{"id":36480,"date":"2009-01-25T12:39:59","date_gmt":"2009-01-25T12:39:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/01\/25\/homilia-de-d-antoine-audo-na-festa-da-conversao-de-sao-paulo-celebracao-nacional-do-ano-paulino\/"},"modified":"2009-01-25T12:39:59","modified_gmt":"2009-01-25T12:39:59","slug":"homilia-de-d-antoine-audo-na-festa-da-conversao-de-sao-paulo-celebracao-nacional-do-ano-paulino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antoine-audo-na-festa-da-conversao-de-sao-paulo-celebracao-nacional-do-ano-paulino\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Antoine Audo na Festa da Convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo, celebra\u00e7\u00e3o nacional do Ano Paulino"},"content":{"rendered":"<p>Caros Irm\u00e3os no Episcopado e no Sacerd\u00f3cio, Amados Irm\u00e3os e Irm\u00e3s,  Neste Ano Paulino, que o Papa Bento XVI (dezasseis) declarou jubilar e que tem honrado com a sua catequese semanal, a nossa celebra\u00e7\u00e3o, na festa da convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo e em F\u00e1tima, neste t\u00e3o importante lugar de peregrina\u00e7\u00e3o, tem um significado muito particular. Todos n\u00f3s que viemos, de perto ou de longe, a este santu\u00e1rio profundamente simb\u00f3lico para a Igreja em Portugal e para a Igreja universal, deixemo nos tocar pela gra\u00e7a da convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo; pe\u00e7amos, por intercess\u00e3o de Nossa Senhora de F\u00e1tima, a gra\u00e7a de nos deixarmos conduzir para Cristo; e, para todas as na\u00e7\u00f5es em guerra, pe\u00e7amos o dom da reconcilia\u00e7\u00e3o e da paz. Que estes pa\u00edses transformem \u00abas espadas em relhas de arado e as lan\u00e7as em foices\u00bb (Is 2, 4,).  \tEstou muito reconhecido aos meus irm\u00e3os bispos de Portugal, por me terem dado a oportunidade de estar hoje no meio de v\u00f3s e de presidir a esta celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Assim quiseram, convidando um bispo da S\u00edria e da Igreja dos Caldeus, exprimir de um modo sens\u00edvel, diria mesmo quase f\u00edsico, a comunh\u00e3o com as origens do cristianismo, que vive a Igreja presente em todo o mundo. \u00c9 verdade, S\u00e3o Paulo nasceu em Tarso, na Turquia, muito perto de Alep, onde se situa a minha sede episcopal, e converteu se \u00e0s portas de Damasco, capital do meu pa\u00eds, a S\u00edria.  \tNesta regi\u00e3o t\u00e3o provada do M\u00e9dio Oriente, os crist\u00e3os vivem lado a lado com os mu\u00e7ulmanos, em diferentes pa\u00edses dilacerados por guerras: Israel e Palestina; Iraque ensanguentado por conflitos \u00e9tnicos e religiosos e onde os crist\u00e3os, nomeadamente da Igreja dos Caldeus, est\u00e3o amea\u00e7ados de desaparecer; enfim, o L\u00edbano, assediado entre guerra e lutando pela paz. Sim, nestas terras b\u00edblicas das origens crist\u00e3s da nossa f\u00e9, os crist\u00e3os do M\u00e9dio Oriente querem ler a experi\u00eancia da convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo, neste ano jubilar, como um grito de esperan\u00e7a lan\u00e7ado a toda a Igreja.  \tO encontro de Paulo com Cristo no caminho de Damasco transformou o, transfigurou o. Toda a verdadeira gra\u00e7a \u00e9 comunic\u00e1vel; toda a gra\u00e7a tem a sua fonte em Jesus, porque \u00aba Lei foi dada por Mois\u00e9s, mas a gra\u00e7a e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo\u00bb (Jo 1, 17). \u00ab\u00c9 em Cristo, pelo seu sangue, que temos a reden\u00e7\u00e3o, o perd\u00e3o dos pecados, em virtude da riqueza da sua gra\u00e7a\u00bb (Ef 1, 7).  \tHoje, deixemo nos alcan\u00e7ar por esta gra\u00e7a da convers\u00e3o. Com Paulo e todos aqueles que se deixaram agarrar pela gra\u00e7a do Evangelho, \u2013 e s\u00e3o t\u00e3o numerosos! \u2013 fa\u00e7amos a releitura das nossas pr\u00f3prias convers\u00f5es pedindo que elas se tornem sinais do amor de Deus por cada um de n\u00f3s, e lugar de verdadeiro crescimento na f\u00e9, caminhando com todos os que nos rodeiam.  I. \tA convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo, que n\u00f3s celebramos hoje, inscreve se numa longa hist\u00f3ria b\u00edblica. Fa\u00e7amos um momento de reflex\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o para nos tornarmos contempor\u00e2neos dos nossos Pais na f\u00e9, e peregrinos da busca do rosto de Deus: \u00abO meu cora\u00e7\u00e3o anseia por ti, os meus olhos te procuram; \u00e9 a tua face que eu procuro, Senhor. N\u00e3o desvies de mim o teu rosto\u00bb (Sl 27, 8 9). Toda a hist\u00f3ria da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica n\u00e3o pode compreender se \u00e0 margem dum encontro pessoal entre Deus e o homem criado \u00e0 sua imagem. Desde o come\u00e7o, Deus quer se comunicar e quanto mais o homem acolhe a palavra de Deus e a medita no seu cora\u00e7\u00e3o, mais a gl\u00f3ria de Deus o transforma. Aprisionado pelo medo, o homem pode resistir ao chamamento de Deus, fugir e mesmo deformar o rosto do Senhor. Este combate da f\u00e9 \u00e9 tamb\u00e9m o nosso, como o foi dos nossos pais na f\u00e9 que, pelo seu combate, abriram o caminho da convers\u00e3o de Paulo.  \tAbra\u00e3o renuncia aos \u00eddolos da sua fam\u00edlia para escolher um Deus pessoal, aceita ser provado pelo sacrif\u00edcio do seu filho Isaac, e sai desta prova com uma f\u00e9 absoluta na fidelidade de Deus \u00e0 sua Alian\u00e7a.  \tMois\u00e9s, sendo violento e desertor, torna se chefe do seu povo e testemunha de um Deus Salvador, lento para a ira e cheio de amor, desafiando o seu povo a crescer na confian\u00e7a e na liberdade.   \tElias, o inimigo dos falsos profetas de Baal, defensor do pobre Nabot, aprende atrav\u00e9s de uma longa caminhada espiritual, a ler os sinais dos tempos, no murm\u00fario duma brisa suave, sinal da presen\u00e7a de Deus no cora\u00e7\u00e3o daquele que se deixa conduzir pelo Esp\u00edrito.  \tPaulo \u00e9 desta linhagem de Patriarcas e Profetas; ele era muito cioso de todos os privil\u00e9gios herdados da fam\u00edlia e da sua f\u00e9 judaica; era capaz de todas as atrocidades para defender Deus e a lei de Mois\u00e9s; Paulo estava cheio de \u00f3dio para com os crist\u00e3os. \tS\u00e3o Paulo, o fariseu que ardia no zelo da Lei (Fl 3, 6), uma vez convertido, descobre que este Jesus em que ele via, com horror, o destruidor da tradi\u00e7\u00e3o religiosa de Israel, era pelo contr\u00e1rio o herdeiro porque era o fundador. A palavra dos profetas era j\u00e1 o seu Evangelho (Rm 1, 2). A Lei tinha sido dada a Israel para que, na plenitude dos tempos, Deus pudesse enviar o seu Filho, \u00abnascido de uma mulher, nascido sob o dom\u00ednio da Lei\u2026 a fim de recebermos a adop\u00e7\u00e3o de filhos\u00bb (Gl 4, 4 5).  \tTodas as cartas de Paulo, todo o trabalho que realizou para fundar as Igrejas, todos os sofrimentos que suportou com determina\u00e7\u00e3o e alegria, t\u00eam a sua origem neste encontro com Jesus no caminho de Damasco. Jesus, morto e ressuscitado, torna se para ele a explica\u00e7\u00e3o \u00faltima da Lei, a Boa Nova a anunciar a todas as na\u00e7\u00f5es.  II. \tPermiti me agora que vos conte uma bela hist\u00f3ria da convers\u00e3o de um jovem Curdo de origem mu\u00e7ulmana, que eu conheci em Alep. \tJiwan, baptizado com o nome de Jo\u00e3o Baptista, chegado \u00e0 idade de vinte anos, vivia num vazio total, na solid\u00e3o que \u00e9 o grande paradoxo da mundializa\u00e7\u00e3o. Ao ver que um crist\u00e3o foi exclu\u00eddo da sua escola e catalogado como infiel, encontrou o rosto de Cristo ao ler o Evangelho e tornou se pouco a pouco o bom samaritano deste crist\u00e3o perseguido. Jiwan viveu uma experi\u00eancia de convers\u00e3o. De um jovem amargurado com a vida, sacudido pelos ventos dos fanatismos e dos medos, tornou se um jovem atento aos outros, membro vivo de uma comunidade crist\u00e3, testemunha da gra\u00e7a que o transformou. Doravante Jiwan usa o nome de Jo\u00e3o Baptista, caminhando no seguimento de Cristo e chamando outros jovens a encontrar Jesus. Numa Europa cada vez mais secularizada, e que exclui o pr\u00f3prio Cristo, a Igreja e os crist\u00e3os, fixemo nos na coragem deste jovem que, por causa da exclus\u00e3o e do \u00f3dio, acaba por encontrar o amor de Jesus, amor de comunh\u00e3o e de liberdade.  III. \tO Deus em que acreditamos n\u00e3o \u00e9 um Deus est\u00e1tico. N\u00e3o nos fecha no passado e n\u00e3o aceita que fiquemos paralisados pelos nossos medos. O nosso Deus est\u00e1 vivo e faz se pr\u00f3ximo e solid\u00e1rio. N\u00e3o habita nos long\u00ednquos c\u00e9us, nem se esconde nas dist\u00e2ncias inacess\u00edveis. Pelo contr\u00e1rio, Deus encontra a sua alegria no seu povo: Ele \u00e9 o Emanuel, Deus connosco. \u00c9 Ele que vem para se dar todo, sem nada nos tirar.  \tAssim como Cristo veio ao encontro de Paulo no caminho de Damasco, assim como estava presente no cora\u00e7\u00e3o dos combates dos Patriarcas e dos Profetas que buscavam a sua face, assim como Cristo se deixou encontrar por este jovem Curdo mu\u00e7ulmano no quotidiano da sua vida distante da f\u00e9 crist\u00e3, tamb\u00e9m o mesmo Cristo vem hoje, pessoalmente, ao nosso encontro. A convers\u00e3o \u00e9 uma gra\u00e7a pessoal e comunic\u00e1vel; a convers\u00e3o \u00e9 para cada dia; e significa deixar se transformar pela presen\u00e7a de Cristo.  \tNa sua \u00faltima enc\u00edclica, \u00abSpe salvi\u00bb, o Papa Bento XVI (dezasseis) n\u00e3o se refere directamente \u00e0 convers\u00e3o, mas, ao falar da ora\u00e7\u00e3o, diz nos que \u00e9 \u00abum processo de purifica\u00e7\u00e3o interior que nos torna aptos para Deus e, precisamente desta forma, aptos tamb\u00e9m para os homens\u00bb. E o Papa continua: na ora\u00e7\u00e3o, o homem \u00abdeve purificar os seus desejos e as suas esperan\u00e7as. Deve libertar se de mentiras secretas com as quais se engana a si mesmo\u00bb (n. 33). Numa palavra, o homem est\u00e1 chamado \u00e0 convers\u00e3o, chamado a tornar se peregrino no seguimento de Cristo.  \tNeste belo Ano Paulino, na festa da convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo, que celebramos no Santu\u00e1rio de Nossa Senhora de F\u00e1tima, cuja mensagem evang\u00e9lica nos exorta \u00e0 penit\u00eancia, \u00e0 convers\u00e3o, fa\u00e7amos nossa a medita\u00e7\u00e3o final do Santo Padre na sua enc\u00edclica \u00abSpe salvi\u00bb: \t\u00abA Igreja sa\u00fada Maria, a M\u00e3e de Deus, como \u00abEstrela do mar\u00bb: Ave maris stella. A vida humana \u00e9 um caminho. Rumo a qual meta? Como achamos o itiner\u00e1rio a seguir? A vida \u00e9 como uma viagem no mar da hist\u00f3ria, com frequ\u00eancia enevoada e tempestuosa, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota. As verdadeiras estrelas da nossa vida s\u00e3o as pessoas que souberam viver com rectid\u00e3o. Elas s\u00e3o luzes de esperan\u00e7a. Certamente, Jesus Cristo \u00e9 a luz por antonom\u00e1sia, o sol erguido sobre todas as trevas da hist\u00f3ria. Mas, para chegar at\u00e9 Ele precisamos tamb\u00e9m de luzes vizinhas, de pessoas que d\u00e3o luz recebida da luz d&#8217;Ele e oferecem, assim, orienta\u00e7\u00e3o para a nossa travessia. E quem mais do que Maria poderia ser para n\u00f3s estrela de esperan\u00e7a? Ela que, pelo seu \u00absim\u00bb, abriu ao pr\u00f3prio Deus a porta do nosso mundo; Ela que Se tornou a Arca da Alian\u00e7a viva, onde Deus Se fez carne, tornou-Se um de n\u00f3s e estabeleceu a sua tenda no meio de n\u00f3s (cf. Jo 1,14)\u00bb (n. 49).  <i>D. Antoine Audo, Bispo de Alepo para os Caldeus, S\u00edria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros Irm\u00e3os no Episcopado e no Sacerd\u00f3cio, Amados Irm\u00e3os e Irm\u00e3s, Neste Ano Paulino, que o Papa Bento XVI (dezasseis) declarou jubilar e que tem honrado com a sua catequese semanal, a nossa celebra\u00e7\u00e3o, na festa da convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo e em F\u00e1tima, neste t\u00e3o importante lugar de peregrina\u00e7\u00e3o, tem um significado muito particular. 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