{"id":36936,"date":"2009-02-14T13:57:59","date_gmt":"2009-02-14T13:57:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/14\/notas-da-semana-de-d-antonio-vitalino\/"},"modified":"2009-02-14T13:57:59","modified_gmt":"2009-02-14T13:57:59","slug":"notas-da-semana-de-d-antonio-vitalino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/notas-da-semana-de-d-antonio-vitalino\/","title":{"rendered":"Notas da Semana de D. Ant\u00f3nio Vitalino"},"content":{"rendered":"<p>O trabalho e o desemprego <!--more--> Numa altura em que muitos sentem na pele a instabilidade da crise financeira e econ\u00f3mica, n\u00e3o poderia deixar de abordar a rela\u00e7\u00e3o da pessoa humana com o trabalho, n\u00e3o apenas como meio de subsist\u00eancia, mas tamb\u00e9m como realiza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria pessoa. Em tempos de crise \u00e9 preciso n\u00e3o perder de vista a hierarquia de valores, de modo a n\u00e3o se deixar absorver pelo imediato e esquecer ou neglicenciar o que \u00e9 mais importante. Com certeza que ningu\u00e9m duvida que a pessoa humana, a sua dignidade est\u00e1 acima das realidades econ\u00f3micas e financeiras. Estas devem estar orientadas para o bem da pessoa e da sociedade, do bem comum. Por isso n\u00e3o \u00e9 racional nem justo colocar a solidez financeira ou econ\u00f3mica acima do bem das pessoas, e muito menos quando essa solidez apenas diz respeito a alguma elite social. \u00c9 verdade aceite pela generalidade dos sistemas pol\u00edticos que nenhuma sociedade funciona bem se as pessoas viverem na ociosidade, n\u00e3o tiverem ocupa\u00e7\u00e3o digna, n\u00e3o trabalharem. Mas o trabalho \u00e9 importante n\u00e3o apenas para obter o sustento e bem estar das pessoas, mas tamb\u00e9m factor da realiza\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa. Pelo trabalho a pessoa constr\u00f3i a sua identidade, afirma a sua responsabilidade, contribui para o progresso e desenvolvimento do mundo, para o bem comum da sociedade e para o bem estar pr\u00f3prio e daqueles que lhe est\u00e3o ligados por la\u00e7os de sangue ou de amizade. As condi\u00e7\u00f5es de trabalho e os objectos em que se realiza ou produz s\u00e3o diversos e mudam com o evoluir dos tempos. Basta pensar na sociedade agr\u00e1ria e artesanal, a revolu\u00e7\u00e3o industrial e o desenvolvimento das novas tecnologias. Embora o homem n\u00e3o viva s\u00f3 para o trabalho, no entanto, sem trabalho, seja ele de que n\u00edvel ou \u00e2mbito for, a pessoa humana n\u00e3o se realiza. J\u00e1 os antigos diziam que a ociosidade \u00e9 a causa de todos os v\u00edcios. Por isso \u00e9 do interesse de todas as sociedades, da fam\u00edlia e da pessoa, para que se realizem na harmonia, no bem estar, na coes\u00e3o, que todas as pessoas em idade adulta tenham trabalho, contribuam para o bem comum, afirmando a sua corresponsabilidade pelo bem de todos. A organiza\u00e7\u00e3o socio-laboral e pol\u00edtica n\u00e3o deve ter em conta apenas o desenvolvimento econ\u00f3mico, a riqueza material, mas sobretudo a dignidade das pessoas. N\u00e3o \u00e9 de admitir que em nome do progresso tecnol\u00f3gico e da rentabilidade econ\u00f3mica se fa\u00e7a uma racionaliza\u00e7\u00e3o das empresas que lance no desemprego os trabalhadores, sobretudo quando n\u00e3o se encontram alternativas de trabalho digno. \u00c9 certo que nas crises se tomam decis\u00f5es dif\u00edceis para salvar o que \u00e9 poss\u00edvel. Mas sabemos que sob este nome se esconde muita ambi\u00e7\u00e3o de grupos econ\u00f3micos, que aproveitam a situa\u00e7\u00e3o de confus\u00e3o para ter em conta apenas os pr\u00f3prios interesses. As empresas e os governos t\u00eam que dar-se as m\u00e3os para encontrar solu\u00e7\u00f5es dignas da pessoa, evitando lan\u00e7ar na depend\u00eancia da solidariedade social as pessoas em idade de construirem a sua personalidade, e est\u00e3o neste caso as camadas jovens, ou com responsabilidades familiares. Vale a pena ler alguns textos da doutrina social da Igreja a respeito do trabalho, para definirmos bem os crit\u00e9rios de ac\u00e7\u00e3o em tempo de crise. Sem solu\u00e7\u00f5es equilibradas e justas a sociedade n\u00e3o ter\u00e1 coes\u00e3o e viabilidade. Uma grande aten\u00e7\u00e3o \u00e9 pedida aos empres\u00e1rios e pol\u00edticos para as fam\u00edlias com membros menores, em idade de crescimento, para os jovens \u00e0 procura do primeiro emprego, para as institui\u00e7\u00f5es que se ocupam das pessoas mais fragilizadas. O desemprego, mais que a crise financeira, embora por vezes lhe ande associada, \u00e9 um grande flagelo para a humanidade. Em vez de projectos megal\u00f3menos, que podem dar trabalho a algumas pessoas e enriquecer alguns grupos, h\u00e1 que viabilizar as pequenas empresas, que s\u00e3o a for\u00e7a do tecido social e, embora lentamente, contribuem para um desenvolvimento coeso e sustent\u00e1vel, ao mesmo tempo que humanizam as sociedades, outra vez em perigo de criar n\u00e3o um novo proletariado como na revolu\u00e7\u00e3o industrial, mas uma massa an\u00f3nima de desempregados revoltados ou de mendigos resignados. Nenhuma destas solu\u00e7\u00f5es \u00e9 promissora de bem estar social e de afirma\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa. Embora sem solu\u00e7\u00f5es concretas, aqui deixo estes primeiros apontamentos sobre o trabalho e o desemprego, esperando voltar a tocar estes problemas, enquanto fico \u00e0 procura de alternativas vi\u00e1veis para o tempo de crise. Fico tamb\u00e9m aberto a sugest\u00f5es dos ouvintes, pois sei que h\u00e1 muito esp\u00edrito de iniciativa e algumas boas pr\u00e1ticas entre empres\u00e1rios e trabalhadores, que \u00e9 preciso dar a conhecer e multiplicar por esse pa\u00eds fora. Agrade\u00e7o uma vez mais a aten\u00e7\u00e3o dos ouvintes e leitores, desejando a todos uma boa semana de trabalho e empenho pelo bem comum. At\u00e9 para a semana, se Deus quiser.  <i>\u2020 Ant\u00f3nio Vitalino, Bispo de Beja <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O trabalho e o desemprego<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171,206,314],"class_list":["post-36936","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36936"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36936\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}