estavam t\u00e3o adiantadas que o Condest\u00e1vel podia revelar a segunda parte do seu grandioso projecto: a escolha dos religiosos que haviam de cantar os louvores da Virgem Maria em t\u00e3o monumental igreja: os Carmelitas de Moura. Nos meados do \u00faltimo dec\u00e9nio do s\u00e9culo XIV, dirige uma carta, \u201cencantadora de forma, de estilo e de esp\u00edrito portugu\u00eas\u201d, ao Vig\u00e1rio Geral Dr. Frei Afonso de Alfama, ent\u00e3o Prior de Moura, comunicando-lhe a sua resolu\u00e7\u00e3o de inaugurar a igreja e o mosteiro e, referindo-se a entendimentos anteriores, pede que sejam agora enviados os frades que haviam de morar no novo convento. Eis o teor da carta, transmitida por Pereira e na nossa acomoda\u00e7\u00e3o:  \u201cAo mui honrado Frei Afonso de Alfama, Vig\u00e1rio Geral do Mosteiro de Santa Maria de Moura; Salv\u00e9 Deus! Antes de tudo beijo o vosso santo escapul\u00e1rio, dom extremado da M\u00e3e de Deus, que o trouxe do C\u00e9u, para a defesa dos seus frades, pela muita afei\u00e7\u00e3o que lhes devia desde sua vida; e desde ent\u00e3o aprouve-lhe que n\u00e3o fosseis mais ofendidos pelos maus nas terras onde est\u00e1veis. Tudo isto merecestes pela vossa vida exemplar que agrada \u00e0 bendita M\u00e3e do Carmo. Sabei que por ora vos rogo e pe\u00e7o aquilo de que vos j\u00e1 falei e que \u00e9 de grande servi\u00e7o para Deus e sua santa M\u00e3e, que me fizeram grandes gra\u00e7as e favores. E por tudo que recebi estou fazendo este mosteiro para Maria Sant\u00edssima, o qual, gra\u00e7as a Deus, vai bem adiantado, com os bens que o mesmo Senhor me deu. E como quer que desde o come\u00e7o determinei que nele estivessem frades, ou freiras do meu agrado, o que, segundo creio, j\u00e1 vos contei, agora vos pe\u00e7o e rogo, como merc\u00ea, que venhais para maior servi\u00e7o de Deus e de sua M\u00e3e, que do alto estar\u00e3o olhando para tudo que em sua gl\u00f3ria fizerdes. Al\u00e9m disso vos rogo que o Dr. Frei Gomes, que boa e merecida fama tem, venha como prior dos outros frades, pois que assim agrada a meu Rei e Senhor, que me falou de sua vontade de, quanto a este mosteiro, combinar em tudo comigo e de auxiliar-me conforme a minha inten\u00e7\u00e3o. E podereis trazer os frades, at\u00e9 ao n\u00famero que antes vos disse, e que sejam bons, portugueses fi\u00e9is \u00e0 P\u00e1tria, do modo que vos parecer melhor, pois sois o Superior deles na Religi\u00e3o. E como, segundo a vossa lei, n\u00e3o comeis carnes e tendes jejuns muito prolongados, n\u00e3o achareis aqui falta de provis\u00e3o, porque ficar\u00e1 aos meus cuidados dar-vos comida e roupa suficientes, pois do que \u00e9 meu, e do que Deus e o Rei meu Senhor me deram, posso fazer merc\u00ea, e isto \u00e9 tornar a ele o que antes me concedeu. E por circunst\u00e2ncia alguma deixai de vir imediatamente depois de meu pedido, para fazerdes todos os servi\u00e7os sacerdotais para o tempo que estiverdes aqui neste mosteiro encarregados da sua cura espiritual, pois haver\u00e1 bastante lugar para fazerdes a vossa ora\u00e7\u00e3o e onde podeis viver retirados no sil\u00eancio da vossa regra, que vos como corre a fama, deram t\u00e3o grandes merecimentos diante de Deus. E por ora n\u00e3o tenho mais que dizer. Escrita em Lisboa, no primeiro de Janeiro, no ano da Era mil quatrocentos e trinta e tal\u201d. (1)  Frei Diogo Gil, um dos primeiros habitantes do novo convento e o segundo provincial da Prov\u00edncia, d\u00e1, como tempo da chegada dos Carmelitas a Lisboa, o ano de 1397; \u201cEra de Cesar 1435\u201d. Bieron os Padre de Moura Carmelitas para o mosteiro do Carmo de Lisboa, que habia feixo o Codestabre Nuno Alberes Pereira&#8230; (2) Destas pouca not\u00edcias podemos ver que o Beato Nuno conhecia bem os Carmelitas e a Regra que seguiam. E porque lhe agradara a sua vida exemplar e mariana, convidou-os para tomarem posse da funda\u00e7\u00e3o que fizeram em honra da Sant\u00edssima Virgem. A doa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m,  ainda n\u00e3o era definitiva, pois o Santo Condest\u00e1vel desejava verificar pessoalmente se a vida dos frades escolhidos correspondia \u00e0 fama. S\u00f2mente os melhores seriam considerados dignos de servirem a Nossa Senhora no mosteiro de Santa Maria. Em 1423, a 6 de Julho, celebrou-se o primeiro cap\u00edtulo provincial de Portugal, sob a presid\u00eancia de Dr. Frei Afonso de Alfama, que foi eleito Provincial e como tal confirmado, em 1425, no Cap\u00edtulo Geral da Ordem. Durante este primeiro Cap\u00edtulo da Prov\u00edncia lusitana, o Condest\u00e1vel fez a doa\u00e7\u00e3o definitiva \u00e0 Ordem Carmelita da Igreja e do Convento, com todos seus bens que lhe haviam sido incorporados, mandando depois lavrar uma escritura, datada em 28 de Julho de 1423: \u201cE que por quanto el no dito mosteiro via fraires bons, e virtuosos, e que vivem bem, e em servi\u00e7o de Deos\u201d que el declarava sua vontade que ataa hora em o tempo tivera guardada. E que daqui em diante provocava o dito mosteiro ser da Virgem Santa Maria, e da sua Ordem do Carmo, e que fazia del pura doa\u00e7om para sempre a dita Ordem com todas as rendas, e direitos, que o el ha dotado para os fraires da dita Ordem&#8230;\u201d (3) Poucos dias depois, no in\u00edcio do m\u00eas de Agosto, Nuno \u00c1lvares Pereira fez mais outra doa\u00e7\u00e3o, a \u00faltima que podia fazer: a doa\u00e7\u00e3o de si mesmo, entrando para a Ordem, como humilde Irm\u00e3o leigo ou semi-frater, a fim de consumar a sua obra principal: a santifica\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria alma. Durante pouco menos de 8 anos havia de edificar a todos por sua profunda humildade e piedade. Faleceu no 1\u00ba de Abril, prov\u00e0velmente de 1431, no meio de seus irm\u00e3os desolados, e pranteado por todo o Portugal. (Escapul\u00e1rio do Carmo, Outubro, 1956, pp. 10-12).  <i>Manuel Maria Wermers [Escapul\u00e1rio do Carmo, Outubro, 1956, pp. 10-13] <\/i> NOTAS: 1 &#8211; Come\u00e7ando a Era de C\u00e9sar 38 anos antes da nossa, a carta podia ser escrita entre 1394 e 1401 2 &#8211; Por essa not\u00edcia v\u00ea-se que a carta do Condest\u00e1vel foi escrita entre 1394 e 1397, ano da chegada. 3 &#8211; Certos autores afirmam que o mosteiro tenha sido doado aos Carmelitas Descal\u00e7os. Ora, no tempo do Beato Nuno n\u00e3o existia nenhum Carmelita Descal\u00e7o. A Ordem dos Descal\u00e7os, ou dos Teresianos, foi fundada quase 200 anos mais tarde. Quando se fala em Carmelitas, sem mais outra especifica\u00e7\u00e3o, devemos entender os Carmelitas da Antiga Observ\u00e2ncia, e n\u00e3o os Carmelitas Descal\u00e7os que dela se afastaram.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante mais de um s\u00e9culo, o convento de Moura continuou a ser o \u00fanico que os Carmelitas possuiam em terras lusitanas, at\u00e9 \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do imortal Condest\u00e1vel D. Nuno \u00c1lvares Pereira, o instrumento por Deus escolhido para dar nova vida a Portugal e ao Carmo portugu\u00eas. As gl\u00f3rias e grandezas conquistadas nos campos de Aljubarrota [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[126,168,300],"class_list":["post-36948","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-carmelitas","tag-diocese-da-guarda","tag-santo-condestavel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36948\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}