{"id":3619,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/corpo-humano-e-corpo-de-deus\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"corpo-humano-e-corpo-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/corpo-humano-e-corpo-de-deus\/","title":{"rendered":"\u00abCorpo Humano e Corpo de Deus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Discurso do Cardeal Patriarca no encerramento do Congresso \u00abA Linguagem Corporal do Amor numa vis\u00e3o integral do Homem\u00bb <!--more--> \u00abCorpo Humano e Corpo de Deus\u00bb  1. Agrade\u00e7o-vos terem-me dado a honra de pronunciar a \u00faltima palavra neste Congresso centrado na &#8220;linguagem corporal do amor&#8221;. Fa\u00e7o-o, n\u00e3o \u00e0 guisa de conclus\u00f5es de um trabalho em que n\u00e3o pude participar, mas antes lan\u00e7ando uma \u00faltima interpela\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 pode ir na direc\u00e7\u00e3o de alargar o horizonte do mist\u00e9rio do amor, n\u00e3o o reduzindo \u00e0 sexualidade e, ainda menos, \u00e0 genitalidade, antes integrando estas na vis\u00e3o alargada e universalizante da realidade do amor como viv\u00eancia da liberdade e busca da plenitude a que chamamos felicidade. Falar de linguagem corporal do amor, significa falar de amor humano, do homem e do seu mist\u00e9rio, enquanto s\u00edntese entre o esp\u00edrito e a mat\u00e9ria, entre Deus e o cosmos, cria\u00e7\u00e3o de Deus, esp\u00edrito encarnado, que exprime a vida espiritual na corporeidade. Todo o amor humano \u00e9 corp\u00f3reo, e nenhuma express\u00e3o humana que se reduza ao corpo merece o nome de amor. Falar de express\u00e3o corporal do amor \u00e9 falar do mist\u00e9rio do homem e da dignidade do seu corpo.  \tNa antropologia b\u00edblica a primeira afirma\u00e7\u00e3o da dignidade do corpo \u00e9 a vida. E ser vivo \u00e9 a primeira express\u00e3o da semelhan\u00e7a do homem com Deus. No seu mist\u00e9rio cruzam-se a materialidade do cosmos e a espiritualidade divina: &#8220;Ent\u00e3o Deus modelou o homem com o barro da terra, insuflou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem tornou-se um ser vivo&#8221; (Gen. 2,7). \u00c9 no corpo que se exprimiu a vida e na sua corporeidade o homem tornou-se imagem de Deus. \u00c9 isso que distingue o corpo do cad\u00e1ver: o corpo \u00e9 a mat\u00e9ria organizada para exprimir a vida, que \u00e9 espiritual; o cad\u00e1ver \u00e9 a mat\u00e9ria incapaz de exprimir a vida. Esse \u00e9 o drama espiritual do moribundo de Isa\u00edas 38, em que surge, com o seu car\u00e1cter dram\u00e1tico, a busca de um sentido para a pr\u00f3pria morte, em que o corpo deixa de exprimir a vida, para se tornar cad\u00e1ver: &#8220;em meio da vida, vou descer \u00e0s portas da morte&#8230; n\u00e3o mais verei o Senhor na terra dos vivos&#8221; (v. 10). &#8220;Nem a morada dos mortos vos louvar\u00e1, nem a morte vos dar\u00e1 gl\u00f3ria; para quem desce ao t\u00famulo, acaba a esperan\u00e7a na vossa fidelidade; &#8230; s\u00f3 os vivos podem louvar-vos, como eu vos louvo hoje&#8221; (vv. 18-19). \tPara o homem, a vida \u00e9 o corpo vivo; participa\u00e7\u00e3o espiritual na pr\u00f3pria vida divina, a vida humana vai-se afirmando e definindo como rela\u00e7\u00e3o e capacidade de amor. Porque s\u00f3 o corpo exprime a vida, s\u00f3 o corpo pode exprimir o amor. Procurar a dignidade do corpo, significa mergulhar na profundidade do amor como participa\u00e7\u00e3o da vida divina, pois Deus \u00e9 amor. E isto levanta algumas quest\u00f5es fundamentais, de cujas respostas depende o sentido \u00faltimo da exist\u00eancia humana: o homem que n\u00e3o ama estar\u00e1 vivo? O homem que morreu fisicamente deixar\u00e1 de poder amar, como o texto de Isa\u00edas sugere? Se ama, com que corpo, antes da ressurrei\u00e7\u00e3o final? Como poder\u00e1 o homem, cuja express\u00e3o de amor \u00e9 corp\u00f3rea, entrar numa comunh\u00e3o de amor com Deus, que n\u00e3o tem corpo? Ou teremos de falar da corporeidade de Deus, a cuja imagem o homem foi criado?  \tO Corpo de Deus \t2. S\u00f3 em Jesus Cristo a corporeidade de Deus se torna clara e acess\u00edvel. &#8220;E o Verbo fez-se carne e habitou entre n\u00f3s e n\u00f3s vimos a Sua gl\u00f3ria&#8221; (Jo. 1,14). A corporeidade de Deus, em Jesus Cristo, \u00e9 decisiva para que o homem atinja a plenitude da comunh\u00e3o de amor, porque a sua uni\u00e3o ao Corpo de Deus, em Jesus Cristo, eleva e transforma a sua pr\u00f3pria corporeidade. A encarna\u00e7\u00e3o de Deus, em Jesus Cristo, que ao acontecer no tempo, constitui a plenitude do tempo humano, est\u00e1 suposta e subjacente em toda a revela\u00e7\u00e3o do amor de Deus pelos homens. O pr\u00f3prio Antigo Testamento \u00e9 incompreens\u00edvel sem o mist\u00e9rio da corporeidade de Deus. \tA Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o do des\u00edgnio insond\u00e1vel de amor de Deus pelos homens, que se manifestou e radicalizou em Jesus Cristo. Mas a realidade de Jesus Cristo ilumina todo esse des\u00edgnio eterno, em ac\u00e7\u00e3o desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo. S\u00e3o Paulo chama-lhe um &#8220;mist\u00e9rio escondido, desde sempre, em Deus, o criador de todas as coisas&#8221; (Ef. 5,9) e n\u00e3o hesita em situar Jesus Cristo, Verbo divino feito Homem, como agindo no in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o (cf. Col. 1,15). A possibilidade de Deus amar, corporalmente, em Jesus Cristo, est\u00e1 subjacente a toda a Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o. \t\u00c9 o sentido profundo da simbologia do &#8220;Deus esposo&#8221;. Nos profetas, a imagem mais expressiva do amor de Deus pelo seu povo, \u00e9 o amor esponsal. \u00c9 por isso que a P\u00e1scoa de Jesus, j\u00e1 na plenitude da capacidade expressiva da corporeidade de Deus, no Corpo de Jesus cristo, \u00e9 apresentada como a plena realiza\u00e7\u00e3o dessa alian\u00e7a nupcial entre Deus e o Seu Povo, porque a\u00ed o dom do pr\u00f3prio Corpo, na Eucaristia e na Cruz, \u00e9 a express\u00e3o definitiva do amor salv\u00edfico de Deus. \tA encarna\u00e7\u00e3o de Deus em Jesus Cristo \u00e9 a \u00fanica forma de corporeidade de Deus admitida no Antigo Testamento. \u00c9 totalmente proibido fazer figura\u00e7\u00f5es humanas de Deus, porque a \u00fanica figura humana de Deus ser\u00e1 o Seu Verbo encarnado. Os &#8220;\u00eddolos&#8221; s\u00e3o rejeitados, n\u00e3o por serem representa\u00e7\u00f5es de Deus, mas por n\u00e3o serem vivos. &#8220;T\u00eam boca e n\u00e3o falam, t\u00eam olhos e n\u00e3o v\u00eaem, t\u00eam ouvidos e n\u00e3o ouvem&#8221; (Ps.113). S\u00f3 Cristo ser\u00e1 o Vivo. &#8220;Ele era a vida de todos os seres e a vida era a luz dos homens&#8221; (Jo. 1,4). A Sua ressurrei\u00e7\u00e3o constituir\u00e1 a manifesta\u00e7\u00e3o plena da vida divina num corpo humano. Nela readquire sentido toda a corporeidade humana.  \tO Corpo como sacramento do amor \t3. Em Cristo o corpo humano atinge a plenitude do seu significado: ele exprime o dom total da pessoa. E essa plenitude de sentido acontece na P\u00e1scoa de Jesus. Nela, o nosso corpo atinge, tamb\u00e9m, a sua plenitude de sentido. A P\u00e1scoa consiste nisso: a plenitude do dom de amor do pr\u00f3prio Cristo, a Deus Pai e aos homens seus irm\u00e3os. E isso exprime-se no dom total e radical do Seu pr\u00f3prio corpo, express\u00e3o da sua vida. Cristo tinha de morrer; tinham de Lhe tirar a vida para se tornar claro que Ele a oferecia. E no seu drama, Ele exorcizou o drama humano da morte. Esta pode ser o dom total do pr\u00f3prio corpo, como semente de uma vida definitiva. Em Cristo, a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o constituem uma unidade insepar\u00e1vel. O Seu corpo de ressuscitado, prim\u00edcias da nova humanidade, \u00e9 o princ\u00edpio da reden\u00e7\u00e3o do nosso pr\u00f3prio corpo, tornando-o definitivamente capaz do amor. \tA Eucaristia, sacramento da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, \u00e9 a express\u00e3o perene deste dom cont\u00ednuo que Cristo faz do Seu corpo, por amor e para o amor. E porque unidos a Ele, fazendo com Ele um s\u00f3 corpo, podemos oferecer, por amor, os nossos pr\u00f3prios corpos a Deus e aos irm\u00e3os. &#8220;Isto \u00e9 o Meu Corpo, que vai ser entregue por v\u00f3s&#8221; (Lc. 22,19). Ou no relato de Paulo: &#8220;Isto \u00e9 o Meu Corpo, que \u00e9 para v\u00f3s&#8221; (1Cor. 11,24). A experi\u00eancia eucar\u00edstica permite aos homens consciencializar que os seus corpos se unem ao Corpo de Cristo ressuscitado fazendo um s\u00f3 corpo: &#8220;O P\u00e3o que comemos n\u00e3o \u00e9 uma comunh\u00e3o no Corpo de Cristo? Porque h\u00e1 um s\u00f3 p\u00e3o, n\u00f3s formamos um s\u00f3 corpo&#8221; (1Cor. 10,16). A Eucaristia re\u00fane todos os crist\u00e3os num s\u00f3 corpo, que \u00e9 o Corpo de Cristo, tal como o matrim\u00f3nio une o homem e a mulher num s\u00f3 corpo: &#8220;\u00e9 por isso que o homem deixa o seu pai e a sua m\u00e3e e se une \u00e0 sua mulher, tornando-se os dois um s\u00f3 corpo&#8221;. No sacramento do matrim\u00f3nio, esta uni\u00e3o dos esposos num s\u00f3 corpo \u00e9 feita no Corpo de Cristo ressuscitado. \t\u00c0 oferta do Senhor que nos diz: isto \u00e9 o Meu Corpo que \u00e9 para v\u00f3s, toda a Igreja e cada crist\u00e3o devem responder: eis o nosso corpo que \u00e9 para Ti. Isto di-lo a Igreja em cada Eucaristia; dizem-no os esposos em cada express\u00e3o da sua uni\u00e3o de amor; di-lo cada crist\u00e3o em tantos momentos da sua vida. S\u00e3o Paulo lembra aos crist\u00e3os de Corinto, que mesmo na sua express\u00e3o sexual, &#8220;o corpo \u00e9 para o Senhor e o Senhor \u00e9 para o corpo&#8221; (1Cor. 6,13). O amor conjugal e a express\u00e3o sexual do amor s\u00e3o, apenas, mais uma express\u00e3o da caridade; e esta re\u00fane todas as express\u00f5es de dom da nossa vida, ao Senhor e aos irm\u00e3os. Dom do Esp\u00edrito, ela exprime-se no corpo, ele pr\u00f3prio transformado pela semente da ressurrei\u00e7\u00e3o. Entre o amor conjugal e a Eucaristia h\u00e1 um tra\u00e7o comum misterioso: ambos se tornam poss\u00edveis pelo dom que Cristo nos faz do seu pr\u00f3prio corpo, convidando-nos a fazermos dom do nosso: eis Senhor, o meu corpo, que \u00e9 para v\u00f3s.  \tAs m\u00faltiplas express\u00f5es corporais da caridade \t4. N\u00e3o reduzamos \u00e0 express\u00e3o sexual a capacidade do nosso corpo exprimir a caridade. S\u00e3o incont\u00e1veis os momentos e as circunst\u00e2ncias em que o nosso corpo se torna sacramento do amor e express\u00e3o da caridade. Lembremos apenas algumas delas, pela universalidade de que se revestem na experi\u00eancia humana:  \t* A ternura: \u00e9 a express\u00e3o do amor que mais valoriza a contempla\u00e7\u00e3o e a solicitude pelo outro. Trata-se de olhar o outro, de o tocar para o sentir, perceber e acolher. S\u00f3 num amor terno se penetra o insond\u00e1vel mist\u00e9rio do outro. Sem ternura, o outro continuar\u00e1 a ser, para mim, um desconhecido. Toda a revela\u00e7\u00e3o, enquanto abertura ao outro do mais profundo do ser, \u00e9 express\u00e3o de ternura e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel na ternura. S\u00f3 esta constr\u00f3i intimidade. \u00c9 mais universal do que a conjugalidade, pois eu posso amar com ternura todas as pessoas com quem me cruzo. \u00c9 na ternura que o amor toca a beleza. \t\u00c9 por isso que ela exprime a solicitude atenciosa pelo outro. Na Sagrada Escritura esta \u00e9 uma das descri\u00e7\u00f5es poss\u00edveis do amor de Deus, sobretudo quando Ele se compara ao pastor, na sua solicitude pelas ovelhas. A ternura \u00e9 simples nas suas express\u00f5es, intensa na intimidade que gera, gratuita e generosa nas inten\u00e7\u00f5es, \u00e9 experi\u00eancia de encantamento pela beleza do outro.  \t* A ora\u00e7\u00e3o e o louvor: manifesta\u00e7\u00f5es dos sentimentos mais \u00edntimos da minha rela\u00e7\u00e3o com Deus, elas t\u00eam uma express\u00e3o corp\u00f3rea, em que cada gesto ou atitude exprimem um sentimento. Se me calo, procuro o recolhimento; se canto ou dan\u00e7o, manifesto a minha alegria; se toco ou me deixo embalar pela m\u00fasica, desejo a harmonia; se me prostro, manifesto a total submiss\u00e3o ao meu Deus; se elevo os bra\u00e7os, \u00e9 porque brota do meu cora\u00e7\u00e3o uma s\u00faplica; se ponho as m\u00e3os, exprimo a humildade de quem pede com confian\u00e7a; se choro, declaro a minha dor; se sorrio com todo o ser, \u00e9 sinal de que a alegria me inundou o cora\u00e7\u00e3o. Como poder\u00edamos exprimir tudo isto sem corpo? Mas poderia o nosso corpo ter express\u00f5es t\u00e3o belas, sem a intensidade do esp\u00edrito?  \t* O sofrimento e a dor. Se h\u00e1 algo que se sente no corpo \u00e9 a dor. Mas s\u00f3 a densidade espiritual transforma a dor humana em sofrimento. Oh! como \u00e9 poss\u00edvel amar, sofrendo, se a dor \u00e9 oferecida por amor. A dor sente-se no corpo e proporciona-nos a circunst\u00e2ncia de o oferecer a Deus, dizendo ao Senhor: este \u00e9 o meu corpo, que \u00e9 para V\u00f3s. \u00c9 insond\u00e1vel a for\u00e7a transformadora do sofrimento oferecido e amado. Talvez ele seja a alavanca silenciosa que sustenta o mundo.  \t* A morte oferecida e vivida. A morte \u00e9, tamb\u00e9m, uma express\u00e3o corporal de amor, de confian\u00e7a, de abandono. \u00c9 por isso que, na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, ela \u00e9 a porta que nos introduz na vida e na harmonia definitivas. Tamb\u00e9m a\u00ed eu digo ao Senhor, em uni\u00e3o com Cristo: eis o meu corpo, toma-o para Ti. Esta dimens\u00e3o ganha um relevo sublime, no mart\u00edrio como vida oferecida. Cito-vos, a este prop\u00f3sito, o testemunho de um M\u00e1rtir Judeu, Aquiba, no ano 135 depois de Cristo. Antes de ser morto exclama: &#8220;Amei-O com todo o meu cora\u00e7\u00e3o, com toda a minha fortuna; mas n\u00e3o tinha tido ainda a ocasi\u00e3o de O amar com toda a minha alma. Chegou esse momento&#8221;. Toda a morte crist\u00e3 se pode revestir da grandeza do mart\u00edrio, se morrermos em Cristo.  \tPoder\u00edamos referir, ainda, todas as lutas movidas pelo amor: pela paz e pela justi\u00e7a, pela honestidade e pela verdade, pela defesa dos oprimidos e al\u00edvio dos que sofrem. S\u00f3 com o dom do pr\u00f3prio corpo se edificar\u00e1 um mundo novo. Quem quiser salvar a sua vida, acabar\u00e1 por perd\u00ea-la, quem aceitar perd\u00ea-la, salv\u00e1-la-\u00e1. O dom do corpo significa o dom da vida e a radicalidade do dom ser\u00e1 sempre a express\u00e3o da plenitude do amor.  \t5. A uni\u00e3o conjugal \u00e9, apenas, uma express\u00e3o desta aprendizagem da caridade, tornada poss\u00edvel pela ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. \u00c9 uma express\u00e3o de amor que assume e resume todas as poss\u00edveis express\u00f5es corp\u00f3reas do amor. Tornada poss\u00edvel pela gra\u00e7a pascal (sacramento do matrim\u00f3nio), os esposos aprendem com o Senhor a dizer um ao outro: eis o meu corpo, \u00e9 para ti, para podermos ser um s\u00f3 corpo, que \u00e9 para o Senhor. Conduzida pela ternura, for\u00e7a criadora de toda a intimidade, ela pode incluir o sofrimento e a dor, a ora\u00e7\u00e3o e a contempla\u00e7\u00e3o, e desabrochar em dinamismo de amor fraterno e de constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo. A pr\u00f3pria experi\u00eancia de \u00eaxtase que ela proporciona \u00e9 o an\u00fancio de uma plenitude de amor, que agora \u00e9 apenas prometida e desejada. \tNeste mist\u00e9rio do amor n\u00e3o podemos ficar prisioneiros das an\u00e1lises culturais: saber quantos noivos guardam a virgindade para o seu esposo, quantos esposos s\u00e3o infi\u00e9is, em que idade os jovens iniciam a sua vida sexual, num objectivo escondido de mostrar que o ideal crist\u00e3o falhou. Todas essas realidades s\u00e3o sintomas de uma sociedade que procura a vida, mas ainda n\u00e3o descobriu o caminho que leva a ela. \u00c9 que o nosso corpo, se exprime o amor, pode tamb\u00e9m exprimir, dolorosamente, o fracasso e a desilus\u00e3o. Oxal\u00e1 ele possa ser, ao menos, a linguagem de um desejo e de um ideal.  Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa  Lisboa, 29 de Novembro de 2003   &#8224; JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso do Cardeal Patriarca no encerramento do Congresso \u00abA Linguagem Corporal do Amor numa vis\u00e3o integral do Homem\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,168,199,275],"class_list":["post-3619","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-diocese-da-guarda","tag-espiritualidade","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3619\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}