{"id":36617,"date":"2009-01-31T17:38:48","date_gmt":"2009-01-31T17:38:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/01\/31\/os-religiosos-e-a-comunicacao-para-a-sociedade\/"},"modified":"2009-01-31T17:38:48","modified_gmt":"2009-01-31T17:38:48","slug":"os-religiosos-e-a-comunicacao-para-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-religiosos-e-a-comunicacao-para-a-sociedade\/","title":{"rendered":"Os religiosos e a comunica\u00e7\u00e3o para a sociedade"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma quest\u00e3o que surge logo \u00e0 cabe\u00e7a: os Religiosos t\u00eam que comunicar com a Sociedade? Precisam de se preocupar em falar expressamente para a Opini\u00e3o P\u00fablica? \u00c9 que a sua natureza de grupo orientado para e pelo Sagrado ou a sua agenda carregada de tarefas no \u00e2mbito da Igreja e dos seus movimentos, bem poderia dispens\u00e1-los desse esfor\u00e7o de comunicar para p\u00fablicos indiferenciados como os que se abrigam no conceito de \u201cSociedade\u201d.   Enquanto membros de uma realidade maior, a Igreja Cat\u00f3lica, os institutos religiosos poderiam deixar a tarefa da comunica\u00e7\u00e3o mais alargada para as Dioceses e Par\u00f3quias, concentrando-se nos seus trabalhos de acordo com os seus carismas. Ou n\u00e3o?  O simples facto de se colocar a quest\u00e3o tem que se lhe diga. A comunica\u00e7\u00e3o para o exterior, de modo sistem\u00e1tico e com padr\u00f5es de qualidade nivelados pelo contexto, n\u00e3o \u00e9 vista como um acto natural, um imperativo pr\u00f3prio de um actor socialmente relevante. Os Religiosos ter\u00e3o outras prioridades, talvez considerem que a Sociedade n\u00e3o est\u00e1 interessada no que eles tenham para lhes dizer ou, mais grave, talvez n\u00e3o julguem a Sociedade como merecedora do investimento.  Em plena Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o e Conhecimento atitudes deste tipo podem ser n\u00e3o ser as melhores, penalizando o potencial apost\u00f3lico da presen\u00e7a dos Institutos. A verdade \u00e9 que uma sociedade plural e atravessada por constantes fluxos informativos est\u00e1 sempre aberta a discursos m\u00faltiplos, dos mais aos menos maiorit\u00e1rios, dos mais esperados aos mais inesperados. \u00c9 uma sociedade \u00e1vida de emissores e conte\u00fados, que acolhe a diversidade como um bem em si mesmo, antes ainda de qualquer ju\u00edzo de valor.  A Vida Religiosa com as suas largas variantes em feminino e masculino, cont\u00e9m uma forte afinidade com a Contemporaneidade que, precisamente, valoriza a diferencia\u00e7\u00e3o de propostas de valor. Este tra\u00e7o identit\u00e1rio do Universo Religioso \u2013a pluralidade de abordagens, historicamente testadas \u2013 deveria abrir caminho para um irresist\u00edvel impulso \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o com o exterior, com todos os exteriores poss\u00edveis, enriquecendo o debate social, dando o seu contributo, exercendo o direito pr\u00f3prio em sociedades abertas e cada vez mais colaborativas.  Querendo ou n\u00e3o, com maior ou menor autoconsci\u00eancia, Religiosas e Religiosos e as suas organiza\u00e7\u00f5es fazem parte de redes, ser\u00e3o n\u00f3s de muitas e est\u00e3o em constante processo de interac\u00e7\u00e3o ligando-se e desligando-se a muitos outros actores, reconfigurando continuamente o espa\u00e7o social.   Assim sendo, mais valia que a Comunica\u00e7\u00e3o fosse algo de muito bem pensado, preparado, algo tomado como inerente \u00e0 inser\u00e7\u00e3o num meio muito exposto e alargado. Como em tantas outras dimens\u00f5es da vida p\u00fablica, da legal \u00e0 log\u00edstica das casas e obras, tamb\u00e9m a Comunica\u00e7\u00e3o exige trabalho, disp\u00eandio de recursos humanos, t\u00e9cnicos, materiais.   E por onde se come\u00e7a a pensar uma Comunica\u00e7\u00e3o bem sucedida, admitindo que a sua necessidade est\u00e1 adquirida? Come\u00e7a por algo que n\u00e3o \u00e9 evidente para o estatuto da Vida Consagrada: a realidade do destinat\u00e1rio, a sua situa\u00e7\u00e3o concreta, incluindo mentalidade e linguagem. Come\u00e7a por Ouvir o Outro, com interesse aut\u00eantico, respeito pela sua experi\u00eancia e modo de ver e sentir. Come\u00e7a pelo amoroso acto de acolher pessoas e hist\u00f3rias \u201cperdidas\u201d, \u201cdesviadas\u201d, \u201cimpuras\u201d, \u201cdesorientadas\u201d.  De facto, a Comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um movimento de Risco. Implica sair da casa conforto das ideias j\u00e1 bem arrumadas, das formas familiares de dizer, das pessoas com comportamentos previs\u00edveis. Comunicar com a Sociedade, que nos calhou habitar, n\u00e3o \u00e9 anunciar a Mensagem com uma sociedade ao fundo, como se fosse um filme com milhares de figurantes para compor a hist\u00f3ria e simular ac\u00e7\u00e3o.  Muitos dos discursos sobre a n\u00e3o evid\u00eancia do Imperativo de Comunicar para a Sociedade como um todo, ou, o que vai dar ao mesmo, muito da comunica\u00e7\u00e3o desajustada ter\u00e3o neste n\u00e3o querer sair de si mesmos, neste fugir ao Risco, a sua raz\u00e3o primordial. E, no entanto, como seria importante, vital para a Sociedade que se ouvisse a voz dos Religiosos, com o seu discurso pr\u00f3prio, o seu quadro de valores que lhes traz identidade e raz\u00e3o de ser.   Para que esta miss\u00e3o se concretize, exige-se um novo esfor\u00e7o de incultura\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o se resume \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o expedita e tecnocrata dos meios digitais, operando algum tipo de tradu\u00e7\u00e3o apressada de discurso. Servir\u00e1 de pouco continuar a pensar da mesma maneira, mudando apenas a plataforma de comunica\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 inconsequente prosseguir numa l\u00f3gica auto centrada, fechada sobre si, ainda que ela se espraie em algum meio mais aberto e luminoso. Nesta \u00f3ptica, e dando raz\u00e3o a vozes simplificadoras e bem intencionadas, n\u00e3o estamos perante uma quest\u00e3o de Marketing, no sentido de malabarismos exteriores.  A \u00fanica comunica\u00e7\u00e3o eficaz \u00e9 a que nasce da vontade interior, profunda, ligada ao Sagrado, de ir ao encontro dos outros. Depois h\u00e1 quest\u00f5es t\u00e9cnicas, que se aprendem, se treinam, se aperfei\u00e7oam. Se as Religiosas e os Religiosos Portugueses quiserem aprender a comunicar com a Sociedade deste tempo, t\u00eam muito para contar e n\u00e3o faltar\u00e3o p\u00fablicos desejosos de ouvir, de questionar, de aderir ou rejeitar. Nesse processo de interac\u00e7\u00e3o com o mundo muitos discursos dos Religiosos ser\u00e3o refeitos, recome\u00e7ados, substitu\u00eddos. D\u00e1 muito trabalho. Mas vale a pena. \u00c9, afinal, a ess\u00eancia do nosso ser mission\u00e1rio. A nossa aceita\u00e7\u00e3o reconhecida da proposta do Ap\u00f3stolo Paulo.     <i>Carlos Liz, director geral da APEME, Estudos de Mercado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma quest\u00e3o que surge logo \u00e0 cabe\u00e7a: os Religiosos t\u00eam que comunicar com a Sociedade? 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