{"id":365218,"date":"2025-03-16T09:31:11","date_gmt":"2025-03-16T09:31:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=365218"},"modified":"2025-03-14T10:57:31","modified_gmt":"2025-03-14T10:57:31","slug":"madeira-pobreza-existem-casos-muito-graves-muito-complicados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/madeira-pobreza-existem-casos-muito-graves-muito-complicados\/","title":{"rendered":"Madeira\/Pobreza: \u00abExistem casos muito graves, muito complicados\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>No arranque da Semana Nacional C\u00e1ritas 2025 \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da ECCLESIA Duarte Pacheco, o presidente da C\u00e1ritas Diocesana do Funchal<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_365220\" aria-describedby=\"caption-attachment-365220\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.NUNIO-MISSA-SEMANA-CARITAS8-scaled-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-365220 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.NUNIO-MISSA-SEMANA-CARITAS8-scaled-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.NUNIO-MISSA-SEMANA-CARITAS8-scaled-1.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.NUNIO-MISSA-SEMANA-CARITAS8-scaled-1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.NUNIO-MISSA-SEMANA-CARITAS8-scaled-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.NUNIO-MISSA-SEMANA-CARITAS8-scaled-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.NUNIO-MISSA-SEMANA-CARITAS8-scaled-1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.NUNIO-MISSA-SEMANA-CARITAS8-scaled-1-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-365220\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Jornal da Madeira\/Duarte Gomes<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<p><em>A C\u00e1ritas\u00a0Diocesana\u00a0do Funchal tem vindo a apoiar centenas de fam\u00edlias nos \u00faltimos anos. Quais s\u00e3o as \u00e1reas de maior fragilidade social que a institui\u00e7\u00e3o identifica?<\/em><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos dados, concretamente aos n\u00fameros, n\u00f3s focamos \u00e0s vezes muito nos n\u00fameros e esquecemos um pouco a ess\u00eancia do que est\u00e1 por tr\u00e1s. Em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00fameros, desde 2022 a C\u00e1ritas do Funchal tem registado uma ligeira diminui\u00e7\u00e3o dos novos pedidos de apoio e isto est\u00e1 relacionado um pouco com a coloca\u00e7\u00e3o das pessoas no mercado de trabalho, uma vez que existe alguma car\u00eancia de m\u00e3o de obra c\u00e1 na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 alguma bolsa de pobreza, alguma zona espec\u00edfica da ilha que gera maior preocupa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o. \u00c9 not\u00f3rio que h\u00e1 uma zona onde os bairros sociais normalmente est\u00e3o associados a pessoas com menos rendimentos, n\u00e3o \u00e9 uma regra, mas est\u00e3o associados um pouco a esta situa\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser, mas mais problem\u00e1tico, a zona de C\u00e2mara de Lobos e a zona da Camacha, mas n\u00e3o \u00e9 exclusivo, centra-se ali porque h\u00e1 alguns bairros sociais de alguma dimens\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Do conhecimento que h\u00e1 da realidade, pode dizer-se que h\u00e1 fome no arquip\u00e9lago e, se isso acontecer, onde \u00e9 que se verifica o problema?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu vou talvez ser um pouco atrevido em rela\u00e7\u00e3o a essa resposta, eu acho que fome n\u00e3o existe. Agora, existe um conjunto de casos bastante fr\u00e1geis. Fome propriamente, literalmente no sentido do termo, n\u00e3o existe. Existem casos muito graves, muito complicados, isso sim, existem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma das \u00e1reas que tem gerado maior preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 da habita\u00e7\u00e3o. A press\u00e3o tur\u00edstica agrava o problema na Madeira?<\/em><\/p>\n<p>Faz parte de um todo, mas acho que n\u00e3o \u00e9 o fator n\u00famero um. De Norte a Sul, e at\u00e9 j\u00e1 \u00e9 um problema que ultrapassa o nosso pa\u00eds, a Europa tamb\u00e9m est\u00e1 come\u00e7ando a ter esse problema. A falta de habita\u00e7\u00e3o, os elevados custos com a mesma, gera um problema grave e falta uma fam\u00edlia m\u00e9dia, por exemplo, a grande fatia do or\u00e7amento familiar \u00e9 despendido para a habita\u00e7\u00e3o, quer com empr\u00e9stimo, quer com o arrendamento se for o caso. Portanto, \u00e0s vezes vou buscar este exemplo, que \u00e9 muito f\u00e1cil de visibilizar o que estou a dizer.\u00a0 Onde, em m\u00e9dia, as pessoas est\u00e3o a ganhar um sal\u00e1rio m\u00ednimo, dois sal\u00e1rios m\u00ednimos, tirando as despesas b\u00e1sicas, o que \u00e9 que sobra? E s\u00e3o pessoas que est\u00e3o a precisar de ajuda, n\u00e3o propriamente t\u00eam o seu sal\u00e1rio, t\u00eam o seu vencimento, t\u00eam o seu emprego, mas o fruto desse trabalho n\u00e3o responde \u00e0s necessidades do dia a dia, devido ao elevado custo de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E t\u00eam sido solicitados para ajudar nessa quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o, nomeadamente no pagamento de rendas?<\/em><\/p>\n<p>Sim, mas n\u00f3s em princ\u00edpio n\u00e3o temos disponibilidade para pagar rendas, porque o dinheiro n\u00e3o abona na nossa miss\u00e3o, digamos assim, mas tentamos sempre em conjunto arranjar uma solu\u00e7\u00e3o, ou articulando com as entidades p\u00fablicas que t\u00eam a tutela da habita\u00e7\u00e3o e as c\u00e2maras municipais. Ou ent\u00e3o, na nossa a\u00e7\u00e3o direta, por exemplo, atrav\u00e9s da atribui\u00e7\u00e3o de um cabaz. A pessoa pode de facto de n\u00e3o precisar alimentos, porque o rendimento ainda d\u00e1 para os alimentos, mas n\u00f3s ao atribuirmos um cabaz \u00e0quela fam\u00edlia, portanto \u00e9 uma forma tamb\u00e9m de ajudar. Porque ela ir\u00e1 ficar, para a\u00ed, 50 ou 60 euros livres para ser aplicado num outro custo. E aqui, ao ser aplicado num outro custo, \u00e9 num custo de necessidade, n\u00e3o \u00e9 num sup\u00e9rfluo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os problemas sociais que vamos identificando t\u00eam sido agravados pela sucess\u00e3o de crises pol\u00edticas a\u00ed na Madeira?<\/em><\/p>\n<p>Eu julgo que tem um fator que poder\u00e1 ter essa conota\u00e7\u00e3o. \u00c9 natural que, se estamos a meio de uma legislatura, se h\u00e1 projetos que est\u00e3o em vias de desenvolvimento, com estas altera\u00e7\u00f5es do Governo, \u00e9 natural que estes projetos v\u00e3o regredir um pouco, v\u00e3o demorar mais um tempo para se ter resposta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 pol\u00edticas sociais que se perderam nesse emaranhado eleitoral?<\/em><\/p>\n<p>Eu julgo que sim, eu julgo que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Certamente tem muita intera\u00e7\u00e3o com pessoas que v\u00e3o acompanhando, o que \u00e9 se vai dizendo sobre esta instabilidade que afeta o arquip\u00e9lago?<\/em><\/p>\n<p>Esta instabilidade j\u00e1 ultrapassou a regi\u00e3o, j\u00e1 come\u00e7ou a n\u00edvel nacional tamb\u00e9m, e o problema praticamente reside na mesma situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 l\u00f3gico que as pessoas votam, acreditam no plano apresentado, e depois por quest\u00f5es mais particulares, n\u00e3o propriamente pela n\u00e3o execu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas assumidas e dos planos apresentados, vamos perdendo no tempo. E \u00e9 l\u00f3gico que as pessoas est\u00e3o \u00e0 espera de que se resolvam as suas situa\u00e7\u00f5es pessoais, de acordo com o que um dado plano de governo, e que com estes entraves sucessivos as coisas ficam por fazer, e as pessoas cada vez mais ficam na situa\u00e7\u00e3o, em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, e defraudadas com o ideal que pensavam que iria acontecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Madeira sempre foi uma terra de imigra\u00e7\u00e3o, e nos \u00faltimos anos tem vindo a receber muitas pessoas de fora, muitas delas pessoas que deixaram a Venezuela, por causa da crise pol\u00edtica e social no pa\u00eds, e tamb\u00e9m muitos outros imigrantes. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que traz novos desafios a quem est\u00e1 no terreno?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Traz, traz, e por acaso, n\u00e3o neste momento, mas h\u00e1 uns dois ou tr\u00eas anos atr\u00e1s, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que imigraram para a Venezuela, que regressaram- e regressou assim um n\u00famero consider\u00e1vel ainda &#8211; tivemos alguma dificuldade, porque essas pessoas chegaram sem nada, e foram pessoas defraudadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sim, n\u00e3o se pode propriamente falar de um regresso, porque tinham a vida toda organizada fora da regi\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n<p>Por acaso, e devido um pouco a este crescimento econ\u00f3mico que a regi\u00e3o tem tido, as pessoas come\u00e7aram a ser integradas socialmente e a n\u00edvel de trabalho, como falava h\u00e1 pouco, \u00e0 falta de m\u00e3o de obra, as pessoas foram \u00e0 luta, algumas criaram os seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios, e a\u00ed a C\u00e1ritas deixou de apoiar essas pessoas. H\u00e1 uma coisa aqui que eu tenho que registar, que \u00e9, j\u00e1 ando h\u00e1 algum tempo nesta \u00e1rea da interven\u00e7\u00e3o social, e raramente as pessoas dirigem um agradecimento, e aqui destaco, e fa\u00e7o quest\u00e3o de destacar, que os imigrantes que n\u00f3s apoiamos da Venezuela, quando acabaram o processo de apoio, vieram-nos bater \u00e0 porta e agradecer.<\/p>\n<p>Acho isto interessante, e tamb\u00e9m temos de falar nisto no reconhecimento, n\u00e3o da C\u00e1ritas, esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 da C\u00e1ritas, outras IPSS tamb\u00e9m que est\u00e3o no terreno partilham da mesma opini\u00e3o, mas \u00e9 de salientar este agradecer. N\u00f3s n\u00e3o estamos aqui \u00e0 espera de um agradecimento. Mas cai bem, e simboliza alguma confian\u00e7a e algum trabalho feito, \u00e9 um pouco nesta perspetiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este fluxo migrat\u00f3rio n\u00e3o se esgota nesta popula\u00e7\u00e3o de que temos vindo a falar, h\u00e1 tamb\u00e9m outras pessoas que v\u00eam de pa\u00edses, at\u00e9 de regi\u00f5es como as que est\u00e3o agora a chegar ao Portugal continental, essa imigra\u00e7\u00e3o nova tem tamb\u00e9m alguns focos de pobreza ou dificuldades aliadas a essa chegada a um s\u00edtio completamente desconhecido?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que por enquanto n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel essa situa\u00e7\u00e3o. As pessoas que est\u00e3o c\u00e1 est\u00e3o quase todas ligadas ao mundo do trabalho, t\u00eam o seu rendimento, pouco ou muito, mas t\u00eam o seu rendimento. Agora, julgo que poder\u00e1 ser algum problema no espa\u00e7o, talvez curto tempo, \u00e9 a parte com a habita\u00e7\u00e3o, e isto temos de ter muito cuidado, e recentemente tive uma reuni\u00e3o de trabalho com a dire\u00e7\u00e3o regional que tem a tutela das comunidades, e estamos preocupados um pouco com isso, porque uma vez que n\u00e3o existe habita\u00e7\u00e3o, as pessoas est\u00e3o a ficar a\u00ed em alguns s\u00edtios, possivelmente, n\u00e3o estou a afirmar, estou a supor, possivelmente poder\u00e3o at\u00e9 ser exploradas financeiramente em rela\u00e7\u00e3o ao custo com as habita\u00e7\u00f5es.\u00a0Em que condi\u00e7\u00f5es \u00e9 que vivem, se est\u00e3o integradas ou n\u00e3o. Acho que passam a estar integradas, porque n\u00f3s vemos no Funchal algumas pessoas circularem a fazer a sua vida, \u00e9 natural que est\u00e3o associados aos grupos da mesma etnia, \u00e9 l\u00f3gico, porque falam a mesma l\u00edngua, t\u00eam alguma proximidade em comum, mas acho que \u00e9 preciso termos muito cuidado em que condi\u00e7\u00f5es habitacionais \u00e9 que essas pessoas est\u00e3o a viver, para isto n\u00e3o se tornar um problema grave. Por enquanto a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 control\u00e1vel, mas temos de ter este cuidado, que n\u00e3o \u00e9 normal aqui na regi\u00e3o n\u00f3s termos esta realidade, e julgo passar\u00e1 a ser talvez mais permanente esta situa\u00e7\u00e3o, dado a falta de m\u00e3o de obra em todas as \u00e1reas laborais. N\u00f3s temos falta c\u00e1 na regi\u00e3o, aqui destaca nomeadamente o boom de obras e a parte da hotelaria que h\u00e1 muita falta de m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Muitos dos que nos ouvem ter\u00e3o ficado impressionados com as mudan\u00e7as que aconteceram no arquip\u00e9lago, e ainda agora est\u00e1 a falar dos empreendimentos que a\u00ed se verificam, e com tudo o que tem ocorrido ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. Esse desenvolvimento chegou a todos ou continua a haver grandes assimetrias na regi\u00e3o?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Vou ser um pouco pragm\u00e1tico. Eu acho que chega a todos, pode n\u00e3o chegar de forma direta, mas o desenvolvimento contribui para todos, quer a n\u00edvel laboral, come\u00e7ando pela primeira inst\u00e2ncia, passa a haver mais postos de trabalho e todos n\u00f3s precisamos trabalhar, quer a n\u00edvel cultural, porque passamos a conhecer novas realidades que est\u00e1vamos limitados, ainda mais sendo uma ilha com alguma limita\u00e7\u00e3o de acesso \u00e9 a natural que h\u00e1 coisas que n\u00e3o est\u00e1vamos habituados, que vamos ter que saber viver com elas, e tamb\u00e9m ganhar uma experi\u00eancia com essa realidade. Por isso \u00e9 que eu acho que \u00e9 bom termos esta diversidade, agora tem de ser acutelada \u00e0 medida que as coisas v\u00e3o acontecendo, n\u00e3o vamos abrir portas de forma espont\u00e2nea.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Esse pleno emprego de que falava h\u00e1 instantes, teve reflexo ao n\u00edvel da diminui\u00e7\u00e3o dos pedidos de ajuda da C\u00e1ritas\u2026.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. N\u00f3s analisamos praticamente ao pormenor porque \u00e9 que havia esta diminui\u00e7\u00e3o ao longo dos anos (dos pedidos de ajuda) e quase todos estavam relacionados com o facto das pessoas estarem no mundo do trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E se houver uma crise, por exemplo, no setor do turismo, poder\u00e1 ser fatal para muitos os empregos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 l\u00f3gico que poder\u00e1 ser, porque n\u00f3s temos imensas atividades que est\u00e3o todas elas ligadas \u00e0 parte tur\u00edstica, desde os hot\u00e9is, restaurantes, alojamentos locais e tudo mais, e v\u00e1rias empresas que prestam servi\u00e7os a estas institui\u00e7\u00f5es, portanto, \u00e9 l\u00f3gico que poder\u00e1 ser um peda\u00e7o dram\u00e1tico esta situa\u00e7\u00e3o. E ali\u00e1s, comparando com uma situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o muito longe, que foi com o per\u00edodo da pandemia, onde tudo parou.<\/p>\n<p>Portanto, de facto foi grave esta situa\u00e7\u00e3o e \u00e9 natural, havendo qualquer mexida no turismo, todos n\u00f3s iremos sentir esta dificuldade depois da resposta e de orientar estas pessoas.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 muita diferen\u00e7a em termos de popula\u00e7\u00e3o, h\u00e1 regi\u00f5es a ficar abandonadas, h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o muito grande em determinados locais, sobretudo \u00e0 volta da zona do Funchal. Pergunto-lhe se \u00e9 um problema que prev\u00ea que v\u00e1 continuar e se h\u00e1 um risco real de despovoamento, um bocado id\u00eantico ao que tem acontecido em Portugal Continental, de algumas regi\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 natural que se temos uma popula\u00e7\u00e3o mais envelhecida a precisar de apoio, v\u00e3o-se deslocar para uma zona onde t\u00eam esse apoio mais permanente. E h\u00e1 zonas que v\u00e3o ficar desertas, porque a natalidade est\u00e1 a baixar, \u00e9 um problema que de facto n\u00e3o sei como \u00e9 que se resolve, \u00e9 um problema que ir\u00e1 acontecer de certeza e n\u00e3o tarda muito, temos essa realidade, j\u00e1 continuamos a ter, mas por enquanto ainda conseguimos contornar a situa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 um problema real que ir\u00e1 acontecer.<\/p>\n<p>Na zona norte, por exemplo, aqui destaco as zonas do Porto Munis, que \u00e9 at\u00e9 uma zona de turismo por excel\u00eancia, a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 muito baixa, Santana tamb\u00e9m, portanto s\u00e3o realidades que v\u00e3o come\u00e7ar a aumentar de facto.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Estamos na semana C\u00e1ritas, que inclui o seu pedit\u00f3rio anual, qual a relev\u00e2ncia deste pedit\u00f3rio para a C\u00e1ritas do Funchal e j\u00e1 agora se notam um decr\u00e9scimo na capacidade solid\u00e1ria das pessoas?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O pedit\u00f3rio \u00e9 sempre uma mais-valia para a C\u00e1ritas do Funchal, porque n\u00f3s n\u00e3o temos val\u00eancias que nos deem rendimentos, \u00e9 sempre atrav\u00e9s da generosidade e boa vontade das pessoas que se disp\u00f5em a colaborar connosco que n\u00f3s vamos gerindo o nosso dia-a-dia. Eu acho que as pessoas s\u00e3o solid\u00e1rias, do meu conhecimento destas andan\u00e7as, n\u00f3s portugueses somos bastante solid\u00e1rios, n\u00e3o existe aquela disponibilidade permanente, digamos assim, mas as grandes causas movem-nos e temos tido provas disso ao longo dos tempos, quer aqui na regi\u00e3o, quer a n\u00edvel nacional, e aqui destaco os inc\u00eandios, que t\u00eam assolado Portugal, de Norte a Sul e aqui na regi\u00e3o tamb\u00e9m, as intemp\u00e9ries, e temos tido a prova da grande solidariedade\u00a0 das pessoas para com as institui\u00e7\u00f5es, de forma a chegar a quem mais necessita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A vertente social das empresas tem ajudado tamb\u00e9m a atenuar eventuais dificuldades, contam com muita ajuda a esse n\u00edvel?<\/em><\/p>\n<p>Temos. \u00c9 a nossa t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o. Os servi\u00e7os p\u00fablicos, quer atrav\u00e9s do Governo Nacional com a tutela da interven\u00e7\u00e3o social, quer atrav\u00e9s das autarquias, s\u00e3o fundamentais, porque a C\u00e1ritas do Funchal, tem a designa\u00e7\u00e3o de C\u00e1ritas do Funchal, mas n\u00e3o cobre s\u00f3 a \u00e1rea do Funchal, cobre a ilha de Porto, a ilha vizinha ao Porto Santo tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o ao recrutamento de volunt\u00e1rios, tanto para este pedit\u00f3rio que vai decorrer, como para as atividades normais, isso tem sido uma dificuldade?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Os volunt\u00e1rios t\u00eam sido um pouco dif\u00edceis de angariar, ou seja, aquele volunt\u00e1rio permanente, digamos assim, depois da pandemia literalmente desapareceu, n\u00e3o existe, n\u00f3s fazemos v\u00e1rios apelos, n\u00e3o h\u00e1 volunt\u00e1rios com disponibilidade para estar e nos acompanhar praticamente uma vez, duas por semana. Nestas grandes causas, por exemplo, quer a recolha de alimentos, quer outras campanhas que n\u00f3s conseguimos fazer, conseguimos, alguns volunt\u00e1rios, mas aqui vamos bater sempre \u00e0s portas dos mesmos, que \u00e9 a alta nova, vamos \u00e0s escolas, e as escolas de facto t\u00eam sido incans\u00e1veis para connosco, envolvem-se, envolvem as fam\u00edlias. Gostar\u00edamos que o voluntariado fosse mais espont\u00e2neo, mas n\u00e3o existe. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com a Caritas, \u00e9 com todas as \u00e1reas, as IPSS que t\u00eam a interven\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No arranque da Semana Nacional C\u00e1ritas 2025 \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da ECCLESIA Duarte Pacheco, o presidente da C\u00e1ritas Diocesana do Funchal<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":365220,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[125,186],"class_list":["post-365218","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-caritas","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/365218","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=365218"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/365218\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/365220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=365218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=365218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=365218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}