{"id":365535,"date":"2025-03-15T09:01:04","date_gmt":"2025-03-15T09:01:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=365535"},"modified":"2025-03-15T02:00:32","modified_gmt":"2025-03-15T02:00:32","slug":"entrevista-que-a-guarda-nao-seja-so-um-sitio-de-passagem-turistica-afirma-o-novo-bispo-da-diocese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entrevista-que-a-guarda-nao-seja-so-um-sitio-de-passagem-turistica-afirma-o-novo-bispo-da-diocese\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u00abQue a Guarda n\u00e3o seja s\u00f3 um s\u00edtio de passagem tur\u00edstica\u00bb, afirma o novo bispo da diocese"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>D. Jos\u00e9 Miguel Pereira assume a coordena\u00e7\u00e3o de uma diocese com 800 anos de hist\u00f3ria, sonha construir \u00abuma realidade assente na comunh\u00e3o\u00bb que tem na sinodalidade \u00aba oportunidade do caminho necess\u00e1rio\u00bb para \u00abencontrar espa\u00e7os de comunh\u00e3o e de partilha de responsabilidades\u00bb, numa regi\u00e3o com \u00abpotencialidades para a vida acontecer\u00bb<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_365532\" aria-describedby=\"caption-attachment-365532\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-365532 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Jose-Miguel-Pereira-IMG_9296.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Jose-Miguel-Pereira-IMG_9296.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Jose-Miguel-Pereira-IMG_9296-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Jose-Miguel-Pereira-IMG_9296-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Jose-Miguel-Pereira-IMG_9296-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Jose-Miguel-Pereira-IMG_9296-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-365532\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR, D. Jos\u00e9 Miguel Pereira<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Quem \u00e9 o novo bispo da Guarda que tem ra\u00edzes familiares no Fund\u00e3o e e vocacionais nas Penhas Douradas? H\u00e1 aqui uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e1s ra\u00edzes que agora \u00e9 definitiva?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Parece que sim e gra\u00e7as a Deus! Nosso Senhor assim quis e \u00e9 com alegria e entusiasmo que iniciamos esta etapa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Fazia encontros do pr\u00e9-semin\u00e1rio de Lisboa na Casa de Manteigas, na col\u00f3nia de f\u00e9rias de Manteigas, nas Penhas Douradas, e a minha m\u00e3e \u00e9 do Fund\u00e3o. At\u00e9 aos 14 anos passava, algumas vezes, f\u00e9rias de Ver\u00e3o, na casa dos meus av\u00f3s no Fund\u00e3o. E \u00e9 assim, parece que Nosso Senhor vai dispondo as coisas\u2026<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Como \u00e9 que foi articulando essa liga\u00e7\u00e3o a meios mais rurais, nomeadamente aqui desta regi\u00e3o, com a cidade de Lisboa, onde vivia?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como lhe digo, era sobretudo no Fund\u00e3o. N\u00f3s, na altura, nem sequer carro t\u00ednhamos: apanh\u00e1vamos o comboio em Santa Apol\u00f3nia e sa\u00edamos na esta\u00e7\u00e3o do Fund\u00e3o e era pelo Fund\u00e3o que fic\u00e1vamos. O Fund\u00e3o era uma vila grande, mas n\u00e3o era propriamente assim uma aldeia rural. Eu nunca tive muito a experi\u00eancia de aldeias rurais, a n\u00e3o ser em determinadas viagens de visita. A articula\u00e7\u00e3o era sobretudo em Lisboa e depois nos meus av\u00f3s que, ainda por cima, faziam o inverno em Lisboa e o ver\u00e3o no Fund\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A vida escolar foi na cidade de Lisboa?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, sempre estudei na cidade de Lisboa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Como foi o despertar vocacional?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O despertar vocacional aconteceu no ritmo normal da vida na comunidade paroquial, onde comecei a acolitar, em S\u00e3o Jo\u00e3o de Brito. O padre Lereno, de vez em quando, falava no assunto para os jovens ac\u00f3litos e a quest\u00e3o foi trabalhando dentro do cora\u00e7\u00e3o. Fui resistindo, mas ao mesmo tempo achando que Nosso Senhor sabia melhor o que \u00e9 que havia de ser bom para mim. A dada altura, j\u00e1 n\u00e3o bastava perguntar e depois n\u00e3o ir \u00e0 procura da resposta. Come\u00e7aram a vir convites para ir a um encontro vocacional, etc, perguntei ao padre a quem me confessava se n\u00e3o era de ir ouvir o que Nosso Senhor tinha para me dizer. Fui ver, fiquei num percurso de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00c9 j\u00e1 no secund\u00e1rio que decide entrar no semin\u00e1rio&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No secund\u00e1rio&#8230; S\u00f3 entrei no semin\u00e1rio j\u00e1 depois para a faculdade. Esse percurso no secund\u00e1rio \u00e9 feito em ritmo externo: estou na fam\u00edlia, estou na escola Rainha Dona Leonor e depois na Escola n\u00ba 2 dos Olivais, vou aos encontros do pr\u00e9-semin\u00e1rio e \u00e9 a\u00ed que aprece a decis\u00e3o de passar para o semin\u00e1rio, j\u00e1 quando termino o secund\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A forma\u00e7\u00e3o no semin\u00e1rio foi no ambiente de Lisboa e pensou que o seu sacerd\u00f3cio ia ser no Patriarcado de Lisboa, no ambiente da cidade, na zona mais a oeste. Era para a\u00ed que estavam os seus horizontes?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No Patriarcado de Lisboa era. Foi para a\u00ed que me ordenei e era esse o horizonte. O ser na cidade ou ser mais no Oeste: sempre achei mais estimulante o Oeste. Ali\u00e1s, no pr\u00e9-semin\u00e1rio cheguei a fazer alguns campos apost\u00f3licos na Diocese de Bragan\u00e7a, na Diocese de Lamego, em Nave e Vila Boa na Diocese da Guarda e achei que era muito estimulante a vida junto das comunidades, no concreto, e n\u00e3o na grandeza da cidade de Lisboa onde \u00e9 tudo mais an\u00f3nimo. Sempre achei que o horizonte era no Patriarcado de Lisboa, at\u00e9 que Nosso Senhor, agora, me abriu esta zona da Diocese da Guarda.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O rebuli\u00e7o da cidade de Lisboa levou-o mesmo a fazer sonetos a pensar no que ia acontecendo cada dia?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sabia que sabia disso. Sim, eu uma vez\u2026<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>N\u00f3s ouvimos o programa em Ecclesia, onde declamou o soneto&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ah, \u00e9 verdade, \u00e9 verdade, eu disse l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma vez, num passeio de semin\u00e1rio, viemos \u00e0 Serra da Estrela, e havia um concurso, na camioneta, \u00a0e eu fiz um soneto na Serra da Estrela. E depois, quando regress\u00e1mos ao Semin\u00e1rio da Almada &#8211; o Semin\u00e1rio da Almada tem aquela vista sobre o Tejo que tem a cidade em frente &#8211; fiz uma segunda parte, um segundo soneto, para compor uma can\u00e7\u00e3o que depois dediquei a um colega meu que fazia anos. E esse segundo soneto \u00e9 que era sobre o rebuli\u00e7o de Lisboa. Da cidade de Lisboa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O primeiro era sobre a Serra da Estrela?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O primeiro era sobre a Serra da Estrela&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">E ainda se lembra de que forma \u00e9 que se referia a esta regi\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu podia tentar dizer de cor, mas acho que me engasgava. Mas eu acho que tenho aqui no telefone, porque \u00e0s vezes os seminaristas pedem, e eu, para depois n\u00e3o me engasgar&#8230; Tenho aqui:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">Aqui no alto da serra<br \/>\nOnde o c\u00e9u envolve a terra,<br \/>\nNo abra\u00e7o do Criador<br \/>\nMe abandono com amor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Onde Deus, com grande encanto,<br \/>\nSobre a terra estende o manto<br \/>\nA f\u00e9 me impele a cantar<br \/>\nN\u00e3o pode o fim aqui estar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o vejo nesta tela<br \/>\nSombra da futura vida<br \/>\nFruto do amor de Deus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Que a serra de nome Estrela<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 mais do que m\u00e3o estendida<br \/>\nDo Pai que nos chama aos c\u00e9us.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00c9 nomeado para a Diocese da Guarda, seis anos depois de D. Manuel Fel\u00edcio ter pedido a resigna\u00e7\u00e3o. Ter\u00e1 sido um tempo de espera muito longo para que a Diocese recomece com um novo bispo?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nos tempos de Deus&#8230; Nosso Senhor disp\u00f5e as coisas e permite as coisas, e a gente desde que se ponha \u00e0 escuta \u00e9 sempre tempo para agarrar e trabalhar. Creio que h\u00e1 alguma expectativa, vou percebendo que h\u00e1 alguma expectativa, tamb\u00e9m porque houve uma reflex\u00e3o diocesana acerca de alguns desafios pastorais que come\u00e7aram a ser implementados em alguns sectores e falta toda a outra dimens\u00e3o que ainda n\u00e3o foi pegada. Creio que que sim, que h\u00e1 aqui uma oportunidade para que em conjunto vermos os caminhos que Deus abre.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Na primeira entrevista ao Jornal A GUARDA diz que vem abra\u00e7ar uma miss\u00e3o \u201ctalvez n\u00e3o t\u00e3o imediatamente \u00f3bvia para tantos\u201d. Porque?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Porque creio que, durante o \u00faltimo ano, alguns alimentavam a expectativa que eu pudesse ser chamado ao episcopado, mas na Diocese de Lisboa, na equipa dos bispos auxiliares. N\u00e3o foi o que Nosso Senhor quis, muito bem!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E abra\u00e7a esta miss\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com toda a confian\u00e7a de ir atr\u00e1s de Nosso Senhor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00c9 um bispo que chega a uma nova diocese: que projetos?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os projetos s\u00e3o a evangeliza\u00e7\u00e3o nos desafios do tempo de hoje: uma evangeliza\u00e7\u00e3o que seja mission\u00e1ria e sinodal. Esse projeto tenho. Como? N\u00e3o vou impor ideias ou pensamentos. Vamos ouvir, vamos escutar e vamos caminhar. Claro que n\u00e3o \u00e9 no sentido \u2018venho sem ter ideia nenhuma\u2019&#8230; Venho com a ideia dos desafios que a Igreja precisa, hoje. Agora, h\u00e1 uma realidade concreta da Igreja local, que eu conhe\u00e7o mal e, portanto vou ouvir, vou aprender, vou escutar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Nessa primeira entrevista ao Jornal A GUARDA repetiu uma afirma\u00e7\u00e3o que diz aos sacerdotes: quando chegam a uma comunidade nova n\u00e3o se p\u00f5e l\u00e1 um letreiro a dizer \u2018abre com nova ger\u00eancia\u2019. N\u00e3o \u00e9 isso que vi acontecer aqui na Diocese da Guarda?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vou tentar que n\u00e3o. Da minha parte at\u00e9 seria mau (\u2018bem prega frei Tom\u00e1s, faz o que ele diz, n\u00e3o fa\u00e7as o que ele faz\u2019). N\u00e3o quero abrir com nova ger\u00eancia! H\u00e1 uma Igreja que caminha aqui, um povo santo que aqui caminha e que tamb\u00e9m \u00e9 sujeito da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo e, portanto, vamos entrar, vamos escutar&#8230; Claro que trago os aspetos pr\u00f3prios da minha pessoa e depois, em conjunto, vamos caminhar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O Trabalho no Semin\u00e1rio \u00e9 essencialmente comunit\u00e1rio. De que forma \u00e9 que essa marca vai continuar na Diocese da Guarda?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A import\u00e2ncia da comunh\u00e3o como um sinal fundamental da express\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. O Esp\u00edrito Santo n\u00e3o \u00e9 o esp\u00edrito da divis\u00e3o \u00e9 o esp\u00edrito da comunh\u00e3o. N\u00f3s humanos, muitas vezes, temos desencontros, mas como \u00e9 que somos capazes de fazer das diferen\u00e7as, e \u00e0s vezes dos desencontros, oportunidade para a unidade e para a comunh\u00e3o? A comunh\u00e3o h\u00e1 de ser muito um fermento importante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Do trabalho realizado na Diocese da Guarda na descoberta de prioridades para a miss\u00e3o o documento sa\u00eddo da Assembleia Diocesana aponta algumas prioridades e sonha com unidades pastorais. Est\u00e1 a\u00ed uma marca desse trabalho comunit\u00e1rio que deseja para a Diocese?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, eu creio que sim! At\u00e9 pela realidade de v\u00e1rias par\u00f3quias \u2013 s\u00e3o 360 par\u00f3quias na nossa Diocese da Guarda, mas algumas muito pequeninas e muito rurais \u2013 e depois, em termos da capacidade humana de assistir e de guiar a comunidade, \u00e9 dif\u00edcil. Temos de encontrar espa\u00e7os de comunh\u00e3o e de partilha de responsabilidades. Vou ouvir as conclus\u00f5es desse documento, entretanto houve uma pandemia que afetou muito as comunidades, algumas pessoas que faleceram, as pessoas est\u00e3o mais velhinhas, a participa\u00e7\u00e3o sacramental e nas comunidades tamb\u00e9m se reconfigurou nalguns aspetos&#8230; Vamos continuar a fazer essa reflex\u00e3o e vamos ouvir o que \u00e9 que hoje ainda se mant\u00e9m, o que \u00e9 que precisa de altera\u00e7\u00e3o e tentar vermos o espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Ser\u00e1 f\u00e1cil romper com tradi\u00e7\u00f5es que por vezes est\u00e3o muito enraizadas na hist\u00f3ria de um povo, de uma comunidade, de uma freguesia?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu penso que o importante \u00e9 a gente ser capaz de integrar as pessoas no sentimento de que n\u00e3o estamos uns contra outros. N\u00e3o h\u00e1 aqui uns que sabem e que v\u00eam agora fazer uma revolu\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um caminho de, todos juntos, procurarmos a melhor maneira de cuidarmos uns dos outros, como Igreja, como comunidade e como an\u00fancio evangelizador.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A partir desse documento, D. Manuel Fel\u00edcio, no in\u00edcio do ano, falava em duas prioridades que encontra para a Diocese: a pastoral vocacional e a forma\u00e7\u00e3o permanente seja de di\u00e1conos, seja de novos minist\u00e9rios. Tem-nas tamb\u00e9m entre as suas prioridades? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com 28 anos a trabalhar na forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 nos semin\u00e1rios, mas mesmo na pastoral das voca\u00e7\u00f5es, no acompanhamento de raparigas, no acompanhamento de algumas comunidades religiosas e de algumas freiras na dire\u00e7\u00e3o espiritual e algumas fam\u00edlias, eu acho que isso \u00e9 decisivo: o sentido vocacional da exist\u00eancia, o sentido vocacional da transmiss\u00e3o da f\u00e9. Se enraizarmos isto, come\u00e7am a surgir as inquieta\u00e7\u00f5es depois de qual \u00e9 o meu lugar concreto e espec\u00edfico. Se n\u00e3o trabalharmos isto, \u00e9 s\u00f3 a ver se angariamos alguns recursos humanos e \u00e9 uma estrat\u00e9gia errada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E acompanhou tamb\u00e9m casais?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, equipas de casais. Nas par\u00f3quias, fam\u00edlias que se re\u00fanem em determinados movimentos, em determinados cultos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Neste desafio da forma\u00e7\u00e3o nas lideran\u00e7as dos sacerdote e di\u00e1conos, tamb\u00e9m para os minist\u00e9rios laicais. Essa \u00e9 uma porta que est\u00e1 por abrir?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim e n\u00e3o s\u00f3 minist\u00e9rios lit\u00fargicos. Os que est\u00e3o neste momento institu\u00eddos s\u00e3o minist\u00e9rios lit\u00fargicos. Mas encontrarmos, mesmo que informalmente, formas de lideran\u00e7a e formas de servi\u00e7o nas v\u00e1rias \u00e1reas na constru\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, da caridade, da rela\u00e7\u00e3o com a sociedade onde haja pessoas que v\u00e3o assumindo lugares de lideran\u00e7a e de condu\u00e7\u00e3o, sempre na comunh\u00e3o com o minist\u00e9rio ordenado, mas onde os leigos assumam a sua miss\u00e3o de ser a guarda avan\u00e7ada da presen\u00e7a da Igreja no mundo e de testemunho crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>As tais unidades pastorais podem ajudar a essa nova din\u00e2mica?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Julgo que sim, sabendo que vamos ter ritmos diferentes: comunidades mais pequenas e rurais, comunidades de grandes vilas, pequenas cidade, depois temos tr\u00eas ou quatro grandes cidades e, portanto, vai haver ritmos diferenciados e encontrarmos melhores formas de responder de acordo com a realidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Nas \u00faltimas jornadas de forma\u00e7\u00e3o do clero das dioceses do centro o tema da comunica\u00e7\u00e3o esteve no centro dessa jornada. \u00c9 um tema que tamb\u00e9m levar\u00e1 por diante aqui na diocese, tendo como forma de hoje chegar a mais p\u00fablico?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim. A comunica\u00e7\u00e3o externa e a comunica\u00e7\u00e3o interna, que \u00e9 muito importante. Eu tive oportunidade s\u00f3 de passar na primeira manh\u00e3 dessa forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a acompanhei a fundo, mas \u00e9, de facto, um assunto importante. N\u00f3s somos anunciadores de uma boa not\u00edcia, de uma Noa Nova e, portanto, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Temos de encontrar as maneiras, aquelas que s\u00e3o mais profissionais e aquelas que s\u00e3o mais volunt\u00e1rias, juntarmos os dois ritmos, que tamb\u00e9m \u00e9 importante, e saber anunciar uma alegria que vem de dentro e que acreditamos que \u00e9 boa not\u00edcia para todos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Isso acontece atrav\u00e9s de meios tradicionais \u2013 aqui na Guarda existe um jornal diocesano que \u00e9 centen\u00e1rio \u2013 e tamb\u00e9m com novas apostas sabendo que o p\u00falpito n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 dentro das igrejas?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O jornal tem presen\u00e7a nas redes, tamb\u00e9m existe uma p\u00e1gina do Facebook, e as maneiras que temos de encontrar para comunicar para o tempo de hoje.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Que contacto foi mantendo com esta diocese, com esta cidade, com esta regi\u00e3o, que marcas j\u00e1 tem presente que definem este territ\u00f3rio?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Desde o dia 2 de Janeiro, tenho vindo pontualmente c\u00e1, primeiro para alguns encontros, seja com o senhor D. Manuel Fel\u00edcio, tive oportunidade de ser recebido pelo senhor presidente da C\u00e2mara&#8230; Depois fui aproveitando vir c\u00e1 com alguns grupos de seminaristas que me ajudaram a fazer as mudan\u00e7as e fui visitando o Carmelo, fui visitando uma ou outra realidade, fui ouvindo uma ou outra pessoa, mas ainda \u00e9 tudo muito o in\u00edcio. Agora \u00e9 que eu vou ganhar uma consci\u00eancia mais claro do que \u00e9 a realidade e do que s\u00e3o as necessidades da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Atrav\u00e9s do conhecimento das pessoas e do contacto sempre direto&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 bonito \u00e9 que, desde que saiu a not\u00edcia, no dia 20 de Dezembro, em Lisboa, a quantidade de pessoas que me abordam e dizem: \u2018padre Z\u00e9, senhor bispo, eu tamb\u00e9m tenho ra\u00edzes na Guarda, os meus pais ainda est\u00e3o l\u00e1 na Guarda, eu tenho os meus tios, os meus av\u00f3s\u2019\u2026 Fui ouvindo tamb\u00e9m dizer que \u2018h\u00e1 muito frio mas \u00e9 terra de boa gente, vai ser bem recebido\u2019. Isso tamb\u00e9m \u00e9 \u00e2nimo, \u00e9 esperan\u00e7a. Mas agora \u00e9 ouvir e caminhar com as pessoas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E que potencialidades tem, e falemos primeiro a n\u00edvel social e econ\u00f3mico, esta regi\u00e3o, muito em volta do turismo, mas tamb\u00e9m dos produtos regionais?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na Covilh\u00e3, temos um Polo Universit\u00e1rio importante, aqui temos o Instituto Polit\u00e9cnico, tamb\u00e9m \u00e9 uma presen\u00e7a, o Fund\u00e3o sei que \u00e9 um polo industrial com presen\u00e7a, Seia sei que tem algum movimento cultural. H\u00e1 estas realidades que tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para que a Guarda n\u00e3o seja s\u00f3 um s\u00edtio de passagem tur\u00edstica, porque tem bons produtos regionais e pronto \u00e9 s\u00f3 uma curiosidade. N\u00e3o! Creio que h\u00e1 aqui potencialidades para vida, para a vida acontecer, comunidades acontecerem, com os desafios de um territ\u00f3rio do interior, envelhecido, \u00e9 verdade, mas vamos encontrar os caminhos que for poss\u00edvel percorrer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>As muitas realiza\u00e7\u00f5es de festivais gastron\u00f3micos de produtos regionais acredito que sejam uma atrac\u00e3o permanente para esta regi\u00e3o. Que provoca\u00e7\u00e3o deixam tamb\u00e9m \u00e0s estruturas da Igreja Cat\u00f3lica? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Posso dizer que um dos tra\u00e7os importantes da vida da f\u00e9 \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o fraterna. Os produtos regionais, as feiras regionais gastron\u00f3micas, a refei\u00e7\u00e3o, \u00e9 um lugar por excel\u00eancia de encontro. E o encontro gera oportunidades de comunica\u00e7\u00e3o, de tocarmos a vida uns dos outros, de falarmos primeiro as coisas mais imediatas e corriqueiras e, a pouco e pouco, vai gerando a confian\u00e7a e falar das coisas decisivas e importantes. Eu creio que tudo isso, no registo pr\u00f3prio, mas tudo isso s\u00e3o oportunidades para nos encontrarmos e a partir do encontro a confian\u00e7a, a fraternidade, o servi\u00e7o com quem tem f\u00e9, com quem n\u00e3o tem f\u00e9, com quem quer crescer na f\u00e9, com quem se afastou, mas mant\u00e9m alguma chama&#8230; Vamos caminhar<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Falou das universidades, este territ\u00f3rio foi tamb\u00e9m o ponto de entrada para muitos jovens na Jornada Mundial da Juventude, com o forte dinamismo de prepara\u00e7\u00e3o e de viv\u00eancia da jornada. \u00c9 um dinamismo que perdura, deu para verificar isso? Como \u00e9 que pensa dar continuidade a essa experi\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como digo, vou conhecer. Mas, por exemplo, estive na iniciativa, em Lisboa, \u2018Copos com F\u00e9\u2019 onde estavam 350 jovens do p\u00f3s-miss\u00e3o e l\u00e1 houve um grupinho a dizer \u2018n\u00f3s somos um grupo de jovens da Guarda\u2019. Est\u00e3o a estudar em Lisboa, mas v\u00eam ao fim de semana e j\u00e1 marc\u00e1mos para nos encontrarmos, depois. J\u00e1 tenho tamb\u00e9m combinado poder acompanhar o grupo de jovens que vai ao Jubileu, a Roma, no fim de Julho, princ\u00edpio de Agosto, e, se Deus quiser, estarei a acompanh\u00e1-los. Espero ir encontrando tamb\u00e9m quem est\u00e1 a trabalhar no terreno e, a partir, da\u00ed vermos qual \u00e9 o dinamismo que vamos continuar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00c9 um territ\u00f3rio cheio de mobilidade, tamb\u00e9m cheio de rala\u00e7\u00e3o com outras comunidades, nomeadamente cat\u00f3lica, tamb\u00e9m de Espanha. Que pontes \u00e9 necess\u00e1rio ir fazendo, seja a n\u00edvel local, seja a n\u00edvel regional, para este caminho em conjunto?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para j\u00e1 sei que o senhor bispo de Ciudad Rodrigo, est\u00e1 anunciado no nosso jornal da diocese, estar\u00e1 presente com todo o gosto e alegria fraterna. Vou aprender com os meus irm\u00e3os mais velhos! Sei que a zona raiana tem muita proximidade e rela\u00e7\u00e3o com as comunidades do lado de l\u00e1. Vamos ver o que j\u00e1 h\u00e1, o que \u00e9 que se pode fazer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Encara este trabalho episcopal como um trabalho feito em conjunto, seja com outros bispos, seja com outras lideran\u00e7as?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tem de ser! Primeiro, somos introduzidos no col\u00e9gio episcopal, na comunh\u00e3o do minist\u00e9rio e depois temos uma miss\u00e3o espec\u00edfica e concreta. Se a comunh\u00e3o \u00e9 com o povo de Deus na diocese tamb\u00e9m tem de ser sempre dentro da comunh\u00e3o dos bispos, presididos pelo Santo Padre.\u00a0 H\u00e1 de ser sempre! Vou aprender com os meus irm\u00e3os mais velhos&#8230; Depois cada um \u00e9 cada um, mais assim&#8230; Mas \u00e9 nesse ambiente de col\u00e9gio que vamos trabalhar. E depois tamb\u00e9m com o presbit\u00e9rio. O bispo n\u00e3o existe sem o presbit\u00e9rio. O bispo \u00e9 a cabe\u00e7a do presbit\u00e9rio, mas s\u00f3 com o presbit\u00e9rio \u00e9 que ele caminha. Eu vou ouvir com os irm\u00e3os padres que s\u00e3o de c\u00e1, que t\u00eam gasto a vida c\u00e1, t\u00eam-se entregado c\u00e1 e tamb\u00e9m \u00e9 com eles que eu vou aprender a trabalhar, \u00e9 com eles que eu vou aprender a ser bispo, com o povo de Deus, com os irm\u00e3os padres, com os irm\u00e3os bispos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Inicia este minist\u00e9rio num ano jubilar, numa caminhada sinodal tamb\u00e9m. S\u00e3o duas grandes oportunidades?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o oportunidades e n\u00e3o s\u00f3 oportunidades que t\u00eam de ser agarradas: s\u00e3o oportunidades que n\u00e3o se podem adiar porque n\u00e3o h\u00e1 outro caminho. A dimens\u00e3o sinodal n\u00e3o \u00e9 uma moda do tempo, \u00e9 o modo de ser Igreja em cada tempo. \u00c9 verdade que os tempos depois v\u00e3o matizando e potenciando, \u00e0s vezes abafando um bocadinho. Mas a dimens\u00e3o sinodal n\u00e3o \u00e9 agora uma quest\u00e3o apenas de ficar bem, \u00e9 a forma de sermos comunidade, \u00e9 a forma de sermos povo que caminha, \u00e9 forma de todos tomarmos parte. Nosso Senhor disse a S\u00e3o Pedro \u2018se n\u00e3o te lavar os p\u00e9s n\u00e3o tomar\u00e1s parte comigo\u2019. Todos somos chamados a deixar que o Senhor nos reconfigure, nos renove e tomar parte na miss\u00e3o d\u2019Ele. A sinodalidade n\u00e3o \u00e9 uma oportunidade poss\u00edvel \u00e9 a oportunidade do caminho necess\u00e1rio e a esperan\u00e7a \u00e9 sempre aquilo que anima. N\u00f3s n\u00e3o estamos a viver de um talvez ou de uma hip\u00f3tese. A nossa esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um talvez ou uma hip\u00f3tese, \u00e9 uma certeza inaugurada e que, por ser t\u00e3o grande e t\u00e3o intensa, n\u00e3o est\u00e1 tudo claro, vamos \u00e0 procura do que falta clarificar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>De que forma \u00e9 que, nesta regi\u00e3o, est\u00e1 pensado assinar o Jubileu?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para j\u00e1, o que sei \u00e9 que v\u00e3o acontecer, nos domingos a seguir, as peregrina\u00e7\u00f5es dos arciprestados \u00e0 S\u00e9, que \u00e9 a igreja jubilar da nossa diocese. Sei que j\u00e1 est\u00e1 marcado. Depois haver\u00e1 o Jubileu dos Jovens em Roma. Tenho de perceber melhor se h\u00e1 outras realidades que tamb\u00e9m marcaram a ida a Roma ou n\u00e3o, e depois, com os diferentes conselhos da diocese, o que \u00e9 que j\u00e1 est\u00e1 previsto e o que \u00e9 que se pode prever.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Isto tudo acontece numa Diocese com mais de oito s\u00e9culos, que heran\u00e7a sente que est\u00e1 agora a seu cargo?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Outro dia, falando com um irm\u00e3o bispo, que \u00e9 de uma diocese recente, uma diocese com 50 anos, ele dizia: olha tu tens uma gra\u00e7a enorme. Tu tens por tr\u00e1s de ti uma hist\u00f3ria e isso, mais que o peso, \u00e9 uma configura\u00e7\u00e3o, \u00e9 um sustento, \u00e9 uma raiz que n\u00e3o cria imobilismo, mas d\u00e1 densidade. Isso \u00e9 o que eu creio que abra\u00e7o, \u00e9 com essa atitude que abra\u00e7o. E agora vamos ver os caminhos que se abrem. A densidade e a hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00e3o fixismo, mas s\u00e3o raiz que permite conhecer quem somos e poder construir para onde vamos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E permite tamb\u00e9m sonhar esta diocese nos pr\u00f3ximos tempos, que sonho tem para ela?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tenho o sonho de querer construir uma realidade assente na comunh\u00e3o, n\u00e3o na ilus\u00e3o de que n\u00e3o vai haver tens\u00f5es, n\u00e3o vai haver gente que tinha expectativas mas&#8230; Isso vai acontecer, na fragilidade e na circunst\u00e2ncia de cada um. Mas tenho o sonho de que possamos construir unidade, na diferen\u00e7a. Que a diferen\u00e7a, que a diversidade seja oportunidade de complementaridade, de comunh\u00e3o. E, a partir da\u00ed, a alegria da certeza de que Deus \u00e9 bom, \u00e9 sempre bom, nunca deixa de ser bom, mesmo quando \u00e0s vezes parece que se escondeu Ele est\u00e1 pr\u00f3ximo a abrir-nos outros caminhos e a sustentar-nos de outro modo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E algum projeto em concreto que possa tornar expressiva essa certeza?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o tenho nenhuma coisa para tirar da manga, isso n\u00e3o tenho. Vou ouvir muito nos primeiros tempos e construir em conjunto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Miguel Pereira assume a coordena\u00e7\u00e3o de uma diocese com 800 anos de hist\u00f3ria, sonha construir \u00abuma realidade assente na comunh\u00e3o\u00bb que tem na sinodalidade \u00aba oportunidade do caminho necess\u00e1rio\u00bb para \u00abencontrar espa\u00e7os de comunh\u00e3o e de partilha de responsabilidades\u00bb, numa regi\u00e3o com \u00abpotencialidades para a vida acontecer\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":365532,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[168],"class_list":["post-365535","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-da-guarda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/365535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=365535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/365535\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/365532"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=365535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=365535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=365535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}