{"id":36768,"date":"2009-02-07T12:19:58","date_gmt":"2009-02-07T12:19:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/07\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-do-doente\/"},"modified":"2009-02-07T12:19:58","modified_gmt":"2009-02-07T12:19:58","slug":"mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-do-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-dia-mundial-do-doente\/","title":{"rendered":"Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Doente"},"content":{"rendered":"<p><i>&#8220;Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s <\/i> No Dia Mundial do Enfermo, que celebramos em 11 de Fevereiro, mem\u00f3ria lit\u00fargica da Bem-aventurada Maria, Virgem de Lurdes, as Comunidades diocesanas re\u00fanem-se com os seus bispos em momentos de ora\u00e7\u00e3o, para reflectir e programar iniciativas de sensibiliza\u00e7\u00e3o sobre as realidades do sofrimento. O Ano Paulino, que estamos celebrando, oferece a ocasi\u00e3o prop\u00edcia para determo-nos e meditarmos com o Ap\u00f3stolo Paulo sobre o facto que, \u201cassim como os sofrimentos de Cristo s\u00e3o copiosos para n\u00f3s, assim tamb\u00e9m por Cristo \u00e9 copiosa a nossa consola\u00e7\u00e3o\u201d (2 Cor 1,5).  A rela\u00e7\u00e3o espiritual com Lurdes evoca tamb\u00e9m a materna solicitude da M\u00e3e de Jesus pelos irm\u00e3os de seu Filho \u201cque, entre perigos e ang\u00fastias, caminham ainda na terra, at\u00e9 chegarem \u00e0 p\u00e1tria bem-aventurada\u201d (Lumen Gentium, 62). Este ano, a nossa aten\u00e7\u00e3o se dirige particularmente \u00e0s crian\u00e7as, criaturas mais fr\u00e1geis e indefesas; e entre elas, \u00e0s crian\u00e7as enfermas e sofredoras. Pequenos seres humanos levam em seus corpos consequ\u00eancias de enfermidades que causam invalidez; outros lutam contra males hoje ainda incur\u00e1veis, n\u00e3o obstante o progresso da medicina e a assist\u00eancia de v\u00e1lidos cientistas e profissionais do campo da sa\u00fade. Existem crian\u00e7as feridas no corpo e na alma em conflitos e guerras, e outras ainda, v\u00edtimas inocentes do \u00f3dio de insensatas pessoas adultas. Existem meninos e meninas \u201cde rua\u201d, carentes do calor de uma fam\u00edlia e abandonados a si mesmos; e menores profanados por pessoas sem escr\u00fapulos, que violam a sua inoc\u00eancia, provocando sequelas psicol\u00f3gicas que as marcar\u00e3o pelo resto da vida. N\u00e3o podemos ignorar o incalcul\u00e1vel n\u00famero de menores que morrem por causas como sede, fome, car\u00eancia de assist\u00eancia sanit\u00e1ria, assim como os pequenos refugiados, fugiram das suas terras com os pais em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. De todas estas crian\u00e7as, eleva-se um silencioso grito de dor que interpela nossas consci\u00eancias de homens e crist\u00e3os. A comunidade crist\u00e3, que n\u00e3o pode ficar indiferente diante de situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o dram\u00e1ticas, sente o dever premente de intervir. Com efeito, como escrevi na Enc\u00edclica \u00abDeus Caritas Est\u00bb, \u201cA Igreja \u00e9 a fam\u00edlia de Deus no mundo. Nesta fam\u00edlia, n\u00e3o deve haver ningu\u00e9m que sofra por falta do necess\u00e1rio\u201d (25, b). Auspicio, portanto, que o Dia Mundial do Enfermo ofere\u00e7a tamb\u00e9m a oportunidade \u00e0s comunidades paroquiais e diocesanas de assumirem sempre mais a consci\u00eancia de ser \u201cfam\u00edlia de Deus\u201d, e as encoraje a tornar vis\u00edvel em aldeias, bairros e cidades, o amor do Senhor, que pede que \u201cna pr\u00f3pria Igreja enquanto fam\u00edlia, nenhum membro sofra porque passa necessidade.\u201d (ibid.). O testemunho da caridade faz parte da pr\u00f3pria vida de toda comunidade crist\u00e3. Desde os seus in\u00edcios, a Igreja traduziu os princ\u00edpios evang\u00e9licos em gestos concretos, como lemos nos Actos dos Ap\u00f3stolos. Hoje, apesar das novas condi\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia sanit\u00e1ria, sente-se a necessidade de uma colabora\u00e7\u00e3o mais estreita entre os profissionais da sa\u00fade que actuam em diversas institui\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e as comunidades eclesiais presentes no territ\u00f3rio. Nesta perspectiva, confirma-se todo o seu valor do Hospital Pedi\u00e1trico Menino Jesus, institui\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 Santa S\u00e9 que celebra este ano 140 anos de vida.  Vamos al\u00e9m. Visto que toda crian\u00e7a enferma pertence a uma fam\u00edlia que compartilha seu sofrimento, frequentemente com graves dificuldades, as comunidades crist\u00e3s n\u00e3o podem deixar de ajudar os n\u00facleos familiares atingidos pela doen\u00e7a de um filho ou filha. Seguindo o exemplo do \u201cBom Samaritano\u201d, \u00e9 preciso inclinar-se \u00e0s pessoas t\u00e3o duramente provadas e oferecer-lhes o amparo de uma solidariedade concreta. Desta forma, a aceita\u00e7\u00e3o e a partilha do sofrimento se traduzem em \u00fatil apoio \u00e0s fam\u00edlias das crian\u00e7as doentes, gerando nestas um clima de serenidade e esperan\u00e7a, e fazendo sentir a seu redor uma ampla fam\u00edlia de irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo. A compaix\u00e3o de Jesus pelo pranto da vi\u00fava de Nain (cfr Lc 7,12-17) e pela implorante ora\u00e7\u00e3o de Jairo (cfr Lc 8,41-56) s\u00e3o, entre outras coisas, pontos de refer\u00eancia para aprender a compartilhar os momentos de afli\u00e7\u00e3o f\u00edsica e moral de tantas fam\u00edlias. Tudo isso pressup\u00f5e um amor desinteressado e generoso, reflexo e sinal do amor misericordioso de Deus, que nunca abandona seus filhos na prova\u00e7\u00e3o, mas lhes oferece sempre admir\u00e1veis recursos de cora\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia para serem capazes de enfrentar adequadamente as dificuldades da vida.  A dedica\u00e7\u00e3o quotidiana e o empenho cont\u00ednuo ao servi\u00e7o das crian\u00e7as enfermas constituem um testemunho eloquente de amor \u00e0 vida humana, de modo especial, \u00e0 vida de quem \u00e9 vulner\u00e1vel e totalmente dependente dos outros. \u00c9 preciso afirmar, com vigor, a absoluta e suprema dignidade de toda vida humana. Com o passar dos tempos, o ensinamento que a Igreja incessantemente proclama n\u00e3o muda: a vida humana \u00e9 bela e deve ser vivida em plenitude, mesmo quando \u00e9 fr\u00e1gil e envolvida no mist\u00e9rio do sofrimento. \u00c9 a Jesus, crucificado, que devemos dirigir o nosso olhar: morrendo na Cruz, Ele quis compartilhar a dor de toda a humanidade. Em seu \u2018sofrer por amor\u2019, percebemos uma suprema co-participa\u00e7\u00e3o aos sofrimentos dos pequenos doentes e de seus pais. Meu venerado predecessor, Jo\u00e3o Paulo II, que ofereceu um exemplo luminoso da aceita\u00e7\u00e3o paciente do sofrimento, especialmente no final de sua vida, escreveu: \u201cNa Cruz est\u00e1 o \u00abRedentor do homem\u00bb, o Homem das dores, que assumiu sobre si os sofrimentos f\u00edsicos e morais dos homens de todos os tempos, para que estes possam encontrar no amor o sentido salv\u00edfico dos pr\u00f3prios sofrimentos e respostas v\u00e1lidas para todas as suas interroga\u00e7\u00f5es &#8221; (Salvifici doloris, 31). Desejo agora expressar o meu apre\u00e7o e encorajamento \u00e0s Organiza\u00e7\u00f5es internacionais e nacionais que assistem as crian\u00e7as doentes, especialmente nos pa\u00edses pobres, e que com generosidade e abnega\u00e7\u00e3o, oferecem a sua contribui\u00e7\u00e3o para assegurar-lhes cuidados adequados e amorosos. Ao mesmo tempo, dirijo um apelo aos respons\u00e1veis das Na\u00e7\u00f5es para que sejam refor\u00e7adas as leis e medidas em favor de crian\u00e7as doentes e de suas fam\u00edlias. A Igreja, por sua vez, como sempre, e ainda mais quando a vida de crian\u00e7as est\u00e1 em jogo, se faz dispon\u00edvel para oferecer a sua cordial colabora\u00e7\u00e3o, na inten\u00e7\u00e3o de transformar toda a civiliza\u00e7\u00e3o humana em \u00abciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u00bb (cfr Salvifici doloris, 30). Concluindo, gostaria de expressar a minha proximidade espiritual a todos voc\u00eas, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s que sofrem por alguma enfermidade. Dirijo uma sauda\u00e7\u00e3o carinhosa \u00e0s pessoas que os assistem: Bispos, sacerdotes, pessoas consagradas, agentes de sa\u00fade, volunt\u00e1rios e todos os que se dedicam com amor a curar e aliviar o sofrimento de quem \u00e9 atingido pela doen\u00e7a. Uma sauda\u00e7\u00e3o toda especial a voc\u00eas, queridas crian\u00e7as enfermas e que sofrem: o Papa as abra\u00e7a com carinho paterno, assim como a seus pais e familiares, e lhes assegura uma recorda\u00e7\u00e3o na ora\u00e7\u00e3o, convidando-os a confiar na materna ajuda da Imaculada Virgem Maria, que contemplamos mais uma vez no \u00faltimo Natal enquanto abra\u00e7ava com alegria o Filho de Deus feito menino. Ao invocar para voc\u00eas e para todos os enfermos a materna protec\u00e7\u00e3o da Virgem Santa, Sa\u00fade dos Enfermos, concedo a todos, de cora\u00e7\u00e3o, uma especial B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica&#8221;.  <i>Vaticano, 2 de Fevereiro de 2009<\/i> <i>Tradu\u00e7\u00e3o R\u00e1dio Vaticano com Ag\u00eancia ECCLESIA<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s No Dia Mundial do Enfermo, que celebramos em 11 de Fevereiro, mem\u00f3ria lit\u00fargica da Bem-aventurada Maria, Virgem de Lurdes, as Comunidades diocesanas re\u00fanem-se com os seus bispos em momentos de ora\u00e7\u00e3o, para reflectir e programar iniciativas de sensibiliza\u00e7\u00e3o sobre as realidades do sofrimento. 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