{"id":368464,"date":"2025-04-12T09:03:43","date_gmt":"2025-04-12T08:03:43","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=368464"},"modified":"2025-04-11T16:56:15","modified_gmt":"2025-04-11T15:56:15","slug":"a-vida-nova-de-quem-contempla-as-estrelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-vida-nova-de-quem-contempla-as-estrelas\/","title":{"rendered":"A vida nova de quem contempla as estrelas"},"content":{"rendered":"<p><em>Pe. Miguel Peixoto, Diocese de Lamego<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-368466 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/miguel-peixoto-lamego-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/miguel-peixoto-lamego-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/miguel-peixoto-lamego-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/miguel-peixoto-lamego-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/miguel-peixoto-lamego-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/miguel-peixoto-lamego.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Com o aproximar do tempo pascal e o percurso dos desafios de convers\u00e3o que a quaresma suscita, a vida vai desenla\u00e7ando o sentido profundo dos nossos dias. A natureza adormecida, que nos envolve, brota com o vigor da for\u00e7a que se renova e o cora\u00e7\u00e3o humano pode escutar e voltar a bater ao ritmo da \u201cvida vivente\u201d (cf. D. Ant\u00f3nio Couto, Mensagem para a Quaresma 2025) que o Filho ressuscitado ensina.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, transcorremos adormecidos a sucess\u00e3o do tempo. Vivemos sem fruir dessa \u201cvida vivente\u201d. Deixamos que os nossos dias se agarrem aos ponteiros do rel\u00f3gio sem que o seu movimento tenha um impacto real na terra que pisamos e de que somos feitos. Ocupados e atolados com os nossos afazeres, n\u00e3o experimentamos o que realmente importa. Somos terra levantada que desmoronou, onde o \u201cRuah\u201d permanece, mas sem habitar e agitar de verdade o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As pausas que o tempo nos instiga deitam por terra a terra que um dia se elevou, descobrindo que afinal n\u00e3o somos mais que p\u00f3 no meio de um projeto t\u00e3o pequeno porque apenas nosso. \u00c9 a\u00ed, nesse ch\u00e3o, nessa terra, nesse p\u00f3 t\u00e3o ressequido, que a vida pode come\u00e7ar a germinar e, de novo, levantar o que um dia Deus desejou para cada um de n\u00f3s. \u00c9 para esse horizonte de imposs\u00edveis que Jesus nos levanta, ressuscitando e abrindo, ao p\u00f3 e terra que somos, a eternidade.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional, a prop\u00f3sito do 1700\u00ba anivers\u00e1rio do Conc\u00edlio de Niceia, apresentou o documento \u201cJesus Cristo, Filho de Deus, Salvador\u201d onde sustenta que \u201ca ressurrei\u00e7\u00e3o significa para n\u00f3s a entrada na vida divina, a humaniza\u00e7\u00e3o e a diviniza\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo&#8230; e porque ele nos salva como Filho, gerado pelo Pai, esta diviniza\u00e7\u00e3o \u00e9 filia\u00e7\u00e3o adotiva e conforma\u00e7\u00e3o a Cristo&#8230; somos amados e regenerados pelo mesmo amor com que o Pai ama e gera eternamente o Filho\u201d (33).<\/p>\n<p>O h\u00famus de amor divino rebenta na vida em p\u00f3 que teimosamente queremos manter, mas o amor, que \u00e9 mais forte do que a morte ou o pecado, faz abrir os olhos \u00e0 luz que \u00e9 Jesus. Sabemos qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 contemplar essa luz. Os nossos olhos, demasiado habituados \u00e0 sombra do p\u00e3o, da flor ou at\u00e9 mesmo da melodia e conte\u00fado da poesia, desejam mais, muito mais, porque no fim tudo isso sabe a pouco.<\/p>\n<p>No limiar da P\u00e1scoa fazemos caminho, qual transum\u00e2ncia filial, para vivermos algo novo que a cinza, o p\u00f3 e o pecado n\u00e3o deixam saborear. \u00c9, ent\u00e3o, que a luz do lume novo nos recorda com admira\u00e7\u00e3o e espanto a extraordin\u00e1ria maravilha de contemplar a luz das estrelas que n\u00e3o desaparecem com o nosso tempo, mas continuam a brilhar mesmo depois de \u201cmortas\u201d. Precisamos dessa luz que ilumina as trevas de uma vida por terra, para nos erguermos e levantarmos como Cristo na manh\u00e3 de P\u00e1scoa. A nossa vida tamb\u00e9m pode continuar a brilhar para al\u00e9m da morte, n\u00e3o j\u00e1 como as estrelas, mas alimentada pela luz imortal.<\/p>\n<p>Temos uma \u201cvida vivente\u201d pela frente, uma vida nova para quem contempla a beleza das estrelas, mas nelas n\u00e3o prende o seu futuro, pois est\u00e1 acorado na esperan\u00e7a de quem sabe que o tempo n\u00e3o \u00e9 tudo, mas a oportunidade de viver eternamente. Tudo isto n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e1bula ou mera aliena\u00e7\u00e3o, trata-se de uma vida nova, plena na sua regenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda temos tempo para fazer do nosso tempo, amor \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. Que a P\u00e1scoa n\u00e3o fique enclausurada no dia 20 de abril deste ano, antes abra a \u201cvida vivente\u201d que a luz da nova aurora faz brilhar a cada ser humano que se descobre verdadeiro filho com o Filho. H\u00e1 muito para perguntar e muito para meditar, pois s\u00e3o tantas as d\u00favidas que nos assolam e continuam a inquietar. Por\u00e9m, h\u00e1 algo decisivo que, lembrando Oseias (13,14) e Paulo (1 Cor 15,55), podemos repetir sem recear: \u201c\u00d3 morte, sempre vencedora, onde est\u00e1 agora a tua vit\u00f3ria?\u201d. Esta \u00e9 a P\u00e1scoa da \u201cvida vivente\u201d, esta \u00e9 a P\u00e1scoa de quem se levanta para seguir na terra a Luz Transcendente.<\/p>\n<p><em>Pe. Miguel Peixoto, p\u00e1roco de Castro Daire<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Miguel Peixoto, Diocese de Lamego<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":368466,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-368464","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368464","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368464"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368464\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/368466"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}