{"id":36631,"date":"2009-02-02T11:12:52","date_gmt":"2009-02-02T11:12:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/02\/apresentacao-do-senhor-historia-identidade-e-perspectiva-pastoral\/"},"modified":"2009-02-02T11:12:52","modified_gmt":"2009-02-02T11:12:52","slug":"apresentacao-do-senhor-historia-identidade-e-perspectiva-pastoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/apresentacao-do-senhor-historia-identidade-e-perspectiva-pastoral\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor: hist\u00f3ria, identidade e perspectiva pastoral"},"content":{"rendered":"<p>At\u00e9 1969, a antiga festa de 2 de Fevereiro, de origem oriental, tinha no Ocidente o t\u00edtulo de \u00abPurifica\u00e7\u00e3o da Bem-aventurada Virgem Maria\u00bb e encerrava o ciclo do Natal, quarenta dias depois.   No Oriente bizantino ela concentra-se no mist\u00e9rio da Hypapante, isto \u00e9, no Encontro do Salvador com aqueles que veio salvar, representados pelas pessoas de Sime\u00e3o e Ana, segundo as palavras do Nunc dimittis (Lc, 29-32), usadas constantemente nos cantos lit\u00fargicos da festa: \u201cLuz para iluminar as na\u00e7\u00f5es e gl\u00f3ria do teu povo Israel.\u201d.  A festa teve sempre uma forte caracteriza\u00e7\u00e3o popular. Com efeito, os fi\u00e9is:   &#8211; Participam de bom grado na prociss\u00e3o comemorativa da entrada de Jesus no Templo e do seu encontro, em primeiro lugar, com o Pai &#8211; em cuja morada entra pela primeira vez &#8211; e, depois, com Sime\u00e3o e Ana. Tal prociss\u00e3o que, no Ocidente, tinha substitu\u00eddo cortejos pag\u00e3os de cariz licencioso e era de \u00edndole penitencial, foi depois caracterizada pela b\u00ean\u00e7\u00e3o das velas, levadas acesas na prociss\u00e3o em honra de Cristo, \u00abluz para iluminar as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Lc 2, 32);   &#8211; S\u00e3o sens\u00edveis ao gesto realizado pela Virgem Maria que apresenta o seu Filho no Templo e se submete, segundo o preceito da Lei de Mois\u00e9s (cf. Lv 12, 1-8), ao rito da purifica\u00e7\u00e3o; na piedade popular o epis\u00f3dio da purifica\u00e7\u00e3o era visto como manifesta\u00e7\u00e3o da humildade da Virgem, pelo que o dia 2 de Fevereiro era frequentemente considerado festa daqueles que na Igreja realizam servi\u00e7os humildes.   A piedade popular \u00e9 sens\u00edvel ao evento, ao mesmo tempo deliberado e misterioso, da concep\u00e7\u00e3o e do nascimento de uma vida nova. Em particular, as m\u00e3es crist\u00e3s percebem o nexo existente, apesar das not\u00e1veis diferen\u00e7as &#8211; a concep\u00e7\u00e3o e o parto de Maria s\u00e3o factos \u00fanicos -, entre a maternidade da Virgem, a pur\u00edssima, a m\u00e3e da Cabe\u00e7a do Corpo m\u00edstico, e a sua maternidade; na verdade, tamb\u00e9m elas s\u00e3o m\u00e3es segundo o plano de Deus, tendo gerado os futuros membros daquele mesmo Corpo m\u00edstico. Desta intui\u00e7\u00e3o e de uma certa mimesis do rito realizado por Maria (cf. Lc 2, 22-24) derivara o rito da purifica\u00e7\u00e3o da pu\u00e9rpera, alguns elementos do qual reflectiam uma vis\u00e3o negativa dos factos relacionados com o parto.   No renovado Rituale Romanum, est\u00e1 prevista a b\u00ean\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3e tanto antes do parto como depois dele, mas esta segunda b\u00ean\u00e7\u00e3o s\u00f3 se efectuar\u00e1 no caso de a m\u00e3e n\u00e3o ter podido participar no baptismo do filho.   Contudo, ser\u00e1 \u00f3ptimo que as m\u00e3es e os c\u00f4njuges, ao pedir essas b\u00ean\u00e7\u00e3os, se adeq\u00faem \u00e0s perspectivas da ora\u00e7\u00e3o da Igreja: comunh\u00e3o de f\u00e9 e de caridade na ora\u00e7\u00e3o para que se cumpra felizmente o tempo da espera (b\u00ean\u00e7\u00e3o antes o parto) e para agradecer a Deus o dom recebido (b\u00ean\u00e7\u00e3o depois do parto).   Nalgumas Igrejas locais, a valoriza\u00e7\u00e3o de elementos inerentes ao relato evang\u00e9lico da festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor (Lc 2, 22-40), como a obedi\u00eancia de Jos\u00e9 e de Maria \u00e0 Lei do Senhor, a pobreza dos santos esposos e a condi\u00e7\u00e3o virginal da M\u00e3e de Jesus sugeriram que se fizesse tamb\u00e9m do dia 2 de Fevereiro a festa daqueles que se dedicaram ao servi\u00e7o do Senhor e dos irm\u00e3os nas v\u00e1rias formas de vida consagrada.   A festa de 2 de Fevereiro conserva um car\u00e1cter popular. Contudo, \u00e9 necess\u00e1rio que corresponda plenamente ao genu\u00edno sentido da festa. N\u00e3o seria justo que a piedade popular, ao celebrar a Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor, descurasse o seu principal objecto cristol\u00f3gico, para se ficar quase exclusivamente nos aspectos mariol\u00f3gicos; o facto de ela \u00abser considerada [&#8230;] mem\u00f3ria conjunta do filho e de sua M\u00e3e\u00bb (Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Marialis cultus, 7, Paulo VI) n\u00e3o favorece uma tal poss\u00edvel invers\u00e3o de perspectiva; a vela, conservada nas casas, deve ser   <i>Direct\u00f3rio sobre a piedade popular e a Liturgia, nn. 120-123<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 1969, a antiga festa de 2 de Fevereiro, de origem oriental, tinha no Ocidente o t\u00edtulo de \u00abPurifica\u00e7\u00e3o da Bem-aventurada Virgem Maria\u00bb e encerrava o ciclo do Natal, quarenta dias depois. 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