{"id":36819,"date":"2009-02-10T09:59:19","date_gmt":"2009-02-10T09:59:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/10\/compromisso-e-responsabilidade-social\/"},"modified":"2009-02-10T09:59:19","modified_gmt":"2009-02-10T09:59:19","slug":"compromisso-e-responsabilidade-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/compromisso-e-responsabilidade-social\/","title":{"rendered":"Compromisso e responsabilidade social"},"content":{"rendered":"<p>Quando quase todos reconhecem que as apar\u00eancias e as ilus\u00f5es ocuparam o centro da vida econ\u00f3mica do mundo ocidental durante demasiado tempo, \u00e9 chegado o momento de dizer que o pre\u00e7o pago por essa loucura colectiva \u00e9 muito alto e obriga a que se fa\u00e7a um exame de consci\u00eancia, para retirar as li\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia. E a medita\u00e7\u00e3o proposta pelo Papa para a Quaresma de 2009 deve ser lida \u00e0 luz dessas circunst\u00e2ncias. N\u00e3o podemos esquecer a crise financeira com que o mundo se defronta e as suas origens. As \u201ceconomias de casino\u201d geraram o agravamento das desigualdades e das injusti\u00e7as. A especula\u00e7\u00e3o prevaleceu sobre as economias reais. O ter tornou-se motivo de vertigem e de cegueira. As apar\u00eancias foram mais acarinhadas do que a realidade. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os mais ricos tornaram-se mais ricos e os mais pobres tornaram-se mais pobres. E porqu\u00ea? Exactamente porque o lugar dos outros e das diferen\u00e7as foi ocupado pela indiferen\u00e7a e porque o sucesso se tornou o verdadeiro \u201cbezerro de ouro\u201d deste tempo. Mais do que de m\u00e1 consci\u00eancia ou de ressentimento, falemos, antes, de compromisso pela justi\u00e7a e pelo desenvolvimento, que tem faltado. Em vez das abstrac\u00e7\u00f5es, importa colocar em primeiro lugar as pessoas concretas e os seus problemas. E esse compromisso significa responsabilidade social.  Muitas vezes se tem dito que a crise pode ser uma oportunidade para mudar. Mas n\u00e3o basta invocar o tema, \u00e9 indispens\u00e1vel entender que para mudar de vida \u00e9 preciso mudar de atitude. Olhe-se em volta. A que se assiste? Ao alimentar de uma onda de p\u00e2nico e de oportunismo que leva, por exemplo, a esquecer as responsabilidades sociais de todos. No fundo, depois da inconsci\u00eancia do imediato vem o salve-se quem puder, sem olhar a meios e esquecendo os que s\u00e3o v\u00edtimas involunt\u00e1rias do frenesim geral. H\u00e1 quem procure, assim, apanhar a boleia da crise para alijar responsabilidades sociais. Se houvesse uma mudan\u00e7a de vida e de atitude, as responsabilidades sociais deveriam ser valorizadas. O emprego n\u00e3o pode ficar subordinado \u00e0 tentativa de salvar as apar\u00eancias, persistindo nos erros que conduziram onde estamos. Estado, sociedade e mercado t\u00eam de coordenar m\u00e9todos e estrat\u00e9gias. Na mensagem do Papa Bento XVI fala-se da necessidade de um compromisso solid\u00e1rio: \u00abo jejum ajuda-nos a tomar consci\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o na qual vivem tantos irm\u00e3os nossos. Na sua Primeira Carta, S\u00e3o Jo\u00e3o alerta: \u2018Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irm\u00e3o sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu cora\u00e7\u00e3o, como estar\u00e1 nele o amor de Deus?\u2019 (3, 17). Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irm\u00e3o que sofre (cf. Enc\u00edclica \u201cDeus caritas est\u201d, 15)\u00bb.  Bento XVI prop\u00f5e, assim, uma atitude de responsabilidade e compromisso, baseada no amor crist\u00e3o. N\u00e3o se trata de decidir de acordo com um interesse individual, mas de optar pelo pr\u00f3ximo: \u00abEscolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o pr\u00f3ximo em dificuldade n\u00e3o nos \u00e9 indiferente. Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento para com os irm\u00e3os, encorajo as par\u00f3quias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a pr\u00e1tica do jejum pessoal e comunit\u00e1rio, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a ora\u00e7\u00e3o e a esmola\u00bb. Estamos diante da necessidade de aten\u00e7\u00e3o e de cuidado para com os outros. E o Papa recorda: \u00abFoi este, desde o in\u00edcio o estilo da comunidade crist\u00e3, na qual eram feitas colectas especiais (cf. 2 Cor 8-9; Rom 15, 25-27), e os irm\u00e3os eram convidados a dar aos pobres quanto, gra\u00e7as ao jejum, tinham poupado. Tamb\u00e9m hoje esta pr\u00e1tica deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo lit\u00fargico quaresmal\u00bb. Ali\u00e1s, e n\u00e3o por acaso, \u00abo jejum tem como sua finalidade \u00faltima ajudar cada um de n\u00f3s, como escrevia o Servo de Deus Papa Jo\u00e3o Paulo II, a fazer dom total de si a Deus (cf. Enc\u00edclica \u201cVeritatis splendor\u201d, 21). A Quaresma deve ser, portanto, valorizada em cada fam\u00edlia e em cada comunidade crist\u00e3, para afastar tudo o que distrai o esp\u00edrito e para intensificar o que alimenta a alma abrindo-a ao amor de Deus e do pr\u00f3ximo. Penso (continua o Papa) em particular num maior compromisso na ora\u00e7\u00e3o, na li\u00e7\u00e3o divina, no recurso ao Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o e na participa\u00e7\u00e3o activa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa dominical\u00bb. O tema merece especial aten\u00e7\u00e3o pela sua actualidade. E perante os sinais dos tempos e a crise financeira, urge invocar no espa\u00e7o p\u00fablico os princ\u00edpios crist\u00e3os. Falar do compromisso com a justi\u00e7a \u00e9 referir a exig\u00eancia das responsabilidades sociais de todos: do Estado, das empresas, dos trabalhadores, dos contribuintes, dos cidad\u00e3os em geral. Combater a injusti\u00e7a, o desemprego e a pobreza \u00e9 come\u00e7ar por quem est\u00e1 ao nosso lado e depende da nossa decis\u00e3o. Mais do que nunca, vem \u00e0 lembran\u00e7a a par\u00e1bola dos talentos e a imagem do servo in\u00fatil n\u00e3o deve ser esquecida\u2026   <i>Guilherme d\u2019Oliveira Martins <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando quase todos reconhecem que as apar\u00eancias e as ilus\u00f5es ocuparam o centro da vida econ\u00f3mica do mundo ocidental durante demasiado tempo, \u00e9 chegado o momento de dizer que o pre\u00e7o pago por essa loucura colectiva \u00e9 muito alto e obriga a que se fa\u00e7a um exame de consci\u00eancia, para retirar as li\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia. 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