{"id":36146,"date":"2009-01-08T10:02:04","date_gmt":"2009-01-08T10:02:04","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/01\/08\/carta-pastoral-do-arcebispo-de-braga-sobre-a-biblia\/"},"modified":"2009-01-08T10:02:04","modified_gmt":"2009-01-08T10:02:04","slug":"carta-pastoral-do-arcebispo-de-braga-sobre-a-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-pastoral-do-arcebispo-de-braga-sobre-a-biblia\/","title":{"rendered":"Carta Pastoral do Arcebispo de Braga sobre a B\u00edblia"},"content":{"rendered":"<p>\u00abTomar Conta da Palavra\u00bb  <!--more--> \u201cLevanta-te e resplandece, Jerusal\u00e9m Que est\u00e1 a chegar a tua luz! A gl\u00f3ria do Senhor amanhece sobre ti! Olha: as trevas cobrem a terra, E a escurid\u00e3o, os povos, Mas sobre ti amanhecer\u00e1 o Senhor. A Sua gl\u00f3ria vai aparecer sobre ti. As na\u00e7\u00f5es caminhar\u00e3o \u00e0 tua luz, E os reis ao esplendor da tua aurora\u201d (Isa\u00edas 60, 1-39)  \u201cBendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Que do alto dos c\u00e9us nos aben\u00e7oou Com todas as b\u00ean\u00e7\u00e3os espirituais em Cristo\u201d (Ef\u00e9sios 1,3)  1. A 21 anos da minha sagra\u00e7\u00e3o episcopal, como auxiliar da Arquidiocese de Braga e com o t\u00edtulo de Nova B\u00e1rbara (3.1.1988) e a 10 de Arcebispo (18.7.1999), achei oportuno dirigir-me aos meus caros diocesanos com uma Carta Pastoral. Recordo duas passagens, uma tirada da Mensagem do dia da minha ordena\u00e7\u00e3o episcopal e outra da Alocu\u00e7\u00e3o na tomada de posse como Arcebispo: A Igreja vive para oferecer ao mundo, umas vezes desiludido, outras vezes batendo \u00e0 porta de respostas ilus\u00f3rias \u2013 como os Magos \u00e0s portas de Herodes no Evangelho de hoje -, mas sempre angustiado, a Igreja \u2013 dizia &#8211; vive para oferecer o testemunho de uma luz que vence as densas trevas que envolvem as na\u00e7\u00f5es; A minha ac\u00e7\u00e3o pastoral nesta igreja local que me viu nascer, que me acolheu como baptizado, como sacerdote e como bispo, inspirar-se-\u00e1 nestes paradigmas do evangelho. Permear a vida das comunidades com este fermento da Palavra, da Boa Nova ser\u00e1 o meu empenho priorit\u00e1rio. Neste final de mil\u00e9nio acolho o convite insistente de Jo\u00e3o Paulo II a recompor o tecido humano e social com o an\u00fancio da originalidade inaudita do Evangelho. Acredito que o campo do mundo necessita desta for\u00e7a renovadora. S\u00f3 ela plenificar\u00e1 (\u2026); Continuaremos a semear, confiados nos frutos que j\u00e1 podemos saborear. Estamos conscientes de que tamb\u00e9m o joio se afirma neste campo que n\u00e3o \u00e9 nosso mas que foi entregue \u00e0 nossa administra\u00e7\u00e3o. Quais sentinelas que vigiam (Ezequiel 3,26 s) procuraremos, todos, identificar os problemas com que se debatem as nossas gentes (\u2026); Conhecer o joio sem se deixar inquietar ou melhor, perturbar, pelas dificuldades. As nossas energias devem ser investidas na vigilante cultura do trigo, do di\u00e1logo, da evangeliza\u00e7\u00e3o, do fortalecimento da f\u00e9; \u201csair de casa\u201d, ir ao encontro de todos, mesmo daqueles mundos que parecem estranhos, se n\u00e3o hostis, \u00e0 Igreja. N\u00e3o basta esperar que venham; urge ir ao encontro, num espa\u00e7o geogr\u00e1fico caracterizado por um cristianismo onde se mistura o consciente ao social, sem ignorar as franjas, porventura a crescer, da indiferen\u00e7a e da incredulidade; a for\u00e7a deste \u201c\u00eaxodo\u201d de n\u00f3s pr\u00f3prios est\u00e1 no sustento que as comunidades vivas d\u00e3o aos seus membros, aos seus filhos. \u00c9 por isso que o \u201cir ao encontro\u201d n\u00e3o se op\u00f5e a um \u201cregresso \u00e0 Igreja\u201d. Trata-se de dois movimentos correlativos, que reciprocamente se alimentam; as par\u00f3quias necessitam de crescer na fraternidade e no apoio m\u00fatuo. N\u00e3o devemos ter medo do amor. Todos deveriam reconhecer: \u201cVede como eles se amam\u201d.  2. O Plano Pastoral deste tri\u00e9nio (2008-2011)centra-se na Palavra, em sintonia com a Igreja Universal que celebrou um S\u00ednodo sobre A Palavra de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja (5-26 de Outubro de 2008) e est\u00e1 a celebrar o Ano Paulino (29 de Junho de 2008 \u2013 28 de Junho de 2009). O programa com o lema Tomar conta da Palavra que toma conta de n\u00f3s tem tr\u00eas fases:   Fazemos votos de que esta caminhada de tr\u00eas anos lance, em todas as comunidades da Arquidiocese, a semente de compromissos vis\u00edveis da centralidade da Palavra na vida e na miss\u00e3o dos crentes na Igreja e no mundo. Se algo temos a oferecer aos nossos irm\u00e3os \u00e9 o an\u00fancio da Boa Nova, do Evangelho, que tem em Cristo a plenitude da sua revela\u00e7\u00e3o e que enche de alegria e de esperan\u00e7a o cora\u00e7\u00e3o dos Seus disc\u00edpulos, mesmo pelos caminhos do desencanto e das prova\u00e7\u00f5es (Lucas 24).  3. A mensagem final do S\u00ednodo dos Bispos sobre A Palavra na vida e na miss\u00e3o da Igreja aponta caminhos que podem inspirar os compromissos dos crist\u00e3os. Numa feliz s\u00edntese, o S\u00ednodo anuncia a voz, o rosto, a casa e os caminhos da Palavra de Deus. Quero enunciar algumas considera\u00e7\u00f5es que ajudem a discernir caminhos de renova\u00e7\u00e3o pastoral marcados pela Palavra.  3.1. Palavra \u2013 Voz de Deus A Palavra \u00e9 voz de Deus que se pode escutar em diversas manifesta\u00e7\u00f5es da vida. A Palavra de Deus \u00e9 uma voz que se pode escutar na cria\u00e7\u00e3o. Foi pela Palavra que tudo foi criado: Deus disse e fez-se (G\u00e9nesis 1). A natureza \u00e9 um livro aberto onde se podem decifrar os sinais do Criador; hoje, particularmente, em que as pervers\u00f5es dos modelos de desenvolvimento p\u00f5em em causa a sobreviv\u00eancia do planeta, a contempla\u00e7\u00e3o da obra criada \u2013 e Deus viu que tudo era bom e belo &#8211; pode constituir um impulso ao respeito pela natureza e a uma via ecol\u00f3gica. A Sua voz \u00e9 sil\u00eancio subtil, que Elias escutava na brisa da tarde (I Reis 19, 12) e voz poderosa que ressoa na tempestade e na gl\u00f3ria do Templo, como celebra o salmista (Salmo 29).  A Sua voz ecoa na hist\u00f3ria da humanidade de todos os tempos e na hist\u00f3ria existencial de cada pessoa. A leitura dos sinais dos tempos a que o bondoso Papa Jo\u00e3o XXXIII apelava \u00e9 um imperativo constante do homem peregrino do Bem, da Verdade e da Beleza. Todos os acontecimentos da vida podem ser \u201cvoz\u201d de Deus. A vida, no dramatismo das suas situa\u00e7\u00f5es e nas alegrias recompensadoras, transborda de \u201cmensagens\u201d que devem ser acolhidas na ora\u00e7\u00e3o e no louvor. Por outro lado, a evolu\u00e7\u00e3o da humanidade, atrav\u00e9s dos acontecimentos mais variados, pode permitir um encontro com Deus que \u201cfala\u201d, solicitando den\u00fancias ou atitudes de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. Deste modo, compreenderemos como Deus \u00e9 eloquente no viver quotidiano das pessoas e da sociedade. A Sua voz fez-se ouvir de uma forma in\u00e9dita na hist\u00f3ria do Povo Eleito, de Israel, em que a Alian\u00e7a assume os sinais da natureza e os integra na hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o, no di\u00e1logo amoroso do Deus de Abra\u00e3o, de Isaac e de Jacob com o Seu povo. Escutar a voz \u00e9 a express\u00e3o hebraica para dizer obedecer. Escutar a voz do amado \u00e9 o vigilante anseio da amada, que procura o seu amado pelas ruas nocturnas e desertas (C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos 3). Os profetas de Israel s\u00e3o sentinelas da alian\u00e7a e os mensageiros da palavra que deles se apodera. A B\u00edblia, a Escritura dos nossos irm\u00e3os mais velhos \u00e9 um testemunho eloquente dessa voz e escutar \u00e9 o primeiro dos mandamentos: Escuta,Israel (Deuteron\u00f3mio 6, 4-9). Ainda hoje, os nossos irm\u00e3os judeus recitam diariamente esta ora\u00e7\u00e3o, que afirma a unicidade divina e a elei\u00e7\u00e3o amorosa do seu Deus. A import\u00e2ncia da B\u00edblia est\u00e1 aqui.  3.2. Cristo \u2013 Rosto vis\u00edvel da Palavra Na plenitude dos tempos o Deus que Se compraz em revelar-Se aos homens, enviou o Seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito \u00e0 Lei (Hebreus 1, 1-4; G\u00e1latas 4, 4-5). Desde ent\u00e3o, a Palavra tem um rosto: No princ\u00edpio era o Verbo\u2026A Deus ningu\u00e9m O Viu, o filho primog\u00e9nito \u00e9 que O deu a conhecer (Jo\u00e3o 1, 1-18); Ele, o Filho, \u00e9 a Palavra do Pai e quem O v\u00ea, v\u00ea o Pai (Jo\u00e3o 14, 9). Que Deus apare\u00e7a em palavras humanas, como as da Escritura, compreende-se \u00e0 luz do mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o: E o verbo fez-se carne e habitou entre n\u00f3s (Jo\u00e3o 1,14). A multiplicidade das palavras e dos g\u00e9neros da Escritura encontram em Jesus, o Cristo, a s\u00edntese, a unidade: De muitos modos falou Deus a nossos pais; nestes tempos que s\u00e3o os \u00faltimos falou-nos pelo pr\u00f3prio Filho (Hebreus 1,1-2). A plenitude da revela\u00e7\u00e3o no Verbo, na Palavra, n\u00e3o anula as etapas precedentes mas leva-as ao cumprimento; a nova e eterna alian\u00e7a n\u00e3o revoga as alian\u00e7as feitas com o povo santo de Israel mas recapitula-as no plano salv\u00edfico de Deus. Paulo, fiel \u00e0s promessas e gl\u00f3ria do seu povo, \u00e9 iluminado por uma revela\u00e7\u00e3o: quando aprouve a Deus revelar o Seu Filho em mim\u2026 ( G\u00e1latas 1,15). A sua \u201cconvers\u00e3o\u201d n\u00e3o \u00e9 dos \u00eddolos ao verdadeiro Deus (1 Tessalonicenses 1, 9), mas ao pensamento de Cristo; a ele se aplica o kerygma de Jesus: metano\u00eaite [convertei-vos] e acreditai no Evangelho (Marcos 1,15); e Paulo deixou-se apaixonar pelo evangelho de Deus e do Seu Filho, Jesus Cristo.  Cabe-nos a n\u00f3s, Seus disc\u00edpulos, torn\u00e1-Lo vis\u00edvel, na for\u00e7a do Esp\u00edrito, que nos leva \u00e0 verdade total, pela escuta obediente das Escrituras, pelo testemunho corajoso, pela fidelidade incondicional no seguimento da Sua doutrina. Os m\u00e1rtires de todos os tempos, essa multid\u00e3o que nos acompanha, s\u00e3o um apelo a contemplar e a anunciar esse rosto de Deus, essa palavra feita carne, esse verbo, que na humilha\u00e7\u00e3o da Cruz revelou o inaudito e imenso amor de Deus pelos homens. Jesus, rosto do Pai, \u00e9, por palavras e gestos, a manifesta\u00e7\u00e3o da bondade e da miseric\u00f3rdia do Deus da Alian\u00e7a, que n\u00e3o desiste de procurar o homem e de o chamar a uma esperan\u00e7a que n\u00e3o desilude. \u00c9 pelas obras de miseric\u00f3rdia (Mateus 25) que os crist\u00e3os testemunham a perenidade da efic\u00e1cia da Palavra feita carne e que preparam novos c\u00e9us e nova terra, prometidos pela palavra que n\u00e3o engana. A f\u00e9 crist\u00e3 tem por centro uma Pessoa a imitar e a vida crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um processo ininterrupto de imita\u00e7\u00e3o de Cristo.  O crist\u00e3o, no dever de ser \u201coutro Cristo\u201d, n\u00e3o tem outra hip\u00f3tese sen\u00e3o acolher a vida e a Palavra de Cristo que as Escrituras nos comunicam como caminho de alegria. O mundo necessita dum encontro com Cristo e s\u00f3 o testemunho dos crist\u00e3os se torna Seu \u201crosto\u201d, de modo que vendo o seu ser e o seu agir, se questionem sobre a ades\u00e3o mais profunda e sincera, como verdadeiro sentido para a vida, \u00e0 pessoa de Cristo numa actualidade que continue a entusiasmar para um \u201cviver Cristo\u201d.  3.3. A Igreja, casa da Palavra A Palavra habita numa casa e esta \u00e9 a Igreja. Aprouve a Deus salvar os homens como um povo (L\u00famen Gentium); as alian\u00e7as com No\u00e9, com Abra\u00e3o, com Mois\u00e9s envolvem a sua fam\u00edlia, o seu povo e t\u00eam por destino todas as na\u00e7\u00f5es (G\u00e9nesis 12). A Igreja, herdeira dessa hist\u00f3ria de revela\u00e7\u00e3o e de salva\u00e7\u00e3o \u00e9 como que o sacramento, o sinal dessa universalidade porque a vontade de Deus \u00e9 que todos os homens cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tim\u00f3teo 2,4). A Palavra \u00e9 dirigida n\u00e3o a uma pessoa solit\u00e1ria mas a um povo. Da\u00ed que o sujeito interlocutor da revela\u00e7\u00e3o, da auto-comunica\u00e7\u00e3o de Deus, n\u00e3o seja o indiv\u00edduo mas a comunidade dos crentes. A Escritura, oferecida pelo Esp\u00edrito a cada um, n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de uma apropria\u00e7\u00e3o individual (2 Tim\u00f3teo 3, 16; 2 Pedro 1, 20-21) mas constitui, ela mesma, uma interpela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o, ao di\u00e1logo, \u00e0 partilha. A sua leitura deve ser feita no mesmo Esp\u00edrito com que foi escrita (Dei Verbum); s\u00f3 assim se realiza a declara\u00e7\u00e3o de Jesus: as minhas palavras s\u00e3o esp\u00edrito e vida (Jo\u00e3o 6, 63). A Sacrosanctum Concilium, constitui\u00e7\u00e3o conciliar sobre a divina liturgia, sublinha que quando a palavra \u00e9 proclamada Deus fala ao seu povo. O presente verbal n\u00e3o \u00e9 por acaso, mas p\u00f5e em relevo a actualidade da palavra; a Escritura n\u00e3o \u00e9 um reposit\u00f3rio de verdades e narra\u00e7\u00f5es dum passado long\u00ednquo mas antes o testemunho vivo de que Deus n\u00e3o abandona o Seu povo, mas com ele caminha em todos os tempos e lugares.  Nesta casa todos s\u00e3o chamados a habitar para que se realize o voto paulino: habite em v\u00f3s, com toda a sua riqueza, a Palavra de Deus (Colossenses 3, 16); cada um recebe dons para construir o \u00fanico corpo de Cristo; a diversidade dos carismas n\u00e3o pode traduzir-se na desorienta\u00e7\u00e3o e no caos, mas na comunh\u00e3o e na tens\u00e3o para a unidade: pastores, sacerdotes, religiosos, fi\u00e9is leigos, estudiosos s\u00e3o chamados a dar, cada qual, o seu contributo, para que esta casa da palavra seja habit\u00e1vel e nela reine a harmonia fraterna. E a palavra, vivificada continuamente pelo Esp\u00edrito que a consagra, de forma que \u00e9 palavra de Deus em forma de palavras humanas, conjuga, no seu mist\u00e9rio, a multiplicidade e a diversidade de l\u00ednguas, de l\u00e9xicos, de g\u00e9neros\u2026na unidade do plano salvador do \u00fanico Deus e Pai de todos. A palavra deve estar no centro desta casa, da sua hist\u00f3ria, dos seus projectos, da sua constru\u00e7\u00e3o. Tal como a palavra, que \u00e9 Jesus, \u00e9 pedra angular assim a palavra de Deus deve inspirar e unificar as ac\u00e7\u00f5es deste corpo de Cristo que \u00e9 a Igreja. Tudo se deve inspirar na palavra inspirada pelo Esp\u00edrito que d\u00e1 a vida. A nossa prega\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode deixar de ser um eco da palavra escutada, uma narra\u00e7\u00e3o tecida de bem-aventuran\u00e7a e de alegria, como a comunidade primitiva, em que a palavra crescia e dia-a-dia se multiplicava o n\u00famero dos que aderiam ao caminho, que \u00e9 Cristo (Actos 2, 42-47).  A frac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o, feita com entusiasmo e fraternidade, n\u00e3o pode deixar de ser mesa posta, onde a palavra se faz p\u00e3o e o p\u00e3o \u00e9 palavra de consola\u00e7\u00e3o e vi\u00e1tico do homo viator, do peregrino em demanda da p\u00e1tria futura. A Eucaristia, uma s\u00f3 mesa, na Palavra e no P\u00e3o, \u00e9 penhor da gl\u00f3ria futura, \u00e9 antecipa\u00e7\u00e3o do banquete do cordeiro, verdadeiro templo na Jerusal\u00e9m celeste.  As nossas ora\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem deixar de ter o esp\u00edrito da palavra: os salmos, os hinos, os c\u00e2nticos espirituais, aut\u00eantica ora\u00e7\u00e3o da Igreja, devem modelar o afecto das nossas preces, que se tornar\u00e3o, assim, eucar\u00edsticas, de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, ao jeito do nosso Salvador, que nos ensina a rezar. Na peregrina\u00e7\u00e3o, muitas vezes vacilante, hesitante, dolorosa e dram\u00e1tica, da Igreja no mundo, n\u00e3o sabemos o que devemos pedir; o Esp\u00edrito vem ao aux\u00edlio da nossa fraqueza, Ele que nos faz exclamar: Abb\u00e0, \u00f3 Pai (Romanos 8, 15.26). \u00c9 a palavra que gera a comunh\u00e3o fraterna, a partilha entre irm\u00e3os, para al\u00e9m de todas as diferen\u00e7as de estatuto social e econ\u00f3mico, cultural e vocacional, nacional e pol\u00edtico. Todos somos ouvintes da palavra, que nos gera como irm\u00e3os, na unicidade e singularidade de cada um na grande fam\u00edlia de Deus. Comunidade evangelizada a Igreja \u00e9 chamada, por miss\u00e3o confiada por Jesus, a ser evangelizadora, anunciando que o Reino de Deus est\u00e1 entre n\u00f3s e dando ao mundo sinais cred\u00edveis do seu an\u00fancio pela pr\u00e1tica das boas obras, sobretudo da miseric\u00f3rdia.  Se a Igreja \u00e9 a casa da Palavra, enquanto \u00e9 o sujeito, enquanto comunidade, que acolhe, difunde, vive a Palavra, n\u00e3o pode deixar de ser um espa\u00e7o de acolhimento. Em todas as suas iniciativas pastorais, como disc\u00edpula, m\u00e3e e mestra \u00e9 chamada a ser perita em humanidade, tornando vis\u00edvel o Bom Samaritano, que \u00e9 Jesus, qual Palavra eterna do Pai e se debru\u00e7a continuamente sobre o homem peregrino e muitas vezes assaltado no seu caminho pela prova, pelas crises internas e externas, pela d\u00favida, pelo des\u00e2nimo, pela falta de sentido do seu viver. A Igreja, mensageira prof\u00e9tica da Boa Nova, do Evangelho, de Jesus que \u00e9 o Reino de Deus entre n\u00f3s, pode ser uma luz \u00e0 luz da Palavra, que ilumina, que aquece, que retempera, que consola, que estimula, que d\u00e1 coragem nas viragens epocais duma humanidade com fome e sede da Palavra de Deus, mesmo quando \u00e9 disso inconsciente.   A Igreja, sacramento universal de salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 chamada a servir os destinos da Palavra no mundo e na hist\u00f3ria segundo os planos da benevol\u00eancia divina; nela s\u00f3 vale e \u00e9 perene o que evidencia a Palavra da salva\u00e7\u00e3o, na medida em que faz como o Mestre, que n\u00e3o veio para ser servido mas para servir e dar a vida por todos. O mundo \u00e9 a casa da Igreja, ela habita no meio dos homens e \u00e9 como que o fontan\u00e1rio no centro desta aldeia global.  3.4. Os Caminhos da Palavra A voz de Deus, feita Palavra na Sagrada Escritura, \u00e9 para chegar aos confins do mundo, passando pelos nossos \u201cmundos\u201d, onde todo o ser humano luta para ser feliz. A Igreja, sendo casa da Palavra, n\u00e3o a pode reservar para si. O tesouro encontrado \u00e9 para rentabilizar, colocando-o a circular por todas as estradas que o homem percorre. Estradas no sentido de itiner\u00e1rios onde a vida acontece desde a fam\u00edlia aos ambientes de trabalho e estradas como meios para que a Palavra a\u00ed possa chegar e produzir frutos. A palavra deseja percorrer os v\u00e1rios mundos em que vivemos. Os seus caminhos s\u00e3o sempre novos como novos s\u00e3o os tempos em que nos \u00e9 dado viver. A Palavra deve chegar a todos os ambientes. Importa, acima de tudo, que a palavra, como fonte de vida que renova as \u00e1guas estagnadas das nossas vidas, chegue a todos para que todos tenham vida em abund\u00e2ncia (Jo\u00e3o 10,10). Se a Igreja \u00e9 casa da Palavra, dela sai uma \u00e1gua que vai fecundar tudo quanto \u00e9 humano. A vis\u00e3o do profeta Ezequiel pode ser sugestiva: \u201cConduziu-me para a entrada do Templo, e eis que sa\u00eda \u00e1gua da sua parte subterr\u00e2nea, porque o templo estava voltado para o oriente [\u2026] Por onde quer que a torrente passar, todo o ser vivo que se move viver\u00e1 (Ezequiel 47, 1-13). 3.4.1. \u00c9 a palavra que pode dar novo alento \u00e0s nossas fam\u00edlias, umas em crise, outras \u00e0 procura de identidade, outras em prova\u00e7\u00e3o. A palavra de vida \u00e9 palavra de alian\u00e7a, de amor, de fidelidade, de esperan\u00e7a na prova. As nossas fam\u00edlias s\u00e3o chamadas a ler a Escritura no seu lar para que sejam verdadeiras estradas que levam novos e mais velhos ao encontro da Palavra que salva. A fam\u00edlia necessita de se estruturar segundo o Evangelho da Fam\u00edlia, da Boa Nova que \u00e9 dom para a fam\u00edlia.  3.4.2. \u00c9 a palavra que pode iluminar os espa\u00e7os escolares, onde os jovens se preparam para a vida. A palavra n\u00e3o \u00e9 apenas para os crentes mas \u00e9 capaz de iluminar todo o homem que vem a este mundo (Jo\u00e3o 1, 9). A escola \u00e9 este espa\u00e7o onde a personalidade se estrutura e os valores evang\u00e9licos devem ser refer\u00eancia que compromete e marca profundamente as op\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se pode andar \u00e0 deriva e o mundo de amanh\u00e3 precisa de uma forma\u00e7\u00e3o onde um humanismo integral, nas pegadas de Cristo, garante o seu futuro.  3.4.3. \u00c9 a palavra que pode constituir uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o para o discernimento de justas solu\u00e7\u00f5es dos problemas candentes no campo laboral e empresarial; \u00e9 ainda a palavra que pode abrir caminhos in\u00e9ditos na crise financeira que se afirma, de dia para dia, cada vez mais global e planet\u00e1ria. N\u00e3o sendo a Escritura um livro de receitas para problemas imediatos n\u00e3o deixa de poder ser uma refer\u00eancia para o nascimento do homem novo que pode renovar a sociedade e o mundo. E algo de novo, no panorama internacional, parece estar a nascer. V\u00eam-me ao pensamento as palavras de Isa\u00edas: \u201c N\u00e3o vos lembreis dos acontecimentos de outrora; n\u00e3o penseis mais no passado, pois vou realizar algo de novo, que j\u00e1 est\u00e1 a aparecer: n\u00e3o o notais?\u201d.Com a convers\u00e3o, a metan\u00f3ia a que a palavra sempre nos apela, muitos dos problemas, com que a humanidade hoje dramaticamente se debate, poder\u00e3o dissolver-se como que por milagre. A f\u00e9, que vem da prega\u00e7\u00e3o, pode mover montanhas!  3.4.4. A Escritura constitui, ao longo dos tempos, como que um c\u00f3digo em que as m\u00faltiplas express\u00f5es culturais &#8211; desde a pintura, a arquitectura, a escultura, \u00e0 literatura, \u00e0 m\u00fasica, \u00e0s artes dram\u00e1ticas, ao cinema\u2026-se inspiraram. Desconhecer a B\u00edblia \u00e9, com frequ\u00eancia, privar-se de uma refer\u00eancia indispens\u00e1vel na interpreta\u00e7\u00e3o adequada e correcta de muitas cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. Estas foram, na hist\u00f3ria da Igreja que se confunde, em muitos casos, com a hist\u00f3ria cultural dos povos, uma B\u00edblia pauperum [B\u00edblia dos pobres]. Na pedagogia dos artistas crentes, em tempos em que a leitura era reservada aos letrados, o povo simples aprendeu a Escritura na azulejaria das igrejas, na pintura, na escultura, no teatro, na m\u00fasica. Em muitos lares de outrora, liam-se as hist\u00f3rias b\u00edblicas ao ser\u00e3o: enquanto os mais velhos se entretinham \u00e0 volta da fogueira, eram os mais novos, que andavam na escola, a ler para todos estes textos que marcavam indelevelmente, pela sua beleza, dramatismo ou jovialidade, a emo\u00e7\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias.  Noutra dimens\u00e3o, a Escritura \u00e9 chave de leitura de obras filos\u00f3ficas, de literatura, de cinema\u2026A arte, em grande parte das suas express\u00f5es, n\u00e3o fica indiferente face ao acontecimento religioso, inscrito nos textos b\u00edblicos, sejam po\u00e9ticos sejam narrativos e toma posi\u00e7\u00e3o quer para enaltecer o mist\u00e9rio encerrado nestas hist\u00f3rias quer para questionar a sua recep\u00e7\u00e3o ao longo dos tempos na doutrina das institui\u00e7\u00f5es. Num e noutro caso, o desconhecimento da Escritura traduz-se num empobrecimento cultural, numa priva\u00e7\u00e3o de uma refer\u00eancia, dum inter-texto indispens\u00e1vel para uma justa hermen\u00eautica de produtos da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. 3.4.5. A palavra, que \u00e9 vida, deseja caminhar por onde o homem caminha. Como sangue novo aspira a percorrer as auto-estradas da comunica\u00e7\u00e3o, que constituem hoje uma rede que pode fazer deste mundo t\u00e3o distante uma aldeia global, cujo fontan\u00e1rio n\u00e3o pode deixar de ser aquele de que jorra a \u00e1gua viva em vez de cisternas secas, escavadas pela indiferen\u00e7a, pela intoler\u00e2ncia, pela neglig\u00eancia face \u00e0 sorte de multid\u00f5es com fome e sede de justi\u00e7a. Muito h\u00e1 a esperar da palavra que pode correr nestas auto-estradas. Se hoje, geograficamente, o mundo est\u00e1 t\u00e3o pr\u00f3ximo, que dist\u00e2ncia n\u00e3o existe, por vezes, entre vizinhos! Cabe \u00e0 palavra vencer estas barreiras e da interdepend\u00eancia real entre povos e na\u00e7\u00f5es construir uma rede de solidariedade, porque somos todos filhos dum \u00fanico Pai e chamados a ser uma grande fam\u00edlia.  Os modernos meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma extraordin\u00e1ria oportunidade para que a Palavra chegue a todos mesmo \u00e0queles que, por op\u00e7\u00e3o ou por neglig\u00eancia, n\u00e3o podem contactar com a Palavra proclamada na liturgia. O recurso, com compet\u00eancia e intelig\u00eancia, a estes meios \u00e9 um imperativo da nova evangeliza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o an\u00fancio de Cristo, ontem, hoje e sempre mas com novo ardor e com aquela compaix\u00e3o do Mestre ao ver as multid\u00f5es como ovelhas sem pastor.  4. Mem\u00f3rias que nos responsabilizam 4.1. A Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa publicou uma Nota \u201cAno Paulino, uma proposta pastoral\u201d [6 de Maio de 2008] e que releva a centralidade da Palavra na vida de S. Paulo e da Igreja: \u201cPaulo, grande ap\u00f3stolo da Palavra, pode ser o nosso guia para descobrirmos, mais profundamente, o lugar da Palavra de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja. Basta pensar que ele \u00e9 o autor sagrado mais lido na liturgia\u201d (n\u00ba1). Os Bispos afirmam ainda que \u201cPaulo pode guiar-nos em todos os caminhos da escuta da Palavra: na celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa; na evangeliza\u00e7\u00e3o, como primeiro an\u00fancio de Jesus Cristo; no aprofundamento da f\u00e9, em processo catequ\u00e9tico; na fidelidade a Deus, vivendo segundo as exig\u00eancias da Palavra; no fortalecimento da esperan\u00e7a, pois toda a Palavra de Deus nos abre para o horizonte da eternidade\u201d (n\u00ba1).  4.2. O saudoso Papa Jo\u00e3o Paulo II na Carta Apost\u00f3lica Tertio Millennio Adveniente (10 de Novembro de 1994) exortava toda a Igreja, na prepara\u00e7\u00e3o do novo mil\u00e9nio crist\u00e3o, a um exame de consci\u00eancia colectivo e afirmava: \u201cO exame de consci\u00eancia n\u00e3o pode deixar de referir-se tamb\u00e9m \u00e0 recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio, este grande dom do Esp\u00edrito \u00e0 Igreja no ocaso do segundo mil\u00e9nio. Em que medida a Palavra de Deus se tornou mais plenamente alma da teologia e inspiradora de toda a exist\u00eancia crist\u00e3, como pedia a Dei Verbum?\u201d (n\u00ba36). J\u00e1 fizemos este exame de consci\u00eancia?  4.3. Apraz-me evocar aqui e agora o modelo do meu predecessor, Beato Frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires: num momento dram\u00e1tico da hist\u00f3ria da Igreja, na Reforma, quando a B\u00edblia era usada, num princ\u00edpio de sola scriptura, para questionar certas verdades da f\u00e9 cat\u00f3lica e que mais tarde levou os cat\u00f3licos ao afastamento da Escritura, o nosso Beato, entre duas sec\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio de Trento, em que se revelou uma figura \u00edmpar, escreveu um Coment\u00e1rio aos Salmos, como que apostando na vitalidade da palavra como fonte de paz nas contendas doutrinais.  Se Jesus \u00e9 a \u00fanica Palavra de Deus, enquanto plenitude da revela\u00e7\u00e3o do rosto do Pai, enquanto caminho, verdade e vida, \u00e9 no encontro com Ele que o homem \u00e9 iluminado. No seu dia-a-dia, o homem \u00e9 bombardeado por palavras ocas, que o tentam seduzir e que, mais tarde, o deixam abandonado \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o, ao vazio e, por vezes, ao desespero. A Palavra de Deus n\u00e3o \u00e9 como estas palavras barulhentas; \u00e9 no encontro, no di\u00e1logo, na escuta e no sil\u00eancio que Deus Se revela e manifesta o Seu amor. O sil\u00eancio da escuta como o daquela mulher, Maria, aos p\u00e9s de Jesus (Lucas 9, 38-42) \u00e9 j\u00e1 uma antecipa\u00e7\u00e3o da plenitude quando as palavras derem lugar \u00e0 vis\u00e3o beat\u00edfica e Deus for tudo em todos. S\u00f3 a atitude de sil\u00eancio permite ouvir Deus que fala hoje. Da\u00ed que a Igreja necessita de criar estes locais de \u201cdeserto\u201d e os crist\u00e3os necessitam de \u201cfugir\u201d do barulho das muitas mensagens que os agridem. Deus, envolvido no sil\u00eancio do Seu mist\u00e9rio \u00edntimo, ser\u00e1 a \u00faltima palavra a comunicar ao mundo e este n\u00e3o necessitar\u00e1 de procurar noutro lugar. Sem sil\u00eancio, a voz da Igreja confunde-se com tantas outras que mostram solu\u00e7\u00f5es e caminhos mais sedutores onde a felicidade \u00e9 prometida para o imediato mas sem consist\u00eancia e profundidade.  Na consuma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, Deus j\u00e1 n\u00e3o Se manifestar\u00e1 pelas palavras e ac\u00e7\u00f5es mas ser\u00e1 uma presen\u00e7a e v\u00ea-l\u2019O-emos face a face. Neste tempo interm\u00e9dio, como peregrinos no deserto a caminho da terra prometida, aprouve a Deus dar-Se a conhecer por gestas e palavras [gestis verbisque afirma a Dei Verbum]. N\u00e3o se pode confundir as media\u00e7\u00f5es com a meta, mas tamb\u00e9m \u00e9 imposs\u00edvel chegar ao destino sem as indica\u00e7\u00f5es do percurso: o destino \u00e9 a comunh\u00e3o face-a-face com Deus, onde a palavra j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1ria. Como afirma Paulo: agora subsistem a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade; no futuro escatol\u00f3gico, s\u00f3 a \u00faltima, a caridade permanecer\u00e1 (1Cor\u00edntios 13).   <b>Exorta\u00e7\u00f5es finais<\/b>  \u00c9 \u00e0 luz destas reflex\u00f5es e destes modelos que desejo propor caminhos concretos, por onde a palavra entre e habite na vida e na miss\u00e3o da nossa Igreja, dos pastores e dos fi\u00e9is leigos, de todos:  1. Cada lar crist\u00e3o n\u00e3o deveria prescindir da presen\u00e7a de uma B\u00edblia, colocada em lugar de destaque em casa. Seria como que um sacr\u00e1rio dom\u00e9stico, em que Deus est\u00e1 presente e lhe faz companhia em todas as horas, nas alegrias e nas tristezas, nas horas de \u00eaxito e nos momentos de fracasso. Com ela, todos deveriam reconhecer a necessidade de uma leitura orante onde a vida familiar se confronta com a Palavra de Deus.  2. Em analogia com a tradi\u00e7\u00e3o, em muitas das nossas par\u00f3quias, de a Sagrada Fam\u00edlia ir de casa em casa, tamb\u00e9m O Livro da nossa f\u00e9 e da nossa esperan\u00e7a, a B\u00edblia, poderia passar de casa em casa para, em leitura orante da fam\u00edlia, poder iluminar os recantos mais escuros da vida familiar e servir de est\u00edmulo nos percursos positivos j\u00e1 empreendidos. Seria desej\u00e1vel que os casais se reunissem para ler, meditar a Palavra e deixar-se conduzir pelos seus apelos.  3. Creio ser positivo que se institu\u00edsse na Diocese e em cada par\u00f3quia um Dia da B\u00edblia, em que todos fossem sensibilizados para a riqueza da palavra, destinada a habitar entre n\u00f3s, a montar a sua tenda nos desertos do nosso caminhar quotidiano.  4. Exorto os pastores a impregnar as prega\u00e7\u00f5es ou tr\u00edduos da palavra de Deus e a dar-lhe o espa\u00e7o merecido nas homilias das eucaristias. As festas deveriam permitir um encontro com a Palavra atrav\u00e9s de iniciativas variadas para as diferentes categorias das pessoas. Exorto todos os diocesanos a que se familiarizem, como era desejo expresso da Constitui\u00e7\u00e3o conciliar Dei Verbum, com a B\u00edblia atrav\u00e9s sobretudo da lectio divina, da leitura orante dos textos sagrados, a exemplo dos grandes santos, que fizeram da sua vida uma escuta obediencial do Deus que fala atrav\u00e9s da Sua palavra encarnada em palavras humanas.  Onde for poss\u00edvel, institua-se uma Escola da Palavra, que seja oportunidade de apresentar a riqueza inesgot\u00e1vel dos textos b\u00edblicos.  5. Vejo como muito \u00fatil a pr\u00e1tica de certos movimentos de escolher uma palavra da Escritura para cada m\u00eas, a Palavra de Vida (Filipenses 2,16) que orienta decis\u00f5es, op\u00e7\u00f5es, que ilumina problemas e sobre cuja viv\u00eancia se trocam experi\u00eancias. De facto, o crescimento e a difus\u00e3o da Igreja coincidiram, nas origens, com a difus\u00e3o e expans\u00e3o da palavra.  6. Proponho que as reuni\u00f5es, j\u00e1 habituais, nas par\u00f3quias e nos movimentos eclesiais, se iniciem com uma breve leitura e consecutiva medita\u00e7\u00e3o de um texto b\u00edblico, em clima de ora\u00e7\u00e3o.  7. Ser\u00e1 de multiplicar as celebra\u00e7\u00f5es da palavra, at\u00e9 porque os sacerdotes n\u00e3o podem celebrar a eucaristia com a frequ\u00eancia desejada das comunidades. \u00c9 bom ter em aten\u00e7\u00e3o que a palavra proclamada \u00e9 tamb\u00e9m presen\u00e7a de Jesus no meio do seu povo.  8. A n\u00edvel diocesano, sente-se a conveni\u00eancia e a urg\u00eancia de um Secretariado b\u00edblico que possa fornecer subs\u00eddios para uma devida anima\u00e7\u00e3o b\u00edblica de toda a pastoral; de uma pastoral b\u00edblica passar-se-ia a uma anima\u00e7\u00e3o b\u00edblica de toda a pastoral, como \u00e9 desejo expresso da Igreja universal e realidade fecunda em tantas comunidades ao perto e ao longe. Daremos passos para o constituir.  9. Nem sempre os Programas Pastorais deixam marcas. Ser\u00e1 ousadia insensata esperar que em cada par\u00f3quia exista um \u201cGrupo da Palavra\u201d para descobrir o lugar da Palavra na vida das pessoas e das comunidades? Julgo que n\u00e3o e espero vivamente que estas propostas d\u00eaem fruto e fruto que permane\u00e7a.  Isto seria um bom resultado destes tr\u00eas anos de Programa Pastoral dedicado a Tomar conta da Palavra para que ela tome conta de n\u00f3s.  Confio os projectos inscritos nesta Carta Pastoral a Santa Maria, ouvinte por excel\u00eancia da palavra e M\u00e3e do Verbo de Deus, a S. Paulo, ap\u00f3stolo de Jesus Crucificado e Ressuscitado e incans\u00e1vel arauto da Boa Nova, ao Beato Frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires, pastor apaixonado pela Escritura, \u00e0 Beata Alexandrina, que amava estar perto do Sant\u00edssimo, Jesus Eucar\u00edstico que Se d\u00e1 na palavra e no p\u00e3o e ao ilustre sacerdote, P. Ab\u00edlio Correia, adorador de Jesus, Palavra e P\u00e3o, que ouso chamar de Cura d\u2019Ars bracarense.  Que a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o e a sua intercess\u00e3o fa\u00e7am frutificar as nossas comunidades no gosto da Palavra e na paix\u00e3o por Jesus, Palavra de Deus feita carne que habita entre n\u00f3s, para que todos tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia.  3 de Janeiro de 2009 <i>+ Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abTomar Conta da Palavra\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,295,147,172,206,221,237,246,268,275,311,314],"class_list":["post-36146","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-biblia","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-diocese-de-braga","tag-familia","tag-historia-da-igreja","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-sinodo-dos-bispos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36146\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}