{"id":36664,"date":"2009-02-03T10:19:41","date_gmt":"2009-02-03T10:19:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/03\/evolucionismo-criacionismo-diferencas-e-convergencias\/"},"modified":"2009-02-03T10:19:41","modified_gmt":"2009-02-03T10:19:41","slug":"evolucionismo-criacionismo-diferencas-e-convergencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/evolucionismo-criacionismo-diferencas-e-convergencias\/","title":{"rendered":"Evolucionismo\/Criacionismo: diferen\u00e7as e converg\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p><b>Evolucionismo<\/b> Segundo o evolucionismo, todas as esp\u00e9cies (incluindo a humana) prov\u00eam umas das outras e, remotamente, de um ou poucos seres vivos iniciais. Evolucionismo op\u00f5e-se, assim, ao fixismo, segundo o qual cada esp\u00e9cie foi criada separadamente e mant\u00e9m sempre as suas caracter\u00edsticas fundamentais. H\u00e1 v\u00e1rios tipos de teorias evolucionistas. Charles R. Darwin (1809-1882) defendeu a teoria da selec\u00e7\u00e3o natural e da sobreviv\u00eancia do mais forte na luta pela vida. As formas actuais seriam fruto dessa selec\u00e7\u00e3o natural. O naturalista franc\u00eas Lamarck (1744-1829) tamb\u00e9m estabeleceu v\u00e1rias leis da evolu\u00e7\u00e3o, baseadas sobretudo na adaptabilidade dos seres vivos pelo uso e n\u00e3o uso dos \u00f3rg\u00e3os e na hereditariedade dos caracteres adquiridos. Com o surgir e desenvolvimento da gen\u00e9tica molecular, fizeram-se estudos tendentes a indicar que a acumula\u00e7\u00e3o, ao longo do tempo, de muta\u00e7\u00f5es ocorridas nos v\u00e1rios seres vivos poderia constituir a causa do surgir de novas esp\u00e9cies. Estabeleciam-se, assim, as chamadas \u00e1rvores filogen\u00e9ticas ao longo dos tempos geol\u00f3gicos.  Al\u00e9m das altera\u00e7\u00f5es que Darwin foi fazendo \u00e0 sua teoria, surgiram posteriormente v\u00e1rias correntes neo-darwinistas, e a partir das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9c. XX, a simbiog\u00e9nese. Segundo esta teoria, a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se processou em forma de \u00e1rvore que se vai ramificando lentamente ao longo do tempo atrav\u00e9s de altera\u00e7\u00f5es do material gen\u00e9tico, mas em forma de rede que se estabelece pela transfer\u00eancia de genes de umas esp\u00e9cies para outras, entre as que vivem no mesmo tempo.   <b>Criacionismo<\/b> Este termo pode ter mais que uma leitura. Basicamente refere-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos seres vivos por Deus. No passado, leu-se o G\u00e9nesis no sentido literal e, portanto numa vis\u00e3o fixista. Nesse sentido, o criacionismo era anti-evolucionista. Esta posi\u00e7\u00e3o antiga, de algum modo regressou recentemente com grande vigor, sobretudo a partir dos E.U.A., simultaneamente com o \u201cintelligent design\u201d. \u00c9 demasiado claro, por\u00e9m, que o G\u00e9nesis n\u00e3o \u00e9 um livro hist\u00f3rico mas etiol\u00f3gico. Por isso, na actual posi\u00e7\u00e3o da Igreja, o criacionismo evolutivo \u00e9 o mais seguido. \u00c9 poss\u00edvel distinguir, em cada ser, entre a sua ess\u00eancia, e aquele dinamismo existencial que causa a sua pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o; e identificar este \u00faltimo com a ac\u00e7\u00e3o criadora de Deus.  Em toda a sua pureza, o conceito meta-f\u00edsico de cria\u00e7\u00e3o, exprime-se pela total e radical depend\u00eancia de Deus por parte de todo o existente. Segundo o te\u00f3logo Karl Rahner, a ac\u00e7\u00e3o criadora de Deus faz ent\u00e3o parte do dinamismo existencial de cada ser, ainda que n\u00e3o da sua ess\u00eancia (o que seria pante\u00edsmo).  Nesse sentido, podemos dizer que \u00e9 esse ser que cria, num processo em que causa aquilo que \u00e9 mais do que a sua pr\u00f3pria ess\u00eancia, e portanto se auto-supera a si pr\u00f3prio. Mas porque esse seu dinamismo existencial \u00e9 ac\u00e7\u00e3o de Deus, \u00e9 Deus quem primariamente cria.  Ter\u00e1 sido o pr\u00f3prio s\u00edmio que evoluiu para o homem total (corpo e alma), porque a ac\u00e7\u00e3o transcendental de Deus, que impulsionou esse evoluir, faz parte do dinamismo existencial do pr\u00f3prio animal, ainda que sem se confundir com a sua ess\u00eancia.   <b>Converg\u00eancia entre ambos<\/b> Nesta perspectiva, interpretar o surgir da vida em termos de evolu\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da mat\u00e9ria n\u00e3o corresponde, de modo nenhum, a enfraquecer ou eliminar a ac\u00e7\u00e3o criadora de Deus, mas s\u00f3 a purific\u00e1-la do ressaibo miraculoso duma interven\u00e7\u00e3o inesperada por parte da mat\u00e9ria, e a tom\u00e1-la, em toda a linha da suas conse-qu\u00eancias, verdadeiramente imanente, enquanto presen\u00e7a existencial criadora. Para fazer valer a imagem genu\u00edna de Deus n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio nem acertado mitificar a evolu\u00e7\u00e3o f\u00edsico-qu\u00edmica com um momento de milagre em que as for\u00e7as naturais desfale\u00e7am, e no meio da sua inac\u00e7\u00e3o, surja palp\u00e1vel a ac\u00e7\u00e3o de Deus. Ele situa-se e radica-se no universo de um modo mais profundo, ainda que talvez menos espectacular. \u00c9 em Deus que vivemos, nos movemos e existimos, e s\u00f3 quando n\u00e3o objectivamos refle-xamente esta iman\u00eancia, exigimos um deus demiurgo que venha visitar miraculosamente a nossa impot\u00eancia. \u00c9 interessante que quando Edward O. Wilson intenta dissolver o fen\u00f3meno religioso nos seus par\u00e2metros socio-biol\u00f3gicos, menciona a dado passo o tipo de teologia que temos estado a apontar, a que chama process theology, e reconhece que ela torna ci\u00eancia e religi\u00e3o intrinsecamente compat\u00edveis. Mas acrescenta que isto nada tem a ver com a verdadeira religi\u00e3o das dan\u00e7as abor\u00edgenes ou com o Conc\u00edlio de Trento (1). \u00c9 evidente que esta teologia tem pouco a ver com cren\u00e7as abor\u00edgenes, nem poderia ser expressa no contexto cultural do Conc\u00edlio de Trento. Mas pertence hoje a uma teologia altamente respeitada nas Igrejas crist\u00e3s, e que parece corres-ponder \u00e0s perspectivas dos Papas. De facto, Jo\u00e3o Paulo II, numa mensagem em que estimula os te\u00f3logos a assimilar as modernas teorias cient\u00edficas para com elas nos fornecerem (como Tom\u00e1s de Aquino) novas express\u00f5es da doutrina teol\u00f3gica, diz exemplificando: \u201cA perspectiva evolucionista n\u00e3o poder\u00e1 projectar alguma luz sobre a antropologia teol\u00f3gica, o significado da pessoa humana como imagem de Deus, o problema da Cris-tologia e at\u00e9 mesmo sobre a evolu\u00e7\u00e3o doutrinal?\u201d (2). Pe. Lu\u00eds Archer,  Pr\u00e9mio Nacional de Bio\u00e9tica 2008  <i>NOTAS: (1) Edward O. Wilson, On Human Nature, Harvard University Press, Cambridge, Mass.,U.S.A., 1978, pp.171-172 (2) Jo\u00e3o Paulo II, Mensagem ao Director do Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico do Vaticano, 1 de Junho de 1988, apud Russel, R. J., Stoeggere, W.R. and Coyne, G.V. editors, John Paul II on Science and Religion, Reflections on the New View from Rome, University of Notre Dame Press, p. M11, 1990.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evolucionismo Segundo o evolucionismo, todas as esp\u00e9cies (incluindo a humana) prov\u00eam umas das outras e, remotamente, de um ou poucos seres vivos iniciais. Evolucionismo op\u00f5e-se, assim, ao fixismo, segundo o qual cada esp\u00e9cie foi criada separadamente e mant\u00e9m sempre as suas caracter\u00edsticas fundamentais. H\u00e1 v\u00e1rios tipos de teorias evolucionistas. Charles R. 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