{"id":360612,"date":"2025-02-15T09:13:11","date_gmt":"2025-02-15T09:13:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=360612"},"modified":"2025-03-07T11:34:38","modified_gmt":"2025-03-07T11:34:38","slug":"nos-e-a-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nos-e-a-inteligencia-artificial\/","title":{"rendered":"N\u00f3s e a intelig\u00eancia artificial"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-321545 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>A evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tem ocupado cada vez mais o centro das preocupa\u00e7\u00f5es dos nossos pa\u00edses ditos desenvolvidos. \u00c9 sobretudo a quest\u00e3o da intelig\u00eancia artificial que \u00e9 o centro do problema. O pr\u00f3prio Vaticano acaba de publicar um documento orientador que tem um bom t\u00edtulo: \u201cAntiqua et nova\u201d. Realmente a quest\u00e3o da tecnologia \u00e9 algo que a humanidade desenvolve desde que existe sobre a terra, como forma de assegurar a continuidade da sua vida. Por outro lado, a tecnologia de hoje tem adquirido um n\u00edvel de expans\u00e3o que nos deixa perplexos, a ponto de pensar que a m\u00e1quina se ser capaz de imitar ou substituir a intelig\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Como pensar este assunto?<\/p>\n<p>A primeira coisa que ocorre dizer \u00e9 que a intelig\u00eancia artificial se desenvolve no \u00e2mbito da nossa ac\u00e7\u00e3o produtiva. Mas al\u00e9m da ac\u00e7\u00e3o produtiva, a nossa actividade \u00e9 feita de outras dimens\u00f5es, como a ac\u00e7\u00e3o moral e o conhecimento dito te\u00f3rico em que n\u00e3o h\u00e1 perigo de sermos substitu\u00eddos pela artificialidade.<\/p>\n<p>Vejamos ent\u00e3o o que \u00e9 a ac\u00e7\u00e3o produtiva que tanto pode melhorar a nossa vida com o desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Os gregos chamavam \u201cpoiesis\u201d a ac\u00e7\u00e3o que produz um resultado vis\u00edvel. Tudo o que fazemos na agricultura, na pesca, na ind\u00fastria, na constru\u00e7\u00e3o civil, desde a investiga\u00e7\u00e3o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de projectos, \u00e9 ac\u00e7\u00e3o produtiva. Est\u00e1 em causa o principal do trabalho, pelo qual asseguramos o nosso dia-a-dia. Ora sabemos como o trabalho da terra ou da ind\u00fastria foi e \u00e9 muito custoso para tantos seres humanos. Por isso, salvo melhor opini\u00e3o, n\u00e3o identificamos nenhuma objec\u00e7\u00e3o de fundo ao desenvolvimento da intelig\u00eancia artificial para nos substituir no trabalho duro da produ\u00e7\u00e3o. Que venha o robot, quanto antes, para realizar em vez de n\u00f3s as tarefas produtivas que nos fazem suar. N\u00e3o esque\u00e7amos que essas tarefas, na antiguidade, eram impostas aos escravos. Hoje, o humanismo melhorou muito as coisas e podemos confiar na supera\u00e7\u00e3o do aspecto servil que o trabalho ainda tem. O alarme que a chegada de novas m\u00e1quinas sempre causou aos sindicatos de ontem e de hoje nunca foi um problema por muito tempo. N\u00e3o esque\u00e7amos que as sociedades mais desenvolvidas tecnologicamente foram e s\u00e3o as que t\u00eam menor n\u00edvel de desemprego.<\/p>\n<p>Claro que a intelig\u00eancia artificial tem mais aspectos do que este. Ela tamb\u00e9m se aplica \u00e0 transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e conhecimentos, tamb\u00e9m desenvolve artefactos que v\u00e3o sendo aplicados ao nosso corpo pela medicina de presente e do futuro. Aqui surgem novas interroga\u00e7\u00f5es. O Chat GPT e os outros grandes armaz\u00e9ns de dados s\u00e3o comandados por algoritmos que podem manipular-nos e nos manipulam realmente. Por sua vez, as \u201cpe\u00e7as\u201d artificiais que v\u00e3o melhorar a nossa sa\u00fade e longevidade colocam-nos perante a necessidade de nos pensarmos com mais cuidado e de n\u00e3o nos esquecermos de quem somos, como humanos. Uma medicina tecnol\u00f3gica e uma melhor antropologia s\u00e3o ambos nobres tarefas do futuro.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da nossa vis\u00e3o crist\u00e3 do mundo, n\u00e3o parece haver motivo para ficarmos alarmados. Mas, para que sejamos defendidos dos perigos da intelig\u00eancia artificial, temos de investir em algo em que temos investido muito pouco. De que se trata? Do nosso investimento na forma\u00e7\u00e3o da nossa personalidade moral e da nossa espiritualidade. De facto, temos desprezado completamente a forma\u00e7\u00e3o moral, tanto no sistema educativo, como at\u00e9 na pastoral da Igreja. Ora, a intelig\u00eancia artificial nunca poder\u00e1 substituir-nos na tarefa de nos fundarmos no bem, na norma moral, na experi\u00eancia religiosa aut\u00eantica. Se os seres humanos do presente e do futuro investirem em si mesmos pela via da experi\u00eancia moral e da experi\u00eancia religiosa n\u00e3o haver\u00e1 intelig\u00eancia artificial que nos ponha em perigo. O problema \u00e9 que n\u00e3o estamos a fazer isso.<\/p>\n<p>Temos de lembrar ainda que Jesus inovou a cultura quando nos lembrou que para sermos bons pescadores de peixes, t\u00ednhamos de ser bons pescadores de homens. Esta met\u00e1fora do evangelho tem uma sabedoria profunda. Quando os ap\u00f3stolos seguem Jesus, acontece a pesca milagrosa. Ser pescador de homens \u00e9 assentar a vida na f\u00e9. Quem vai por a\u00ed, ser\u00e1 capaz de resistir \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 cada vez mais capaz de recusar com firmeza as guerras escandalosamente mais destrutivas pela intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>S\u00e3o necess\u00e1rios homens novos para um mundo novo. Teremos capacidade de desenvolver a cultura de hoje pela inicia\u00e7\u00e3o ao Evangelho? Se formos, n\u00e3o h\u00e1 que ter medo da intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":321545,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-360612","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=360612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360612\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/321545"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=360612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=360612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=360612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}