{"id":36667,"date":"2009-02-03T10:27:10","date_gmt":"2009-02-03T10:27:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/03\/criacao-e-evolucao-2\/"},"modified":"2009-02-03T10:27:10","modified_gmt":"2009-02-03T10:27:10","slug":"criacao-e-evolucao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/criacao-e-evolucao-2\/","title":{"rendered":"Cria\u00e7\u00e3o e Evolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>200 anos depois do nascimento de Charles Darwin, o debate est\u00e1 de regresso <!--more--> 200 anos depois do nascimento de Charles Darwin (12 de Fevereiro de 1809) e 150 anos ap\u00f3s a sua mais famosa obra, a \u201cOrigem das esp\u00e9cies\u201d, regressa o debate sobre a rela\u00e7\u00e3o entre evolu\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o.  Este \u00e9 um tema que apaixona cientistas, fil\u00f3sofos e te\u00f3logos. A opini\u00e3o p\u00fablica despertou para a reflex\u00e3o que sobre ele se faz em Igreja quando, em Setembro de 2006, Bento XVI reuniu com os seus antigos alunos de doutoramento em Teologia, em Castel Gandolfo, para discutir quest\u00f5es relativas \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o darwinista e \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o. Desde ent\u00e3o muitas t\u00eam sido as refer\u00eancias ao tema, que merecer\u00e1 mesmo em Mar\u00e7o a realiza\u00e7\u00e3o de um congresso sobre o tema \u201cA evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica: factos e teorias\u201d, organizado pela Universidade Gregoriana, com o patroc\u00ednio do Conselho Pontif\u00edcio para a Cultura. Alfredo Dinis, jesu\u00edta e Director da Faculdade de Filosofia da UCP\/Braga, admite que \u201cA teoria da evolu\u00e7\u00e3o levanta ao cristianismo alguns desafios. Ao p\u00f4r em causa a interpreta\u00e7\u00e3o literal do Livro do G\u00e9nesis, conduz a uma nova compreens\u00e3o do significado da descend\u00eancia de toda a humanidade a partir de Ad\u00e3o e Eva, do para\u00edso terrestre, da cria\u00e7\u00e3o dos primeiros seres humanos em estado de gra\u00e7a e de imortalidade, do pecado original, da causa do sofrimento e da morte, da apari\u00e7\u00e3o dos primeiros seres humanos no processo evolutivo, etc\u201d.  \u201cContudo, o evolucionismo, como qualquer outra teoria cient\u00edfica, n\u00e3o constitui uma amea\u00e7a para as cren\u00e7as religiosas devidamente fundamentadas, antes pelo contr\u00e1rio. Ao questionar fundadamente aspectos tradicionais das religi\u00f5es, tanto a ci\u00eancia em geral, como o evolucionismo em particular, contribuem para o esclarecimento do que \u00e9 fundamental nelas e do que nelas \u00e9 acess\u00f3rio ou errado\u201d, acrescenta num texto para o Dossier publicado pela Ag\u00eancia ECCLESIA sobre este tema. Em Novembro de 2008, Bento XVI voltou a abordar a rela\u00e7\u00e3o entre cria\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o, defendendo que o cosmos n\u00e3o \u00e9 um sistema ca\u00f3tico, mas sim ordenado, sendo poss\u00edvel &#8220;ler&#8221; nas suas regras internas a presen\u00e7a de um criador. Num discurso dirigido aos participantes da assembleia plen\u00e1ria da Academia Pontif\u00edcia das Ci\u00eancias, o Papa frisou que afirmar que a cria\u00e7\u00e3o do cosmos e o seu desenvolvimento sejam fruto da &#8220;providencial sabedoria&#8221; de um criador n\u00e3o \u00e9 o mesmo dizer que a cria\u00e7\u00e3o remonta apenas ao in\u00edcio da hist\u00f3ria do mundo e da vida. O criador &#8220;d\u00e1 origem\u201d aos seus desenvolvimentos&#8221; e &#8220;ampara-os continuamente&#8221;.  Ao contr\u00e1rio do que se chegou a avan\u00e7ar na imprensa, Bento XVI n\u00e3o veio a p\u00fablico \u201cadoptar\u201d a teoria do \u201cdes\u00edgnio inteligente\u201d, muito popular em v\u00e1rias Igrejas Evang\u00e9licas e com uma import\u00e2ncia crescente nos EUA. Mesmo n\u00e3o tendo passado de rumores, ouviram-se cr\u00edticas a insinuar que esta teoria n\u00e3o \u00e9 mais do que um disfarce para o Criacionismo e um substituto para a leitura literal do G\u00e9nesis, segundo o qual Deus criou o mundo em 7 dias. A verdade \u00e9 que a Igreja Cat\u00f3lica, com o avan\u00e7o da exegese b\u00edblica, tem hoje uma leitura da B\u00edblia muito diferente da que oferecem algumas Igrejas Crist\u00e3s, n\u00e3o vendo nos dois relatos da Cria\u00e7\u00e3o no G\u00e9nesis (apenas um deles faz refer\u00eancia aos famosos 7 dias) uma explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para a origem do universo.  O Pe. Armindo Vaz, professor de B\u00edblia na UCP, escreve que \u201cos mitos de cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o narrativas reveladoras de sentido e reposit\u00f3rio de sentido. N\u00e3o relatam acontecimentos localiz\u00e1veis no tempo e no espa\u00e7o. Nem se entendem \u00e0 letra, sob pena de obscurecer a transcend\u00eancia de Deus e p\u00f4r a nu contradi\u00e7\u00f5es entre a primeira e a segunda narrativa da cria\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cDizer \u00abDeus criou o mundo\u00bb n\u00e3o \u00e9 pensar que o arrancou do nada ou de mat\u00e9ria preexistente, por evolu\u00e7\u00e3o ou duma assentada; nem \u00e9 pensar no momento ou no acto da sua feitura. \u00c9 um convite a contemplar nele uma abertura ao transcendente, pondo ao vivo o mist\u00e9rio da sua rela\u00e7\u00e3o com Deus\u201d, assegura.  <b>Diferen\u00e7as e converg\u00eancias<\/b> Lu\u00eds Archer, sacerdote e cientista que foi distinguido com o Pr\u00e9mio Nacional de Bio\u00e9tica 2008, refere que \u201csegundo o evolucionismo, todas as esp\u00e9cies (incluindo a humana) prov\u00eam umas das outras e, remotamente, de um ou poucos seres vivos iniciais. Evolucionismo op\u00f5e-se, assim, ao fixismo, segundo o qual cada esp\u00e9cie foi criada separadamente e mant\u00e9m sempre as suas caracter\u00edsticas fundamentais\u201d. Al\u00e9m das altera\u00e7\u00f5es que Darwin foi fazendo \u00e0 sua teoria, surgiram posteriormente v\u00e1rias correntes neo-darwinistas, e a partir das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9c. XX, a simbiog\u00e9nese. \u201cSegundo esta teoria, a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se processou em forma de \u00e1rvore que se vai ramificando lentamente ao longo do tempo atrav\u00e9s de altera\u00e7\u00f5es do material gen\u00e9tico, mas em forma de rede que se estabelece pela transfer\u00eancia de genes de umas esp\u00e9cies para outras, entre as que vivem no mesmo tempo\u201d, assinala. Quanto ao criacionismo, Lu\u00eds Archer espec\u00edfica que o \u201ctermo pode ter mais que uma leitura\u201d, ainda que se refira, basicamente, \u201c\u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos seres vivos por Deus\u201d.  \u201cInterpretar o surgir da vida em termos de evolu\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da mat\u00e9ria n\u00e3o corresponde, de modo nenhum, a enfraquecer ou eliminar a ac\u00e7\u00e3o criadora de Deus, mas s\u00f3 a purific\u00e1-la do ressaibo miraculoso duma interven\u00e7\u00e3o inesperada por parte da mat\u00e9ria, e a tom\u00e1-la, em toda a linha da suas consequ\u00eancias, verdadeiramente imanente, enquanto presen\u00e7a existencial criadora\u201d, assinala.  <b>Di\u00e1logo f\u00e9-ci\u00eancia<\/b> O Arcebispo Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontif\u00edcio para a Cultura, afirma que \u201co cientista deve come\u00e7ar a olhar mais al\u00e9m, come\u00e7ar a ver o horizonte da filosofia e da teologia, arrancando da sua mente a convic\u00e7\u00e3o de que estamos em presen\u00e7a de um resto arqueol\u00f3gico, de um paleol\u00edtico intelectual remoto, contr\u00e1rio \u00e0 for\u00e7a da ci\u00eancia\u201d. Por outro lado, defende, \u201co te\u00f3logo e o fil\u00f3sofo devem conseguir olhar para o campo do cient\u00edfico sem temer sempre que haja pessoas que querem construir novos monstros, rompendo qualquer v\u00ednculo, qualquer per\u00edmetro pr\u00f3prio da humanidade\u201d. Na iniciativa da Universidade Gregoriana, a partir de recentes descobertas cient\u00edficas relevantes, a teoria da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica merecer\u00e1 uma atenta e s\u00e9ria reconsidera\u00e7\u00e3o, tanto do ponto de vista cient\u00edfico como de uma perspectiva filos\u00f3fica e teol\u00f3gica, evitando as posturas ideol\u00f3gicas que com frequ\u00eancia dominaram o debate. O Congresso do pr\u00f3ximo m\u00eas de Mar\u00e7o pode ser seguido em www.evolution-rome2009.net William D. Phillips, Nobel de F\u00edsica em 1997 pelo desenvolvimento de m\u00e9todo para esfriar e fixar \u00e1tomos com laser de luz, foi um dos 13 intelectuais que a Funda\u00e7\u00e3o John Templeton convidou a pronunciarem-se sobre a possibilidade da cren\u00e7a em Deus na era da ci\u00eancia. \u00c0 pergunta sobre a ci\u00eancia torna obsoleta a cren\u00e7a em Deus, o cientista responde com um firme \u201cn\u00e3o\u201d. Para este um f\u00edsico dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, de 68 anos, existe \u201cum universo que, a ter sido constru\u00eddo de forma ligeiramente diferente, nunca teria visto nascer estrelas e planetas, muito menos bact\u00e9rias e pessoas\u201d. \u201cN\u00e3o h\u00e1 uma boa raz\u00e3o cient\u00edfica para que este universo n\u00e3o fosse diferente. Muitos bons cientistas conclu\u00edras, destas observa\u00e7\u00f5es, que um Deus inteligente deve ter escolhido criar este universo com tantas propriedades lindas, simples e criadoras de vida\u201d, aponta. William Phillips admite, contudo, que \u201cmuitos cientistas, igualmente bons, s\u00e3o ateus\u201d e que \u201cambas as conclus\u00f5es s\u00e3o posi\u00e7\u00f5es de f\u00e9\u201d. <B>Dossier AE<\/B> <a href=noticia.asp?noticiaid=68968> A imagem de Deus criador<\/a> <a href=noticia.asp?noticiaid=68969> Evolucionismo\/Criacionismo: diferen\u00e7as e converg\u00eancias<\/a> <a href=noticia.asp?noticiaid=68970> Reavaliar o impacto de Darwin<\/a> <a href=noticia.asp?noticiaid=68971> Ci\u00eancia vs. Deus<\/a> <a href=noticia.asp?noticiaid=68967> O regresso (sem fantasmas) de Darwin<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>200 anos depois do nascimento de Charles Darwin, o debate est\u00e1 de regresso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[104,120,172,321],"class_list":["post-36667","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-america","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-braga","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36667"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36667\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}