{"id":36662,"date":"2009-02-03T10:13:36","date_gmt":"2009-02-03T10:13:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/03\/o-regresso-sem-fantasmas-de-darwin\/"},"modified":"2009-02-03T10:13:36","modified_gmt":"2009-02-03T10:13:36","slug":"o-regresso-sem-fantasmas-de-darwin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-regresso-sem-fantasmas-de-darwin\/","title":{"rendered":"O regresso (sem fantasmas) de Darwin"},"content":{"rendered":"<p>200 anos depois do nascimento de Charles Darwin (12 de Fevereiro de 1809) e 150 anos ap\u00f3s a sua mais famosa obra, a \u201cOrigem das esp\u00e9cies\u201d, regressa ao Vaticano o debate sobre a rela\u00e7\u00e3o entre evolu\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o, merecendo mesmo em Mar\u00e7o a realiza\u00e7\u00e3o de um congresso sobre o tema \u201cA evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica: factos e teorias\u00bb, organizado pela Universidade Gregoriana, com o patroc\u00ednio do Conselho Pontif\u00edcio para a Cultura (ver Caixa).  Este \u00e9 um tema que apaixona cientistas, fil\u00f3sofos e te\u00f3logos. A opini\u00e3o p\u00fablica despertou para a reflex\u00e3o que sobre ele se faz em Igreja quando, em Setembro de 2006, Bento XVI reuniu com os seus antigos alunos de doutoramento em Teologia, em Castel Gandolfo, para discutir quest\u00f5es relativas \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o darwinista e \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o, com a presen\u00e7a de personalidades como o presidente da Oester-reichichen Akademie der Wissenschaften, Herbert Mang, o jesu\u00edta Paul Elbrichk, professor de filosofia em Munique, ou o fil\u00f3sofo Robert Spaemann. Uma das vozes mais activas no debate em curso \u00e9 a do Cardeal Christoph Schoenborn, Arcebispo de Viena. Em entrevista \u00e0 R\u00e1dio Vaticano, o Cardeal austr\u00edaco disse que \u201cse tudo for fortuito, a vida n\u00e3o tem sentido\u201d, precisando que \u201cnem todas as explica\u00e7\u00f5es da evolu\u00e7\u00e3o, do devir do mundo, da vida ou do homem s\u00e3o compat\u00edveis com a f\u00e9\u201d. A Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o foi evocada v\u00e1rias vezes pelo Papa, desde o in\u00edcio do seu Pontificado. Na pr\u00f3pria Missa de in\u00edcio de Minist\u00e9rio, a 24 de Abril de 2005, Bento XVI afirmou na homilia que \u201cn\u00f3s n\u00e3o somos o produto casual e sem sentido da evolu\u00e7\u00e3o\u201d, explicando que cada um \u201c\u00e9 o fruto de um pensamento de Deus\u201d. A 6 de Abril de 2006, num encontro com os jovens da Diocese de Roma, o Papa explicou que \u201ca grande op\u00e7\u00e3o do Cristianismo \u00e9 a op\u00e7\u00e3o pela racionalidade e pela prioridade da raz\u00e3o\u201d, \u201cque nos mostra como por tr\u00e1s de tudo haja uma grande Intelig\u00eancia, na qual podemos confiar\u201d. Nesse discurso rejeitou uma outra op\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, pela qual \u201cse defende a prioridade do irracional, segundo o qual tudo o que acontece na nossa terra e na nossa vida seria apenas ocasional, marginal, um produto irracional a raz\u00e3o seria um produto da irracionalidade\u201d. Na Vig\u00edlia Pascal, a 15 de Abril do mesmo ano, o Papa falou da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo utilizando \u201cpor uma vez a linguagem da teoria da evolu\u00e7\u00e3o\u201d como \u201ca maior \u00abmuta\u00e7\u00e3o\u00bb, em absoluto o salto mais decisivo para uma dimens\u00e3o totalmente nova\u201d. Em Novembro de 2008, Bento XVI voltou a abordar a rela\u00e7\u00e3o entre cria\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o, defendendo que o cosmos n\u00e3o \u00e9 um sistema ca\u00f3tico, mas sim ordenado, sendo poss\u00edvel \u201cler\u201d nas suas regras internas a presen\u00e7a de um criador. Num discurso dirigido aos participantes da assembleia plen\u00e1ria da Academia Pontif\u00edcia das Ci\u00eancias, o Papa frisou que afirmar que a cria\u00e7\u00e3o do cosmos e o seu desenvolvimento sejam fruto da \u201cprovidencial sabedoria\u201d de um criador n\u00e3o \u00e9 o mesmo dizer que a cria\u00e7\u00e3o remonta apenas ao in\u00edcio da hist\u00f3ria do mundo e da vida. O criador \u201cd\u00e1 origem\u201d aos seus desenvolvimentos\u201d e \u201campara-os continuamente\u201d.  Ao contr\u00e1rio do que se chegou a avan\u00e7ar na imprensa, Bento XVI n\u00e3o veio a p\u00fablico \u201cadoptar\u201d a teoria do \u201cdes\u00edgnio inteligente\u201d, muito popular em v\u00e1rias Igrejas Evang\u00e9licas e com uma import\u00e2ncia crescente nos EUA. Mesmo n\u00e3o tendo passado de rumores, ouviram-se cr\u00edticas a insinuar que esta teoria n\u00e3o \u00e9 mais do que um disfarce para o Criacionismo e um substituto para a leitura literal do G\u00e9nesis, segundo o qual Deus criou o mundo em 7 dias. A verdade \u00e9 que a Igreja Cat\u00f3lica, com o avan\u00e7o da exegese b\u00edblica, tem hoje uma leitura da B\u00edblia muito diferente da que oferecem algumas Igrejas Crist\u00e3s, n\u00e3o vendo nos dois relatos da Cria\u00e7\u00e3o no G\u00e9nesis (apenas um deles faz refer\u00eancia aos famosos 7 dias) uma explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para a origem do universo. Segundo a f\u00e9 crist\u00e3, a Cria\u00e7\u00e3o \u00e9 o acto pelo qual Deus, do nada, deu e mant\u00e9m a exist\u00eancia de tudo quanto existe; esse in\u00edcio foi coincidente com o in\u00edcio do tempo. Quanto ao aparecimento sucessivo dos diversos seres vivos cada vez mais complexos, a Igreja est\u00e1 hoje aberta a uma explica\u00e7\u00e3o baseada numa evolu\u00e7\u00e3o comandada por leis naturais estabe-lecidas pelo Criador desde o in\u00edcio. Fiorenzo Facchini escreveu no Jornal do Vaticano que a posi\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica aponta que a emerg\u00eancia do ser humano sup\u00f5e um acto de Deus e que a vertente espiritual do homem n\u00e3o pode ser vista como um mero produto do processo da evolu\u00e7\u00e3o natural.  \u201cO projecto divino da cria\u00e7\u00e3o pode ser levado a cabo atrav\u00e9s de causas secund\u00e1rias no curso natural dos acontecimentos, sem que seja necess\u00e1rio pensar em interven\u00e7\u00f5es miraculosas que apontem numa ou noutra direc\u00e7\u00e3o\u201d, lia-se no artigo de L\u2019Osservatore Romano. A revista jesu\u00edta \u00abCivilt\u00e0 Cattolica\u00bb, publicada na It\u00e1lia, considerou ser \u201cgravemente err\u00f3neo e sinal de um n\u00e3o conhecimento da natureza, religiosa e n\u00e3o cient\u00edfica, da B\u00edblia ver uma contradi\u00e7\u00e3o ou uma oposi\u00e7\u00e3o entre o que afirma a B\u00edblia sobre a origem do homem e o que diz a teoria da evolu\u00e7\u00e3o\u201d.  Ao fazer o paralelo entre a narra\u00e7\u00e3o b\u00edblica e a teoria da evolu\u00e7\u00e3o, conclui que se trata \u201cde duas vis\u00f5es acerca da origem do homem que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se contradizem, mas se completam, com a condi\u00e7\u00e3o de que o cientista n\u00e3o pretenda excluir cada interven\u00e7\u00e3o de Deus da forma\u00e7\u00e3o do homem, e o crente n\u00e3o pretenda procurar e encontrar na ci\u00eancia a confirma\u00e7\u00e3o de quanto diz a B\u00edblia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>200 anos depois do nascimento de Charles Darwin (12 de Fevereiro de 1809) e 150 anos ap\u00f3s a sua mais famosa obra, a \u201cOrigem das esp\u00e9cies\u201d, regressa ao Vaticano o debate sobre a rela\u00e7\u00e3o entre evolu\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o, merecendo mesmo em Mar\u00e7o a realiza\u00e7\u00e3o de um congresso sobre o tema \u201cA evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica: factos e 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