{"id":3618,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-senhor-e-a-nossa-justica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-senhor-e-a-nossa-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-senhor-e-a-nossa-justica\/","title":{"rendered":"\u00abO Senhor \u00e9 a nossa Justi\u00e7a\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca nas Ordena\u00e7\u00f5es de Di\u00e1conos <!--more--> Ainda ecoam no nosso cora\u00e7\u00e3o os hinos de louvor \u00e0 gl\u00f3ria de Jesus Cristo, Rei do Universo e Senhor da Igreja, que \u00e9, na Sua gl\u00f3ria de ressuscitado, a garantia da nossa salva\u00e7\u00e3o e eis que a Liturgia nos convida a retomar o ritmo da Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, toda ela centrada no Senhor que nos d\u00e1 a vida. N\u00e3o \u00e9 a lei do eterno retorno, com que os gregos explicavam a Hist\u00f3ria, mas a consci\u00eancia da perenidade do presente de Jesus Cristo, Ele que enche a Hist\u00f3ria. Nesta circularidade do Ano Lit\u00fargico, mais do que &#8220;representar&#8221; o tempo da expectativa da vinda do Messias, celebramos o ritmo da nossa caminhada de f\u00e9, ao encontro de Jesus Cristo. N\u00e3o apenas a aventura individual de cada um de n\u00f3s, mas o destino de toda a Igreja e de toda a humanidade. E como s\u00e3o diferentes as etapas e a situa\u00e7\u00e3o de cada crist\u00e3o e de cada homem, nossos contempor\u00e2neos, frente a Jesus Cristo, o Senhor que a todos quer encontrar e salvar. Muitos desconhecem-n&#8217;O, e torna-se urgente o an\u00fancio; outros j\u00e1 acreditam n&#8217;Ele, mas conhecem-n&#8217;O mal, n\u00e3o aprenderam a contemplar o Seu rosto e a deixar-se tocar pelo Seu cora\u00e7\u00e3o amoroso e estes exigem, da Igreja, uma ac\u00e7\u00e3o pastoral centrada no aprofundamento da f\u00e9 e na pedagogia da ora\u00e7\u00e3o. Outros amam-n&#8217;O, seguem-n&#8217;O como disc\u00edpulos, comprometeram com Ele as suas vidas e esperam poder, um dia, participar da Sua gl\u00f3ria. Estes precisam de se sentir enviados e fazerem sua, abra\u00e7ando-a com amor, a miss\u00e3o do pr\u00f3prio Jesus. \u00c9 esta longa e diferenciada caminhada da humanidade para Jesus Cristo que n\u00f3s celebramos na Liturgia, toda ela centrada na plenitude de Cristo, que nos atrai. Cristo atingiu a Sua plenitude, mas a humanidade ainda n\u00e3o; Cristo \u00e9 Senhor da Igreja e comunica-lhe a vida, querendo saci\u00e1-la com a Sua pr\u00f3pria vida, mas a Igreja ainda n\u00e3o recebe toda essa plenitude de vida; Cristo ama a Igreja como uma esposa, mas esta esposa ainda \u00e9 infiel, n\u00e3o respondendo sempre \u00e0 intimidade desse amor; Cristo est\u00e1 na gl\u00f3ria do Pai e a Igreja, na melhor das hip\u00f3teses, consegue desejar essa gl\u00f3ria. O caminho que \u00e9 preciso percorrer at\u00e9 \u00e0 plenitude de Jesus Cristo \u00e9 mais longo que o caminho percorrido, no tempo da expectativa do Messias. Como ent\u00e3o, a esperan\u00e7a \u00e9 a for\u00e7a que nos ajuda a n\u00e3o perder alento neste longo caminho a percorrer. S\u00f3 ela nos faz olhar mais longe alargando o horizonte da nossa vida e da vida de todos os homens e mulheres, nossos irm\u00e3os. \tO Profeta Jeremias, olhando para a sua Cidade de Jerusal\u00e9m, que representava todo o Povo de Israel e toda a humanidade, v\u00ea brilhar sobre ela a luz dessa esperan\u00e7a, e traduz, num nome novo, essa nova esperan\u00e7a para Jerusal\u00e9m. &#8220;Este \u00e9 o nome que chamar\u00e3o \u00e0 Cidade: o Senhor \u00e9 a nossa Justi\u00e7a&#8221;. Este \u00e9 o nome que desejamos seja, um dia, o nome de todas as cidades da humanidade. \tAo dirigir-se \u00e0 Europa em recente Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, Jo\u00e3o Paulo II traduz esse nome da cidade por um outro: &#8220;Cristo \u00e9 a nossa esperan\u00e7a&#8221;. Essa tradu\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, porque Cristo \u00e9 a nossa justi\u00e7a, porque a nossa esperan\u00e7a \u00e9 a for\u00e7a que nos faz acreditar que um dia a justi\u00e7a triunfar\u00e1, n\u00e3o uma justi\u00e7a qualquer, mas aquela que se alicer\u00e7a na verdade e restitui a todos os homens a sua dignidade de filhos de Deus.  \t\u00c9 voca\u00e7\u00e3o da Igreja, ao iniciar cada Ano Lit\u00fargico, percorrer, com um desejo renovado de fidelidade, este caminho ao encontro de Cristo, seu Senhor. E pela exig\u00eancia da sua miss\u00e3o, ela s\u00f3 o pode fazer abra\u00e7ando na sua esperan\u00e7a e no seu amor, a humanidade inteira. Alimentada pela esperan\u00e7a, ela \u00e9 chamada a ser sacramento da esperan\u00e7a e sinal de um mundo novo. Na humildade da nossa f\u00e9, tomemos consci\u00eancia dos sinais de esperan\u00e7a detect\u00e1veis na nossa Igreja de Lisboa, conscientes tamb\u00e9m, das nossas fragilidades e da dist\u00e2ncia que nos separa da plenitude de Jesus Cristo. \tV\u00f3s, queridos Ordinandos, sois um dos sinais dessa esperan\u00e7a. S\u00f3 na humildade podeis fazer esta escolha e abra\u00e7ar esta miss\u00e3o, na certeza de que, se o Senhor vos chamou, Ele n\u00e3o vos faltar\u00e1, porque Ele ama a Sua Igreja e chamou-vos, movido por esse amor \u00e0 Igreja, que \u00e9 o Seu corpo. Acreditai que o amor de Cristo pela Igreja se concretiza em v\u00f3s, passa por v\u00f3s. V\u00f3s sereis, na nossa cidade, sacramentos vivos do amor de Jesus Cristo por esta Igreja. Ao agradecerdes ao Senhor, agradecei-Lhe, sobretudo, o Ele amar tanto a Sua Igreja e o ter-vos escolhido como testemunhas do Seu amor. O diaconado \u00e9 um sacramento para o servi\u00e7o, encarna\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o de Cristo Servo. Servir e dar a vida ser\u00e1 sempre, no meio dos homens, o an\u00fancio da esperan\u00e7a. Em v\u00f3s e atrav\u00e9s de v\u00f3s, tamb\u00e9m a nossa cidade se poder\u00e1 chamar &#8220;O Senhor \u00e9 a nossa Justi\u00e7a&#8221;, &#8220;Cristo \u00e9 a nossa esperan\u00e7a&#8221;. \tUm outro sinal de esperan\u00e7a s\u00e3o aqueles e aquelas que desejam e se esfor\u00e7am todos os dias, por crescer na caridade, querendo ir mais longe e mais fundo na comunh\u00e3o com Jesus Cristo. Esse \u00e9 o entusiasmo que Paulo comunica aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica: &#8220;O Senhor vos fa\u00e7a crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos&#8221;. Paulo reconhece que, seguindo os seus ensinamentos, eles se est\u00e3o esfor\u00e7ando por agradar a Deus, mas acrescenta: &#8220;mas deveis progredir ainda mais&#8221;. \u00c9 o desafio da santidade crist\u00e3, \u00e9 a aventura da ora\u00e7\u00e3o, \u00e9 a fantasia da caridade. \tN\u00e3o sabemos quantos s\u00e3o, mas acreditamos que s\u00e3o muitos, aqueles e aquelas que na nossa Diocese se esfor\u00e7am, todos os dias, por ir mais longe nessa ousadia da caridade, na ora\u00e7\u00e3o, na pureza de vida, no amor fraterno. Discretos por natureza, eles s\u00e3o a for\u00e7a silenciosa que fecunda a nossa Igreja e sustenta a nossa cidade. Quero saudar, neste momento, com uma ternura particular, os &#8220;mission\u00e1rios da ora\u00e7\u00e3o&#8221;, que aceitaram o nosso desafio de serem, no seu sofrimento e na sua solid\u00e3o, os primeiros enviados para a &#8220;miss\u00e3o na cidade&#8221; em que estamos empenhados e que j\u00e1 estamos a preparar. \tEsse \u00e9 outro sinal de esperan\u00e7a. Sinto a nossa Igreja de Lisboa mais mobilizada para a miss\u00e3o, e com capacidade de testemunhar a esperan\u00e7a no meio da cidade. A celebra\u00e7\u00e3o do &#8220;ter\u00e7o vivo&#8221;, a pr\u00f3xima inaugura\u00e7\u00e3o do novo Centro Diocesano de Espiritualidade e a prepara\u00e7\u00e3o das Comunidades para o Congresso da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o disso sinais. Com simplicidade e ousadia, temos de ser anunciadores da esperan\u00e7a na nossa cidade: proporcionando a cada crist\u00e3o a alegria de ir mais longe, ao encontro do Senhor que est\u00e1, do Senhor que vir\u00e1, e comunicando a todos os homens a alegria e a for\u00e7a libertadora da f\u00e9: as desgra\u00e7as anunciadas pelo Evangelho para os \u00faltimos dias ainda n\u00e3o pesam sobre a nossa cidade; mas bastam-lhe os problemas que tem. Vivamos o Advento para anunciarmos que &#8220;Cristo \u00e9 a nossa esperan\u00e7a&#8221;. Maria, que viveu a esperan\u00e7a na alegria da maternidade, ensinar-nos-\u00e1, a n\u00f3s seus filhos, a esperarmos sempre, porque ela nos deu Jesus Cristo.  Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, 30 de Novembro de 2003  &#8224; JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca nas Ordena\u00e7\u00f5es de Di\u00e1conos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[100,199,203,237,246,268,294,316],"class_list":["post-3618","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-advento","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-nova-evangelizacao","tag-sacramentos","tag-terco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3618"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3618\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}