{"id":3672,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-morada-de-deus-no-meio-dos-homens\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-morada-de-deus-no-meio-dos-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-morada-de-deus-no-meio-dos-homens\/","title":{"rendered":"A morada de Deus no meio dos Homens"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca na Inaugura\u00e7\u00e3o do Centro Diocesano de Espiritualidade  <!--more--> Turcifal, 8 de Dezembro de 2003  Irm\u00e3os e Irm\u00e3s,  1. Sinto, neste momento, aquela experi\u00eancia da gra\u00e7a, em que v\u00e1rios acontecimentos e realidades da vida concreta convergem na realiza\u00e7\u00e3o, no meio de n\u00f3s, do projecto divino da salva\u00e7\u00e3o. A primeira converg\u00eancia pressinto-a entre a festa lit\u00fargica que hoje celebramos, a Concei\u00e7\u00e3o Imaculada da Virgem Maria e a Inaugura\u00e7\u00e3o deste Centro de Espiritualidade, consagrado a esse Cora\u00e7\u00e3o Imaculado de Maria: \u00e9 um mist\u00e9rio de f\u00e9 e de gra\u00e7a a cruzar-se com a nossa iniciativa humana, na busca da gra\u00e7a e da salva\u00e7\u00e3o; \u00e9 a sintonia entre a ac\u00e7\u00e3o de Deus e a da Igreja, realizando o mesmo desejo, eterno como Deus, o desejo da salva\u00e7\u00e3o. E este eterno desejo de Deus \u00e9 o de habitar no meio dos homens, em comunh\u00e3o alargada de amor. Esse \u00e9 o an\u00fancio do vidente do Apocalipse: a Cidade definitiva, a nova Jerusal\u00e9m, \u00e9 anunciada como sendo a morada de Deus com os homens. Nela, \u201cDeus habitar\u00e1 com os homens: eles ser\u00e3o o Seu Povo e o pr\u00f3prio Deus, no meio deles, ser\u00e1 o seu Deus\u201d. \u00c9 belo pressentir que todo o eterno des\u00edgnio da salva\u00e7\u00e3o se resume, pela parte de Deus, a um desejo de intimidade e proximidade com os homens que criou. Mas como poderia Deus co-habitar com os homens, nessa comunh\u00e3o de vida e de amor? Ele n\u00e3o tem corpo para habitar uma casa no meio da cidade dos homens. E no entanto este desejo de co-habita\u00e7\u00e3o de Deus com o seu Povo inspira a simb\u00f3lica religiosa durante mil\u00e9nios. Deus torna-se h\u00f3spede amigo, que entra na tenda de Abra\u00e3o, trazendo boas not\u00edcias; faz-se peregrino e viandante, acompanhando os justos de Israel na sua busca de fidelidade \u00e0 Alian\u00e7a; \u00e9 esposo terno, na intimidade do t\u00e1lamo, torna-se guia audaz, conduzindo o seu Povo na travessia do deserto e nas batalhas de Israel, aceita ser conselheiro amigo, sempre dispon\u00edvel, na tenda da reuni\u00e3o, no meio do acampamento. E por tudo isso, os Reis de Israel decidem construir-Lhe uma Casa no meio da cidade. Se Ele desejava habitar no meio do Seu Povo, Ele precisava de uma Casa no meio da cidade, onde os homens o pudessem escutar, pedir aux\u00edlio, oferecer-Lhe presentes, manifesta\u00e7\u00f5es normais de uma conviv\u00eancia. Deus parece n\u00e3o se ter entusiasmado muito com essa ideias de os homens Lhe constru\u00edrem uma Casa no meio da cidade. Condescendeu porque eles ainda n\u00e3o podiam perceber como e onde Deus queria habitar no meio dos homens. Demasiadamente marcados pela dist\u00e2ncia infinita que separava os homens de Deus, n\u00e3o podiam sequer imaginar que o cora\u00e7\u00e3o do homem era a \u00fanica morada de Deus entre os homens, poss\u00edvel e desejada por Deus, e que essa morada s\u00f3 Deus a podia construir, tal como criara o primeiro homem \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a. A primeira vez que Deus habitar\u00e1 realmente no meio dos homens \u00e9 em Jesus Cristo, Verbo eterno de Deus encarnado. E a morada que O acolher\u00e1 s\u00f3 pode ser constru\u00edda por Deus: o seio imaculado de uma Virgem Imaculada. Rez\u00e1vamos assim na ora\u00e7\u00e3o colecta desta celebra\u00e7\u00e3o: \u201cSenhor Deus, pela Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria, preparastes para o Vosso Filho uma digna morada\u201d. O seio imaculado de Maria \u00e9 a morada digna para acolher o Filho de Deus; mas Jesus Cristo ser\u00e1 a presen\u00e7a perfeita e definitiva de Deus no meio dos homens. Para isso ser poss\u00edvel, Deus fez-Se homem. Ele manifestar\u00e1, em realidade humana, a santidade e a gl\u00f3ria do Deus tr\u00eas vezes santo. O filho que \u00e9 anunciado a Maria, a M\u00e3e de cora\u00e7\u00e3o imaculado, \u201cser\u00e1 grande e chamar-se-\u00e1 Filho do Alt\u00edssimo. O Senhor Deus Lhe dar\u00e1 o trono de seu Pai David, reinar\u00e1 eternamente sobre a Casa de Jacob e o Seu reinado n\u00e3o ter\u00e1 fim\u201d.  2. Perfeita em Maria, plena em Jesus Cristo, a morada de Deus com os homens s\u00f3 estar\u00e1 completa na nova Jerusal\u00e9m. At\u00e9 l\u00e1 \u00e9 a longa caminhada da Igreja, destinada toda ela a ser o templo do Senhor, o santu\u00e1rio onde Deus convive com os homens. Jesus prometera aos disc\u00edpulos: \u201caquele que Me ama, guardar\u00e1 a minha Palavra, meu Pai o amar\u00e1 e n\u00f3s viremos a ele e faremos nele a nossa morada\u201d (Jo. 14,23). Cada crist\u00e3o \u00e9 chamado a ser a morada de Deus no meio dos homens. Deus habitar\u00e1, ent\u00e3o, na cidade dos homens, n\u00e3o porque tenha uma casa no meio da cidade, mas porque encontrou morada no cora\u00e7\u00e3o de cada crist\u00e3o. E a\u00ed Maria, a primeira morada de Deus entre os homens, \u00e9 o an\u00fancio vivo da santidade exigida para que algu\u00e9m possa ser morada de Deus. Para que ela pudesse ser essa morada santa, capaz de receber o Deus Santo, Ele preservou-a de toda a mancha desde o primeiro momento da sua exist\u00eancia. Vencer o pecado no nosso cora\u00e7\u00e3o humano, tornando-o capaz de acolher o Deus Santo, eis a aventura da gra\u00e7a que est\u00e1 no centro de toda a pedagogia pastoral da Igreja. \u00c9 o Esp\u00edrito criador de Deus em ac\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da for\u00e7a sacramental da Igreja. Este Centro de Espiritualidade estar\u00e1 ao servi\u00e7o dessa pedagogia da Igreja na sua ac\u00e7\u00e3o santificadora, para que cada crist\u00e3o e a Igreja toda sejam cada vez mais o templo santo onde Deus habita na cidade dos homens. Desejamos que todos os que vierem a servir-se dele, procurem, antes de mais e acima de tudo, a intimidade com Deus, para partirem daqui mais dignos de serem a morada de Deus no meio dos homens. Para isso:  * Ele oferecer\u00e1 o sil\u00eancio e o recolhimento. Ajudado pela beleza natural que nos envolve, o sil\u00eancio ser\u00e1 constru\u00e7\u00e3o de cada pessoa e de cada grupo, na certeza de que s\u00f3 no sil\u00eancio abriremos o nosso cora\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio insond\u00e1vel de Deus.  * Ele ser\u00e1 espa\u00e7o de reconcilia\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o. Se Deus, para que Maria fosse digna morada para o Seu Filho, interveio com a Sua for\u00e7a criadora, libertando-a de toda a mancha, como precisaremos de abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o pecador \u00e0 for\u00e7a transformadora da gra\u00e7a, para que cres\u00e7a essa intimidade amorosa entre n\u00f3s e Deus. Uma pedagogia da convers\u00e3o e da reconcilia\u00e7\u00e3o estar\u00e1 sempre a marcar o ritmo do servi\u00e7o oferecido por este Centro.  * Para isso ele ser\u00e1 espa\u00e7o de escuta da Palavra. Competir\u00e1 \u00e0 equipa pastoral que orientar\u00e1 o Centro escolher diversas formas de escuta da Palavra, desde a prega\u00e7\u00e3o, \u00e0 \u201clectio divina\u201d e \u00e0 leitura orientada do texto sagrado. Desejo muito que a qualidade da proposta esteja sempre \u00e0 altura do mist\u00e9rio da Palavra, sacramento vivo do Verbo de Deus.  * Todos estes elementos ajudar\u00e3o este Centro a ser um espa\u00e7o de ora\u00e7\u00e3o, de aprendizagem da ora\u00e7\u00e3o. Tenho a certeza de que a maior parte daqueles que o procurarem, vir\u00e3o para rezar. N\u00e3o sei se todos est\u00e3o conscientes de que precisam de aprender a rezar. Que quem recebeu do Senhor o dom da ora\u00e7\u00e3o, ensine os outros, atrav\u00e9s do seu testemunho. Nesta pedagogia da ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o diria que a regra \u00e9 \u201ccada um ensina o que sabe\u201d, mas antes que cada um d\u00ea testemunho do dom que recebeu. Aqui descobriremos que toda a verdadeira ora\u00e7\u00e3o, mesmo quando individual, \u00e9 sempre express\u00e3o de toda a Igreja. A Liturgia ter\u00e1 de ser a escola inspiradora de uma pedagogia da ora\u00e7\u00e3o.  * Aqui receberemos um dinamismo novo para a miss\u00e3o. Perceberemos que aqueles onde Deus habita, Ele os envia a testemunhar o Seu amor. Encontremo-nos com Deus para Ele nos enviar sempre de novo.  3. Este Centro significou um grande esfor\u00e7o material da Igreja de Lisboa. Nele gast\u00e1mos tudo o que t\u00ednhamos, mesmo mais do que t\u00ednhamos. \u00c9 como na par\u00e1bola evang\u00e9lica, que compara o Reino a um tesouro escondido num campo e que quem o descobre, vende tudo o que tem para poder comprar aquele campo. Ele concretiza uma op\u00e7\u00e3o pastoral clara, radicada numa certeza: a renova\u00e7\u00e3o e o crescimento da Igreja de Lisboa t\u00eam de assentar num aprofundamento da ora\u00e7\u00e3o e na constru\u00e7\u00e3o de uma espiritualidade eclesial que seja o sal que a tudo d\u00e1 sabor e a sabedoria que conduz os esp\u00edritos e os cora\u00e7\u00f5es. Consagrado ao Cora\u00e7\u00e3o Imaculado de Maria ter\u00e1 sempre nela, a M\u00e3e da Igreja, o modelo inspirador e a pedagoga da gra\u00e7a que nos guiar\u00e1, nas aventuras do esp\u00edrito, com a ternura sol\u00edcita de uma M\u00e3e. A ela confiamos, desde o primeiro dia, toda a actividade deste Centro.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca na Inaugura\u00e7\u00e3o do Centro Diocesano de Espiritualidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,199,231,246],"class_list":["post-3672","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-espiritualidade","tag-imaculada-conceicao","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3672","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3672"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3672\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3672"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3672"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3672"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}