{"id":36618,"date":"2009-01-31T17:40:50","date_gmt":"2009-01-31T17:40:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/01\/31\/consagrado-e-missionario-hoje\/"},"modified":"2009-01-31T17:40:50","modified_gmt":"2009-01-31T17:40:50","slug":"consagrado-e-missionario-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/consagrado-e-missionario-hoje\/","title":{"rendered":"Consagrado e mission\u00e1rio hoje"},"content":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo \u00e9 pertinente, hoje mais do que nunca. Desafia-me a entrar no fundamental e existencial da voca\u00e7\u00e3o consagrada e mission\u00e1ria. S\u00f3 h\u00e1 um caminho de abordagem: o existencial.  Na impossibilidade de tocar todos os aspectos, vou cingir-me a 4, mais vis\u00edveis a todos, seja religiosos como crist\u00e3os que convivem de algum modo com consagrados mission\u00e1rios. <b>Identidade e comunh\u00e3o<\/b> S. Marcos diz-nos que Jesus subiu ao monte e chamou os 12 para estarem com ele e para os enviar a pregar (Mc 3,13-14). A primeira parte do apelo \u00e9 para \u201cestarem com Ele\u201d. Esta express\u00e3o, ou atitude manifesta a intimidade que Jesus de Nazar\u00e9 quer criar com cada pessoa: conhecer, ver, escutar, entrar na intimidade, percorrer os mesmos caminhos, tomar consci\u00eancia das op\u00e7\u00f5es de Jesus, da sua meta, o sentido da sua vida, o relacionamento com o Pai e com os outros. Aprender vivendo, fazer caminho, tomar op\u00e7\u00f5es de vida.  \u00c9 entrar na intimidade daquele que chama, Jesus de Nazar\u00e9. Nesta intimidade a pessoa consagrada liga-se com la\u00e7os de fraternidade a todos os homens e mulheres a quem o Senhor ama como filhos e redime com a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. S\u00f3 identificando-me com Jesus de Nazar\u00e9 posso entrar em comunh\u00e3o perfeita com os outros meus irm\u00e3os. Em situa\u00e7\u00f5es de fronteira, os mission\u00e1rios percebem como s\u00e3o d\u00e9beis. A\u00ed se sente, de maneira especial, que \u00e9 Deus que tem que nos guiar e proteger. A\u00ed sabemos dar espa\u00e7o ao esp\u00edrito que nos indique o caminho a seguir. A n\u00f3s resta confiar e avan\u00e7ar. A comunidade \u00e9 vital. \u00c9 a\u00ed que se projectam as actividades, se amparam os confrades, se vive, se reza, se choram as tristezas e se faz a festa. <b>An\u00fancio e profecia<\/b> S. Paulo escrevia aos crist\u00e3os de Corinto: \u201cAi de mim se n\u00e3o evangelizar\u201d (1Cor 9,16). Jo\u00e3o Paulo II afirmou em 1991 na Redemptoris Missio (n\u00ba 1) que \u201ca miss\u00e3o est\u00e1 ainda bem longe do seu pleno cumprimento\u201d. Jesus chamou os 12 tamb\u00e9m para os enviar a pregar (Mc 3,14). Este an\u00fancio directo ganha credibilidade no viver com as pessoas, no partilhar a sua sorte, na luta conjunta por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e maior dignidade humana. O di\u00e1logo cultural e religioso \u00e9, sem d\u00favida hoje, uma forma privilegiada de an\u00fancio do evangelho. O consagrado mission\u00e1rio \u00e9 chamado a dar \u201craz\u00e3o da sua esperan\u00e7a a quem lha pedir\u201d (1Pd 3,15), a partilhar com a vida o que, ou quem, a leva a estar ali. Ao longo da hist\u00f3ria da igreja os institutos de vida consagrada em geral e os mission\u00e1rios em particular, foram surgindo como vozes prof\u00e9ticas. Ser profeta \u00e9 ser a voz de Deus na hist\u00f3ria. A Igreja \u00e9 o grande sinal que Deus escolheu para profeta e sentinela permanente do seu Reino. A vida consagrada aparece como voca\u00e7\u00e3o especial para incarnar este testemunho, iluminando certos aspectos da miss\u00e3o da Igreja. Os consagrados despertam a Igreja para a sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o: s\u00e3o, como diz Michael Amalados, o p\u00f3lo prof\u00e9tico no interior da Igreja. Como ser hoje sinais das bem aventuran\u00e7as do reino, na nova cultura emergente, em ruptura com o evangelho, que perdeu quase todas as media\u00e7\u00f5es culturais por onde passava a nossa imagem: fam\u00edlia, escola, a cultura, o meio\u2026? Para sermos profetas temos que assentar bem os p\u00e9s no s\u00e9culo XXI, evoluir, mudar, transformar-se. Isso pode ser tremendamente dif\u00edcil e doloroso na vida consagrada e mission\u00e1ria. <b>Justi\u00e7a e Paz e Direitos humanos<\/b> A sociedade mundial est\u00e1 mais sens\u00edvel aos problemas humanos, sociais e econ\u00f3micos. Os mission\u00e1rios s\u00e3o confrontados quotidianamente com situa\u00e7\u00f5es gritantes de injusti\u00e7a, guerra, viol\u00eancia, descrimina\u00e7\u00e3o, fome, doen\u00e7as\u2026 Uma grande parte do seu tempo, est\u00e1 ocupado com estas realidades, que se traduz no concreto em ac\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o humana, desenvolvimento, educa\u00e7\u00e3o c\u00edvica\u2026 Cada dia que passa aumenta o n\u00famero daqueles para quem a felicidade e um m\u00ednimo de condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00e3o palavras ocas de sentido. A\u00ed, sobretudo em \u201cpa\u00edses de miss\u00e3o\u201d, os mission\u00e1rios s\u00e3o \u201cvelas acesas\u201d para irradiar a luz de Cristo a todos os povos e lugares. <b>Comunh\u00e3o com a Igreja local<\/b> \u00c9 dos desafios maiores. Ao longo da hist\u00f3ria, os mission\u00e1rios foram chegando, fundaram comunidades, presidiam a essas comunidades\u2026 porque n\u00e3o havia alternativas. Hoje os tempos mudaram. As Igrejas locais est\u00e3o organizadas, t\u00eam clero, religiosos e religiosas locais; formam agentes pastorais leigos\u2026 O trabalho do mission\u00e1rio hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 tanto fundar e dirigir, mas estar ao servi\u00e7o, ajudar a crescer esta Igreja, a formar agentes pastorais e pastores, a integrar-se nos projectos pastorais das igrejas locais. Hoje t\u00eam mais sentido as palavras de Jo\u00e3o Baptista: \u201c\u00e9 necess\u00e1rio que ele cres\u00e7a e eu diminua\u201d.   <b>Como propor a voca\u00e7\u00e3o consagrada?<\/b> Aqui est\u00e1 o grande desafio do s\u00e9culo XXI \u00e1 vida consagrada mission\u00e1ria. Eu que trabalho na pastoral vocacional juvenil sinto isto como uma espada que me atravessa o cora\u00e7\u00e3o. A vida consagrada mission\u00e1ria \u00e9 uma \u201cdesafio de alto risco\u201d. No mundo em que vivemos cada um por si, onde cada um tem tudo, onde a fraternidade tende a desaparecer, onde n\u00e3o preciso de sair de casa para ter tudo; como propor a um jovem uma vida de partilha, de fraternidade, de vida comunit\u00e1ria, de servi\u00e7o, de dom total da sua vida em situa\u00e7\u00f5es de guerra de viol\u00eancia de aniquilamento dos direitos humanos fundamentais? Quem quer correr este risco? E para qu\u00ea se n\u00e3o h\u00e1 recompensa, se a culpa destas situa\u00e7\u00f5es \u00e9 daqueles que supostamente ir\u00edamos ajudar (pensamos muitos de n\u00f3s!)? Que temos n\u00f3s com isso? E a liberdade religiosa? Para qu\u00ea anunciar Jesus Cristo se \u201celes\u201d t\u00eam a sua religi\u00e3o e se salvam na mesma? S\u00f3 um testemunho honesto e verdadeiro, de vida com Cristo e com os outros, pode ultrapassar todas estas barreiras e cativar alguns jovens. S\u00f3 a apresenta\u00e7\u00e3o de um Cristo ressuscitado em ambientes de morte, pode levar ao jovens a responder afirmativamente ao convite que Jesus de Nazar\u00e9 continua a fazer: \u201cvinde comigo e farei de v\u00f3s pescadores de homens\u201d (Mc 1,17). <i>Pe. Leonel Claro, mccj <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo \u00e9 pertinente, hoje mais do que nunca. Desafia-me a entrar no fundamental e existencial da voca\u00e7\u00e3o consagrada e mission\u00e1ria. S\u00f3 h\u00e1 um caminho de abordagem: o existencial. Na impossibilidade de tocar todos os aspectos, vou cingir-me a 4, mais vis\u00edveis a todos, seja religiosos como crist\u00e3os que convivem de algum modo com consagrados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[189,193,206,221,237,326],"class_list":["post-36618","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-direitos-humanos","tag-educacao","tag-familia","tag-historia-da-igreja","tag-joao-paulo-ii","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36618"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36618\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}