{"id":361789,"date":"2025-02-21T09:00:30","date_gmt":"2025-02-21T09:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=361789"},"modified":"2025-03-07T11:34:59","modified_gmt":"2025-03-07T11:34:59","slug":"o-paradoxo-do-sofrimento-a-luz-do-testemunho-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-paradoxo-do-sofrimento-a-luz-do-testemunho-do-papa-francisco\/","title":{"rendered":"O paradoxo do sofrimento \u00e0 luz do testemunho do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Luciano dos Santos Costa, Bispo de Viseu<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_308168\" aria-describedby=\"caption-attachment-308168\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-308168\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/antonio-luciano-natal2023a-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/antonio-luciano-natal2023a-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/antonio-luciano-natal2023a-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/antonio-luciano-natal2023a-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/antonio-luciano-natal2023a-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/antonio-luciano-natal2023a.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-308168\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao longo destes dias, os crist\u00e3os e todas as pessoas de boa vontade voltam o seu olhar, o seu pensamento e as suas ora\u00e7\u00f5es em dire\u00e7\u00e3o ao Hospital Gemelli, em Roma, onde se encontra internado, desde alguns dias, o Papa Francisco, com um progn\u00f3stico reservado devido a uma pneumonia dupla, como relatam os m\u00e9dicos atrav\u00e9s do Gabinete de Imprensa do Vaticano.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os rezam pelas melhoras do Papa, junto ao Hospital onde est\u00e1 internado, no Vaticano, e em todo o mundo.<\/p>\n<p>No dia em que foi eleito, como sucessor do Pr\u00edncipe dos Ap\u00f3stolos e Bispo de Roma, Francisco pediu aos fi\u00e9is que estavam reunidos na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro para que rezassem por ele. O Papa pede sempre aos fi\u00e9is para rezarem por ele.<\/p>\n<p>N\u00f3s rezamos pelo Papa Francisco que nos ensinou a rezar por ele e pela humanidade. Agora que ele se encontra numa situa\u00e7\u00e3o de maior fragilidade e sofrimento, somos n\u00f3s como Igreja a pedir pelas suas melhoras, numa atitude de gratid\u00e3o e conforto espiritual.<\/p>\n<p>A pedido da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), estamos a pedir a Deus o conforto, a consola\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade, atrav\u00e9s da seguinte prece: \u201cPelo Papa Francisco, sucessor de Pedro, para que o mist\u00e9rio da cruz o fortale\u00e7a, o alivie, o reanime e lhe d\u00ea esperan\u00e7a. Oremos\u201d.<\/p>\n<p>A comunh\u00e3o com o sucessor de Pedro pode fazer-se de muitos modos\u2026<\/p>\n<p>A convers\u00e3o dos fi\u00e9is e a renova\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Igreja acontece a maior parte das vezes pela via privilegiada do sofrimento e da doen\u00e7a, que nos surpreende na vida. \u00c9 nesta prova\u00e7\u00e3o que se insere o paradoxo do sofrimento!<\/p>\n<p>Na vida quotidiana de um doente encontra-se sentido e confian\u00e7a no mist\u00e9rio da cruz e na vida do crucificado. Jesus Cristo aceitou o sofrimento e fez-se obediente ao Pai at\u00e9 \u00e0 morte na Cruz, por isso Deus o Exaltou e o Ressuscitou ao terceiro dia.<\/p>\n<p>Parece que tudo devia ser diferente&#8230;Mas na verdade Deus ofereceu o seu Filho \u00e0 humanidade para nos reunir, remir e salvar pelo caminho da cruz e pela via do sofrimento. Por isso, a doen\u00e7a parece n\u00e3o fazer parte daquilo que \u00e9 a raz\u00e3o da nossa exist\u00eancia humana. Mas os des\u00edgnios de Deus confundem-nos, porque Ele \u00e9 o Senhor da vida.<\/p>\n<p>O Evangelho lembra como \u00e9 estreito o caminho e a porta que nos conduz a Deus e ao mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A porta estreita significa um caminho de reconfigura\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo, que sendo rico se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza. Tamb\u00e9m este \u00e9 um paradoxo da vida crist\u00e3, que assenta na aceita\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da gra\u00e7a e no seguimento de Cristo pela via do sofrimento e da cruz na obedi\u00eancia \u00e0 sua sant\u00edssima vontade.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 vida crist\u00e3 nem humana sem envolvimento no sofrimento e no levar a cruz, de cada dia, ao caminhar com o Senhor. Vivemos num mundo em mudan\u00e7a em que, \u00e0 luz da raz\u00e3o, o sofrimento n\u00e3o teria sentido nem justifica\u00e7\u00e3o. Mas diante do sofrimento, assumido com f\u00e9, faz-se caminho de integra\u00e7\u00e3o global e acolhe-se o mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero humano, na esperan\u00e7a de saborear a bondade e a beleza de pronunciar o doce nome de Jesus.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas nacionais e mundiais mostram que o mundo do sofrimento cresceu exponencialmente na sociedade atual e os doentes aumentaram consideravelmente, fazendo multiplicar as diversas patologias biol\u00f3gicas, as ps\u00edquico-som\u00e1ticas,\u00a0 as mentais, as morais e as espirituais.<\/p>\n<p>Cientificamente, parece que as raz\u00f5es apresentadas para as respostas no mundo da sa\u00fade s\u00e3o plaus\u00edveis e eficazes, contudo na pr\u00e1tica faltam ainda muitos recursos para ajudar os utentes que carecem de cuidados.<\/p>\n<p>O estilo de vida atual que as pessoas vivem, fruto das exig\u00eancias civilizacionais levam-nos a fazer algumas reflex\u00f5es. A persist\u00eancia da guerra, da fome, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e qu\u00edmicas que afetam os pr\u00f3prios alimentos, o stress da vida, as consequ\u00eancias do covid-19, as respostas das vacinas, a vida agitada da sociedade, a vulnerabilidade dos povos e na\u00e7\u00f5es, o desinvestimento em sa\u00fade p\u00fablica e preventiva, a falta de condi\u00e7\u00f5es laborais, a polui\u00e7\u00e3o, o aumento de ciclos migrat\u00f3rios, a fuga dos refugiados, a produ\u00e7\u00e3o de armas qu\u00edmicas e nucleares, entre outros fatores, parecem estar a provocar um desequil\u00edbrio biol\u00f3gico fazendo aumentar as doen\u00e7as, principalmente card\u00edacas, cancer\u00edgenas, respirat\u00f3rias ou mesmo as chamadas raras e auto-imunes.<\/p>\n<p>Num tempo de tanta tecnologia, com o uso da intelig\u00eancia artificial, e o desenvolvimento de estruturas pol\u00edticas, econ\u00f3micas e sociais, onde seria de se esperar a diminui\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as, n\u00e3o s\u00f3 aumentou o seu n\u00famero, como tamb\u00e9m afetam cada vez mais as faixas et\u00e1rias jovens.<\/p>\n<p>Diante destes conflitos, guerras, doen\u00e7as e destrui\u00e7\u00e3o da Aldeia Global, o que fazer para propor \u00e0s pessoas melhores estilos de vida saud\u00e1veis? Que respostas podem dar os governantes das na\u00e7\u00f5es para alterar esta tend\u00eancia?<\/p>\n<p>Resta-nos esperan\u00e7a nos respons\u00e1veis dos povos e nos Organismos Internacionais para que coloquem todas as suas potencialidades ao servi\u00e7o dos investigadores para descobrirem novos f\u00e1rmacos e vacinas que respondam \u00e0s necessidades do ser humano, na fam\u00edlia, na escola, no trabalho, no lazer e na gest\u00e3o dos pr\u00f3prios recursos humanos e econ\u00f3micos.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos desanimar! O caminho \u00e9 de esperan\u00e7a! Temos que enfrentar as fragilidades, as vulnerabilidades, as doen\u00e7as e o sofrimento com coragem, confian\u00e7a e resili\u00eancia. Todos juntos, neste Ano Jubilar de Esperan\u00e7a, devemos fazer um caminho que nos ajude a dar sentido \u00e0 nossa vida e \u00e0 exist\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es pac\u00edficas entre povos e na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Luciano dos Santos Costa, Bispo de Viseu<\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Luciano dos Santos Costa, Bispo de Viseu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":308168,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-361789","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=361789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/361789\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/308168"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=361789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=361789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=361789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}