{"id":360614,"date":"2025-02-17T09:15:33","date_gmt":"2025-02-17T09:15:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=360614"},"modified":"2025-03-07T12:01:07","modified_gmt":"2025-03-07T12:01:07","slug":"lusofonias-obrigado-d-abilio-ribas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-obrigado-d-abilio-ribas\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Obrigado D. Ab\u00edlio Ribas!"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LUSOFONIAS-DAbilio-Ribas-17-2-2025.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-360618 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LUSOFONIAS-DAbilio-Ribas-17-2-2025-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LUSOFONIAS-DAbilio-Ribas-17-2-2025-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LUSOFONIAS-DAbilio-Ribas-17-2-2025-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LUSOFONIAS-DAbilio-Ribas-17-2-2025-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LUSOFONIAS-DAbilio-Ribas-17-2-2025-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LUSOFONIAS-DAbilio-Ribas-17-2-2025.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>D. Ab\u00edlio Ribas foi um grande mission\u00e1rio em tr\u00eas frentes: Portugal (no in\u00edcio e fim da sua vida), Angola e S. Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe. Guardo dele a alian\u00e7a perfeita que ele sempre conseguiu fazer entre uma intelig\u00eancia fulgurante e uma simplicidade de vida \u00e0 prova de tudo.<\/p>\n<p>Confesso que o conheci j\u00e1 ele estava nomeado Bispo de S. Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe. Visitou-nos nesses dias, \u00a0na Casa da Filosofia dos Espiritanos, em Braga, onde eu era um jovem estudante. Cativou-me a sua alegria e estilo de rela\u00e7\u00e3o simples, a ponto de termos feito uma r\u00e1bula a brincar com duas caracter\u00edsticas da sua personalidade, confidenciadas pelo P. Jos\u00e9 Castro, seu amigo de longa data e aventuras dram\u00e1ticas: oferecemos ao recem-nomeado Bispo uma mitra de cartolina presa a um fio (porque D. Ribas era uma pessoa muito distra\u00edda!) e um poste de electricidade como b\u00e1culo (para simbolizar um bispo muito en\u00e9rgico!). Ficamos todos felizes porque ele foi quem mais se divertiu!<\/p>\n<p>Mas avancemos. Este homem de Deus nasceu nas montanhas do Soajo, Viana, h\u00e1 94 anos. Entrou no Semin\u00e1rio de Godim, na R\u00e9gua, quando j\u00e1 tinha 13 anos. Professou como Espiritano em 1953 e foi Ordenado Padre em 1957. Sofreu um grande choque em 1970 quando o seu irm\u00e3o Ant\u00f3nio, tamb\u00e9m Padre Espiritano, morreu num acidente na Silva, em Barcelos, quando o carro onde seguiam Espiritanos foi abalroado pelo comboio na passagem de n\u00edvel sem guarda.<\/p>\n<p>O P. Ab\u00edlio trabalhou em Angola de 1959 at\u00e9 1984, vivendo os complicados tempos do fim da guerra colonial, aguentando as consequ\u00eancias do marxismo-leninismo agressivo do p\u00f3s-independ\u00eancia e sendo uma das v\u00edtimas da guerra civil, pois ficaria gravemente ferido na sequ\u00eancia de uma mina que fez explodir, a 1 de junho de 1980, o carro onde seguia, num acidente que vitimou igualmente os Padres Jos\u00e9 Castro e Manuel Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Sempre muito discreto, mas eficiente, exerceu cargos de enorme responsabilidade como Superior dos Espiritanos em Angola (de 1973 a 1977) Reitor dos Semin\u00e1rios Maiores de Luanda (1967-1973) e do Huambo (1980-1982), bem como \u00faltimo Diretor da R\u00e1dio Ecclesia, at\u00e9 \u00e0 sua nacionaliza\u00e7\u00e3o e confisca\u00e7\u00e3o em 1978. Seria ainda Secret\u00e1rio da Confer\u00eancia Episcopal e da Caritas, sendo surpreendido com a nomea\u00e7\u00e3o para Bispo de S. Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, a 21 de dezembro de 1984.<\/p>\n<p>As Ilhas Verdes tiveram-no como primeiro Bispo residente a ali se dedicou de alma e cora\u00e7\u00e3o. O seu discurso de entrada foi avaliado por D. Jos\u00e9 Cordeiro (Arcebispo de Braga), na homilia do funeral, como o de um precursor da sinodalidade t\u00e3o falada hoje. De facto, D. Ab\u00edlio Ribas apresentou-se assim ao povo santomense: \u2018Irm\u00e3os car\u00edssimos, eis-me aqui: eis o vosso Bispo! Aceitai-o. Ele vem em nome do Senhor. Aceitai-o tal como ele \u00e9: com suas fraquezas f\u00edsicas, intelectuais e espirituais \u2026 N\u00e3o trago planos de trabalho pr\u00e9-fabricados. A minha a\u00e7\u00e3o aqui ser\u00e1 tra\u00e7ada convosco para que resulte no m\u00e1ximo proveito para v\u00f3s. Convosco, com os abnegados mission\u00e1rios (as) que h\u00e1 tantos anos aqui trabalham, faremos um plano de a\u00e7\u00e3o de onde a pastoral familiar, juvenil, catequ\u00e9tica, vocacional seja continuada e, se poss\u00edvel, refor\u00e7ada. Tudo convosco e para v\u00f3s\u2026\u201d \u00a0A verdade \u00e9 que o dia 24 de fevereiro de 1985 ficou registado na hist\u00f3ria de S. Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe como data significativa: pela primeira vez, ali se ordenou um Bispo!<\/p>\n<p>Encontrei-o a primeira vez em S. Tom\u00e9 quando, ido de Luanda, em 1992, acompanhei o Papa Jo\u00e3o Paulo II na primeira visita de um Papa a S. Tom\u00e9. Visitei-o, mais tarde, em mar\u00e7o de 2001 para fazer uma reportagem e preparar o Projeto Ponte dos Jovens Sem Fronteiras. Ali viveria um intenso m\u00eas de Agosto, com uma quinzena de JSF, divididos entre Ribeira Afonso e a cidade capital. D. Ribas foi incans\u00e1vel no acolhimento e inexced\u00edvel na simpatia. Ficamos ligados o resto da vida.<\/p>\n<p>Aos 75 anos foi dispensado da anima\u00e7\u00e3o da Diocese, mas a sua Miss\u00e3o continuou intensa e feliz. Quis regressar \u00e0 vida fraterna em comunidade e foi nomeado, em 2006, para Viana do Castelo. Assim, podia apoiar a sua fam\u00edlia e par\u00f3quia no Soajo e colaborar na pastoral do Santu\u00e1rio de S. Bento da Porta Aberta.<\/p>\n<p>A sua sa\u00fade foi ficando mais fr\u00e1gil e, por isso, foi nomeado em 2015 para a Comunidade do Frai\u00e3o, em Braga, beneficiando at\u00e9 \u00e0 morte, a 2 de fevereiro, dos cuidados do Lar Anima Una, t\u00e3o apreciados e elogiados por si.<\/p>\n<p>Sempre que posso, visito o Lar Anima Una. O abra\u00e7o e o sorriso de D. Ribas foram uma constante. Tive a alegria de ainda receber um v\u00eddeo com a sua mensagem de Natal. Quase n\u00e3o dava para perceber, mas o sorriso e a amizade foram at\u00e9 ao fim.<\/p>\n<p>Obrigado! Deus, certamente, o abra\u00e7ou e recompensou. Reze por n\u00f3s!<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Obrigado D. Ab\u00edlio Ribas!\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/57uhAsJ3pRWb7ecDLqJPkO?si=wy5GgKBSTku8-drYwKppeA&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":299394,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-360614","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=360614"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360614\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/299394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=360614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=360614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=360614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}