{"id":36800,"date":"2009-02-09T13:29:11","date_gmt":"2009-02-09T13:29:11","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/09\/filosofo-catolico-jean-luc-marion-entra-para-a-academia-francesa\/"},"modified":"2009-02-09T13:29:11","modified_gmt":"2009-02-09T13:29:11","slug":"filosofo-catolico-jean-luc-marion-entra-para-a-academia-francesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/filosofo-catolico-jean-luc-marion-entra-para-a-academia-francesa\/","title":{"rendered":"Fil\u00f3sofo cat\u00f3lico Jean-Luc Marion entra para a Academia Francesa"},"content":{"rendered":"<p>Fil\u00f3sofo cat\u00f3lico, especialista de metaf\u00edsica, Jean-Luc Marion entra na Academia francesa, onde ocupar\u00e1 a cadeira do seu amigo Cardeal Lustiger.  A sua elei\u00e7\u00e3o, em 6 de Novembro \u00faltimo, para a Academia Francesa passou praticamente desapercebida. Sil\u00eancio perturbador se nos lembrarmos que acompanharam as de Jean-Loup Dabadie ou de Jean-Chriophe Rufin. A instala\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo Jean-Luc Marion, homem pequeno cheio de vivacidade, sorridente com o seu inamov\u00edvel papillon, na cadeira do seu amigo cardeal Lustiger n\u00e3o \u00e9, no entanto, surpreendente. Ex-redactor chefe da revista cat\u00f3lica Communio, este activo conselheiro frequentou os maiores te\u00f3logos (entre eles o actual papa, Joseph Ratzinger) e muito cedo se tornou amigo do futuro bispo de Paris.  Mas em que momento se estabelece um dado destino intelectual? Nas pistas dos est\u00e1dios que este corredor de fundo, especialista dos 1000 metros, praticava assiduamente?  Na \u00e9poca, ele elevava as cores do Est\u00e1dio franc\u00eas. Tempo de refer\u00eancia: 2\u2019 43\u2019\u2019. Uma boa cad\u00eancia para o antigo aluno da escola da comuna de Meudon que, em 1967, integra a Escola normal superior.  A\u00ed \u00e9 aluno de Ferdinand Alqui\u00e9 e de Jean Beaufret, mas tamb\u00e9m de Jacques Derrida e de Louis Althusser. Licenciatura e filosofia, inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 teologia cat\u00f3lica e, desde logo, a direc\u00e7\u00e3o da revista R\u00e9ssurrection de 1967 a 1973. Depois da agrega\u00e7\u00e3o, Marion torna-se assistente de Alqui\u00e9 na Sorbonne. A sua tese torna-o o especialista de Descartes. Professor em Poitiers e em Nanterre, regressa \u00e0 Sorbonne em 1995, para assumir a cadeira de metaf\u00edsica e dirigir o Centro de estudos cartesianos.  Os seus trabalhos \u2013 L\u2019Ontologie grise (1975), La Th\u00e9ologie blanche (1981) ou Le Prisme m\u00e9taphisique (1986) \u2013 procuram subtrair o pensamento do Discours de la m\u00e9thode a uma abordagem puramente cient\u00edfica para a reinscrever no movimento da hist\u00f3ria do ser. O que n\u00e3o o impede de percorrer alguns atalhos.  No campo da banda desenhada, publicou, com Alain Bonfand, em 1977, Tintin  le terrible ou l\u2019Alphabet d\u00eas richesses. No da pintura, ser\u00e1 publicado na pr\u00f3xima primavera, um seu ensaio sobre Courbet, nas edi\u00e7\u00f5es da La Diff\u00e9rence.  No cruzamento da hist\u00f3ria da filosofia, da teologia e da fenomenologia, o seu pensamento marca os \u00faltimos trinta anos. O seu brilho condu-lo a dirigir a colec\u00e7\u00e3o \u201c\u00c9pim\u00e9th\u00e9e\u201d, na PUF, e a participar na refunda\u00e7\u00e3o dos arquivos Husserl na \u00c9cole Normale superior. Ensina frequentemente nos Estados Unidos \u2013 estadias durante os quais aproveita para se apropriar de todas as subtilezas do campeonato de baseball.  Desde 2004 ocupa a cadeira que foi de Paul Ricoeur na universidade de Chicago. Com os seus trabalhos sobre \u201ca d\u00e1diva\u201d, a fenomenologia permite-lhe abordar quest\u00f5es muitas vezes negligenciadas pela filosofia. Em 2003, Le Ph\u00e9nom\u00e8ne \u00e9rotique tem um grande eco: entre \u201co sentimentalismo desesperado da prosa popular\u201d e \u201ca pornografia frustrada da ind\u00fastria dos \u00eddolos\u201d, ele procura reconstruir uma interroga\u00e7\u00e3o aut\u00eantica sobre o amor. Como dizer \u201damo-te\u201d no meio do desastre amoroso contempor\u00e2neo?  O seu \u00faltimo livro, Au lieu de soi. L\u2019Approche de saint Augustin, visa restituir a unidade interna da imensa obra do bispo de Hipona. O voltar-se para a interioridade, privilegiada por Agostinho, responsabiliza um eu \u201cem atraso relativamente a si-pr\u00f3prio\u201d voltado para fora de si, n\u00e3o se cristalizando na mat\u00e9ria pensante (como em Descartes), mas em for\u00e7a de amor.  Aquele que doravante representar\u00e1 a filosofia ao lado de Ren\u00e9 Girard e de Michel Serres n\u00e3o se deixa adormecer sob os louros do seu novo jeito e n\u00e3o esquece que o pensamento \u00e9 uma corrida de fundo nunca ganha definitivamente: \u201cA maioria das vezes n\u00e3o pensamos, reflectimos: reflectimos o que nos acontece sem o transformar e sem o compreender\u201d.  De Jean Luc-Marion a Revista Communio publicou: Nada \u00e9 imposs\u00edvel para Deus; Ama para que entendas. A hermen\u00eautica crist\u00e3 do mundo; Apologia do argumento.  <i>Aliocha Wald Lasowski in \u201cLe Magazine Litt\u00e9raire\u201d, Janeiro 2009 (Trad: Maria do Loreto Paiva Couceiro). Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fil\u00f3sofo cat\u00f3lico, especialista de metaf\u00edsica, Jean-Luc Marion entra na Academia francesa, onde ocupar\u00e1 a cadeira do seu amigo Cardeal Lustiger. 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