{"id":369389,"date":"2025-04-14T12:46:36","date_gmt":"2025-04-14T11:46:36","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=369389"},"modified":"2025-04-14T12:56:04","modified_gmt":"2025-04-14T11:56:04","slug":"lusofonias-os-ramos-da-paixao-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-os-ramos-da-paixao-hoje\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Os Ramos da Paix\u00e3o hoje"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Jancido \u2013 Foz do Sousa<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lusofonias-Ramos-14-04-2025.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-369393 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lusofonias-Ramos-14-04-2025-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lusofonias-Ramos-14-04-2025-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lusofonias-Ramos-14-04-2025-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lusofonias-Ramos-14-04-2025-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lusofonias-Ramos-14-04-2025-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lusofonias-Ramos-14-04-2025.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Faz muitos anos que celebro a P\u00e1scoa fora das ra\u00edzes que me alimentaram nos primeiros tempos da minha vida. Tive a alegria de celebrar este ano o Domingo de Ramos na minha par\u00f3quia natal. Um misto de sentimentos me invade, com a tenta\u00e7\u00e3o de ir sempre buscar imagens e viv\u00eancias ao ba\u00fa das mem\u00f3rias, onde encontro sempre recorda\u00e7\u00f5es de inf\u00e2ncia muito felizes. E mais: foram celebra\u00e7\u00f5es como a deste dia t\u00e3o simb\u00f3lico que me marcaram para o resto da vida e imprimiram no meu cora\u00e7\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o forte com Deus e com a Igreja.<\/p>\n<p>Este Domingo, que abre as portas \u00e0 grande Semana Santa, leva-me sempre de regresso ao Kuito- Bi\u00e9 e ao Huambo onde vivi as primeiras celebra\u00e7\u00f5es de B\u00ean\u00e7\u00e3o e Prociss\u00e3o dos Ramos, nas periferias pobres destas cidades angolanas, onde a guerra dizimava de todas as maneiras. Eram tempos duros aqueles em que os jovens partiam para as linhas da frente dos combates e o restante povo era silenciado nos seus gritos de disc\u00f3rdia e de condenados \u00e0 fome, ao abandono, \u00e0 aus\u00eancia completa dos mais elementares cuidados de sa\u00fade. Era assim a guerra daquele tempo, como continuam a ser hoje todas. O Papa Francisco usa palavras muito duras, chegando ao ponto de dizer que ela \u00e9 sempre uma derrota da humanidade. \u00c9 mesmo!<\/p>\n<p>Recordo o long\u00ednquo 1991, em que a Missa durou v\u00e1rias horas, em que o povo cantou e dan\u00e7ou, sempre a rezar pela paz que tardava em chegar. Guardo nos olhos o colorido dos ramos e a coreografia das dan\u00e7as. Ainda leio naqueles rostos sofridos a sua enorme \u00e2nsia de paz e um grito por mais justi\u00e7a. Ali, sim, celebrava-se profundamente a Paix\u00e3o de Cristo, tamb\u00e9m partilhada por aquele bom povo. Escutar, de forma dialogada, em umbundu, o longo texto da paix\u00e3o e morte de Jesus, fazia-nos compreender que Cristo continua a sofrer e a morrer hoje\u2026<\/p>\n<p>Vivi, nos anos que se seguiram, celebra\u00e7\u00f5es de Ramos muito variadas, em geografias muito diversas. No ano passado, estava em Port Gentil, no Congo Brazzaville. Tive a alegria de partilhar esta Festa (sim, ali foi uma grande festa!) com algumas dezenas de jovens e crian\u00e7as de rua, acolhidos e acompanhados pelos Espiritanos no Centro que fundaram e dirigem nesta cidade petrol\u00edfera. Muitos vizinhos se associaram \u00e0 festa e guardo imagens da Prociss\u00e3o que obrigou a assembleia a percorrer caminhos alagados de \u00e1gua, pois tinha chovido muito naquela noite! Havia ali alegria e sintonia com o que Cristo viveu\u2026e tamb\u00e9m encontrei naqueles jovens uma vontade de mudar a hist\u00f3ria para melhor, fazendo a paix\u00e3o e morte caminhar rumo \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o. Como Cristo\u2026<\/p>\n<p>Volto ao presente, \u00e0 minha aldeia natal. Na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, os ramos eram religiosamente preparados, com oliveira e alecrim, a que se podia juntar uma ou outra flor. N\u00e3o quer\u00edamos um ramo grande, mas tinha de ser bonito. Depois da Prociss\u00e3o e da Missa, o ramo benzido regressava a casa e era guardado para secar e p\u00f4r na lareira em noites de trovoada\u2026<\/p>\n<p>Hoje os tempos s\u00e3o outros, mas o fasc\u00ednio deste dia mant\u00e9m-se, para quem participa na Celebra\u00e7\u00e3o. Li nos rostos a alegria do povo, sobretudo das crian\u00e7as. Rezamos e cantamos pela paz no mundo. Trouxemos para a Igreja a inten\u00e7\u00e3o de muitas pessoas, sobretudo as que mais sofrem, as v\u00edtimas das paix\u00f5es e mortes dos tempos que correm.<\/p>\n<p>Os textos b\u00edblicos que se proclamam nesta Festa s\u00e3o provocadores de reflex\u00e3o e lan\u00e7am um convite \u00e0 a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deixando ningu\u00e9m de bra\u00e7os cruzados ou indiferente. Tudo come\u00e7a com a apresenta\u00e7\u00e3o de um contraste inesperado, porque as pessoas aclamam Jesus, dan\u00e7ando e baloi\u00e7ando ramos de palmeira, mas, dias mais tarde, gritam diante das autoridades judaicas: \u2018crucifica-O! Crucifica-O!\u2019. \u00c9 um dos monumentos mais evidentes \u00e0 incoer\u00eancia humana, cuja constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o todos ajudamos a pagar! O profeta Isa\u00edas, na primeira leitura, mostra a coragem e a f\u00e9 profunda do servidor de Deus. No salmo \u2013 tal como Cristo na Cruz \u2013 n\u00f3s perguntamos: \u2018meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?\u2019. Na segunda leitura, S. Paulo pede que, em nome de Cristo, todos nos ajoelhemos diante de Deus. O Evangelho, t\u00e3o longo e t\u00e3o profundo, narra toda a Paix\u00e3o de Cristo, desde a agonia no Jardim das Oliveiras at\u00e9 \u00e0 Morte na Cruz.<\/p>\n<p>Pela frente, temos a Semana Maior, a que gostamos de chamar \u2018Semana Santa\u2019, que passa pela institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, na \u00daltima Ceia (Quinta-feira), seguida da Paix\u00e3o e Morte (Sexta-feira), mas desagua, em festa feliz, na noite de S\u00e1bado Santo e na manh\u00e3 da P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o que j\u00e1 viverei em Roma. Assim (e para tristeza minha!), n\u00e3o terei a alegria de receber na casa da fam\u00edlia o Compasso, ou seja, a Visita Pascal que proclama, em ambiente de festa, o Cristo que portador de Vida!<\/p>\n<p>Desejo a quantos me ouvem e leem, uma P\u00e1scoa cheia de Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Jancido \u2013 Foz do Sousa<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Os Ramos da Paix\u00e3o hoje\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" 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