{"id":361355,"date":"2025-02-18T15:34:37","date_gmt":"2025-02-18T15:34:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=361355"},"modified":"2025-03-07T12:01:14","modified_gmt":"2025-03-07T12:01:14","slug":"a-cruz-escondia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondia\/","title":{"rendered":"A cruz escondia"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cPrecisamos muito das vossas ora\u00e7\u00f5es\u201d, diz irm\u00e3 portuguesa no Sud\u00e3o do Sul<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Beta-Almendra.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-361359 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Beta-Almendra-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Beta-Almendra-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Beta-Almendra-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Beta-Almendra-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Beta-Almendra-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Beta-Almendra.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<h4>\u201cDeus n\u00e3o nos abandona!\u201d<\/h4>\n<p><em>A guerra no Sud\u00e3o est\u00e1 a provocar a mais grave crise humanit\u00e1ria no mundo, com mais de 12 milh\u00f5es de deslocados, afectando j\u00e1 v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o. Um deles \u00e9 o Sud\u00e3o do Sul. Ainda recentemente, o Papa alertava para \u201cas consequ\u00eancias dram\u00e1ticas\u201d que este conflito est\u00e1 a provocar neste pa\u00eds, que \u00e9 o mais jovem do mundo. Na Diocese de Wau, a Irm\u00e3 Beta Almendra confirma que estes s\u00e3o \u201ctempos dif\u00edceis de fome, guerra e inseguran\u00e7a\u201d, mas, apesar disso, consegue ver sinais de esperan\u00e7a: \u201cDeus n\u00e3o nos abandona\u201d, garante.<\/em><\/p>\n<p>Desde Abril de 2023, quando come\u00e7ou a guerra no Sud\u00e3o, que n\u00e3o tem parado de crescer o n\u00famero de deslocados, de refugiados, de pessoas que fogem dos combates e procuram abrigo em pa\u00edses da regi\u00e3o. Um deles \u00e9 o Sud\u00e3o do Sul. As Na\u00e7\u00f5es Unidas calculam que mais de 1 milh\u00e3o de pessoas j\u00e1 cruzaram esta fronteira por causa do conflito armado entre as tropas sudanesas e grupos paramilitares. No \u00faltimo Domingo de Janeiro, o Papa Francisco alertou para a situa\u00e7\u00e3o, lembrando que a guerra no Sud\u00e3o \u201cest\u00e1 a provocar a mais grave crise humanit\u00e1ria do mundo, com consequ\u00eancias dram\u00e1ticas tamb\u00e9m no Sud\u00e3o do Sul\u201d. O Santo Padre apelou \u00e0 paz, ao fim das hostilidades e exortou a comunidade internacional para \u201cfazer tudo o que estiver ao seu alcance\u201d para que a ajuda humanit\u00e1ria chegue \u00e0s pessoas deslocadas. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave e a Irm\u00e3 Elisabete Almendra, uma comboniana portuguesa de 53 anos de idade, \u00e9 testemunha disso. A religiosa, oriunda da Ericeira, Patriarcado de Lisboa, est\u00e1 na Diocese de Wau. \u201cO ano come\u00e7ou com grandes conflitos, grandes actos de viol\u00eancia porque a guerra continua no Sud\u00e3o e esta guerra tem consequ\u00eancias aqui no Sud\u00e3o do Sul\u201d, explica, dando o exemplo do que se passa na diocese. \u201cAqui, em Wau, n\u00e3o temos campos de refugiados como noutros lugares no Sud\u00e3o do Sul. A estas pessoas que vieram do Sud\u00e3o \u2013 e temos imensa gente \u2013, podemos cham\u00e1-los de retornados, porque primeiro estavam aqui, fugiram da guerra daqui, do Sud\u00e3o do Sul, e foram para o norte, e agora, v\u00eam do norte para o sul porque h\u00e1 guerra por l\u00e1\u2026\u201d<\/p>\n<h4>Fam\u00edlias acolhem refugiados<\/h4>\n<p>S\u00e3o milhares de pessoas assim, fugindo de um lado para o outro, fugindo da guerra, da viol\u00eancia e da morte. Na Diocese de Wau, diz a irm\u00e3, n\u00e3o h\u00e1 campos de acolhimento para estes refugiados, mas h\u00e1 a solidariedade do povo, das fam\u00edlias que abrem, mesma na maior pobreza, as portas das suas casas. \u201cUma casa que tinha 10 pessoas, ficou com 15, com 20 pessoas\u2026\u201d Alojam-se como podem, pelos cantos da casa, pelos terrenos. Esta solidariedade tem ainda mais valor pois acontece \u201cnum tempo muito dif\u00edcil, de inseguran\u00e7a\u201d, em que, recorda a Irm\u00e3 Almendra, o Estado deixou de pagar sal\u00e1rios. \u201cO Governo n\u00e3o paga sal\u00e1rios h\u00e1 18 meses, sal\u00e1rios p\u00fablicos\u2026 As escolas p\u00fablicas n\u00e3o funcionam, a universidade, os hospitais\u2026 o que funciona \u00e9 a Igreja Cat\u00f3lica e outras institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, que v\u00e3o ajudando este povo a sobreviver\u201d, diz a religiosa. A situa\u00e7\u00e3o dos refugiados no Sud\u00e3o do Sul \u00e9 acompanhada com preocupa\u00e7\u00e3o pela Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre. Na Diocese de Wau, onde se encontra a Irm\u00e3 Elisabete Almendra, n\u00e3o h\u00e1 nenhum campo de acolhimento, ao contr\u00e1rio do que acontece por exemplo em Malakal. A\u00ed, a estrutura lan\u00e7ada pela Igreja para os que fogem da guerra no Sud\u00e3o tem o apoio da Funda\u00e7\u00e3o AIS e foi objecto at\u00e9, no ano passado, de uma campanha em Portugal, destinada a auxiliar a sobreviv\u00eancia de cerca de 500 fam\u00edlias, ou seja, de aproximadamente tr\u00eas mil pessoas, na sua maioria mulheres e crian\u00e7as.<\/p>\n<h4>Continuar o processo de paz<\/h4>\n<p>A vida no Sud\u00e3o do Sul \u00e9 muito dif\u00edcil. A hist\u00f3ria do mais jovem pa\u00eds do mundo \u2013 a independ\u00eancia foi proclamada a 9 de Julho de 2011 \u2013 est\u00e1 marcada tamb\u00e9m pela viol\u00eancia e sofrimento. Uma desaven\u00e7a pol\u00edtica entre o presidente Salva Kiir e o ent\u00e3o vice-presidente Riek Machar transformou-se, em 2013, num conflito aberto que degenerou tamb\u00e9m em guerra. As origens dos dois dirigentes ajudar\u00e3o a explicar um pouco o que aconteceu, pois Kiir pertence \u00e0 etnia Dinka e Machar ao povo Nuer, as duas principais etnias do Sud\u00e3o do Sul. No in\u00edcio de Fevereiro de 2023, h\u00e1 precisamente dois anos, o Papa visitou o Sud\u00e3o do Sul acompanhado pelo ent\u00e3o l\u00edder da Igreja Anglicana, o Arcebispo de Cantu\u00e1ria, Justin Welby, e por Jim Walace, da Igreja Presbiteriana da Esc\u00f3cia. A visita foi muito importante, pois trouxe para a ordem do dia a necessidade da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o e permitiu, por isso, alimentar todas as ilus\u00f5es para esta jovem na\u00e7\u00e3o africana. Passaram dois anos e o futuro continua incerto. Mas, apesar de todas as dificuldades, \u00e9 sempre poss\u00edvel olhar para o dia de amanh\u00e3 com esperan\u00e7a. \u00c9 a certeza da f\u00e9, diz-nos a Irm\u00e3 Elisabete Almendra. \u201cVivemos com esperan\u00e7a, a esperan\u00e7a de que Deus nunca nos abandona, isso realmente \u00e9 a nossa f\u00e9 e a nossa certeza: Deus n\u00e3o nos abandona mesmo nestas dificuldades, nestes tempos dif\u00edceis de fome, de guerra, de inseguran\u00e7a, mas h\u00e1 coisas lindas a acontecer e h\u00e1 a presen\u00e7a de Deus em cada um de n\u00f3s e em cada irm\u00e3o e irm\u00e3 que encontramos, que ajudamos, que abra\u00e7amos, e \u00e9 esta a vida aqui no Sud\u00e3o do Sul. Realmente, precisamos muito das vossas ora\u00e7\u00f5es para continuarmos neste processo de paz, de desenvolvimento, e que nos possamos ajudar uns aos outros e a construir realmente um mundo melhor, um mundo mais fraterno, um mundo cheio de amor\u201d, concluiu a irm\u00e3 na mensagem enviada para a Funda\u00e7\u00e3o AIS em Lisboa.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPrecisamos muito das vossas ora\u00e7\u00f5es\u201d, diz irm\u00e3 portuguesa no Sud\u00e3o do 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