{"id":36620,"date":"2009-01-31T17:44:37","date_gmt":"2009-01-31T17:44:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/01\/31\/a-instrucao-sobre-o-servico-da-autoridade-e-a-obediencia\/"},"modified":"2009-01-31T17:44:37","modified_gmt":"2009-01-31T17:44:37","slug":"a-instrucao-sobre-o-servico-da-autoridade-e-a-obediencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-instrucao-sobre-o-servico-da-autoridade-e-a-obediencia\/","title":{"rendered":"A instru\u00e7\u00e3o sobre o servi\u00e7o da autoridade e a obedi\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Este documento da Congrega\u00e7\u00e3o para os Institutos de Vida Consagrada (11 de Maio de 2008) merece um olhar atento e agradecido. \u00c9 original e profundo, l\u00facido e aberto, estimulante e pr\u00e1tico. Receio, por\u00e9m, que bem cedo passe ao ba\u00fa do esquecimento, dada a inunda\u00e7\u00e3o de documentos que se sobrep\u00f5em e atropelam uns aos outros, antes de serem assimilados e passados para a vida. <b>Chaves de leitura<\/b>  1. Numa altura em que todos nos sentimos \u201cadultos e vacinados\u201d, falar de autoridade e obedi\u00eancia parece um anacronismo. Desejosas de afirmar a sua leg\u00edtima autonomia, ciosas da sua liberdade, as pessoas t\u00eam dificuldade em aceitar a autoridade, mesmo a de Deus; os fi\u00e9is crist\u00e3os lidam mal com a fun\u00e7\u00e3o que a autoridade exerce na comunidade eclesial; e a situa\u00e7\u00e3o repete-se na Vida consagrada. Esta, por\u00e9m, ou se compreende como seguimento radical do Senhor Jesus, Servo obediente, ou n\u00e3o se compreende. S\u00f3 a partir da\u00ed se pode falar de autoridade que liberta e de obedi\u00eancia que dignifica.  2. A Instru\u00e7\u00e3o come\u00e7a por enraizar a tem\u00e1tica na consagra\u00e7\u00e3o como busca da vontade de Deus, vivida em fraternidade, e em vista da miss\u00e3o. Note-se que as duas primeiras vezes que Jesus \u201cfala\u201d nos evangelhos, s\u00e3o para fazer uma pergunta: \u201cQue procurais?\u201d (Jo 1, 38); \u201cPorque me procur\u00e1veis?\u201d (Lc 2, 49). E do mesmo teor \u00e9 a primeira interven\u00e7\u00e3o de Maria: \u201cComo ser\u00e1 isso?\u201d (Lc 1, 34). Que buscam os Consagrados? A resposta deve ser: \u201cA tua face, Senhor, eu procuro\u201d (Sl 27, 8; subt\u00edtulo da Instru\u00e7\u00e3o). \u00c9 neste clima que a autoridade e a obedi\u00eancia desabrocham. Na Vida Consagrada n\u00e3o h\u00e1 quem manda e quem obedece, quem est\u00e1 mais acima e quem est\u00e1 mais abaixo. Todos \u2013 cada um no seu papel \u2013 buscam e cumprem a vontade de Deus. Nisso como noutras coisas a autoridade vai \u00e0 frente; da\u00ed o nome de \u201cprior\u201d, o primeiro.  3. Essa busca faz-se na companhia de irm\u00e3os ou irm\u00e3s, no meio dos quais a autoridade est\u00e1 \u201ccomo quem serve\u201d. O papel desta consiste em \u201cfazer crescer\u201d a fraternidade, estimular a cria\u00e7\u00e3o de comunidades, onde se escute, se dialogue, se gere confian\u00e7a, apre\u00e7o, corresponsabilidade, onde todos contribuam para as decis\u00f5es finais, onde se harmonize o bem da pessoa com o servi\u00e7o da obra apost\u00f3lica. O superior \u00e9 uma express\u00e3o do amor com que Deus ama os seus filhos. Cabe-lhe fazer circular a caridade. Onde esta reina, o discernimento decorre com transpar\u00eancia, aceitam-se as decis\u00f5es com a humildade e a alegria pr\u00f3prias de quem p\u00f5e os des\u00edgnios de Deus acima dos seus projectos pessoais e pontos de vista.   4. A obedi\u00eancia n\u00e3o se refere ao superior, mas a Deus. Ele manifesta-nos a sua vontade por meio da mo\u00e7\u00e3o interior do seu Esp\u00edrito e de m\u00faltiplas media\u00e7\u00f5es exteriores: a B\u00edblia, o magist\u00e9rio da Igreja, o projecto carism\u00e1tico do Instituto, as necessidades e aspira\u00e7\u00f5es dos seres humanos, os irm\u00e3os ou irm\u00e3s de comunidade e, de modo particular, os superiores. A Instru\u00e7\u00e3o real\u00e7a o conceito de \u201cobedi\u00eancia fraterna\u201d. A obedi\u00eancia de uns \u00e0s necessidades dos outros. Na maioria dos dias os superiores n\u00e3o nos mandar\u00e3o coisa nenhuma; mas a vontade de Deus revela-se por meio das pessoas a quem servimos na miss\u00e3o e dos irm\u00e3os ou irm\u00e3s que vivem ao nosso lado. \u201cObede\u00e7am uns aos outros &#8211; diz S\u00e3o Bento &#8211; sabendo que por este caminho ir\u00e3o a Deus\u201d.  5. Na miss\u00e3o a Vida Consagrada encontra, hoje, a sua alma e muitas dificuldades e desafios. \u00c9 onde mais se nota o individualismo, o af\u00e3 de autonomia e de protagonismo, o activismo superficial e destruidor&#8230; E \u00e9 onde mais se precisa de obedi\u00eancia l\u00facida e respons\u00e1vel, de servi\u00e7o generoso, criatividade, comunh\u00e3o eclesial, miss\u00e3o \u201ccompartida\u201d e n\u00e3o s\u00f3 repartida, equil\u00edbrio na perten\u00e7a ao Instituto e a muitas outras coisas&#8230; E, sobretudo, a disponibilidade, que \u00e9 a gl\u00f3ria da Vida Consagrada, e que brilha particularmente na miss\u00e3o \u201cad gentes\u201d. Esta terceira parte \u00e9, para mim, a mais frouxa e d\u00e9bil. Conviria apresentar melhor a miss\u00e3o de Jesus e a da Vida Consagrada; insistir mais na proximidade e no servi\u00e7o aos pobres. Ainda assim, a Instru\u00e7\u00e3o ilumina, e bem, a fun\u00e7\u00e3o propulsora da autoridade, as \u201cobedi\u00eancias dif\u00edceis\u201d, a objec\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, o sentido de justi\u00e7a (em rela\u00e7\u00e3o a v\u00edtimas de abusos).  6. Por \u00faltimo, importa vincar o ideal \u201col\u00edmpico\u201d que perpassa na Instru\u00e7\u00e3o. O Vaticano II n\u00e3o teve pejo em aplicar o adv\u00e9rbio \u201cmais\u201d aos consagrados: dedicam-se \u201cmais intimamente\u201d ao servi\u00e7o divino, imitam \u201cmais de perto\u201d a forma de vida de Jesus, configuram-se \u201cmais plenamente\u201d a Ele. Isto bem entendido. Os consagrados n\u00e3o s\u00e3o mais do que os outros fi\u00e9is crist\u00e3os. Seria uma insensatez pens\u00e1-lo. A sua voca\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, leva-os a aspirar sempre a mais entrega, a dar respostas mais evang\u00e9licas e actualizadas.  A autoridade est\u00e1 a\u00ed para impedir que a vida pessoal e comunit\u00e1ria se estanque, antes se reinvente cada dia em vista da miss\u00e3o. Da\u00ed o finca-p\u00e9 na forma\u00e7\u00e3o permanente, no crescimento humano, espiritual, profissional.  N\u00e3o fica mal este recado quando em bastantes fam\u00edlias religiosas parece que se p\u00f5e mais empenho em \u201cfazer santos\u201d do que em \u201cfazer-se santos\u201d, em colocar nos altares os pr\u00f3prios fundadores ou irm\u00e3os do que em imitar os seus exemplos.  <i>P. Ab\u00edlio Pina Ribeiro (claretiano)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este documento da Congrega\u00e7\u00e3o para os Institutos de Vida Consagrada (11 de Maio de 2008) merece um olhar atento e agradecido. \u00c9 original e profundo, l\u00facido e aberto, estimulante e pr\u00e1tico. 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