{"id":368914,"date":"2025-04-13T09:31:54","date_gmt":"2025-04-13T08:31:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=368914"},"modified":"2025-04-14T13:23:04","modified_gmt":"2025-04-14T12:23:04","slug":"braga-celebracao-da-pascoa-e-um-momento-privilegiado-de-sermos-testemunhos-de-paz-d-jose-cordeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/braga-celebracao-da-pascoa-e-um-momento-privilegiado-de-sermos-testemunhos-de-paz-d-jose-cordeiro\/","title":{"rendered":"Braga: \u00abCelebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa \u00e9 um momento privilegiado de sermos testemunhos de paz\u00bb &#8211; D. Jos\u00e9 Cordeiro"},"content":{"rendered":"<p>No in\u00edcio da Semana Santa, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA D. Jos\u00e9 Cordeiro, arcebispo de Braga, cidade que por estes dias atrai milhares de peregrinos e turistas para celebra\u00e7\u00f5es com caracter\u00edsticas \u00fanicas no pa\u00eds<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_314250\" aria-describedby=\"caption-attachment-314250\" style=\"width: 929px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-314250 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista.jpeg\" alt=\"\" width=\"929\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista.jpeg 929w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista-768x513.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista-391x260.jpeg 391w\" sizes=\"(max-width: 929px) 100vw, 929px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-314250\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Henrique Cunha\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em> A Semana Santa de Braga ainda mant\u00e9m a designa\u00e7\u00e3o da mais tradicional e mais popular no pa\u00eds. Isto tem algum efeito ao n\u00edvel da pr\u00e1tica religiosa?<\/em><\/p>\n<p>Sim, experienciar, celebrar a Semana Santa em Braga tem um sabor muito especial. H\u00e1 tr\u00eas anos fiz-lo pela primeira vez e senti essa atmosfera grandiosa, que traz essa tradi\u00e7\u00e3o no seu peso, no verdadeiro sentido. Quando se fala em tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que tradi\u00e7\u00f5es, \u00e9 o grande dep\u00f3sito da f\u00e9, que est\u00e1 concentrado nesta semana e do modo especial no Tr\u00edduo Pascal. Se o \u00e9 para toda a Igreja, em Braga ainda \u00e9 com maior intensidade, solenidade, profundidade e interioridade naquilo que procuramos, neste esfor\u00e7o de renova\u00e7\u00e3o na continuidade, respeitando tamb\u00e9m esta hermen\u00eautica da continuidade, fazer sobressair o cora\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o do ano lit\u00fargico, que \u00e9 o mist\u00e9rio da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este ano, Braga \u00e9 tamb\u00e9m a capital portuguesa da cultura. Falava de renova\u00e7\u00e3o, pergunto se houve preocupa\u00e7\u00e3o de renovar tamb\u00e9m as propostas culturais e espirituais em 2025?<\/em><\/p>\n<p>Sim, est\u00e3o em renova\u00e7\u00e3o, porque est\u00e1 tudo interligado, a f\u00e9 torna-se cultura, com impacto social e \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o daquilo que n\u00e3o se pode dizer, do indiz\u00edvel, do invis\u00edvel, mas nessa renova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m em ordem \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 convers\u00e3o. H\u00e1 ritos que s\u00e3o extraordin\u00e1rios e por si falam, h\u00e1 outros que precisam dessa tal purifica\u00e7\u00e3o, como por exemplo a prociss\u00e3o teof\u00f3rica em Sexta-Feira Santa, com alguma renova\u00e7\u00e3o este ano, para se respeitar o esp\u00edrito da pr\u00f3pria liturgia e n\u00e3o se entrar em qualquer tipo de encena\u00e7\u00e3o ou de teatralismo &#8211; mas que seja no alinhamento do pr\u00f3prio sentido mais profundo do Tr\u00edduo Pascal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falou do impacto cultural, mas h\u00e1 tamb\u00e9m um impacto econ\u00f3mico para toda a regi\u00e3o decorrente da Semana Santa. Isso reflete-se na forma como as diferentes entidades preparam esta celebra\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida e h\u00e1 uma boa articula\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o da Semana Santa, que envolve a autarquia, os empres\u00e1rios, a Igreja, as institui\u00e7\u00f5es, as confrarias, as irmandades, as institui\u00e7\u00f5es culturais. Reflete-se na presen\u00e7a de tantos turistas e peregrinos, porque h\u00e1 este misto onde se sentem de uma maneira especial os peregrinos, aquelas pessoas que v\u00e3o para fazer essa experi\u00eancia da interioridade pascal, sobretudo na celebra\u00e7\u00e3o de Laudes de sexta e s\u00e1bado e depois durante toda a manh\u00e3, na celebra\u00e7\u00e3o da Reconcilia\u00e7\u00e3o &#8211; no ano passado, \u00e9ramos 12 padres a confessar e estivemos toda a manh\u00e3 neste servi\u00e7o de escuta e de acompanhamento. Mas reflete-se tamb\u00e9m nos hot\u00e9is e na vida social da cidade.<\/p>\n<p>As autoridades dizem que, por exemplo, a prociss\u00e3o mais participada \u00e9 a do Enterro do Senhor, de Sexta-feira Santa, que pode envolver cerca de 100 mil pessoas. A prociss\u00e3o da Burrinha, na quarta-feira \u00e0 noite, tamb\u00e9m est\u00e1 num crescendo e \u00e9 uma verdadeira catequese b\u00edblica, pastoral, espiritual, porque \u00e9 sempre \u00e0 luz do itiner\u00e1rio pastoral da arquidiocese.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 algum estudo sobre o impacto econ\u00f4mico da Semana Santa?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que sim, que a Associa\u00e7\u00e3o Empresarial ou Comercial j\u00e1 tem esse estudo e ele \u00e9 favor\u00e1vel para que ainda seja assumida com maior cuidado e sem medo a Semana Santa como a centralidade do programa cultural e espiritual da cidade de Braga.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Do ponto de vista mundial, a Semana Santa \u00e9 o ciclo lit\u00fargico central do calend\u00e1rio cat\u00f3lico. J\u00e1 falou de algumas manifesta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que Braga tem nas suas celebra\u00e7\u00f5es. Como \u00e9 que a arquidiocese assume o desafio de aproveitar este espa\u00e7o de evangeliza\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9, de facto, a maior escola da forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica ao longo do ano, antes de mais com o presbit\u00e9rio, com o Semin\u00e1rio Maior Conciliar, com os v\u00e1rios minist\u00e9rios da catequese, da liturgia, da caridade, evolvendo o mais poss\u00edvel e fazendo sobressair esses ritos no caminho de P\u00e1scoa que juntos estamos a percorrer, na arquidiocese, at\u00e9 2033, em ordem \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dos dois mil anos da P\u00e1scoa. O rito que para mim \u00e9 mais significativo \u00e9 o da Vig\u00edlia Pascal, o chamado \u2018<a href=\"http:\/\/diocese-braga.pt\/documento\/2022-04-16-accendite-33020-1\">accendite<\/a>\u2019: depois da renova\u00e7\u00e3o das promessas batismais, por tr\u00eas vezes se apaga o C\u00edrio Pascal e por tr\u00eas vezes se reacende, com o canto do arcebispo, num crescendo, com essa express\u00e3o latina, \u2018accendite\u2019. Acender, acende-te, para dizer que a f\u00e9, ao longo do percurso da vida, tem altos e baixos e \u00e0s vezes pode mesmo apagar-se, ou quase apagar-se, e \u00e9 preciso reacender, \u00e9 preciso que a comunidade tenha os tais adultos na f\u00e9 e os acompanhantes para que se reacenda a f\u00e9 na esperan\u00e7a e na caridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vemos que em muitos pa\u00edses europeus h\u00e1 um aumento do n\u00famero de adultos que procuram o batismo, algo que \u00e9 ainda residual, digamos, em Braga, apesar de haver um aumento este ano no n\u00famero de batizados na Vig\u00edlia Pascal &#8211; 10 catec\u00famenos, na Catedral. \u00c9 um sinal de que arquidiocese continua a ser, na sua ess\u00eancia, um territ\u00f3rio de tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica? Ainda h\u00e1 elevados n\u00edveis de pr\u00e1tica religiosa?<\/em><\/p>\n<p>Ainda h\u00e1, sobretudo no que respeita \u00e0 piedade popular, mas h\u00e1 um esfor\u00e7o que a arquidiocese est\u00e1 a fazer tamb\u00e9m no renovar, no primeiro an\u00fancio, continuando com tudo aquilo que j\u00e1 existe e que seja do amadurecimento e do acompanhamento na f\u00e9. Como diz, na Vig\u00edlia Pascal teremos 10 catec\u00famenos, com a particularidade de dois deles celebrarem o matrim\u00f3nio na pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o. Em muitas outras par\u00f3quias demos essa autoriza\u00e7\u00e3o de acolherem na Igreja, na inicia\u00e7\u00e3o, dezenas de pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Qual \u00e9 a proveni\u00eancia destes catec\u00famenos?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o de v\u00e1rias nacionalidades, inclusive daquelas mais inesperadas, como a China.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mais um efeito da imigra\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, porque Braga \u00e9 j\u00e1 uma cidade onde se nota esta interculturalidade e a inter-religiosidade que s\u00e3o desafios acrescidos \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica naquele territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1-se a renovar a Igreja tamb\u00e9m desta forma?<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1, e de um modo especial na cidade de Braga, isso \u00e9 muito sentido, particularmente at\u00e9 com a presen\u00e7a dos brasileiros, as igrejas voltaram a encher e at\u00e9 nas propostas dos Cursos Alpha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Braga claramente \u00e9 um destino cada vez mais procurado pela comunidade dos brasileiros em Portugal. Estava a dizer que muitos j\u00e1 est\u00e3o integrados nas par\u00f3quias, tamb\u00e9m sabemos que h\u00e1 outros que pertencem a diversas igrejas e comunidades crist\u00e3s. H\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o aproximada desta realidade? Ela representa tamb\u00e9m um desafio para as comunidades cat\u00f3licas?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um enorme desafio. Dos dados que conhe\u00e7o, s\u00e3o cerca de 30 mil brasileiros que est\u00e3o no territ\u00f3rio e muitos deles professam a f\u00e9 cat\u00f3lica. est\u00e3o a renovar as comunidades onde est\u00e3o inseridos, sobretudo com propostas de forma\u00e7\u00e3o ativa e criativa na constitui\u00e7\u00e3o de tantos grupos e movimentos. \u00c9 certo que tamb\u00e9m, a par disso, existem muitos outros desafios com seitas e outras igrejas, outras religi\u00f5es, com as quais procuramos tamb\u00e9m estabelecer o di\u00e1logo que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel. Por exemplo, a presen\u00e7a da Igreja Metodista em Braga, que \u00e9 significativa: na ter\u00e7a-feira irei celebrar com eles a P\u00e1scoa para que todos estes sinais possam ser tamb\u00e9m sinais de esperan\u00e7a, no tempo da P\u00e1scoa. Pela primeira vez nestes tr\u00eas anos, irei celebrar ao Estabelecimento Prisional em Braga, em plena Semana Santa, est\u00e3o reunidas as condi\u00e7\u00f5es para que tal possa acontecer e \u00e9 de facto um momento grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Arquidiocese vai destinar a ren\u00fancia quaresmal \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de livros lit\u00fargicos, especialmente do Missal Romano, para oferecer \u00e0s dioceses de Bafat\u00e1 e de Bissau, na Guin\u00e9-Bissau, onde esteve em visita h\u00e1 algumas semanas. Que impress\u00f5es trouxe da sua passagem por aquele pa\u00eds africano?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma experi\u00eancia muito bela, muito intensa e profunda e para ser consolidada. Nasceu com o acolhimento de um padre para o doutoramento em Filosofia, na Cat\u00f3lica, em Braga, e na rela\u00e7\u00e3o que se estabeleceu com o administrador diocesano, um padre italiano, e neste momento j\u00e1 com o bispo eleito que na oitava da P\u00e1scoa estar\u00e1 em Braga para consolidarmos esta rela\u00e7\u00e3o. Na ida l\u00e1, juntamente com a respons\u00e1vel do Centro Mission\u00e1rio da Arquidiocese, j\u00e1 levamos cem quilos de livros que foram entregues \u00e0s par\u00f3quias e estamos tamb\u00e9m com o projeto da Biblioteca do Semin\u00e1rio Maior Interdiocesano de Bissau-Bafat\u00e1 e na ajuda da cria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Filosofia da Universidade Cat\u00f3lica naquele pa\u00eds, para naquilo que nos \u00e9 poss\u00edvel, na forma\u00e7\u00e3o, na proximidade, na coopera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, podermos refor\u00e7ar estes la\u00e7os de fraternidade e de proximidade. \u00c9 uma Igreja muito presente, muito significativa naquele territ\u00f3rio maioritariamente mu\u00e7ulmano.<\/p>\n<p>Os dias em que estive, os dez dias, coincidiram tamb\u00e9m com o Ramad\u00e3o e na nossa Quaresma, o que permitiu conhecer mais de perto essa realidade e fazer essa experi\u00eancia num pa\u00eds de l\u00edngua portuguesa, com os desafios que est\u00e3o inerentes. A Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 a fazer um bom trabalho e nota-se tamb\u00e9m com os catec\u00famenos que s\u00e3o apresentados agora na Vig\u00edlia Pascal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a conviv\u00eancia entre mu\u00e7ulmanos, crist\u00e3os e cat\u00f3licos \u00e9 diferente em Bissau e na Guin\u00e9 do que \u00e9, por exemplo, noutros pa\u00edses da \u00c1frica, onde a hostilidade \u00e9 progressiva?<\/em><\/p>\n<p>Sim, com alguns riscos, mas \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o pac\u00edfica e sempre com muitos pontos de entendimento. Eu pr\u00f3prio fiz essa experi\u00eancia na b\u00ean\u00e7\u00e3o de um terreno para a constru\u00e7\u00e3o de uma capela em territ\u00f3rio mu\u00e7ulmano e depois, em troca, a comunidade crist\u00e3 est\u00e1 a cooperar tamb\u00e9m na constru\u00e7\u00e3o da escola cor\u00e2nica nessa mesma comunidade. Senti nestas comunidades, em concreto, uma rela\u00e7\u00e3o muito humana, muito pr\u00f3xima, muito fraterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Costuma referir-se \u00e0 par\u00f3quia de Santa Cec\u00edlia de Ocua como a par\u00f3quia 552. Tamb\u00e9m esteve recentemente no territ\u00f3rio e n\u00e3o h\u00e1 muito tempo, na Renascen\u00e7a, o padre Manuel Faria descreveu que neste momento existem situa\u00e7\u00f5es de fome extrema na regi\u00e3o. Que not\u00edcias \u00e9 que lhe t\u00eam chegado o terreno?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento e j\u00e1 depois do Ramad\u00e3o &#8211; porque a nossa par\u00f3quia de Santa Cec\u00edlia e de Ocua, em Cabo Delgado, Diocese de Pemba, se situa num territ\u00f3rio maioritariamente mu\u00e7ulmano &#8211; come\u00e7am a sentir-se movimenta\u00e7\u00f5es que trazem alguma preocupa\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia. No entanto, a Igreja continua com essa ajuda pr\u00f3xima das pessoas e neste momento at\u00e9 est\u00e1 a decorrer um curso para catequistas, na programa\u00e7\u00e3o normal da Semana Santa e das atividades que temos em curso, nomeadamente o apadrinhamento de 220 jovens, raparigas, para o secund\u00e1rio. Felizmente foi poss\u00edvel conseguir isto, gostar\u00edamos de apoiar mais para ajudar na forma\u00e7\u00e3o das mulheres, na pr\u00f3pria promo\u00e7\u00e3o da sua dignidade humana. N\u00e3o conseguimos resolver todos os problemas, mas no lugar onde estamos, aquela comunidade do padre Manuel Faria com a Sandra e a Paula, \u00e9 um sinal de esperan\u00e7a para aquele povo, nas mensagens, na partilha que fazemos, sentimos isso e que sem n\u00f3s seria muito pior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essas manifesta\u00e7\u00f5es preocupantes a que se referiu t\u00eam a ver com novos ataques terroristas?<\/em><\/p>\n<p>Pode ser, h\u00e1 algumas not\u00edcias que conduzem a isso, ainda n\u00e3o tenho mais dados e n\u00e3o falei sequer com o senhor D. Ant\u00f3nio Juliasse, bispo de Pemba, foram s\u00f3 informa\u00e7\u00f5es das nossas conversas \u00faltimas, mas estamos a acompanhar. Todos os dias, o Centro Mission\u00e1rio Arquidiocesano faz esse ponto de situa\u00e7\u00e3o, a nossa maior ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 junto das comunidades que nos est\u00e3o confiadas e tamb\u00e9m dos seminaristas que acolhemos aqui &#8211; temos sete seminaristas em forma\u00e7\u00e3o da Diocese de Pemba, dois deles este ano j\u00e1 regressar\u00e3o \u00e0 Diocese. Um novo desafio tamb\u00e9m est\u00e1 para acontecer e at\u00e9 porque h\u00e1 renova\u00e7\u00e3o das equipas, esperamos que possa trazer novos horizontes de esperan\u00e7a. Bom seria que a paz fosse efetiva ali no territ\u00f3rio, com tudo aquilo que compreende desenvolvimento integral e integrador que ainda est\u00e1 muito longe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>At\u00e9 por causa disso, pergunto se tem tamb\u00e9m acompanhado, como \u00e9 que tem sido a recupera\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias do \u00faltimo ciclone?<\/em><\/p>\n<p>Tem sido muito lenta, as ajudas tamb\u00e9m s\u00e3o as poss\u00edveis, mesmo aquilo que n\u00f3s conseguimos na Arquidiocese e em muitos outros lugares. Sei que outras par\u00f3quias fora da Arquidiocese de Braga, na Diocese de Viana do Castelo, fizeram a ren\u00fancia quaresmal para este fim. Estamos a tentar ajudar o mais poss\u00edvel as fam\u00edlias, na reconstru\u00e7\u00e3o das capelas, dos lugares de encontro e sobretudo tamb\u00e9m na sustentabilidade daquelas comunidades. Agora decorre o tempo das chuvas, \u00e9 um tempo de esperan\u00e7a para aquele povo, esperamos que as colheitas tamb\u00e9m sejam boas para que as fam\u00edlias se possam reorganizar.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>As situa\u00e7\u00f5es de fome de que nos falava o padre Manuel Faria persistem?<\/em><\/p>\n<p>Sim, pelos dados que temos, persistem, porque n\u00f3s n\u00e3o conseguimos acudir a todas as situa\u00e7\u00f5es. Aos que est\u00e3o mais pr\u00f3ximos da miss\u00e3o ou dos programas de apoio, \u00e9-lhes poss\u00edvel manter essa s\u00f3bria alimenta\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, enquanto n\u00e3o t\u00eam o fruto das suas colheitas, mas em \u00e1reas mais long\u00ednquas do centro da par\u00f3quia ainda se sente essa grande dificuldade. O padre Manuel Faria, nos artigos que tem escrito e tamb\u00e9m na entrevista que deu aqui, \u00e9 testemunha em primeira m\u00e3o desta dura realidade na miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta vai ser uma P\u00e1scoa marcada pela incerteza, a v\u00e1rios n\u00edveis, tamb\u00e9m com conflitos militares e guerras comerciais. Sente que vai ser mais dif\u00edcil passar uma mensagem de esperan\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil no tempo que nos toca viver, porque \u00e9 muito complexo: \u00e9 a guerra econ\u00f3mica, \u00e9 a guerra que corre na Ucr\u00e2nia, na Terra Santa, em tantos outros lugares do mundo; s\u00e3o as ideologias que n\u00e3o respeitam a dignidade da pessoa humana, a sua identidade e este desenvolvimento em ordem \u00e0 paz, ao progresso, \u00e0 ecologia integral. Por isso, torna-se dif\u00edcil a transmiss\u00e3o da paz, mas a pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa anual \u00e9 um momento privilegiado de sermos testemunhos de paz pelos nossos gestos, pela nossa a\u00e7\u00e3o. Antes de mais, para quem \u00e9 crente, pela ora\u00e7\u00e3o confiante naquilo que \u00e9 a nossa esperan\u00e7a e por isso n\u00e3o engana, como nos prop\u00f5e para este Jubileu o Papa Francisco &#8211; sermos peregrinos de esperan\u00e7a e de uma esperan\u00e7a que n\u00e3o engana, porque \u00e9 Jesus Cristo, \u00e9 Ele o caminho, a verdade e a vida. Sem a cruz n\u00e3o h\u00e1 P\u00e1scoa e sem P\u00e1scoa n\u00e3o h\u00e1 cruz e ser peregrino \u00e9 isto mesmo, \u00e9 encarar a realidade numa procura constante de ultrapassar os obst\u00e1culos e torn\u00e1-la um lugar de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a tem de espantar, n\u00f3s temos de nos surpreender e esse \u00e9 o grande an\u00fancio da P\u00e1scoa: que Cristo ressuscitou, que Ele nos ama, que nos quer bem e todos os nossos gestos e a\u00e7\u00f5es t\u00eam de ser nesse caminho de P\u00e1scoa para trazer mais luz, mais alegria e beleza a este mundo que habitamos, para que continue a dar gosto e consigamos tamb\u00e9m rasgar, cada vez mais, horizontes de esperan\u00e7a para toda a humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio da Semana Santa, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA D. Jos\u00e9 Cordeiro, arcebispo de Braga, cidade que por estes dias atrai milhares de peregrinos e turistas para celebra\u00e7\u00f5es com caracter\u00edsticas \u00fanicas no pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":314250,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[172,308],"class_list":["post-368914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-diocese-de-braga","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368914\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/314250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}