{"id":368580,"date":"2025-04-08T12:19:47","date_gmt":"2025-04-08T11:19:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=368580"},"modified":"2025-04-11T16:57:01","modified_gmt":"2025-04-11T15:57:01","slug":"a-esperanca-que-alcanca-testemunho-do-veneravel-pe-manuel-nunes-formigao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-esperanca-que-alcanca-testemunho-do-veneravel-pe-manuel-nunes-formigao\/","title":{"rendered":"A Esperan\u00e7a que Alcan\u00e7a \u2013 Testemunho do Vener\u00e1vel Pe. Manuel Nunes Formig\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Nuno Almeida, Bispo de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><!--more--><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pe-formigao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-368581 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pe-formigao.jpg\" alt=\"\" width=\"467\" height=\"311\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pe-formigao.jpg 900w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pe-formigao-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pe-formigao-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pe-formigao-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 467px) 100vw, 467px\" \/><\/a>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Num mundo em ebuli\u00e7\u00e3o e com a humanidade a viver uma \u201cterceira guerra mundial aos peda\u00e7os\u201d, o Papa Francisco encoraja a Igreja a revalorizar, cultivar e a testemunhar a terceira virtude teologal: a Esperan\u00e7a. Com esta finalidade publicou a Bula de Proclama\u00e7\u00e3o do Jubileu 2025 \u2013 <em>Spes non confundit <\/em>\u2013 <em>A Esperan\u00e7a n\u00e3o engana<\/em>, onde come\u00e7a por dizer: \u201c<em>a quantos lerem esta carta que a esperan\u00e7a lhes encha o cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d. E acrescentou: \u201c<em>a vida \u00e9 um caminho que precisa de momentos fortes para nutrir e robustecer a esperan\u00e7a<\/em>\u201d (n. 5).<\/p>\n<p>O Jubileu \u00e9 um destes eventos oferecidos, neste nosso tempo, para n\u00e3o cairmos na tenta\u00e7\u00e3o do pessimismo e do desencorajamento que geram resigna\u00e7\u00e3o e pregui\u00e7a, ao passo que a esperan\u00e7a acende o desejo e leva a a\u00e7\u00e3o. Queremos, portanto, viver e celebrar o Jubileu como \u201cperegrinos de esperan\u00e7a\u201d, percorrendo um caminho que nos afaste da rotina e do deixar correr e nos torne mais audazes no pensar, sentir e agir.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode viver sem esperan\u00e7a num amanh\u00e3 melhor. A esperan\u00e7a, a mais pequena das virtudes, mas a mais forte, convida-nos <strong>a olhar com olhos novos<\/strong> a nossa exist\u00eancia, sobretudo nos momentos dif\u00edceis e a ver a atrav\u00e9s dos olhos de Jesus, o autor da nossa esperan\u00e7a. A esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 simples ilus\u00e3o, mas uma virtude concreta que nos ajuda a superar os desafios da vida. \u00c9 preciso que nos interroguemos sempre se somos realmente homens e mulheres de esperan\u00e7a. O que podemos fazer para que cres\u00e7a em n\u00f3s esta virtude?<\/p>\n<p><strong>(1)Na senda do Jubileu de 2025, dedicado \u00e0 Esperan\u00e7a, precisamos de modelos que nos ensinem os trilhos duma expecta\u00e7\u00e3o confiante. Temos necessidade de rostos de esperan\u00e7a! <\/strong><\/p>\n<p><strong>Olhamos, por isso, para a vida do Padre Manuel Nunes Formig\u00e3o e constatamos como ele viveu esta virtude de forma t\u00e3o sublime e intensa. A virtude da Esperan\u00e7a faz parte do universo espiritual do P. Formig\u00e3o. <\/strong>Ela emerge nos seus discursos, nos seus escritos e nas suas atitudes, sobretudo quando experimenta a conting\u00eancia do corpo, muitas vezes, doente, e das circunst\u00e2ncias, muitas vezes adversas. A entrega incondicional \u00e0 vontade de Deus caracterizava a f\u00e9 e a esperan\u00e7a deste sacerdote, que com um cora\u00e7\u00e3o verdadeiramente filial sabia aceitar toda a sorte de acontecimentos e ver neles a m\u00e3o da Provid\u00eancia de Deus.<\/p>\n<p>Em todas as circunst\u00e2ncias e at\u00e9 ao fim da sua vida, o P. Formig\u00e3o procurou manter-se fiel \u00e0 vontade de Deus, aceitando com esp\u00edrito sobrenatural os sofrimentos f\u00edsicos e morais como vindos da parte do Senhor. Soube cultivar as virtudes da alegria, da serenidade e da paz, e espalhar a esperan\u00e7a \u00e0 sua volta, procurando fazer felizes os outros. Sem se desviar da meta nos momentos mais duros e dif\u00edceis, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o dava provas de enfraquecimento na esperan\u00e7a, mas a infundia nos outros. Tinha o dom de saber levar a cruz a sorrir.<\/p>\n<p>No contexto do Jubileu da Esperan\u00e7a, queremos, neste encontro, recordar a vida, o legado e o testemunho heroico de esperan\u00e7a do Pe. Manuel Nunes Formig\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta heroicidade de virtude foi confirmada pelo Papa Francisco a 13 de abril de 2018\u00a0com a promulga\u00e7\u00e3o do Decreto que reconhece as suas virtudes heroicas, tornando o \u201c<em>Vener\u00e1vel P. Formig\u00e3o, modelo de F\u00e9, Caridade e Esperan\u00e7a para todos<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p><strong>\u00a0(2)A esperan\u00e7a foi, de facto, \u201cancora\u201d nas provas da vida do Pe. Formig\u00e3o. A esperan\u00e7a foi \u201cvela\u201d nos sonhos e projetos do seu fecundo minist\u00e9rio sacerdotal.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Prestaremos especial aten\u00e7\u00e3o ao testemunho do Pe. Formig\u00e3o com os jovens e ao seu minist\u00e9rio na diocese de Bragan\u00e7a Miranda.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.A \u201cancora\u201d da esperan\u00e7a nos momentos de prova<\/strong><\/p>\n<p>O P. Formig\u00e3o nasceu no Convento de Cristo, em Tomar, a 1 de janeiro de 1883, numa fam\u00edlia crist\u00e3, e a 18 de janeiro recebeu o batismo. Sentindo a voca\u00e7\u00e3o para a vida sacerdotal, no ano de 1895 entrou no Semin\u00e1rio Patriarcal de Santar\u00e9m e, sucessivamente, foi para Roma, para completar os estudos na Pontif\u00edcia Universidade Gregoriana, onde obteve a licenciatura em Direito Can\u00f3nico e em Teologia. Foi ordenado sacerdote a 4 de abril de 1908.<\/p>\n<p>Regressado a Santar\u00e9m, foi nomeado professor no Semin\u00e1rio Patriarcal e no liceu S\u00e1 da Bandeira.<\/p>\n<p>Entre as suas primeiras atividades, fundou a associa\u00e7\u00e3o Nun\u2019Alvares, precursora da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica em Portugal, tendo exercido um apostolado fecundo com a juventude.<\/p>\n<p>Quando, em 1918, o pa\u00eds foi atingido por uma epidemia (a pneum\u00f3nica), o P. Formig\u00e3o, juntamente com os jovens da Associa\u00e7\u00e3o, prestou servi\u00e7o aos doentes e \u00e0s fam\u00edlias, distribuindo rem\u00e9dios e alimentos, e a todos assist\u00eancia espiritual.<\/p>\n<p>No per\u00edodo das apari\u00e7\u00f5es da Virgem Maria em F\u00e1tima, num primeiro momento, a atitude do P. Formig\u00e3o foi de ceticismo; mas, depois de um encontro com os videntes, modificou totalmente a sua opini\u00e3o e F\u00e1tima passou a entrar dentro da sua vida; e mais ainda, acompanhou os videntes nos momentos de sofrimento e na sua educa\u00e7\u00e3o. Os Pastorinhos tiveram no P. Formig\u00e3o o suporte e o defensor. Deles foi mestre e deles se tornou disc\u00edpulo. Depois dos estudos em Roma e da sua experi\u00eancia no santu\u00e1rio de Lourdes (1909), ningu\u00e9m como ele estava em condi\u00e7\u00f5es de interpretar e apresentar o que durante seis meses ocorrera na Cova da Iria.<\/p>\n<p>No ano de 1926, depois de muita ora\u00e7\u00e3o e discernimento, fundou em Lisboa a Congrega\u00e7\u00e3o das Religiosas Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de F\u00e1tima, dedicada \u00e0 repara\u00e7\u00e3o e \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1934, o Servo de Deus pediu a sua transfer\u00eancia para Bragan\u00e7a. Aqui foi nomeado docente do Semin\u00e1rio e, de 1939 a 1943, Reitor do mesmo. Neste per\u00edodo realizou um apostolado fecundo na \u00e1rea social e caritativa. Em 1937 fundou a revista <em>Stella<\/em> e fez muitas confer\u00eancias sobre F\u00e1tima. Em 1940 fundou o jornal <em>O Mensageiro de Bragan\u00e7a<\/em>.<\/p>\n<p>No ano escolar de 1943-1944 colaborou com o Arcebispo de \u00c9vora na dire\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>No ano de 1944, v\u00e1rios motivos de sa\u00fade obrigaram-no a transferir-se para o Porto, onde exerceu o seu minist\u00e9rio como capel\u00e3o da Casa do Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, dedicando-se ao sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m \u00e0 dire\u00e7\u00e3o espiritual do Instituto da Repara\u00e7\u00e3o e \u00e0 expans\u00e3o do mesmo. Em 1954, deixou a diocese de Porto para se transferir para F\u00e1tima, onde morreu a 30 de janeiro de 1958.<\/p>\n<p>O perfil espiritual do Servo de Deus define-se com grande evid\u00eancia no horizonte da santidade. Ele encarnou com coer\u00eancia a figura do Bom Pastor, que n\u00e3o s\u00f3 serve o rebanho, mas partilha com os fi\u00e9is o caminho do sofrimento e da esperan\u00e7a. <strong>(3)Incans\u00e1vel em qualquer situa\u00e7\u00e3o, o Padre Manuel Formig\u00e3o desempenhou o minist\u00e9rio com perseveran\u00e7a e generosidade. A sua vida interior alimentava-se quotidianamente numa fervorosa espiritualidade eucar\u00edstica e na devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem Maria, que lhe permitia perceber com clareza e serenidade o sentido dos eventos pessoais, sociais e eclesiais. Nas circunst\u00e2ncias mais dif\u00edceis manifestou uma grande for\u00e7a de \u00e2nimo: inabal\u00e1vel era nele o confiante abandono \u00e0 vontade de Deus e a fidelidade incondicional ao Evangelho. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.A virtude da esperan\u00e7a \u201cvela\u201d impulsionadora do minist\u00e9rio sacerdotal <\/strong><\/p>\n<p>Os fen\u00f3menos de F\u00e1tima, em 1917, surgem como um sol de esperan\u00e7a que dava sentido \u00e0 vida do P. Formig\u00e3o e \u00e0 hist\u00f3ria de um povo, t\u00e3o duramente provado pela guerra civil, pela guerra mundial e pela epidemia da pneum\u00f3nica. Acompanhando a sucess\u00e3o dos acontecimentos, pedra a pedra, o P. Formig\u00e3o foi um verdadeiro \u201cconstrutor\u201d de F\u00e1tima, com interrogat\u00f3rios minuciosos, com visitas frequentes, com relatos e cr\u00f3nicas, com livros e artigos, com a palavra escrita e oral.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos primeiros escritos sobre F\u00e1tima, do Estudo Apolog\u00e9tico dos Videntes e do Processo Can\u00f3nico sobre as apari\u00e7\u00f5es, o P. Formig\u00e3o deixou uma vasta bibliografia sobre F\u00e1tima sob o pseud\u00f3nimo de Visconde de Montelo.<\/p>\n<p><strong>(4)Deixou escrito que \u201c<em>a esperan\u00e7a crist\u00e3 baseia-se na f\u00e9 em Deus que cria sempre novidades na vida do homem, cria novidades na hist\u00f3ria, cria novidades no cosmos. O nosso Deus \u00e9 o Deus que cria novidades, porque \u00e9 o Deus das surpresas. A gra\u00e7a p\u00f5e em n\u00f3s esperan\u00e7as, esperan\u00e7as infinitas e energias maravilhosas. A esperan\u00e7a \u00e9 a confian\u00e7a filial, a entrega total a Deus<\/em>\u201d (Padre Formig\u00e3o, Escritos espirituais).<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de todas as vicissitudes de que a vida do P. Formig\u00e3o foi t\u00e3o pr\u00f3diga, sobressa\u00edam nele as virtudes da alegria, da simplicidade, da serenidade e da paz, como modos de estar e de espalhar a esperan\u00e7a \u00e0 sua volta, procurando fazer felizes os outros. Sem se desviar da meta, nos momentos mais duros e dif\u00edceis, o P. Formig\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o dava provas de enfraquecimento na esperan\u00e7a, mas a infundia nos outros. Levava a cruz a sorrir. No meio das provas e sofrimentos morais, era um grande homem de esperan\u00e7a, de confian\u00e7a inabal\u00e1vel no Senhor e na Senhora.<\/p>\n<p>O carisma de Fundador do Pe. Formig\u00e3o nasceu de tr\u00eas coordenadas: a mensagem de F\u00e1tima, a situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da na\u00e7\u00e3o portuguesa e a sua inser\u00e7\u00e3o na Igreja. O ponto fulcral dessa converg\u00eancia, certamente movido por uma viva luz interior do Esp\u00edrito Santo que ilumina os Fundadores, como acentuou Pio XII, foi a necessidade de repara\u00e7\u00e3o, facto que ele ligava intimamente tamb\u00e9m ao pedido de ora\u00e7\u00e3o e penit\u00eancia das Apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima. Essa necessidade de intensa repara\u00e7\u00e3o, foi nele despertada e sustentada pelo segredo da Jacinta e desde ent\u00e3o o Fundador sentiu a &#8220;inspira\u00e7\u00e3o&#8221; de lhe dar forma institucional.<\/p>\n<p>Por isso vem escrito logo no princ\u00edpio das Constitui\u00e7\u00f5es do novo Instituto: &#8220;<em>O fim especial da Congrega\u00e7\u00e3o das Religiosas Reparadoras de F\u00e1tima \u00e9 a repara\u00e7\u00e3o das ofensas que se cometem contra Deus e o seu amor para com os homens<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>\u00c0 sua chegada a Bragan\u00e7a o P. Formig\u00e3o passou a residir no Pa\u00e7o Episcopal, e iniciou as suas atividades como secret\u00e1rio particular do Sr. Bispo, oficial da C\u00faria e professor do Semin\u00e1rio nas disciplinas de Direito Can\u00f3nico, Filosofia, Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica, Asc\u00e9tica e M\u00edstica e Liturgia, a diferentes anos. Al\u00e9m destas atividades acad\u00e9micas \u00e0s quais se devem acrescentar algumas aulas de tempos a tempos no Liceu Em\u00eddio Garcia, a for\u00e7a apost\u00f3lica aqui, como em Santar\u00e9m, desdobra-se em muitas outras.<\/p>\n<p>\u00c9 nomeado assistente diocesano da Ac\u00e3o Cat\u00f3lica, e trabalha principalmente com a juventude. Trabalhou imenso com a juventude. Trabalhou tamb\u00e9m muito com as crian\u00e7as. Tomou a seu cuidado a orienta\u00e7\u00e3o espiritual das Filhas de Maria; deu muitos retiros e organizou v\u00e1rios teatros para as crian\u00e7as e os jovens.<\/p>\n<p>Em Bragan\u00e7a, come\u00e7a por se dirigir aos mais necessitados e para eles funda e mant\u00e9m dois patronatos: um para meninos, o qual come\u00e7a a funcionar no dia 13 de junho de 1935 e que toma o nome de Santo Ant\u00f3nio; o outro para meninas com o nome, para ele t\u00e3o querido, de Nossa Senhora de F\u00e1tima. Estes patronatos eram sumamente ben\u00e9ficos, porque n\u00e3o s\u00f3 alimentavam os mais necessitados, mas tamb\u00e9m lhes proporcionavam a primeira instru\u00e7\u00e3o c\u00edvica e religiosa.<\/p>\n<p>Contudo, um dos apostolados que mais exerceu em Bragan\u00e7a, embora sempre o tivesse especialmente praticado, foi o oculto, mas eficac\u00edssimo apostolado do confession\u00e1rio. Desse seu esmerado cuidado pela cultura das almas de elei\u00e7\u00e3o, nasciam muitas voca\u00e7\u00f5es \u00e0 vida consagrada, sacerdotal e matrimonial.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de todo este apostolado, o seu trabalho de escritor prosseguia ainda mais vigorosamente. \u00c0 prepara\u00e7\u00e3o de novos livros como &#8220;O que \u00e9 F\u00e1tima&#8221; e &#8220;F\u00e9 e P\u00e1tria&#8221;, acrescenta as c\u00e9lebres contribui\u00e7\u00f5es para a &#8220;Voz da F\u00e1tima&#8221;, de que foi sempre fiel colaborador. Nem podia faltar a funda\u00e7\u00e3o de uma nova publica\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica: &#8220;O Mensageiro de Bragan\u00e7a&#8221;, cujo primeiro n\u00famero aparece no dia 1 de janeiro de 1940, sendo ele mesmo o Diretor. Al\u00e9m de Diretor era sobretudo o redator principal e \u00e0s vezes quase \u00fanico. Os seus artigos, breves, mas densos de doutrina, sobretudo no aspeto moral e dogm\u00e1tico, eram muito esclarecedores. Naturalmente tamb\u00e9m n\u00e3o esquece um apostolado que lhe era muito querido: propagar a devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>As pessoas simples, os jovens, os seminaristas, e os sacerdotes eram atra\u00eddos pela bondade, amabilidade e simplicidade que transparecia em todo o seu ser.<\/p>\n<p><strong>(5) O Bispo de Bragan\u00e7a, D. Ab\u00edlio Vaz das Neves, d\u00e1 dele o seguinte testemunho: \u201c<em>Foi para mim uma alegria, um conforto, uma esperan\u00e7a, uma gra\u00e7a bem especial, ter encontrado na diocese, que n\u00e3o conhecia, o Sr. C\u00f3nego Formig\u00e3o. No tempo em que foi meu comensal, tive ocasi\u00e3o de conhecer em S. Rev.cia um amigo fiel, leal, culto e de uma piedade s\u00f3lida a toda a prova: um mestre colaborador na renova\u00e7\u00e3o da diocese havia tr\u00eas anos sem pastor. Naquele tempo sobressa\u00eda na cidade o fruto do seu zelo, oculto e seguro, entre as elites de homens e senhoras<\/em>\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 bom real\u00e7ar que era um sacerdote de do\u00e7ura e de mansid\u00e3o, \u00e0 maneira de S. Francisco de Sales e de Jo\u00e3o XXIII. Mas, ao mesmo tempo, tinha uma fortaleza de vontade e uma firmeza de atitudes que n\u00e3o permitiam que ele se afastasse um mil\u00edmetro do que estava certo ser a Vontade de Deus.<\/p>\n<p>Muito teve de trabalhar e sofrer, como Ap\u00f3stolo de F\u00e1tima, como fundador da Congrega\u00e7\u00e3o das Religiosas Reparadoras de F\u00e1tima e da revista &#8220;Stella&#8221;. Mas ele era totalmente sacerdote. E tra\u00e7ava armas por Maria e pela sua mensagem.<\/p>\n<p>O sofrimento que o prostrou nos \u00faltimos anos fez dele uma grande v\u00edtima reparadora, na linha dos pastorinhos que tanto rezaram e sofreram para que as almas n\u00e3o fossem para o inferno. E assim, de boca muda, pregava tamb\u00e9m a sua \u00faltima e inesquec\u00edvel li\u00e7\u00e3o \u00e0s suas diletas filhas espirituais, que s\u00e3o essencialmente reparadoras, e que t\u00eam a seu cargo o Lausperene de F\u00e1tima, que ele tanto desejou ver durante a vida.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.Mestre da juventude <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0(6) O P. Formig\u00e3o procurou sempre estar pr\u00f3ximo dos jovens para lhes anunciar o evangelho e os acompanhar pelos caminhos da vida.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Teve sempre a coragem do an\u00fancio do Evangelho aos mais jovens. O P. Formig\u00e3o tinha o dom de acolher a verdade e o dom de dizer a verdade. Sabia que os jovens tinham sede de verdade. Procurou levar a s\u00e9rio esta sede de verdade dos jovens e anunciar-lhes a verdade que \u00e9 o Evangelho. <\/strong><\/p>\n<p>Num mundo repleto de \u201cfake news\u201d e dominado pela post-verdade somos hoje chamados a ser a portadores do \u201cgrande an\u00fancio a todos os jovens\u201d (cfr. ChV 111-133), imitando o P. Formig\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltou nunca, no minist\u00e9rio do P. Formig\u00e3o a discri\u00e7\u00e3o do acompanhamento. Entrou na escola de Jesus e com Ele aprendeu a caminhar com os jovens, abrir-lhes a mente e aquecer-lhes o cora\u00e7\u00e3o, e depois desafi\u00e1-los a tonarem-se adultos, a tomar corajosamente nas m\u00e3os a sua vida.<\/p>\n<p>\u00c9 grande a responsabilidade de aprendermos com o P. Formig\u00e3o a dar espa\u00e7o aos jovens, a acompanh\u00e1-los sem os substituir, por um caminho libertador, fecundo e vivificante. Como Jesus, o P. Formig\u00e3o reanima, reaviva, reabilita a liberdade, porque exercita plenamente a sua autoridade: n\u00e3o quer outra coisa sen\u00e3o o crescimento dos jovens, sem qualquer possessividade, manipula\u00e7\u00e3o ou sedu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Concluindo<\/strong><\/p>\n<p>O Papa Francisco entrela\u00e7a a esperan\u00e7a e a miseric\u00f3rdia como chave de leitura da aventura humana, especialmente para este nosso tempo de cerrado nevoeiro de incertezas, amea\u00e7as e viol\u00eancias, em que a f\u00e9 tem algo de decisivo a oferecer, convidando \u00e0 abertura do cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 confian\u00e7a na presen\u00e7a amorosa de Deus que guia os passos e d\u00e1 sentido e sabor \u00e0 vida de todos os homens e mulheres de cada \u00e9poca. Como \u201cPeregrinos de Esperan\u00e7a\u201d percorramos o caminho da busca do sentido da vida e para redescobrir o valor do sil\u00eancio, do esfor\u00e7o e daquilo que \u00e9 essencial para uma vida digna e feliz.<\/p>\n<p><strong>(7)A esperan\u00e7a aut\u00eantica \u00e9, em antes de tudo, dom recebido, que solicita apenas para ser reconhecida e acolhida. Enquanto gra\u00e7a, pede para ser acolhida e vivida com humildade. A verdadeira esperan\u00e7a \u00e9 sempre humilde. Imitemos o P. Formig\u00e3o, confiando toda a nossa vida a Maria, M\u00e3e da Esperan\u00e7a. Ela ensina-nos a trazer dentro de n\u00f3s Jesus, nossa alegria e esperan\u00e7a, e a d\u00e1-Lo aos outros<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>(8)O P. Formig\u00e3o foi um sacerdote servidor da Esperan\u00e7a. Atento \u00e0s pessoas e fam\u00edlias que viviam na tribula\u00e7\u00e3o e na ansiedade, derramando o \u00f3leo da consola\u00e7\u00e3o, fazendo-se samaritanamente pr\u00f3ximo, servidor da vida, caminhando com o cora\u00e7\u00e3o e o passo dos mais fr\u00e1geis!<\/strong><\/p>\n<p><strong>(9)O P. Formig\u00e3o aprofundou sempre a convic\u00e7\u00e3o de que a sua tarefa principal era a de construir a igreja de Cristo. Por isso procurava, por onde serviu, tecer e refazer sempre os finos fios da comunh\u00e3o: convidando, formando e apoiando colaboradores pastorais para os diversos servi\u00e7os!<\/strong><\/p>\n<p><strong>(10)Deixando-se guiar pelo Esp\u00edrito, procurando crescer sempre na total disponibilidade e na alegria evangelizadora, o P. Formig\u00e3o procurou por todos os meios lan\u00e7ar no cora\u00e7\u00e3o de muitos a semente da Palavra de Deus, semente de alegria e de esperan\u00e7a, que ilumina e aquece a vida das pessoas, das fam\u00edlias e da sociedade!<\/strong><\/p>\n<p><strong>(11)O P. Formig\u00e3o foi servidor da esperan\u00e7a, porque amava a terra, reconhecendo-a visitada todas as manh\u00e3s pela presen\u00e7a amorosa de Deus Pai. Era um homem de P\u00e1scoa, de olhar voltado para Reino de Deus, para onde a hist\u00f3ria humana caminha, apesar dos atrasos, das obscuridades e contradi\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>(12)Obrigado, Senhor,<br \/>\npelas pessoas luminosas do nosso caminho:<br \/>\nluzes que apontam sem cegar<br \/>\ne n\u00e3o se deixam apagar pelo des\u00e2nimo das nossas resist\u00eancias.<br \/>\nUmas vezes semeiam perguntas que nos desinstalam,<br \/>\noutras ensinam a aten\u00e7\u00e3o e sempre\u00a0\u2013 mas sempre \u2013 convidam \u00e0 generosidade:<br \/>\nnunca querem ser ouvidas sen\u00e3o para nos ensinarem\u00a0a ouvir-Te,<br \/>\ndizendo: \u00abFala, Senhor, que o Teu servo escuta!\u00bb.<br \/>\nEnsinando a escutar, ensinam o discernimento.<br \/>\nPorque sem discernimento, cultiva-se a confus\u00e3o,<br \/>\na crendice que concede credibilidade a tudo e a todos<br \/>\ne facilmente transforma em quase dogma<br \/>\na primeira leviandade proclamada de peito cheio.<\/p>\n<p>(13)Ensinando a escutar, ajudaram a compreender<br \/>\nque o discernimento n\u00e3o \u00e9 mero bom senso,<br \/>\nmas\u00a0um caminho de decis\u00e3o em circunst\u00e2ncias concretas<br \/>\ne\u00a0na familiaridade com o Evangelho.<br \/>\nEsp\u00edrito Santo, concede-nos e aprofunda tamb\u00e9m em n\u00f3s,<br \/>\ncomo no P. Formig\u00e3o, os dons do discernimento e da fortaleza,<br \/>\npara que sejamos sempre e por toda a parte semeadores de esperan\u00e7a!<\/p>\n<p>F\u00e1tima, 05.04.2025<br \/>\n<em>+Nuno Almeida<br \/>\nBispo de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Nuno Almeida, Bispo de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":300017,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-368580","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368580\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/300017"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}