{"id":365140,"date":"2025-03-14T09:46:50","date_gmt":"2025-03-14T09:46:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=365140"},"modified":"2025-03-17T17:22:19","modified_gmt":"2025-03-17T17:22:19","slug":"igreja-kerygma-vivo-na-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-kerygma-vivo-na-historia\/","title":{"rendered":"Igreja, <i>kerygma<\/i> vivo na hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><em>Lu\u00eds Serpa, Diocese de Lisboa<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-360522 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>A raz\u00e3o da exist\u00eancia da Igreja no mundo continua a ser assunto na sociedade actual. \u00c9 conveniente que se continue a interrogar. \u00c9 necess\u00e1rio refletir o sentido de ser crist\u00e3o e de estar na Igreja. O documento final do recente S\u00ednodo dos Bispos afirma que \u00aba Igreja existe para testemunhar ao mundo o acontecimento decisivo da hist\u00f3ria: a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus\u00bb<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>A chave de leitura da raz\u00e3o da exist\u00eancia da Igreja \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, isto \u00e9, a vit\u00f3ria determinante sobre a morte. A Igreja existe para anunciar que a morte foi vencida, que o pecado foi vencido, que todos os pensamentos obscuros, as duras mem\u00f3rias, feridas, ressentimentos, foram vencidos! \u00abNo mundo tereis tribula\u00e7\u00f5es, mas tende coragem: eu venci o mundo!\u00bb (Jo 16,33).<\/p>\n<p>A Igreja anuncia em todas as Eucaristias que Cristo dando a vida, entregando o seu corpo, venceu, para n\u00f3s, o pecado e a morte. \u00abO Ressuscitado traz a paz ao mundo e d\u00e1-nos o dom do seu Espirito\u00bb<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A origem e fonte da paz, que tanto se anseia, est\u00e1 no acontecimento fundamental da hist\u00f3ria: a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. \u00abDeixo-vos a paz, minha paz vos dou; n\u00e3o vo-la dou como o mundo a d\u00e1. N\u00e3o se perturbe nem se intimide o vosso cora\u00e7\u00e3o\u00bb (Jo 14,27). Nos \u00faltimos dias, tem-se manifestado a emerg\u00eancia e necessidade da paz. Mas onde vamos buscar essa paz? Jesus \u00e9 a nossa Paz.<\/p>\n<p>Enuncia o S\u00ednodo que \u00abCristo vivo \u00e9 a fonte da verdadeira liberdade, o fundamento da esperan\u00e7a que n\u00e3o engana, a revela\u00e7\u00e3o do verdadeiro rosto de Deus e o destino ultimo do homem\u00bb<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. O sentido da liberdade s\u00f3 se encontra na pessoa de Jesus. Diz S. Paulo aos G\u00e1latas, \u00abJ\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, mas \u00e9 Cristo que vive em mim\u00bb (Gl 2, 20), a verdadeira liberdade est\u00e1 na comunh\u00e3o \u00edntima com Jesus, n\u00e3o se trata de uma liberdade ut\u00f3pica e antropoc\u00eantrica, mas doadora de vida, fraterna, aquela que ama o inimigo. A cruz de Cristo \u00e9 fonte de liberdade. Conv\u00e9m olhar o sentido e o significado da liberdade \u00e0 luz da P\u00e1scoa de Cristo, porque, j\u00e1 fomos assistindo \u00e0s consequ\u00eancias profundas das ideias ego\u00edstas e ut\u00f3picas da liberdade, onde maior parte delas resultou em destrui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 f\u00edsica, mas tamb\u00e9m, moral e antropol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Diz tamb\u00e9m o documento sinodal que \u00abos Evangelhos dizem-nos que, para entrar na f\u00e9 pascal e tornar-se testemunha dela, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer o pr\u00f3prio vazio interior, as trevas do medo, da d\u00favida e do pecado\u00bb<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. \u00c9 necess\u00e1rio entrar naquele quarto escuro, onde nada se v\u00ea e, onde sabemos que o que l\u00e1 se encontra, n\u00e3o nos agrada, porque n\u00e3o nos faz sentido. Cristo dir\u00e1: \u00abEu sou o Caminho, a Verdade e a Vida\u00bb (Jo 14,6), isto \u00e9, Ele \u00e9 a Verdade que nos conduz \u00e0 verdadeira vida, que \u00e9 a vida eterna, na presen\u00e7a de Deus e da hist\u00f3ria fant\u00e1stica que desejou para n\u00f3s. \u00c9 no hoje da nossa hist\u00f3ria que se manifesta a vida verdadeira, a vida com Cristo. \u00c9 entrando no nosso vazio interior, que Cristo aparece glorioso e nos enche com a sua <em>Shekin\u00e1<\/em>, com a sua Gl\u00f3ria. \u00c9 caminhando nas trevas do medo, onde Cristo nos pode dar a Esperan\u00e7a, onde o medo se transforma em for\u00e7a, porque a \u00abesperan\u00e7a n\u00e3o engana\u00bb (Rm 5,5). Dir\u00e1 tamb\u00e9m S. Paulo: \u00abDe bom grado, portanto, prefiro gloriar-me nas minhas fraquezas, para que habite em mim a for\u00e7a de Cristo\u00bb (2Cor 12,10).<\/p>\n<p>Ter d\u00favidas n\u00e3o \u00e9 um mal, mas sim um bem, porque \u00e9 a partir do nosso duvidar que Jesus manifesta o seu Amor na nossa hist\u00f3ria, \u00e9 quando n\u00e3o temos certeza de nada, que Cristo nos vem dizer o quanto nos ama e que est\u00e1 permanentemente presente e estar\u00e1 sempre connosco. \u00abJesus disse-lhe em resposta: \u201c\u00c9s feliz, Sim\u00e3o, filho de Jonas, porque n\u00e3o foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que est\u00e1 no c\u00e9u\u201d\u00bb (Mt 16,17).<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o pecado nos leva a afastar de Deus e do pr\u00f3ximo, mas o pecado, primeiramente, nos reaviva a mem\u00f3ria para nos dizer que somos fracos e d\u00e9beis. Que tantas vezes desejamos p\u00f4r-nos no lugar de Deus, de achar que o outro \u00e9 indiferente, que \u00e9 desprez\u00edvel, que \u00e9 um objeto, etc\u2026 Diz a Escritura, que \u00abAquele que n\u00e3o havia conhecido o pecado, Deus o fez pecado por n\u00f3s, para que nos torn\u00e1ssemos, nele, justi\u00e7a de Deus\u00bb (2Cor 5,21), isto significa que o pr\u00f3prio Deus, sabendo da nossa mis\u00e9ria e querendo Ele nos salvar, fez-se fraco, fez-se d\u00e9bil, fez-se pecado por amor a n\u00f3s.<\/p>\n<p>Neste tempo da Quaresma, o Papa Francisco, na sua mensagem, prop\u00f5e a olhar exatamente neste sentido. Primeiramente, o <em>caminhar<\/em>, lembrando a travessia do povo de Israel em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Prometida, a passagem da escravid\u00e3o para a liberdade, a passagem do vazio, do medo, da d\u00favida, do pecado \u00e0 liberdade, isto \u00e9, \u00e0 santidade. Seguidamente, a <em>viagem juntos<\/em>, onde Francisco enfatiza que \u00abo Espirito Santo impele-nos a sair de n\u00f3s mesmos para ir ao encontro de Deus e dos nossos irm\u00e3os, e nunca a fechar-nos em n\u00f3s mesmos\u00bb<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Depois, <em>na esperan\u00e7a<\/em> de uma promessa. Sublinha que a esperan\u00e7a, que n\u00e3o engana (cf. Rm 5,5), seja para n\u00f3s o horizonte da Quaresma, rumo \u00e0 P\u00e1scoa, \u00e0 vit\u00f3ria de Jesus Cristo sobre a nossa morte. Onde aquela exorta\u00e7\u00e3o que S. Paulo faz ao Romanos se possa concretizar: \u00abNem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poder\u00e1 separar-nos do amor de Deus, que est\u00e1 em Cristo Jesus, nosso Senhor\u00bb (Rm 8, 38-39).<\/p>\n<p>Afirma Francisco: \u00abA morte foi transformada em vit\u00f3ria e aqui reside a f\u00e9 e a grande esperan\u00e7a dos crist\u00e3os: na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo!\u00bb<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Este \u00e9 o grande preg\u00e3o contempor\u00e2neo. Portanto, o sentido de ser crist\u00e3o poder\u00e1 come\u00e7ar por nos deixarmos encontrar, nos deixarmos olhar por Cristo. \u00abMas aqueles que, na escurid\u00e3o, t\u00eam a coragem de sair e p\u00f4r-se \u00e0 procura descobrem, na realidade, que s\u00e3o procurados, chamados pelo nome, perdoados e enviados juntos aos irm\u00e3os e irm\u00e3s\u00bb<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p><em>Lu\u00eds Serpa<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> FRANCISCO \u2013 XVI ASSEMBLEIA GERAL ORDIN\u00c1RIA DE S\u00cdNODO DOS BISPOS, Para uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, n\u00ba 14.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Ibidem<br \/>\n<\/em><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>Ibidem<br \/>\n<\/em><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Ibidem<br \/>\n<\/em><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Cf. FRANCISCO, Mensagem<em> para a Quaresma 2025<\/em>, p. 2<br \/>\n<a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Cf. FRANCISCO, Mensagem<em> para a Quaresma 2025<\/em>, p. 2<br \/>\n<a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> FRANCISCO \u2013 XVI ASSEMBLEIA GERAL ORDIN\u00c1RIA DE S\u00cdNODO DOS BISPOS, Para uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, n\u00ba 14.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Serpa, Diocese de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":360522,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-365140","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/365140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=365140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/365140\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/360522"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=365140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=365140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=365140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}