{"id":36384,"date":"2009-01-19T15:29:53","date_gmt":"2009-01-19T15:29:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/01\/19\/crise-que-afecta-os-migrantes\/"},"modified":"2009-01-19T15:29:53","modified_gmt":"2009-01-19T15:29:53","slug":"crise-que-afecta-os-migrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/crise-que-afecta-os-migrantes\/","title":{"rendered":"Crise que afecta os migrantes"},"content":{"rendered":"<p>Em tempos de crise, os imigrantes s\u00e3o muitas vezes \u201cos primeiros a serem descartados\u201d, quando o trabalho e as fontes de subsist\u00eancia s\u00e3o afectados negativamente pela recess\u00e3o econ\u00f3mica. Para D. Ant\u00f3nio Vitalino, \u201c\u00e9 em tempo de crise que se demonstra aquilo que somos, amigos e irm\u00e3os solid\u00e1rios nas alegrias e tristezas, na dificuldade e pen\u00faria, ou inimigos e advers\u00e1rios, pensando que o bem de todos impossibilita o nosso\u201d. O Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana falava na missa do Dia Mundial do Migrante e Refugiado, na igreja da Sant\u00edssima Trindade, em F\u00e1tima. Uma celebra\u00e7\u00e3o que encerrava o IX Encontro de Animadores S\u00f3cio-pastorais das Migra\u00e7\u00f5es, que, durante 3 dias, debateu as oportunidades de miss\u00e3o que emergem da condi\u00e7\u00e3o migrante das sociedades. Que tem na sua origem o facto de existir \u201cmuita gente a morrer de fome ou a viver em condi\u00e7\u00f5es subhumanas e por isso anda pelo mundo \u00e0 procura de um trabalho justamente remunerado\u201d. A esses \u00e9 preciso dar aten\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m os que \u201cs\u00e3o obrigados a fugir das suas terras, para evitar a pris\u00e3o, os maus tratos e a pr\u00f3pria morte, vivendo como refugiados noutros pa\u00edses\u201d. Com todos \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar, pela necess\u00e1ria \u201crestitui\u00e7\u00e3o da sua dignidade de seres humanos, que o an\u00fancio do Evangelho de Jesus Cristo confere\u201d. Para D. Ant\u00f3nioVitalino, \u00e9 sobretudo necess\u00e1rio n\u00e3o ficar \u201ccalados e inertes perante a explora\u00e7\u00e3o dos estrangeiros na nossa sociedade, a quem muitas vezes \u00e9 roubada a sua dignidade, separando-os das suas fam\u00edlias, n\u00e3o retribuindo com justi\u00e7a o seu trabalho ou explorando os seus corpos como mercadoria de prazer dos nossos v\u00edcios\u201d.  <b>Por causa da crise<\/b> Os trabalhos do Encontro, que reuniu mais de meia centena de l\u00edderes de estruturas eclesiais que trabalham com os migrantes, ficou marcado pelos momentos de crise que atravessa o mundo, nomeadamente a Europa. Crise n\u00e3o apenas econ\u00f3mico-financeira, mas tamb\u00e9m social e demogr\u00e1fica. Pelas estimativas da Uni\u00e3o Europeia (UE), se a Europa fechar as entradas ou se as sa\u00eddas forem iguais \u00e0s entradas, a UE diminui a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 em 2020. Para crescer a popula\u00e7\u00e3o na Europa, a imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel. At\u00e9 esse per\u00edodo, t\u00eam de entrar 2 milh\u00f5es de pessoas de pessoas por ano. E para o rejuvenescimento da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso acolher 3 milh\u00f5es de pessoas por ano. Estat\u00edsticas apresentadas Jorge Malheiros, investigador do Centro de Estudos Geogr\u00e1ficos da Universidade de Lisboa, que afirmou a inevitabilidade, apesar de tudo, do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o na Europa. \u201cOs imigrantes s\u00e3o muito importantes para o crescimento demogr\u00e1fico, mas insuficientes para inverter o processo de envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, embora possam atenu\u00e1-lo\u201d, referiu Jorge Malheiro, afirmando que \u201cos pr\u00f3ximos anos ser\u00e3o com mais imigrantes e tamb\u00e9m com mais idosos\u201d, desafiando os presentes a se \u201cadaptarem a sociedades envelhecidas\u201d, tamb\u00e9m em Portugal. \u00c9, no entanto, a crise econ\u00f3mico-financeira que mais atinge as comunidades migrantes. Mesmo sem dados rigorosos, os Secretariados Diocesanos da Mobilidade Humana e as Caritas Diocesanas t\u00eam verifica um crescimento de imigrante que procuram devido \u00e0 perda do posto de trabalho. Frei Francisco Sales diz mesmo que \u201ch\u00e1 gente a deixar o pa\u00eds\u201d porque o desemprego cresce e os imgrantes \u201cs\u00e3o as primeiras v\u00edtimas\u201d. Eug\u00e9nio Fonseca, Presidente da Caritas Portuguesa, afirma que esta situa\u00e7\u00e3o obriga a \u201crefor\u00e7ar o acolhimento\u201d. Na an\u00e1lise da crise que percorre as sociedades Ocidentais e no que ela atinge o mundo da mobilidade, Guilherme de Oliveira Martins defende a urg\u00eancia de se desenvolverem \u201cpol\u00edticas de coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento\u201d para que o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio n\u00e3o aumente o desemprego nos pa\u00edses de acolhimento e se possam encontrar solu\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses de origem. Para Guilherme de Oliveira Martins, o problema do desemprego das popula\u00e7\u00f5es imigrantes tem de ser resolvido tamb\u00e9m nos pa\u00edses de origem, atrav\u00e9s da coopera\u00e7\u00e3o, sobretudo com os pa\u00edses africanos por ser o continente com aus\u00eancia de \u00edndices de desenvolvimento. Por outro lado, afirma a necessidade de estar atento ao \u201caproveitamento\u201d da crise por parte de empresas para \u201cn\u00e3o assumirem as suas responsabilidades sociais\u201d, gerando o desemprego. \u201cEstes momentos s\u00e3o de maior responsabiliza\u00e7\u00e3o social\u201d, referiu o Presidente do Tribunal de Contas. No seu documento conclusivo, os participantes no IX Encontro de Animadores S\u00f3cio-pastorais das Migra\u00e7\u00f5es afirmam a necessidade de fazer destes momentos de crise uma oportunidade tamb\u00e9m para os migrantes. Para al\u00e9m de pol\u00edticas que fomentem a confian\u00e7a econ\u00f3mica, a coes\u00e3o social e a justa distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, interessa tamb\u00e9m \u201cadequar h\u00e1bitos, comportamentos e investimentos aos recursos dispon\u00edveis, sem comprometer gera\u00e7\u00f5es futuras e abandonando a l\u00f3gica da ilus\u00e3o\u201d; na pastoral da Igreja, \u201ccriar, a partir da experi\u00eancia dialogante da diversidade e da riqueza da comunica\u00e7\u00e3o inter-\u00e9tnica, novas metodologias de partilha da f\u00e9 em Jesus Cristo\u201d. Na escola de S. Paulo, os agentes s\u00f3cio-pastorais das migra\u00e7\u00f5es afirmam a necessidade de, por um lado, \u201cfazer das diferen\u00e7as nas comunidades uma ocasi\u00e3o de evangeliza\u00e7\u00e3o, a exemplo de S\u00e3o Paulo, na aten\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o rec\u00edprocas\u201d e de \u201cpartir ao encontro dos tecidos sociais de cada tempo e a\u00ed deixar a proposta do Evangelho, nas estruturas e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade\u201d.  <b>Evitar o \u201cculturalismo\u201d<\/b> \u201cApoio e forma\u00e7\u00e3o\u201d s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es para quem deseje acolher sadiamente os imigrantes, nomeadamente numa ocasi\u00e3o em que as migra\u00e7\u00f5es s\u00e3o um fen\u00f3meno \u201cjamais visto\u201d nas sociedades europeias. Ele \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0 Europa, embora directivas comunit\u00e1rias acentuem as limita\u00e7\u00f5es \u00e0 sua entrada na Europa. Uma certeza comunicada aos participantes no IX Encontro de Animadores S\u00f3cio-pastorais das migra\u00e7\u00f5es por D. Carlos Azevedo, que recordou tamb\u00e9m os tempos de recess\u00e3o econ\u00f3mica como \u201camea\u00e7a\u201d \u00e0s popula\u00e7\u00f5es migrantes, por causa da diminui\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho e por estarem desprotegidas socialmente. O Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal de Pastoral Social afirmou, na sess\u00e3o de abertura do encontro que analisa o tema \u201cMobilidade global: uma oportunidade de miss\u00e3o\u201d, a necessidade de perceber a realidade. \u201cPerceber que a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo, n\u00e3o uma condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via\u201d. Diante de agentes sociais e pastorais, que trabalham com popula\u00e7\u00f5es migrantes nos diferentes distritos do pa\u00eds, ligados \u00e0 Caritas ou aos Secretariados Diocesanos da Mobilidade Humana e tamb\u00e9m nas comunidades portuguesas na di\u00e1spora, D. Carlos Azevedo afirmou a necessidade de integrar integralmente os migrantes: pessoal, social e culturalmente. \u201cImporta evitar o culturalismo, uma vez que as culturas s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es humanas em evolu\u00e7\u00e3o\u201d, que integram diferentes contributos: de quem chega e de quem acolhe. Para D. Carlos Azevedo, \u00e9 preciso \u201cperder medo e adoptar o respeito m\u00fatuo\u201d  <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=68412\">\u2022 S. Paulo, migrante, Ap\u00f3stolo das Gentes<\/a> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=68402\">\u2022 Conclus\u00f5es do IX Encontro de Animadores S\u00f3cio-pastorais das Migra\u00e7\u00f5es<\/a> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=68396\">\u2022 Pol\u00edticas de coopera\u00e7\u00e3o para combater o desemprego na Europa<\/a> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=68400\">\u2022 Europa a envelhecer precisa dos imigrantes<\/a> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=68401\">\u2022 Rostos de uma miss\u00e3o global<\/a> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=68381\">\u2022 Perder o medo diante do estrangeiro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de crise, os imigrantes s\u00e3o muitas vezes \u201cos primeiros a serem descartados\u201d, quando o trabalho e as fontes de subsist\u00eancia s\u00e3o afectados negativamente pela recess\u00e3o econ\u00f3mica. Para D. 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