{"id":3671,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/maria-a-nova-eva\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"maria-a-nova-eva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/maria-a-nova-eva\/","title":{"rendered":"Maria a Nova Eva"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o <!--more--> S\u00e9 Patriarcal, 8 de Dezembro de 2003   1. Nesta festa lit\u00fargica da Concei\u00e7\u00e3o Imaculada da Virgem Maria, somos chamados a meditar no mist\u00e9rio da reden\u00e7\u00e3o como drama da humanidade. Criados \u00e0 imagem de Deus, para partilharem, como filhos, a intimidade do pr\u00f3prio Deus, o homem e a mulher afastam-se desse ideal, atra\u00eddos pela miragem de modelos de felicidade mais f\u00e1cil e mais imediata. E ao meditarmos sobre o drama da reden\u00e7\u00e3o, contemplamos o papel da mulher nesse drama, afirmando a primazia que nele ocupa, aquela qualidade de matriz da vida, com que a define o texto da cria\u00e7\u00e3o. O pecado dos nossos primeiros pais, sendo a primeira express\u00e3o do drama humano, constitui a grande humilha\u00e7\u00e3o da mulher. Por isso ela ficar\u00e1, para sempre, no centro do drama humano, para o sofrer e para o resolver.  Na narra\u00e7\u00e3o do G\u00e9nesis, o primeiro homem, para se desculpar junto de Deus, faz a acusa\u00e7\u00e3o que milh\u00f5es de homens, durante milh\u00f5es de anos, far\u00e3o para justificar o drama humano: foi a mulher. \u201cE o Senhor Deus perguntou \u00e0 mulher: que fizeste?\u201d. Deus reconhece, assim, que esteve nela a principal responsabilidade da culpa, certamente porque usou mal a indiscut\u00edvel capacidade que tem de ajudar o homem a discernir. Porque ela \u00e9 a matriz da vida, a solu\u00e7\u00e3o humana s\u00f3 pode brotar da mulher, da sua descend\u00eancia, do fruto do seu ventre. E Deus disse \u00e0 serpente: \u201cEstabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descend\u00eancia e a descend\u00eancia dela. Esta te esmagar\u00e1 a cabe\u00e7a e tu a atingir\u00e1s no calcanhar\u201d. Desde aquele momento profila-se no horizonte outra mulher, a nova Eva, a quem gera\u00e7\u00f5es proclamar\u00e3o bem-aventurada, bendita entre todas as mulheres, porque \u00e9 bendito o fruto do seu ventre. A essa outra mulher Deus disse, atrav\u00e9s do seu mensageiro: \u201cAv\u00e9, \u00f3 cheia de gra\u00e7a, o Senhor est\u00e1 contigo\u2026 N\u00e3o temas Maria, porque encontraste gra\u00e7a diante de Deus. Conceber\u00e1s e dar\u00e1s \u00e0 luz um Filho\u2026\u201d. O facto de a mulher ser a matriz da vida, est\u00e1 no centro do drama humano e da sua solu\u00e7\u00e3o, porque os protagonistas desse drama s\u00e3o todos os homens e mulheres descendentes de Ad\u00e3o e Eva e redimidos em Jesus Cristo; todos s\u00e3o a descend\u00eancia destas duas mulheres, o fruto do seu ventre. O drama humano n\u00e3o foi anulado, mas pode ser vivido na esperan\u00e7a. \u00c9 que devido a Maria e ao bendito fruto do seu ventre, volta a ser verdade para a amaldi\u00e7oada descend\u00eancia de Eva, que Deus os escolheu, antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo, para serem santos e irrepreens\u00edveis, em caridade, na intimidade de Deus, que os predestinou, desde sempre, para serem seus filhos adoptivos. Como descend\u00eancia de Eva todos sofremos o drama do pecado; como descend\u00eancia de Maria, recuperamos a predestina\u00e7\u00e3o divina que faz, de todos n\u00f3s seus filhos, no Filho de Deus e de Maria, Ele o fruto bendito do seu ventre.  2. A reden\u00e7\u00e3o n\u00e3o anula o drama, antes \u00e9 ela mesma um drama, uma luta entre o pecado e a gra\u00e7a, na esperan\u00e7a da vit\u00f3ria final da vida. E nessa luta dram\u00e1tica a vit\u00f3ria n\u00e3o acontece pela destrui\u00e7\u00e3o da humanidade, mas pela reden\u00e7\u00e3o da humanidade. Sempre que Deus teve a tenta\u00e7\u00e3o de destruir a humanidade e come\u00e7ar tudo de novo, desistiu dessa tenta\u00e7\u00e3o, como na hist\u00f3ria de No\u00e9, pois ela n\u00e3o cabia no seu des\u00edgnio eterno. N\u00e3o se trata de destruir o homem pecador e criar um outro homem isento de pecado. O pecado tinha de ser vencido no cora\u00e7\u00e3o do homem. Mas para que isso fosse poss\u00edvel para toda a humanidade, Deus teve de criar uma criatura isenta de pecado, verdadeiro in\u00edcio da humanidade renovada. E a fraqueza de Eva n\u00e3o fez Deus esquecer-se da for\u00e7a da mulher e nesse nova cria\u00e7\u00e3o come\u00e7a exactamente pela mulher, a Nova Eva, concebida sem pecado, cheia de gra\u00e7a, digna de Deus se enamorar dela. O an\u00fancio da vit\u00f3ria da descend\u00eancia da mulher, fez com que o drama da humanidade e o drama da reden\u00e7\u00e3o fossem o mesmo drama, numa mesma hist\u00f3ria centrada na descend\u00eancia da mulher, Jesus Cristo.  3. Unificado o drama humano na unidade de uma \u00fanica hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o, Eva e a sua descend\u00eancia, Maria e a sua descend\u00eancia, s\u00e3o protagonistas desse \u00fanico drama. Ao dem\u00f3nio foi dito: \u201ca descend\u00eancia da mulher te esmagar\u00e1 a cabe\u00e7a e tu a atingir\u00e1s no calcanhar\u201d. E ambas sofrer\u00e3o esta agress\u00e3o do inimigo, uma como consequ\u00eancia da pr\u00f3pria culpa, outra como princ\u00edpio de reden\u00e7\u00e3o. A Eva foi anunciado: \u201cdar\u00e1s \u00e0 luz os teus filhos na dor\u201d. O sofrimento atingir\u00e1 a mulher naquilo que \u00e9 o seu dom, a maternidade. Est\u00e1 aqui dito que, ao longo dos s\u00e9culos, o sofrimento de todas as m\u00e3es constitui o cerne do drama humano. A Maria foi dito: \u201cUma espada de dor te trespassar\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o\u201d. Aqui est\u00e1 anunciado o sofrimento assumido e amado, de todas as m\u00e3es, de todas as mulheres, que continuam a merecer na sua dor oferecida a reden\u00e7\u00e3o da humanidade. Mas \u00e9 em Jesus, descendente de Eva e de Maria, que se far\u00e1 sentir, mais dramaticamente essa mordedura no calcanhar. Condenado \u00e0 morte, o seu sofrimento torna-se sacrif\u00edcio oferecido, e o que parecia, aparentemente, uma vit\u00f3ria do maligno, transforma-se no triunfo da vida e da reden\u00e7\u00e3o. E aos p\u00e9s da Cruz, com o cora\u00e7\u00e3o trespassado de dor, a Nova Eva \u00e9 protagonista principal da resolu\u00e7\u00e3o do drama humano: ela \u00e9 co-redentora. S\u00f3 no calv\u00e1rio e na grandeza de amor do sacrif\u00edcio do Filho de Maria, se percebe como \u00e9 bendito o fruto do seu ventre.  4. A partir daquele momento o drama humano torna-se um caminho de gra\u00e7a e de triunfo da vida; o pecado foi vencido no cora\u00e7\u00e3o do homem e Maria revela-se como o trono da gra\u00e7a. Recuperando a nossa voca\u00e7\u00e3o de filhos de Deus em Jesus Cristo, somos a nova descend\u00eancia de Eva, recriados em Cristo, no cora\u00e7\u00e3o virginal e maternal de Nossa Senhora. Tamb\u00e9m n\u00f3s somos, em Cristo, o fruto bendito do seu ventre, o resultado maravilhoso da fecundidade do seu sofrimento e do seu amor. O \u00faltimo cap\u00edtulo deste drama estamos a viv\u00ea-lo; \u00e9 o longo percurso da Igreja, na abund\u00e2ncia da sua fecundidade sacramental, para nos renovar o cora\u00e7\u00e3o, vencer em n\u00f3s o pecado e nos tornarmos dignos da intimidade com Deus. Para que Maria fosse uma digna morada para o Verbo encarnado, Deus criou-a imaculada, isentando-a de toda a mancha. \u00c9 hoje a nossa vez de vivermos o drama da salva\u00e7\u00e3o, abrindo o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, que vencer\u00e1 nele o pecado para, tamb\u00e9m n\u00f3s, sermos morada de Deus.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[231],"class_list":["post-3671","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-imaculada-conceicao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3671"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3671\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}