{"id":36784,"date":"2009-02-09T10:39:31","date_gmt":"2009-02-09T10:39:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/09\/i-forum-internacional-de-migracao-e-paz\/"},"modified":"2009-02-09T10:39:31","modified_gmt":"2009-02-09T10:39:31","slug":"i-forum-internacional-de-migracao-e-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/i-forum-internacional-de-migracao-e-paz\/","title":{"rendered":"I F\u00f3rum internacional de Migra\u00e7\u00e3o e Paz"},"content":{"rendered":"<p>O Primeiro F\u00f3rum Internacional sobre Migra\u00e7\u00e3o e Paz, promovido pela entidade Scalabrini International Migration Network (SIMN), levou cerca de 200 pessoas \u00e0 cidade de Antigua, Guatemala. O evento foi realizado nos dias 29 e 30 de Janeiro, tendo como slogan &#8220;Fronteira: muros ou pontes&#8221;. Participam representantes de quase todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica, bispos, agentes e lideran\u00e7as ligados \u00e0 Pastoral da Mobilidade Humana, representantes de outras organiza\u00e7\u00f5es e de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os do poder p\u00fablico, al\u00e9m de algumas pessoas aureoladas pelo Pr\u00e9mio Nobel da paz, como a guatemalteca Rigoberta Mench\u00fa. O Superior Geral da Congrega\u00e7\u00e3o dos Mission\u00e1rios de S\u00e3o Carlos, Pe. S\u00e9rgio Geremia, presidiu a sess\u00e3o de abertura do F\u00f3rum.  Resulta quase ocioso gastar tempo e palavras para sublinhar a import\u00e2ncia do evento. Mas se consultarmos os ve\u00edculos dos media dos \u00faltimos meses ou semanas, o tema da migra\u00e7\u00e3o emerge com preocupa\u00e7\u00e3o crescente. Apenas um exemplo: um expressivo jornal brasileiro dedica quase uma p\u00e1gina inteira ao assunto, estampando a manchete &#8220;Crise alimenta xenofobia no mercado de trabalho dos EUA&#8221;. J\u00e1 na primeira p\u00e1gina diz que &#8220;crescem nos EUA ac\u00e7\u00f5es contra os imigrantes&#8221;. Retornando ao conte\u00fado da mat\u00e9ria, o peri\u00f3dico escreve: &#8220;Do Congresso aos movimentos populares, activistas anti-imigra\u00e7\u00e3o encontram na recess\u00e3o dos EUA um prato cada vez mais cheio para aumentar seus protestos. E, embora os slogans n\u00e3o sejam in\u00e9ditos, o novo contexto econ\u00f3mico oferece a cultura ideal para a prolifera\u00e7\u00e3o de ecos perigosos, dizem analistas&#8221; (Andr\u00e9a Murta, Folha de S\u00e3o Paulo, 5 de Fevereiro de 2009, p\u00e1g. B8).  A partir desse contexto e dos debates travados durante o F\u00f3rum citado, podemos refletir a partir de tr\u00eas bin\u00f4mios. No primeiro caso, quando se fala de migra\u00e7\u00e3o e paz, pressup\u00f5e-se por tr\u00e1s das migra\u00e7\u00f5es em massa uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e guerra. De fato, n\u00e3o poucas pessoas deslocam-se no interior do pa\u00eds ou ultrapassando a fronteira, devido a conflitos abertos. Contam-se aos milh\u00f5es os refugiados, exilados, deportados ou &#8220;desplazados&#8221;, todos, em maior ou menor grau, v\u00edtimas civis do fogo cruzado.   Entretanto, se por um lado essas pessoas fogem desses terrenos minados, por outro carregam uma profunda aspira\u00e7\u00e3o de paz. O mesmo se pode dizer dos que migram por motivos s\u00f3cio-econ\u00f3micos. Trabalho, respeito aos direitos humanos e paz s\u00e3o seus horizontes. A fuga se converte em busca! Numa palavra, buscam uma cidadania que lhes foi negada no pa\u00eds de origem. No decorrer da crise, que poder\u00e1 acontecer com os hispano-americanos, asi\u00e1ticos e africanos, residentes nos EUA e que, muitas vezes clandestinamente, lutam para encontrar a seguran\u00e7as de um solo p\u00e1trio? A mesma pergunta cabe para os imigrantes que se encontram na Europa, Austr\u00e1lia e Jap\u00e3o. Mas a pergunta cabe igualmente para os bolivianos, peruanos e outros vizinhos que hoje habitam os por\u00f5es de S\u00e3o Paulo, Porto Alegre, Manaus, Foz do Igua\u00e7u, etc.   Em praticamente todos os pa\u00edses, ricos ou pobres, h\u00e1 pessoas equilibrando-se por um fio, devido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de imigrante. A verdade \u00e9 que, em tempos de crise, ou de &#8220;vacas magras&#8221;, a tend\u00eancia \u00e9 que cada pa\u00eds defenda os seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os, em detrimento dos estrangeiros. Pol\u00edticos e, n\u00e3o raro, sindicalistas e militantes unem-se para assegurar os empregos dos &#8220;nossos&#8221;. A barreira entre os de dentro e os de fora tende a levantar muros cada vez mais altos. Nesse sentido, ao mesmo tempo que a migra\u00e7\u00e3o \u00e9 busca de paz, pode tamb\u00e9m degenerar em conflitos entre povos distintos.  No segundo caso, toda a fronteira constitui uma mescla simult\u00e2nea de muros e pontes. Num ambiente onde se misturam rostos e ra\u00e7as, l\u00ednguas e bandeiras, moedas e costumes, mercadorias e pre\u00e7os, respira-se um oxig\u00e9nio de ambiguidade. A terra sob os p\u00e9s torna-se movedi\u00e7a e escorregadia. As tens\u00f5es e a busca de interesses pr\u00f3prios costumam provocar atritos nas zonas fronteiri\u00e7as, mas h\u00e1 tamb\u00e9m lugar para a cria\u00e7\u00e3o de novas rela\u00e7\u00f5es humanas. Encontros, desencontros e reencontros se misturam, se confundem e se entrela\u00e7am.    Fronteira \u00e9 sempre um lugar onde muitos sonhos e aspira\u00e7\u00f5es se quebram, mas \u00e9 tamb\u00e9m um terreno f\u00e9rtil para novas oportunidades. Leis mais r\u00edgidas e muros, uns vis\u00edveis outros invis\u00edveis, separam umas na\u00e7\u00f5es das outras. Mas isso n\u00e3o impede que os migrantes sigam construindo pontes, cruzando e recruzando a fronteira. Em alguns casos, de tanto romper limites acabam por elimin\u00e1-los. Muros podem converter-se em pontes e vice-versa. Se os migrantes constroem uma ponte de sobreviv\u00eancia entre o lugar de origem e o lugar de destino, por que n\u00e3o pensar em uma ponte de solidariedade unindo tamb\u00e9m os dois p\u00f3los? De resto, \u00e9 o que mostram os pr\u00f3prios migrantes com as remessas de dinheiro que, muitas vezes, constituem o \u00fanico sustento da fam\u00edlia.  A pr\u00f3pria linha divis\u00f3ria dos pa\u00edses se torna m\u00f3vel e imprecisa. Da\u00ed o crescente dinamismo migrat\u00f3rio nos chamados complexos fronteiri\u00e7os. De fato, enquanto o capital, as mercadorias e a tecnologia disp\u00f5em de relativa liberdade para ultrapassar todas os obst\u00e1culos, os trabalhadores costumam ter seus passos barrados. Da\u00ed a concentra\u00e7\u00e3o e a efervesc\u00eancia de algumas fronteiras tr\u00edplices, tais como a regi\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u e de Tabatiga (Brasil, Argentina e Paraguai) ou de Arica (Chile, Peru e Bol\u00edvia).  O terceiro bin\u00f3mio &#8211; seguran\u00e7a e desenvolvimento &#8211; refere-se \u00e0 maneira de classificar o &#8220;problema migrat\u00f3rio&#8221;. A palavra problema aqui j\u00e1 denota uma vis\u00e3o distorcida de recha\u00e7o. De fato, para os governos e as autoridades, e at\u00e9 mesmo para muitas pessoas vinculadas a entidades de defesa dos direitos humanos, o migrante costuma ser visto como um problema. Da\u00ed o apelo \u00e0 famigerada ideologia da seguran\u00e7a nacional. Nos Estados Unidos, por exemplo, os imigrantes costumam serem vistos como um &#8220;domestic problem&#8221;. A imigra\u00e7\u00e3o termina sendo caso de pol\u00edcia.  O F\u00f3rum mostrou a necessidade de mudar o acento da quest\u00e3o. Mais do que falar de seguran\u00e7a nacional, \u00e9 preciso ter em vista o que o Papa Paulo VI, na Populorum Progressio chamava de desenvolvimento integral. &#8220;O desenvolvimento \u00e9 o novo nome da paz&#8221;, dizia o pont\u00edfice. O conceito de desenvolvimento, neste caso, pode ser visto sob duplo aspecto. Do ponto de vista das regi\u00f5es de emigra\u00e7\u00e3o, normalmente os pa\u00edses perif\u00e9ricos, trata-se de incentivar um tipo de desenvolvimento que inclua a maior parte dos cidad\u00e3os, para que estes n\u00e3o se vejam for\u00e7ados a sair. Isso significa promover condi\u00e7\u00f5es reais de vida. Voltado \u00e0 enc\u00edclica de Paulo VI, n\u00e3o basta o progresso t\u00e9cnico e o crescimento econ\u00f3mico, \u00e9 preciso que isso leve \u00e0 uma qualidade de vida cada vez mais humana.   Do ponto de vista das regi\u00f5es de imigra\u00e7\u00e3o, em geral os pa\u00edses centrais, \u00e9 preciso dar-se conta de como os migrantes, longe de constitu\u00edrem um problema, n\u00e3o raro trazem uma contribui\u00e7\u00e3o real \u00e0 economia do pa\u00eds. S\u00e3o como que sangue novo em organismos muitas vezes j\u00e1 decr\u00e9pitos, ou ent\u00e3o entusiasmo juvenil em sociedades que se aproximam do ocaso. Os imigrantes s\u00e3o inegavelmente factor de desenvolvimento. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. Seus costumes e suas express\u00f5es culturais, quando se entrela\u00e7am com a cultura local, podem trazer um enriquecimento m\u00fatuo. <i> Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves, CS<\/i>  Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre o Forum, ver: http:\/\/www.forummigracionypaz.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Primeiro F\u00f3rum Internacional sobre Migra\u00e7\u00e3o e Paz, promovido pela entidade Scalabrini International Migration Network (SIMN), levou cerca de 200 pessoas \u00e0 cidade de Antigua, Guatemala. O evento foi realizado nos dias 29 e 30 de Janeiro, tendo como slogan &#8220;Fronteira: muros ou pontes&#8221;. 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