{"id":360983,"date":"2025-02-16T09:31:35","date_gmt":"2025-02-16T09:31:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=360983"},"modified":"2025-02-15T10:53:45","modified_gmt":"2025-02-15T10:53:45","slug":"rdcongo-enquanto-houver-guerra-e-facil-fazer-desaparecer-as-riquezas-diz-missionario-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/rdcongo-enquanto-houver-guerra-e-facil-fazer-desaparecer-as-riquezas-diz-missionario-portugues\/","title":{"rendered":"RDCongo: \u00abEnquanto houver guerra, \u00e9 f\u00e1cil fazer desaparecer as riquezas\u00bb, diz mission\u00e1rio portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p><em>Semanas depois do grupo armado M23 ter avan\u00e7ado para a cidade de Goma, continuam a registrar-se confrontos na capital da prov\u00edncia de Kivu Norte, no leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, o que se est\u00e1 a traduzir no agravamento das condi\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias na regi\u00e3o. O padre Marcelo Oliveira, mission\u00e1rio comboniano, vive neste pa\u00eds e assiste a um ambiente de aut\u00eantico caos<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_360694\" aria-describedby=\"caption-attachment-360694\" style=\"width: 735px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-12-at-17.02.05.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-360694 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-12-at-17.02.05.jpeg\" alt=\"\" width=\"735\" height=\"490\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-12-at-17.02.05.jpeg 735w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-12-at-17.02.05-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-12-at-17.02.05-391x260.jpeg 391w\" sizes=\"(max-width: 735px) 100vw, 735px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-360694\" class=\"wp-caption-text\">Padre Marcelo Oliveira (arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia) <\/em><\/p>\n<p><em>Padre Marcelo, como pode descrever a situa\u00e7\u00e3o que se vive no pa\u00eds neste momento?<\/em><\/p>\n<p>Bom, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o um pouco dram\u00e1tica, da qual conseguimos ter algumas informa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o h\u00e1 clareza na passagem da informa\u00e7\u00e3o, daquilo que realmente se est\u00e1 a passar na parte leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Falamos da cidade de Goma, que \u00e9 uma cidade fronteiri\u00e7a com o Ruanda e que, como tem o aeroporto internacional, tem bastante movimento. Sendo tomada pelo M23, teria o dom\u00ednio de toda a prov\u00edncia, de toda aquela parte leste do Congo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falamos de um cen\u00e1rio de caos humanit\u00e1rio, como se tem dito, \u00e9 uma crise sem resposta?<\/em><\/p>\n<p>Sim, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 foragida. A guerra \u00e9 entre o ex\u00e9rcito congol\u00eas e estes grupos armados, que procuram tomar posse para poder continuar depois com o saque de tudo o que s\u00e3o as riquezas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o impacto sobre as pessoas?<\/em><\/p>\n<p>No final, a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela que sofre mais, que tem de fugir, que morre constantemente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 poss\u00edvel ter alguma no\u00e7\u00e3o do n\u00famero de mortos? Qual \u00e9 o cen\u00e1rio tamb\u00e9m nos hospitais?<\/em><\/p>\n<p>Um caos, porque muitas das vezes estes grupos armados, n\u00e3o somente atacam a cidade em si, mas atacam os hospitais, mesmo at\u00e9 os campos de refugiados. Em vez de ser um lugar de ref\u00fagio, acaba por ser um lugar onde reina o medo e onde as popula\u00e7\u00f5es t\u00eam, constantemente, mesmo de fugir. H\u00e1 dois ou tr\u00eas dias deram ordem de 72 horas para evacuar um campo de refugiados e a popula\u00e7\u00e3o tem de continuar a fugir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa tinha apelado \u00e0 interven\u00e7\u00e3o da comunidade internacional quando o conflito se come\u00e7ou a agravar, ao longo da fronteira com o Ruanda, nas \u00faltimas semanas. Acha que esta mensagem ficou sem resposta?<\/em><\/p>\n<p>A comunidade internacional come\u00e7ou a fazer qualquer coisa, porque quando foram os ataques \u00e0 cidade de Goma, em Kinshasa come\u00e7aram a atacar embaixadas e algumas foram queimadas. Isso fez com que a comunidade internacional despertasse um pouco. O Conselho de Seguran\u00e7a da ONU teve reuni\u00f5es de urg\u00eancia, houve uma no dia 2 de fevereiro para tentar ver como fazer. Entretanto, houve uma reuni\u00e3o em Dar El Salem, na Tanz\u00e2nia, entre a comunidade da \u00c1frica de Leste e da \u00c1frica Austral para procurar um acordo. No final destas conversa\u00e7\u00f5es, desta cimeira, decidiram a retirada imediata das for\u00e7as do M23, que s\u00e3o altamente financiadas e acompanhadas pelo ex\u00e9rcito do Ruanda. O presidente do Ruanda estava presente para tirar a fotografia. H\u00e1 acordos que se assinam h\u00e1 muit\u00edssimos anos, mas assina-se o acordo na sala da cimeira, sai-se e faz-se outra coisa diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa Francisco e o secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ant\u00f3nio Guterres, ser\u00e3o, nesta altura, aquelas vozes dissonantes na comunidade internacional, na procura de solu\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>O Papa, sem d\u00favida, porque o Papa continua nas catequeses, no \u00c2ngelus, constantemente a pronunciar-se sobre esta situa\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica. O Papa, quando aqui esteve, disse \u2018tirem as m\u00e3os da \u00c1frica\u2019. Disse \u00e0 comunidade internacional: \u2018tirai as vossas m\u00e3os daqui\u2019. As m\u00e3os s\u00e3o um meio de roubar\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E essas m\u00e3os permanecem?<\/em><\/p>\n<p>Essas m\u00e3os permanecem, porque h\u00e1 todo o interesse em continuar a pilhar as riquezas naturais. O objetivo do M23 \u00e9, de facto, poder controlar os s\u00edtios onde h\u00e1 min\u00e9rios, para que possam continuar a poder fazer sair todas as riquezas &#8211; o ouro, o cobalto, os diamantes. Entretanto, h\u00e1 um apelo que foi lan\u00e7ado recentemente para que a comunidade internacional, a Europa sobretudo, n\u00e3o compre as riquezas que saem do Ruanda, porque \u00e9 um pa\u00eds extremamente pequenino, que n\u00e3o tem ouro, que n\u00e3o tem diamantes, que n\u00e3o tem cobalto, mas \u00e9 um dos grandes vendedores de cobalto e de ouro no mundo. \u00c9 claro que tudo isto \u00e9 ouro e todas estas riquezas que saem do Congo, pela porta do cavalo, s\u00e3o vendidas pelo Ruanda, que depois se aproveita com toda esta riqueza dos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fica ent\u00e3o claro, do que nos disse, que h\u00e1 interesses estrangeiros por tr\u00e1s desta cat\u00e1strofe. Como \u00e9 que se explica que a guerra na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo se prolongue h\u00e1 tantas d\u00e9cadas, sem um fim \u00e0 vista?<\/em><\/p>\n<p>Enquanto houver confus\u00e3o, enquanto houver guerra, \u00e9 f\u00e1cil fazer desaparecer as riquezas. Num pa\u00eds ordenado, h\u00e1 sistemas de controlo, h\u00e1 sistemas de vigil\u00e2ncia, h\u00e1 a possibilidade de controlar tudo aquilo que \u00e9 produzido. Mas, com a guerra\u2026 os locais de extra\u00e7\u00e3o s\u00e3o, em grande parte, artesanais e no meio de toda esta bagun\u00e7a e confus\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fazer sair as riquezas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O padre Marcelo, h\u00e1 pouco, falava da situa\u00e7\u00e3o nos campos de refugiados, que nem eles escapam a toda esta viol\u00eancia. Tem sido poss\u00edvel ajudar os deslocados na regi\u00e3o? Que institui\u00e7\u00f5es permanecem no terreno?<\/em><\/p>\n<p>Bom, a Igreja e a ONU. Ant\u00f3nio Guterres pediu que fosse aberto um corredor humanit\u00e1rio. O aeroporto de Goma, que \u00e9 o \u00fanico meio de poder fazer chegar ajuda humanit\u00e1ria \u00e0 regi\u00e3o, esteve fechado durante mais de uma semana. Diziam que possivelmente haveria mesmo bombas que n\u00e3o detonaram e que poderiam estar na pista. De modo que, come\u00e7ou o processo de reabilita\u00e7\u00e3o do aeroporto, porque eles entraram, tentaram tomar posse do aeroporto, o M23, e destru\u00edram uma parte da pista, atacaram a torre de controlo e, \u00e9 claro, tudo isso ter\u00e1 de ser revisto antes que os avi\u00f5es possam chegar. No \u00faltimo semestre de 2024, o Ruanda conseguiu mesmo entrar nos radares da torre de controlo para poder, ele mesmo, controlar o espa\u00e7o a\u00e9reo, o que causou s\u00e9rias complica\u00e7\u00f5es aos avi\u00f5es para conseguirem aterrar, porque o radar n\u00e3o indicava o aeroporto. Atualmente, toda a ajuda humanit\u00e1ria somente pode chegar a Goma por via a\u00e9rea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Neste contexto t\u00e3o dif\u00edcil, qual tem sido o papel da Igreja Cat\u00f3lica no terreno?<\/em><\/p>\n<p>Bom, a Igreja \u00e9 uma Igreja universal e, portanto, mesmo para aquela que est\u00e1 em Kinshasa \u00e9 f\u00e1cil fazer chegar donativos \u00e0 Igreja de Goma, que poder\u00e1 prestar assist\u00eancia perto da popula\u00e7\u00e3o. A Igreja continua presente ao lado do povo. A ONU continua a fazer o seu trabalho atrav\u00e9s do Alto Comissariado para os Refugiados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E tem sido poss\u00edvel fazer chegar a ajuda?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, por causa do aeroporto\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ou seja, nesta altura as popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o desprotegidas\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u00c9, deixadas a elas pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pessoalmente, como \u00e9 que tem vivido toda esta crise. Sei que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas o que \u00e9 que o mais o tem impressionado?<\/em><\/p>\n<p>A passividade. A passividade da comunidade internacional face a uma crise humanit\u00e1ria com o tamanho desta crise, uma certa passividade. Em muitas das minhas entrevistas, porque voc\u00eas andam sempre atr\u00e1s de n\u00f3s, digo: \u00e9 o grande sil\u00eancio. A Igreja consegue manter-se presente, a comunidade internacional fica na passividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E j\u00e1 conseguiu perceber essa assimetria de tratamento, por parte da comunidade internacional, relativamente a diferentes locais de conflito?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil de compreender qual a verdadeira posi\u00e7\u00e3o que a comunidade internacional toma, em rela\u00e7\u00e3o a esta crise humanit\u00e1ria. Por um lado, vemos a ONU que se preocupa. Se calhar assim meio \u00e0s escondidas, a ONU tamb\u00e9m faz parte daqueles que metem a m\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Muitas vezes a opini\u00e3o p\u00fablica, sobretudo aqui no Ocidente, n\u00e3o est\u00e1 muito sensibilizada para este drama. Espera que quem est\u00e1 a ouvir possa exigir a quem manda que tome posi\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu creio que n\u00e3o ser\u00e3o grandes vozes que poder\u00e3o fazer muita coisa, mas s\u00e3o as vozes dos pequenos. A voz de um lado, a voz do outro, um apelo daqui, um apelo de al\u00e9m poder\u00e3o sensibilizar. \u00c9 claro que mobilizar uma grande quantidade de pessoas com campanhas, com a difus\u00e3o de imagens, de entrevistas, \u00e9 o \u00fanico meio. N\u00f3s, Igreja, o \u00fanico meio que temos \u00e9 a nossa voz. N\u00f3s somos profetas atrav\u00e9s da nossa voz, somos chamados a evangelizar e a anunciar o Evangelho. Necessariamente, a nossa presen\u00e7a \u00e9 a presen\u00e7a de Jesus ao lado do povo que sofre, n\u00e3o guardando sil\u00eancio. O sil\u00eancio \u00e9 tantas vezes aquilo que faz com que n\u00e3o seja conhecido.<\/p>\n<p>N\u00f3s pensamos na guerra na Ucr\u00e2nia, na guerra no Medio Oriente, a quantidade de imagens que passam nas nossas televis\u00f5es. A Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo passa pela Igreja. Poucas vezes passam mensagens que possam dar a conhecer esta realidade., se calhar por falta de interesse, Portugal tem pouca liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo\u2026<\/p>\n<p>A nossa comunica\u00e7\u00e3o social em Portugal n\u00e3o difunde muito daquilo que \u00e9 a realidade deste pa\u00eds, se calhar est\u00e3o mais interessados em fazer difus\u00f5es sobre aquilo que eram as col\u00f3nias portuguesas, os pa\u00edses de express\u00e3o portuguesa, possivelmente isso faz com que a nossa comunica\u00e7\u00e3o social n\u00e3o se dedique tanto a fazer conhecer este conflito.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m porque a informa\u00e7\u00e3o muitas vezes \u00e9 bloqueada, todas estas informa\u00e7\u00f5es na televis\u00e3o nacional aqui n\u00e3o passam. Todo este tipo de informa\u00e7\u00f5es passa atrav\u00e9s de pessoas que est\u00e3o no terreno, atrav\u00e9s da ONU que difunde algumas not\u00edcias, mas jornalistas que consigam entrar nestes ambientes \u00e9 muit\u00edssimo complicado. Esta \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o que procuram camuflar ao m\u00e1ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_360693\" aria-describedby=\"caption-attachment-360693\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-12-at-17.02.16.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-360693\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-12-at-17.02.16-390x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-12-at-17.02.16-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-12-at-17.02.16-391x260.jpeg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-12-at-17.02.16.jpeg 722w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-360693\" class=\"wp-caption-text\">Padre Marcelo Oliveira (arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Sabemos que o conflito se estendeu a v\u00e1rias regi\u00f5es e houve viol\u00eancia tamb\u00e9m na capital, Kinshasa. Uma guerra generalizada no pa\u00eds \u00e9 um cen\u00e1rio de pesadelo?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel. \u00c9 imposs\u00edvel uma guerra. N\u00f3s falamos de um pa\u00eds que \u00e9 26 vezes maior que Portugal, que n\u00e3o tem vias de comunica\u00e7\u00e3o terrestre. Tudo se faz por via a\u00e9rea. Portanto, ser\u00e1 imposs\u00edvel. Focos, pontos estrat\u00e9gicos poder\u00e3o ser atacados. O M23 tentou mudar-se e, pouco a pouco, est\u00e1 a tentar avan\u00e7ar descendo para o sul. A grande parte dos ataques que aconteceram nas semanas anteriores foram em Goma. Pouco a pouco eles est\u00e3o a avan\u00e7ar indo mais para o sul, para a regi\u00e3o de Bukavu, que fica diante do Burundi.<\/p>\n<p>Em Kinshasa, poder\u00e1 haver alguns rumores, uns ataques nalgumas horas, mas uma guerra generalizada em todo o pa\u00eds n\u00e3o, porque o foco \u00e9 a tomada de posse pelas for\u00e7as estrangeiras das zonas altamente ricas, onde o subsolo tem muitas riquezas e, portanto, a\u00ed \u00e9 que est\u00e1 o interesse. Outras partes do pa\u00eds, onde h\u00e1 pedras, onde a terra nem sequer produz ou em zonas bastante isoladas, n\u00e3o v\u00e3o atacar. \u00c9 um ponto estrat\u00e9gico, porque falamos de uma fronteira e normalmente os locais onde h\u00e1 ataques s\u00e3o sempre cidades ou vilas fronteiri\u00e7as, que permitem facilmente a sa\u00edda das riquezas, seja pelo Uganda, seja pelo Ruanda e mesmo pela Tanz\u00e2nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semanas depois do grupo armado M23 ter avan\u00e7ado para a cidade de Goma, continuam a registrar-se confrontos na capital da prov\u00edncia de Kivu Norte, no leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, o que se est\u00e1 a traduzir no agravamento das condi\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias na regi\u00e3o. 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