{"id":36445,"date":"2009-01-23T09:51:31","date_gmt":"2009-01-23T09:51:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/01\/23\/homilia-na-solenidade-de-sao-vicente-padroeiro-do-patriarcado-de-lisboa\/"},"modified":"2009-01-23T09:51:31","modified_gmt":"2009-01-23T09:51:31","slug":"homilia-na-solenidade-de-sao-vicente-padroeiro-do-patriarcado-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-na-solenidade-de-sao-vicente-padroeiro-do-patriarcado-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Homilia na Solenidade de S\u00e3o Vicente, Padroeiro do Patriarcado de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>\u00abDi\u00e1cono e diaconia da Igreja\u00bb <!--more--> 1. S\u00e3o Vicente \u00e9 Padroeiro da Igreja de Lisboa e protector da nossa Cidade. O facto de o nosso padroeiro ser Di\u00e1cono e M\u00e1rtir, convida-nos a meditar na diaconia da Igreja, isto \u00e9, na sua voca\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, e a descobrirmos a rela\u00e7\u00e3o entre o sofrimento e a consola\u00e7\u00e3o, sugerida pela leitura da segunda Carta de Paulo aos Cor\u00edntios.  O di\u00e1cono \u00e9 aquele que serve. O sacramento da Ordem que recebeu predisp\u00f5e-no e d\u00e1-lhe for\u00e7a para servir. Mas o minist\u00e9rio do di\u00e1cono n\u00e3o se limita \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o pessoal de servi\u00e7o. Como minist\u00e9rio, ele orienta-se para toda a Igreja, \u00e9 sua miss\u00e3o espec\u00edfica dinamizar a Igreja como servi\u00e7o. A diaconia da Igreja decorre da sua \u00edntima uni\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o do pr\u00f3prio Cristo, que disse de Si Mesmo: \u201cO Filho do Homem n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida\u201d (Mc. 10,45). Jesus considera a Sua miss\u00e3o um servi\u00e7o, a realiza\u00e7\u00e3o da vontade do Pai, do Seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que Se apresenta, \u00e9 como servo que deseja ser reconhecido. \u201cEstou no meio de v\u00f3s como Aquele que serve\u201d (Lc. 22,27). A atitude de servo sup\u00f5e a obedi\u00eancia. Servir \u00e9 obedecer, isto \u00e9, p\u00f4r toda a sua vida ao servi\u00e7o de uma vontade e de um projecto que \u00e9 do Pai que O enviou. \u201c\u00c9 preciso que o mundo saiba que Eu amo o Pai e que ajo como o Pai me ordenou\u201d (Jo. 14,30). Quem aceita seguir Jesus como disc\u00edpulo assume a condi\u00e7\u00e3o de servo, a voca\u00e7\u00e3o de servir. \u201cDei-vos o exemplo para que v\u00f3s possais agir como Eu agi em rela\u00e7\u00e3o a v\u00f3s\u201d (Jo. 13,15). A Igreja, comunidade dos disc\u00edpulos, isto \u00e9, daqueles que seguiram o Senhor e por isso prolongam a sua pr\u00f3pria miss\u00e3o, s\u00f3 pode servir, encontrar na sua voca\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o o caminho da sua fidelidade a Cristo Servo. Maria, a serva do Senhor, que obedeceu radicalmente \u00e0 Palavra que Deus lhe dirigiu, \u00e9, tamb\u00e9m, o modelo da Igreja obediente e por isso serva.  2. A primeira concretiza\u00e7\u00e3o, no Novo Testamento, do servi\u00e7o da Igreja, \u00e9 o servi\u00e7o da Palavra. Tamb\u00e9m aqui o servi\u00e7o \u00e9 uma obedi\u00eancia \u00e0 Palavra do Senhor: \u201cide e fazei disc\u00edpulos em todas as na\u00e7\u00f5es\u201d (Mt. 28,19). No in\u00edcio, a op\u00e7\u00e3o dos Ap\u00f3stolos, que os leva a escolher os primeiros di\u00e1conos, significa uma prioridade do servi\u00e7o da Palavra sobre o servi\u00e7o das mesas, ou seja, a ajuda aos mais pobres, que reservam aos di\u00e1conos: \u201cquanto a n\u00f3s permaneceremos ass\u00edduos \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao servi\u00e7o da Palavra\u201d (Act. 6,4). A Igreja Apost\u00f3lica est\u00e1 convicta que o primeiro servi\u00e7o que pode prestar \u00e0 sociedade \u00e9 o an\u00fancio do Evangelho. Paulo considera isso a sua gra\u00e7a pr\u00f3pria. Ele \u00e9 Ap\u00f3stolo \u201cem virtude da gra\u00e7a que Deus me concedeu de ser um ministro de Cristo no meio dos pag\u00e3os, sacerdote do Evangelho de Deus, para que os pag\u00e3os se tornem uma oferta agrad\u00e1vel, santificada no Esp\u00edrito Santo\u201d (Rom. 6,16). Esta prioridade ao servi\u00e7o da evangeliza\u00e7\u00e3o sup\u00f5e que a Igreja acredita na import\u00e2ncia do Evangelho para o bem da humanidade. \u00c9 o maior servi\u00e7o que podemos prestar aos homens, nossos irm\u00e3os, \u00e9 ajud\u00e1-los a descobrir o sentido da vida; o p\u00e3o do corpo sem o alimento do esp\u00edrito \u00e9 insuficiente para ajudar a descobrir o verdadeiro caminho da vida. A escolha dos sete di\u00e1conos para o servi\u00e7o dos pobres, n\u00e3o relativiza esta express\u00e3o do servi\u00e7o da Igreja. Exprime apenas a consci\u00eancia de que todo o servi\u00e7o \u00e9 express\u00e3o da caridade, e que s\u00f3 a Palavra do Evangelho abre o cora\u00e7\u00e3o para essa perfei\u00e7\u00e3o do amor. Os pobres, mesmo quando recebem, devem abrir-se pessoalmente a essa realidade superior do amor fraterno. \u00c9 por isso que a pr\u00f3pria partilha deve ser ocasi\u00e3o e instrumento do an\u00fancio do Evangelho. Ser benefici\u00e1rio da caridade crist\u00e3 e n\u00e3o se sentir tocado por essa novidade inaudita que \u00e9 a comunh\u00e3o de amor, pode ser sinal de que nos content\u00e1mos com a partilha e n\u00e3o demos prioridade ao an\u00fancio do Evangelho. \u00c9 por isso que os di\u00e1conos, cujo minist\u00e9rio se concretiza em primeiro lugar, no servi\u00e7o dos pobres, s\u00e3o tamb\u00e9m anunciadores da Palavra. Na Igreja, o an\u00fancio do Evangelho deve levar \u00e0 partilha, e a caridade partilhada leva \u00e0 descoberta e \u00e0 escuta da Palavra. O pr\u00f3prio Jesus, j\u00e1 no ambiente denso da Sua paix\u00e3o, quando Maria Madalena lhe unge os p\u00e9s com perfume caro e Judas protesta dizendo que aquele perfume era melhor empregue se fosse vendido para dar aos pobres, responde: \u201cDeixai-a. Foi para o dia da minha sepultura que ela tinha guardado este perfume. Pobres t\u00ea-los-eis sempre no meio de v\u00f3s, mas a Mim n\u00e3o me tereis sempre\u201d (Jo. 12,7-8). Descobrir Jesus Cristo tem prioridade sobre a ajuda aos pobres. Mas a estes tamb\u00e9m deve ser anunciado Jesus Cristo, \u201co Evangelho anunciado aos pobres\u201d, e estes revelam mesmo uma capacidade particular para acolher o an\u00fancio de Jesus.  3. Esta consci\u00eancia de que a Igreja, antes de partilhar os seus bens, partilha a sua f\u00e9 e o seu testemunho de fidelidade a Cristo, \u00e9 uma exig\u00eancia que n\u00e3o podemos esquecer, porque em qualquer forma organizativa da sociedade os pobres estar\u00e3o sempre no meio de n\u00f3s, hoje na complexidade de novas formas de pobreza, e a partilha de bens a que somos chamados nunca pode esquecer a partilha do bem mais precioso para n\u00f3s, a nossa f\u00e9 em Jesus Cristo. N\u00e3o devemos ser apenas mais uma forma de solidariedade social. Somos um servi\u00e7o de Jesus Cristo e \u00e9 Ele quem nos d\u00e1 a for\u00e7a para partilharmos com os nossos irm\u00e3os. Que no p\u00e3o repartido v\u00e1 sempre o testemunho da nossa fidelidade a Cristo, porque s\u00f3 assim esse p\u00e3o repartido ser\u00e1, para quem o recebe, um p\u00e3o vivo que comunica a vida. T\u00eam-se anunciado, talvez com demasiado dramatismo, tempos dif\u00edceis para muitos portugueses, com pessoas e fam\u00edlias que inesperadamente v\u00e3o fazer a experi\u00eancia da pobreza. A Igreja quer dar o seu contributo na ajuda de que precisam, em colabora\u00e7\u00e3o com a restante sociedade civil, com as Autarquias e o Governo da Na\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m aqui se concretizar\u00e1 o princ\u00edpio da coopera\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o Estado, para o bem da comunidade, princ\u00edpio que enforma o esp\u00edrito da Concordata. Mas n\u00e3o separaremos essa miss\u00e3o de ajuda fraterna do nosso primeiro servi\u00e7o, que \u00e9 o an\u00fancio de Jesus Cristo e do Seu Evangelho. N\u00e3o teremos respostas e solu\u00e7\u00f5es para todas as situa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 nos est\u00e3o a ser apresentadas, e por isso queremos agir em coopera\u00e7\u00e3o e em converg\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es. Estaremos, talvez, muitas vezes, na situa\u00e7\u00e3o do Ap\u00f3stolo Pedro perante o mendigo que lhe pede dinheiro: \u201cN\u00e3o tenho, nem prata, nem ouro, mas o que tenho, posso dar-te: em nome de Jesus Cristo de Nazar\u00e9, levanta-te e caminha\u201d (Act. 3,6). Talvez n\u00e3o possamos resolver todos as suas necessidades materiais, mas podemos convidar todos a levantar-se e a caminhar connosco nesta descoberta da vida, que pode ser feita em todas as circunst\u00e2ncias. Como Maria em Can\u00e1, perante uma afli\u00e7\u00e3o concreta, diz apenas: \u201cFazei tudo o que Ele vos disser\u201d. Mas n\u00e3o nos esque\u00e7amos que Ele tamb\u00e9m nos diz para partilhar. S\u00f3 que para n\u00f3s partilhar tem de significar o desejo de caminhar com quem partilhamos. Para a Igreja servir \u00e9 tamb\u00e9m apontar esse caminho novo.  <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abDi\u00e1cono e diaconia da Igreja\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[146,168,206,314],"class_list":["post-36445","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-concordata","tag-diocese-da-guarda","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36445","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36445"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36445\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}