{"id":368718,"date":"2025-04-11T09:03:54","date_gmt":"2025-04-11T08:03:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=368718"},"modified":"2025-04-11T16:56:31","modified_gmt":"2025-04-11T15:56:31","slug":"ampliar-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ampliar-a-esperanca\/","title":{"rendered":"Ampliar a Esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, diocese da Guarda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-271042 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>No dia 4 de Mar\u00e7o do corrente ano, lembrando que a pr\u00f3pria ONU \u00e9 um fruto da Esperan\u00e7a, a Assembleia Geral da Na\u00e7\u00f5es Unidas instituiu o 12 de Julho \u00abDia Internacional da Esperan\u00e7a\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se serei injusto para com os instrumentos medi\u00e1ticos do nosso espa\u00e7o p\u00fablico, mas eles ter\u00e3o primado pela omiss\u00e3o informativa sobre esta delibera\u00e7\u00e3o. \u00c9 pena, sobretudo num tempo de guerras em que nos envolvem nuvens negras que n\u00e3o deixam de toldar os horizontes da Humanidade. E isto sabendo que a ONU foi criada para promover a paz e construir sociedades mais seguras, pelo que a Esperan\u00e7a de um mundo livre de guerras \u00e9 um dos seus principais objectivos.<\/p>\n<p>Vai havendo \u00abdias celebrativos\u00bb para tudo. E eles t\u00eam vindo a multiplicar-se de tal maneira que raro ser\u00e1 o dia em que n\u00e3o haja algo para evocar celebrativamente de um modo mundial, internacional, nacional ou mesmo regional. Uns institu\u00eddos por organismos internacionais e outros por movimentos e organiza\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Eles s\u00e3o tantos e sobre temas que ultrapassam de tal modo a nossa imagina\u00e7\u00e3o que, se olharmos para o mapa destes dias, a que facilmente teremos acesso com uma consulta na internet, todos ser\u00edamos desafiados a realizar um escalonamento da import\u00e2ncia que lhe atribu\u00edmos e ser\u00edamos at\u00e9 tentados a eliminar alguns que mais parecem encontrar-se a ensombrar outros sobre tem\u00e1ticas com que mais nos identificamos.<\/p>\n<p>Por princ\u00edpio, nada tenho contra esta onda celebrativa, mas sempre lembrarei que o excesso pode cansar e o cansa\u00e7o faz esquecer, se n\u00e3o mesmo desvalorizar e at\u00e9 ignorar.<\/p>\n<p>J\u00e1 tenho ouvido dizer a muito boa gente que estes dias nada lhe comunicam. Se uns dizem que eles foram criados por organiza\u00e7\u00f5es desacreditadas, outros afirmam que em nada se traduzem nas pr\u00e1ticas humanas para al\u00e9m de umas ac\u00e7\u00f5es meramente simb\u00f3licas realizadas naqueles dias muitas vezes com pompa e circunst\u00e2ncia. Outros, mais radicais ainda, v\u00e3o dizendo que estes s\u00e3o dias de canto hip\u00f3crita que, quando muito, servem para sossegar as consci\u00eancias e fomentar o consumismo. N\u00e3o poderei saber onde situar os nossos meios de comunica\u00e7\u00e3o social que ter\u00e3o ignorado a decis\u00e3o tomada no dia 4 de Mar\u00e7o pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Nem irei especular sobre tal.<\/p>\n<p>Olhando para aquele imenso n\u00famero de dias celebrativos, aristotelicamente, vou pelo meio termo, acompanhando o povo que ter\u00e1 muita raz\u00e3o, aqui como noutras circunst\u00e2ncias. E o povo vem dizendo, certamente inspirado no saber antigo de Arist\u00f3teles, que \u00ab<em>a virtude est\u00e1 no meio<\/em>\u00bb. Ou ent\u00e3o, numa express\u00e3o ainda mais popular, \u00ab<em>nem oito nem oitenta<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Surpreendido com a decis\u00e3o daquela assembleia das Na\u00e7\u00f5es Unidas, saboreei a Esperan\u00e7a. E continuo a sabore\u00e1-la at\u00e9 porque nos encontramos a viver um ano jubilar iluminados pelas palavras do Ap\u00f3stolo Paulo com que o Papa Francisco abre a bula da proclama\u00e7\u00e3o: \u00ab<em>Spes non confundit<\/em> \u2013 a esperan\u00e7a n\u00e3o engana\u00bb (<em>Rm<\/em> 5, 5). Embora possa ser de supor que tal decis\u00e3o n\u00e3o tenha sido tomada para ir ao encontro do Ano Jubilar, n\u00e3o se deixar\u00e1 de supor que tenha havido intervenientes a terem em mente tamb\u00e9m o jubileu. Um jubileu que, sendo da Esperan\u00e7a, olha para as esperan\u00e7as dos homens com o horizonte da Esperan\u00e7a, virtude teol\u00f3gica fundada na Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A proposta de projecto da resolu\u00e7\u00e3o veio da \u00c1ustria, Guin\u00e9 Equatorial, Marrocos, Fiji, Kiribati e Vanuatu. Perante uma proposta que incidia sobre a Esperan\u00e7a num momento em que a Humanidade se defronta com tantos desafios para construir a paz e o bem e felicidade de todos, seria de esperar uma vota\u00e7\u00e3o un\u00e2nime da resolu\u00e7\u00e3o. Com surpresa e estupefac\u00e7\u00e3o anotei que n\u00e3o foi esse o caso. A resolu\u00e7\u00e3o foi aprovada por cento e sessenta e um votos a favor, mas com quatro absten\u00e7\u00f5es [\u00cdndia, Paraguai, Peru e Turquia] e \u2013 pasmem os povos da terra e os Anjos do C\u00e9u &#8211; o voto contra dos Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>O ser humano tem sido definido de muitas maneiras para al\u00e9m da mais citada dimens\u00e3o racional e social ou pol\u00edtica. A Esperan\u00e7a \u00e9 a for\u00e7a que sust\u00e9m outra qualquer propriedade humana. \u00c9 ela que constr\u00f3i a comunidade pol\u00edtica de seres racionais e une os seres humanos no caminho da paz e do bem por que todos os homens e as sociedades anseiam. Por isso, e sendo que a Esperan\u00e7a \u00e9 uma virtude em que todos os povos se constituem como Humanidade, n\u00e3o deixa de ser um tanto estranho, para n\u00e3o dizer assustador, ver pa\u00edses que, num are\u00f3pago internacional como a ONU, esquecem, ou n\u00e3o querem ver, que o Homem \u00e9 um Ser de Esperan\u00e7a e que as comunidades pol\u00edticas se constituem estruturando-se em formas de Esperan\u00e7a. Se n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 a Esperan\u00e7a, o que poder\u00e1 estar l\u00e1?<\/p>\n<p>Na sua ess\u00eancia primeira os sistemas pol\u00edticos, pois, s\u00e3o estruturas de Esperan\u00e7a. Mesmo quando ela n\u00e3o se encontra claramente explicitada, ela l\u00e1 se encontra escondida nas finalidades e metas das sociedades a que esta virtude d\u00e1 energia e abre os horizontes do sempre ansiado bem.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m isso que consigo encontrar na resolu\u00e7\u00e3o aprovada naquele dia 4 de Mar\u00e7o. Leio atentamente o texto e a\u00ed encontro o reconhecimento da \u00ab<em>relev\u00e2ncia da esperan\u00e7a e do bem-estar como objetivos e aspira\u00e7\u00f5es universais na vida dos seres humanos em todo o mundo e a import\u00e2ncia de os reconhecer nos objetivos das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/em>\u00bb \u00c9 por isso que a Assembleia Geral da Na\u00e7\u00f5es Unidas, acolhendo todas as actividades que visam mobilizar os esfor\u00e7os da Comunidade Internacional para promover a paz e o entendimento m\u00fatuo, n\u00e3o s\u00f3 encoraja todo o mundo a celebrar condignamente o \u00ab<em>Dia Internacional da Esperan\u00e7a<\/em>\u00bb, como \u00ab<em>convida todos os Estados-Membros a continuarem a ampliar a esperan\u00e7a<\/em>\u00bb para que, trabalhando em colabora\u00e7\u00e3o com todos os intervenientes relevantes, se construam caminhos para a concretiza\u00e7\u00e3o da paz, do bem-estar, da estabilidade social e do desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00ab<em>Ampliar a esperan\u00e7a<\/em>\u00bb \u00e9, portanto, o convite dirigido a todos os Estados Membros. Pensando que a Esperan\u00e7a \u00e9 a for\u00e7a interior que nos leva a lutar pela concretiza\u00e7\u00e3o da paz e que, consequentemente, nos faz levantar, sem des\u00e2nimo e sem catastrofismo, em favor do bem e da felicidade das comunidades, dificilmente se poder\u00e1 entender que possa haver Estados que n\u00e3o alinhem neste ideal de celebrar e ampliar a Esperan\u00e7a dos cidad\u00e3os de qualquer Estado.<\/p>\n<p>Perante a situa\u00e7\u00e3o em que se encontra o nosso mundo, seremos facilmente tentados a fazer leituras catastrofistas dos acontecimentos. Da\u00ed a relev\u00e2ncia de celebrar a Esperan\u00e7a para que todos os acontecimentos possam ser lidos como oportunidade e chamamento para a realiza\u00e7\u00e3o do bem, com confian\u00e7a, dedica\u00e7\u00e3o e empenho, mesmo quando se reconhece ser assustador haver um Estado que caminha contra a corrente da Esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Importa acreditar que a Esperan\u00e7a \u00e9 a for\u00e7a propulsora do bem. Com Esperan\u00e7a, o \u00abDia Internacional da Esperan\u00e7a\u00bb poder\u00e1 encorajar os Estados, organiza\u00e7\u00f5es internacionais, nacionais e regionais, governamentais e n\u00e3o governamentais e de toda sociedade civil a mobilizarem-se para a concretiza\u00e7\u00e3o dos grandes ideais da Humanidade, incluindo a realiza\u00e7\u00e3o da paz. Da pequena grande paz de cada um consigo e com os que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximos, e da grande paz entre as Na\u00e7\u00f5es e os Estados. \u00c9 urgente redescobrir e ampliar a Esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado<\/em><br \/>\n<em>morgado.salvado@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, diocese da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":271042,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-368718","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368718","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368718"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368718\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/271042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368718"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}