{"id":36391,"date":"2009-01-20T11:51:22","date_gmt":"2009-01-20T11:51:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/01\/20\/actualidade-do-vaticano-ii\/"},"modified":"2009-01-20T11:51:22","modified_gmt":"2009-01-20T11:51:22","slug":"actualidade-do-vaticano-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/actualidade-do-vaticano-ii\/","title":{"rendered":"Actualidade do Vaticano II"},"content":{"rendered":"<p>Neste artigo, o Pe. Georgino Rocha \u00abmergulha\u00bb no II Conc\u00edlio do Vaticano e apresenta alguns pontos pertinentes sobre o \u00abmaior evento eclesial do s\u00e9culo XX\u00bb <!--more--> Decorridos cinquenta anos, ocorre naturalmente a pergunta: \u00e9 ainda actual o II Conc\u00edlio do Vaticano? A esta interroga\u00e7\u00e3o procura dar resposta o presente artigo apresentando alguns pontos pertinentes. A intui\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o XXIII de que haviam chegado &#8220;novos tempos&#8221; e de que a Igreja precisava de se renovar acentua-se e alarga-se ao longo deste per\u00edodo e n\u00e3o faltam sinais a confirm\u00e1-lo, apesar do caminho percorrido. Por isso, se pode colocar a quest\u00e3o na perspectiva da sua actualiza\u00e7\u00e3o.  1. O tempo n\u00e3o \u00e9 apenas novo pelos factos ocorridos ou pelas situa\u00e7\u00f5es criadas, mas pela descoberta assumida de que \u00e9 portador da salva\u00e7\u00e3o que Deus oferece a todos na hist\u00f3ria, revelador do sentido entranhado nos acontecimentos, configurador das oportunidades da realiza\u00e7\u00e3o humana, penhor das realidades futuras, mem\u00f3ria e profecia.  A consci\u00eancia do valor do tempo e do ritmo vertiginoso da sucess\u00e3o das &#8220;coisas&#8221; \u00e9 t\u00e3o significativa que pode designar-se n\u00e3o apenas por \u00e9poca de mudan\u00e7as, mas por mudan\u00e7a de \u00e9poca. A provisoriedade imp\u00f4s-se como caracter\u00edstica fundamental do modo de vida actual, real\u00e7ando a import\u00e2ncia do &#8220;hoje&#8221; sempre novo e da atitude humana empenhada, sempre aberta e confiante.  A mobilidade demogr\u00e1fica, a comunica\u00e7\u00e3o de massas e de pequenos grupos, a rede interactiva de informatiza\u00e7\u00e3o contribuem enormemente para um modo novo de estar e pensar, de conviver e de ser, de definir prioridades e de estabelecer escalas de valores que marcam estilos de vida e definem crit\u00e9rios de conviv\u00eancia social.  A intensidade com que \u00e9 vivido cada momento tende a privilegiar o subjectivo, a  absolutizar o relativo em detrimento das op\u00e7\u00f5es duradoiras, definitivas  e consistentes. Um horizonte amplo se abre \u00e0 consci\u00eancia e \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o &#8220;reitora&#8221; dos comportamentos humanos, privados e p\u00fablicos. Uma redobrada e nova aten\u00e7\u00e3o pastoral \u00e9 exigida.  2. Situada no tempo e sentindo o seu impacto, a Igreja aprofunda a consci\u00eancia do seu ser mist\u00e9rio de comunh\u00e3o em ordem a configurar de forma mais adequada o seu ser sacramento de salva\u00e7\u00e3o. A fidelidade a Jesus Cristo impele-a a estar atenta \u00e0 cultura, aos contextos, \u00e0s linguagens e a procurar inserir-se para melhor servir. Sendo una e \u00fanica, realiza-se numa pluralidade de comunidades dispersas, mas em comunh\u00e3o org\u00e2nica e din\u00e2mica; sendo santa e apost\u00f3lica, traz consigo a marca das limita\u00e7\u00f5es e defici\u00eancias humanas acumuladas ao longo da hist\u00f3ria; sendo cat\u00f3lica est\u00e1 aberta ao universal e condensa num local os meios indispens\u00e1veis \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Esta auto-compreens\u00e3o eclesial manifestou-se de forma significativa em iniciativas emblem\u00e1ticas como os S\u00ednodos e a cria\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os reconhecidos de participa\u00e7\u00e3o: assembleias e conselhos, designadamente. Mas expressa-se igualmente em gestos e atitudes eloquentes, embora discretas, como a solidariedade espiritual, a partilha de bens, o apostolado de vizinhan\u00e7a, o voluntariado social e mission\u00e1rio. A consci\u00eancia assumida desta realidade contrasta radicalmente com a lentid\u00e3o de processos de renova\u00e7\u00e3o global, com a raridade de projectos comunit\u00e1rios, com a debilidade da rede de comunica\u00e7\u00f5es no interior das comunidades e destas com a sociedade envolvente e distante.  3. Vivendo no tempo e no espa\u00e7o, a Igreja convive com outras realidades que tendem a realizar servi\u00e7os que tradicionalmente lhe competem. A sociedade comporta uma pluralidade de institui\u00e7\u00f5es que realizam as mais diversas fun\u00e7\u00f5es tanto no campo religioso como social e educativo. Em formas est\u00e1veis de presen\u00e7a e interven\u00e7\u00e3o ou espor\u00e1dicas e ocasionais.  Situar-se nos novos contextos s\u00f3cio-culturais, fomentar a autonomia do secular num quadro de valores evang\u00e9licos, manter a pr\u00f3pria identidade e entrar em rela\u00e7\u00e3o com &#8220;as m\u00faltiplas vozes do nosso tempo&#8221; constitui um repto deveras interpelante e urgente.  Por exig\u00eancias de fidelidade crescente \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, a Igreja est\u00e1 chamada a intensificar o di\u00e1logo com as culturas, as religi\u00f5es e as confiss\u00f5es religiosas num contexto tendencialmente laicista e hostil, a traduzir em formas concretas a sua op\u00e7\u00e3o pela centralidade do servi\u00e7o \u00e0 pessoa, pelo ecumenismo das confiss\u00f5es crist\u00e3s, pela defesa e promo\u00e7\u00e3o das grandes causas da humanidade como a luta contra a pobreza imposta, a paz, a justi\u00e7a, a vida, designadamente humana em tudo o que a pode dignificar. Traduzir e intervir, agindo &#8220;nas primeiras linhas&#8221;.  4. Salvaguardando sempre a dignidade humana, surge a liberdade religiosa como sua express\u00e3o qualificada, como direito fundamental numa compreens\u00e3o antropol\u00f3gica tipicamente crist\u00e3. Sendo imagem e semelhan\u00e7a do Criador no ser e no agir, toda a pessoa reencontra em Jesus Cristo a plenitude que comporta germinalmente e est\u00e1 chamada a ir procurando atingir.  Esta \u00e9 outra \u00e1rea em que &#8220;mergulha&#8221; o texto conciliar, assumindo a rela\u00e7\u00e3o da verdade e da liberdade como distintivo da consci\u00eancia pessoal e da mensagem crist\u00e3. O caminho percorrido tem-se deparado com obst\u00e1culos que se convertem em oportunidades de aprofundamento de conte\u00fados e de pedagogias de implementa\u00e7\u00e3o.   Surgem tamb\u00e9m riscos que &#8220;fazem ver&#8221; outras faces daquela rela\u00e7\u00e3o. O encontro com o fundamentalismo e as suas m\u00faltiplas express\u00f5es provoca atitudes de maior pondera\u00e7\u00e3o e retrac\u00e7\u00e3o. O alastrar do &#8220;tolerantismo&#8221; como mentalidade perfilhada por muitos gera perplexidades e confus\u00f5es. O an\u00fancio da verdade torna-se mais exigente e o respeito pela liberdade mais qualificado. O reconhecimento do outro exige a preserva\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade. \u00c9 este um campo onde, como narra a par\u00e1bola do Evangelho, se escondem j\u00f3ias de grande quilate que \u00e9 urgente descobrir, apreciar e integrar na harmonia da unidade plural.  5. A compreens\u00e3o da Igreja como \u00edcone da Trindade &#8211; povo de Deus, corpo de Cristo e templo do Esp\u00edrito &#8211; introduz um novo dinamismo \u00e0 institui\u00e7\u00e3o e dota os seus membros de energias peculiares que expressam a sua dignidade e os capacitam para a miss\u00e3o. Enquanto povo torna-se o rosto humano mais reconhec\u00edvel do mist\u00e9rio. Enquanto corpo credencia a sua organiza\u00e7\u00e3o funcional ao servi\u00e7o da vida a comunicar. Enquanto templo sente-se &#8220;habitada&#8221; pelo Esp\u00edrito que a enriquece com os seus dons e credencia os seus membros. A dignidade de todos sup\u00f5e e exige fun\u00e7\u00f5es especiais de alguns, como \u00e9 o caso do minist\u00e9rio ordenado e da vida consagrada. A renova\u00e7\u00e3o conciliar expressa e amplia este dado fundamental em passos significativos e coerentes. A comunh\u00e3o converte-se em p\u00f3lo de atrac\u00e7\u00e3o e de irradia\u00e7\u00e3o. A participa\u00e7\u00e3o em via de credita\u00e7\u00e3o e identidade. A forma\u00e7\u00e3o em exig\u00eancia vitalizadora da consci\u00eancia de perten\u00e7a e de interven\u00e7\u00e3o. No entanto, a multiforme riqueza dos dons do Esp\u00edrito, a mem\u00f3ria-profecia da vida e ac\u00e7\u00e3o das primeiras comunidades crist\u00e3s, a pluralidade das necessidades do nosso tempo indiciam claramente a urg\u00eancia de prosseguir esta renova\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es de comunidades eclesiais a atender e de \u00e1reas culturais a evangelizar que no sil\u00eancio fazem ouvir o clamor da sua necessidade.   6. O Vaticano II, como acontecimento hist\u00f3rico, constitui o maior evento eclesial do s\u00e9culo XX. Pelas intui\u00e7\u00f5es que teve e documentos que elaborou. Pelas sensibilidades que reuniu e correntes que congregou. Pela anima\u00e7\u00e3o renovadora que suscitou nos crist\u00e3os e pela esperan\u00e7a que fez germinar em tantas pessoas de boa vontade.  Mas sobretudo por ser a epifania do Esp\u00edrito que decididamente marca um novo ritmo \u00e0 Igreja para acertar o passo com a marcha da hist\u00f3ria e expressar de forma mais eficaz a sua solidariedade com toda a humanidade, sobretudo a empobrecida, fragilizada e indefesa. Os padres conciliares descobriram &#8220;o que o Esp\u00edrito tinha para dizer \u00e0 Igreja&#8221; por meio da ora\u00e7\u00e3o insistente, da paci\u00eancia hist\u00f3rica, do di\u00e1logo persistente, da organiza\u00e7\u00e3o funcional, da caminhada em conjunto, do apoio colaborante de muitos crist\u00e3os e seus movimentos ou comunidades. Realizaram assim uma experi\u00eancia modelo que actualiza o epis\u00f3dio do cen\u00e1culo Pentecostal e aponta uma via a percorrer pelos disc\u00edpulos de Jesus chamados a serem ap\u00f3stolos: a sinodalidade eclesial.  A via sinodal testemunha o estilo da mensagem crist\u00e3 no presente e abre caminhos de futuro. O magist\u00e9rio, sobretudo com Paulo VI, assume-o de forma clara e persuasiva. O mesmo fazem muitos bispos e superiores de institutos de vida consagrada. Tamb\u00e9m alguns p\u00e1rocos e respons\u00e1veis de associa\u00e7\u00f5es laicais, procurando tirar partido da organiza\u00e7\u00e3o participativa e do esp\u00edrito de corresponsabilidade. \u00c9 certamente uma das express\u00f5es mais qualificadas da actualidade do Vaticano II e da sua actualiza\u00e7\u00e3o sempre indispens\u00e1vel e, quando chegar a hora, da realiza\u00e7\u00e3o de um novo conc\u00edlio ecum\u00e9nico. <i>Georgino Rocha, Pres. Comiss\u00e3o da Cultura de Aveiro<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste artigo, o Pe. 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