{"id":366257,"date":"2025-03-23T09:31:17","date_gmt":"2025-03-23T09:31:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=366257"},"modified":"2025-03-20T14:49:37","modified_gmt":"2025-03-20T14:49:37","slug":"igreja-portugal-espero-que-os-nossos-padres-e-os-nossos-bispos-se-pronunciem-mais-sobre-os-problemas-dos-jovens-filipe-moises-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-portugal-espero-que-os-nossos-padres-e-os-nossos-bispos-se-pronunciem-mais-sobre-os-problemas-dos-jovens-filipe-moises-francisco\/","title":{"rendered":"Igreja\/Portugal: \u00abEspero que os nossos padres e os nossos bispos se pronunciem mais sobre os problemas dos jovens\u00bb &#8211; Filipe Mois\u00e9s Francisco"},"content":{"rendered":"<p><em>Na v\u00e9spera do Dia Nacional do Estudante, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia Filipe Mois\u00e9s Francisco, que est\u00e1 prestes a concluir o seu doutoramento na \u00e1rea de Engenharia Ambiental, no Porto, e que se identifica como um cat\u00f3lico praticante<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_366258\" aria-describedby=\"caption-attachment-366258\" style=\"width: 2000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Filipe-Moises-Francisco-2.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-366258 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Filipe-Moises-Francisco-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1500\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Filipe-Moises-Francisco-2.jpeg 2000w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Filipe-Moises-Francisco-2-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Filipe-Moises-Francisco-2-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Filipe-Moises-Francisco-2-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Filipe-Moises-Francisco-2-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-366258\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Henrique Cunha<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>Comecemos pelas principais dificuldades dos estudantes. O problema do alojamento est\u00e1 \u00e0 cabe\u00e7a desta lista?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Eu diria que neste momento h\u00e1 uma s\u00e9rie de dificuldades relativas aos estudantes. Por um lado, a quest\u00e3o do alojamento, sem d\u00favida, porque \u00e9 uma despesa que acresce ao fim do m\u00eas, e depois tem que, juntamente com o pagamento de propinas e com todas as despesas que os estudos acarretam, tem de suport\u00e1-la.<\/p>\n<p>Isso torna-se muito dif\u00edcil, se n\u00e3o tiver muitas vezes a ajuda dos pais. Mas diria tamb\u00e9m que outro dos grandes problemas que existem hoje nos estudantes, principalmente aqueles que est\u00e3o prestes a terminar o seu per\u00edodo estudante, \u00e9 a falta de algumas perspetivas de futuro e de estabilidade, num pa\u00eds que ainda n\u00e3o gosta de pagar bons sal\u00e1rios. Esta quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel de se dissociar da quest\u00e3o tamb\u00e9m do pagamento dos bons sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 aqui \u00e9 uma quest\u00e3o que agrava mais a situa\u00e7\u00e3o, porque pelo que \u00e9 dito, al\u00e9m de serem caros, estes alojamentos s\u00e3o escassos, pelo menos em termos de solu\u00e7\u00e3o para universit\u00e1rios, e isto ainda faz aumentar mais os pre\u00e7os, imagino. Chegou, ali\u00e1s, a ser not\u00edcia, do abandono de estudantes sem capacidade financeira&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Ali\u00e1s, repare que n\u00f3s h\u00e1 dois dias tivemos a senhora ministra do trabalho que deu uma entrevista e disse que n\u00e3o era responsabilidade do governo a quest\u00e3o do alojamento, da habita\u00e7\u00e3o, e eu acho que \u00e9 surreal pensarmos que um ministro pode sequer achar que a habita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um problema do governo. Mas a prop\u00f3sito disso que estava a dizer o Oct\u00e1vio, eu lembro-me quando estava a sair da faculdade em 2018, estavam ali a surgir, na zona do Polo da Asprela, alguns pr\u00e9dios, resid\u00eancias que foram surgindo, inclusivamente durante este ano, e est\u00e3o agora recentemente a ser constru\u00eddos, l\u00e1 mesmo \u00e0 beira da Faculdade de Engenharia, novos pr\u00e9dios. Ou seja, aparentemente a oferta est\u00e1 a aumentar, a quest\u00e3o do pre\u00e7o \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1 a ser controlada pelo mercado, por muito que nos digam que o mercado vai autocontrolar os pre\u00e7os, isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Eu acho que h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es que t\u00eam de ser procuradas, o governo tem fortes responsabilidades nisso, \u00e9 verdade que vieram com o paliativo da descida do IMT e isso efetivamente ajuda a quem tiver um parceiro ou uma parceira, ou at\u00e9 uma ajuda dos pais para comprar a casa, ajuda a ter um diferencial no pre\u00e7o, mas a verdade \u00e9 que se pensarmos bem, os mais pobres dos pobres continuam a n\u00e3o ter acesso.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>No entender do Filipe, o Estado n\u00e3o est\u00e1 a fazer tudo o que est\u00e1 ao seu alcance para tentar minimizar o problema? \u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que n\u00e3o, at\u00e9 porque imaginamos que nesta quest\u00e3o de baixarmos o IMT, ali\u00e1s not\u00edcias sa\u00edram logo de seguida, conseguiu-se aumentar a procura e consequentemente os pre\u00e7os a seguir. Voltaram a subir tamb\u00e9m. Portanto, acaba por ser um paliativo para alguns, para uma franja dos jovens, mas n\u00e3o resolve o problema no seu todo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No in\u00edcio referias aqui a um outro problema que caracteriza de alguma forma toda a situa\u00e7\u00e3o estudantil e que tem a ver com o facto de n\u00e3o haver perspetiva no final de um curso. Por vezes a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo emigrar? <\/em><\/p>\n<p>A prop\u00f3sito disto, gostaria de dizer, e s\u00e3o not\u00edcias recentes, cerca de 60% dos jovens entre os 15 e os 24 anos t\u00eam v\u00ednculos prec\u00e1rios e dessa franja, cerca de 95% dos jovens ainda est\u00e1 a viver com os pais. Isto \u00e9 algo que nos deve preocupar a todos, mas tamb\u00e9m a quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o aqui entra, obviamente. Eu acho que hoje n\u00f3s estamos a viver um per\u00edodo que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de agora, pois j\u00e1 vem detr\u00e1s, mas ainda continuamos e acho que estamos a agravar esta perce\u00e7\u00e3o:\u00a0A valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho enquanto valor em si. O S\u00e9rgio Godinho tem uma can\u00e7\u00e3o que diz que \u00e9 a trabalhar que a gente paga o jantar, mas \u00e9 tamb\u00e9m a trabalhar que se fez a faca para o cortar. Ou seja, isto quer-nos dizer que o trabalho tem um valor monet\u00e1rio, \u00e9 verdade, mas tamb\u00e9m tem um valor por si s\u00f3 que gera riqueza para todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Quando n\u00f3s dizemos que estes grandes \u00eddolos que nos aparecem, Elon Musk e Bezos e outros, que s\u00e3o os nossos \u00eddolos porque investem e supostamente geram riqueza, \u00e9 bom pensarmos que quem gera riqueza \u00e9 quem trabalha para eles. As pessoas todas e jovens que v\u00e3o trabalhar geram riqueza para as empresas, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os patr\u00f5es que t\u00eam as grandes ideias de investimento que o fazem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa diz que para al\u00e9m da quest\u00e3o econ\u00f3mica h\u00e1 uma quest\u00e3o de dignifica\u00e7\u00e3o e de realiza\u00e7\u00e3o humana que est\u00e1 ligada indelevelmente ao trabalho. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 efetivamente o facto de a pessoa poder ou n\u00e3o produzir, ou ser julgada por aquilo que produz e consome, \u00e9 por se realizar. Nestas perspetivas de futuro imediato para os jovens, tamb\u00e9m falta essa ideia?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, e isso tem toda a pertin\u00eancia o que o Papa Francisco alerta precisamente por isso, porque se o nosso trabalho n\u00e3o for dignificado, se n\u00e3o for valorizado aquilo que n\u00f3s fazemos, e se n\u00f3s pr\u00f3prios n\u00e3o formos valorizados desse ponto de vista, continuaremos sempre a viver de forma prec\u00e1ria e continuaremos sempre a alimentar este mercado que continuar\u00e1 a ser prec\u00e1rio se n\u00e3o houver um forcing, digamos assim, para que os sal\u00e1rios sejam aumentados.<\/p>\n<p>Eu devo dizer, por acaso, mesmo a este prop\u00f3sito, que o Papa Francisco tem uma frase numa das suas enc\u00edclicas em que diz que n\u00f3s estamos num per\u00edodo de uma economia que mata, e isto \u00e9 verdade, isto deve ser seriamente ouvido. N\u00f3s estamos numa fase em que os ricos dos mais ricos conseguem convencer a classe m\u00e9dia, que \u00e9 a maioria, de que os pobres dos pobres s\u00e3o os culpados pelo facto da classe m\u00e9dia n\u00e3o estar neste momento a conseguir viver com uma qualidade de vida que mereceria, ou com acesso aos servi\u00e7os que gostaria de ter com qualidade, quando na verdade isto n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade. Esses pobres dos mais pobres continuam a precisar de assist\u00eancia, e n\u00e3o s\u00e3o de todo os culpados das dificuldades que a classe m\u00e9dia enfrenta. E a prop\u00f3sito disso at\u00e9 gostaria de dizer que estes mais ricos, dos ricos que nos convencem disto, s\u00e3o os que geralmente s\u00e3o contra o Estado em tudo e mais alguma coisa, mas usufruem do Estado para fazerem os seus investimentos, e eu devo dizer que a B\u00e1rbara Reis do P\u00fablico escreveu um texto fant\u00e1stico a outra semana cujo t\u00edtulo \u00e9: Amazon recebeu 12 milh\u00f5es ou como os ricos adoram o Estado. E \u00e9 um texto que eu gostaria de recomendar aos ouvintes a lerem, porque mostra precisamente como o Estado ajuda muito estas pessoas, mas depois elas n\u00e3o gostam muito de redistribuir a riqueza, e isso \u00e9 um problema para todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Conversamos num momento de nova crise pol\u00edtica em Portugal. Pergunto se esta sucess\u00e3o de crises \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o para o universo estudantil?<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que esta sucess\u00e3o de crises \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds no geral, e eu tenho uma opini\u00e3o muito pr\u00f3pria em rela\u00e7\u00e3o a isto, acho que tudo isto era evit\u00e1vel, n\u00f3s n\u00e3o precisar\u00edamos ter chegado at\u00e9 aqui. H\u00e1 not\u00edcias de background que dizem que o pr\u00f3prio Presidente da Rep\u00fablica foi contra a apresenta\u00e7\u00e3o da mo\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s estamos a falar de facto de uma crise pol\u00edtica provocada pelos pol\u00edticos e n\u00e3o pela conjetura internacional ou por um fator grav\u00edssimo do ponto de vista econ\u00f3mico ou militar&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Mas repare que neste caso em particular \u00e9 imposs\u00edvel dissociarmos as duas coisas, sem falarmos tamb\u00e9m do nosso caso nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a\u00ed de facto \u00e9 uma crise que foi provocada pelos pr\u00f3prios pol\u00edticos?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida, sem d\u00favida, e devemos dizer que era escusado termos chegado at\u00e9 aqui precisamente, porque n\u00e3o havia raz\u00f5es para isso, por muito critic\u00e1vel que pudesse ter sido o \u00faltimo ano, e \u00e9, mas eu diria que esta mo\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a foi escusada. Sabia-se muito bem o desfecho que ia ter e foi uma falta de responsabilidade do Governo atual termos chegado at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ao n\u00edvel da pastoral universit\u00e1ria, que outros problemas, dificuldades identificas?<\/em><\/p>\n<p>Do ponto de vista da pastoral universit\u00e1ria, como eu tamb\u00e9m j\u00e1 tinha falado com o Henrique, eu tive alguns apontamentos pessoais com a pastoral, nomeadamente na participa\u00e7\u00e3o na JMJ e tamb\u00e9m em algumas celebra\u00e7\u00f5es do n\u00facleo universit\u00e1rio cat\u00f3lico. Eu devo dizer que a pastoral universit\u00e1ria \u00e9 um bom meio de os jovens poderem integrar-se, at\u00e9 mesmo de se conhecerem entre si e desenvolverem a sua conviv\u00eancia, dentro tamb\u00e9m dos valores que s\u00e3o crist\u00e3os e daqueles que se identificam nesses valores, e isso pode ser fundamental para todos n\u00f3s. Neste momento, eu diria que a pastoral universit\u00e1ria atravessa os mesmos desafios que a Igreja atravessa em rela\u00e7\u00e3o aos jovens.<\/p>\n<p>Esta quest\u00e3o da proximidade da Igreja com os jovens tem que ser cultivada, deve ser cultivada. Deveria ter-se aproveitado muito os frutos da JMJ. N\u00e3o sei se estamos a chegar a esse ponto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Passados j\u00e1 quase dois anos, achas que vivemos numa certa letargia? \u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que n\u00f3s ainda n\u00e3o estamos a aproveitar suficientemente bem este per\u00edodo em que temos a gra\u00e7a, porque acho que isto \u00e9 mesmo a gra\u00e7a de termos o Papa Francisco, neste momento. Porque n\u00e3o estamos a aproveitar devidamente do ponto de vista sinodal, n\u00e3o estamos a aproveitar devidamente do ponto de vista pastoral, toda esta heran\u00e7a, todo este legado que ele vai deixar \u00e0 Igreja. Acho que a Igreja est\u00e1 a funcionar em v\u00e1rias velocidades, e eu posso-lhe falar mesmo desta quest\u00e3o do s\u00ednodo.<\/p>\n<p>Era suposto n\u00f3s sermos inquiridos nas par\u00f3quias e fazer-se um relat\u00f3rio e chegar a Roma. A nossa par\u00f3quia n\u00e3o teve nenhum, no meu caso em particular, n\u00e3o teve nenhum inqu\u00e9rito. Eu respondi a um inqu\u00e9rito que estava online, divulgado na Diocese.<\/p>\n<p>Neste segundo ano, supostamente, os trabalhos deveriam ter chegado tamb\u00e9m \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, voltaram a n\u00e3o chegar, pelo menos eu n\u00e3o tive essa perce\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 que eu quero dizer com isto? Acho que o nosso clero, particularmente em Portugal, e isto estou a falar da realidade que conhe\u00e7o, est\u00e1 muito acomodado, muito fechado nas suas cren\u00e7as individuais, muita dificuldade em perceber o lado do outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isto vai-nos levar a uma dificuldade relacional com os mais jovens\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que tem de haver esta abertura, e o Papa Francisco, que veio trazer a centralidade do Evangelho para a viv\u00eancia da f\u00e9, vem-nos ensinar isto, precisamente. N\u00f3s temos de estabelecer esta cultura do encontro com os mais jovens, nas suas dificuldades, nas suas d\u00favidas, porque a f\u00e9 sem d\u00favidas n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e9 que cresce, e tamb\u00e9m nos seus desafios que n\u00e3o s\u00e3o os mesmos de h\u00e1 50 anos, ou h\u00e1 20, ou h\u00e1 30.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A JMJ pode ter sido uma oportunidade perdida?<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que, se continuarmos neste estado de comodismo, poder\u00e1 ser, infelizmente. \u00c9 uma pena que tenhamos de dizer isto, mas diria que sim, porque n\u00e3o se est\u00e1 a aproveitar. Quando o Papa Francisco nos diz todos, todos, todos, reparemos que logo de seguida v\u00eam umas vozes a questionar o que \u00e9 que \u00e9 o todos, todos, todos. Mas porqu\u00ea?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Houve muitos \u201cmas\u201d? <\/em><\/p>\n<p>Exato, quer dizer, n\u00f3s quando estamos aqui a querer excluir, e a querer questionar quais s\u00e3o os todos, todos, todos, j\u00e1 estamos a dizer que \u00e0 partida, h\u00e1 alguns que j\u00e1 est\u00e3o exclu\u00eddos, ou que n\u00e3o est\u00e3o bem, bem, bem dentro. E se isto \u00e9 assim, eu devo dizer que n\u00f3s arrisc\u00e1mos, daqui a uns anos, a que a igreja sejam as paredes, e a igreja n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as paredes dos edif\u00edcios, s\u00e3o as pessoas. Eu devo dizer tamb\u00e9m que o Papa Francisco fez uma coisa importante no outro fim de semana, com o documento que assinou, em que vai fazer, em 2028, uma reuni\u00e3o para tentar perceber se os frutos do s\u00ednodo est\u00e3o a ser aplicados. Acho isto fundamental, mas eu espero que os nossos padres e os nossos bispos fa\u00e7am o seu trabalho, e sobretudo que se pronunciem mais sobre os problemas dos jovens.\u00a0\u00a0Eu n\u00e3o ou\u00e7o os bispos a falarem dos problemas da habita\u00e7\u00e3o, dos problemas da precariedade, os nossos padres n\u00e3o est\u00e3o a falar disso. \u00c9 importante falar-se. A a\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica que n\u00f3s tivemos no p\u00f3s-25 de Abril foi fundamental, perdeu-se, est\u00e1 a perder espa\u00e7o na Igreja, \u00e9 uma pena.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Eu pergunto tamb\u00e9m, at\u00e9 deste ponto de vista, se a din\u00e2mica sinodal deveria ou poderia ter mais impacto na pastoral universit\u00e1ria? <\/em><\/p>\n<p>Eu diria que se pode tirar todos os frutos, e mais alguns, dessa din\u00e2mica sinodal. Ali\u00e1s, h\u00e1 uma s\u00e9rie de orienta\u00e7\u00f5es que o Papa Francisco, em outubro, com o fim da segunda reuni\u00e3o do s\u00ednodo, nos deixou, e que a pastoral universit\u00e1ria pode, de facto, ir buscar, para trazer, precisamente, nesta perspetiva de integra\u00e7\u00e3o e de aproxima\u00e7\u00e3o da igreja aos jovens. Volto a insistir neste ponto.\u00a0Acho mesmo fundamental que se fale dos problemas que as pessoas t\u00eam hoje, porque uma igreja que n\u00e3o fala dos problemas das pessoas, e que est\u00e1 voltada, \u00fanica e exclusivamente para as quest\u00f5es da moral, e se esquece que o dia-a-dia das pessoas vai muito al\u00e9m disso, as dificuldades das pessoas v\u00e3o muito al\u00e9m disso, n\u00e3o pode esperar que os jovens se aproximem. E isto \u00e9 uma pena imensa, que n\u00e3o se pense de forma estrutural, que se esteja a pensar, \u00fanica e exclusivamente, nos preceitos que temos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Precisamos de uma Igreja mais pr\u00f3xima, com mais cuidado aos problemas, para, dessa forma, se aproximar dos estudantes e dos jovens?\u00a0 \u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que sim, sem d\u00favida alguma. Eu acho que \u00e9 uma pena quando n\u00e3o se ouve os jovens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na v\u00e9spera do Dia Nacional do Estudante, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia Filipe Mois\u00e9s Francisco, que est\u00e1 prestes a concluir o seu doutoramento na \u00e1rea de Engenharia Ambiental, no Porto, e que se identifica como um cat\u00f3lico praticante<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":366259,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[478],"class_list":["post-366257","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-igreja-ensino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/366257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=366257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/366257\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/366259"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=366257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=366257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=366257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}