{"id":360520,"date":"2025-02-14T09:42:25","date_gmt":"2025-02-14T09:42:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=360520"},"modified":"2025-03-07T11:34:31","modified_gmt":"2025-03-07T11:34:31","slug":"comunhao-na-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunhao-na-esperanca\/","title":{"rendered":"Comunh\u00e3o na Esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>Lu\u00eds Serpa, Diocese de Lisboa<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-360522 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Luis-Serpa-lisboa.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Diante de acontecimentos de guerra, de crise pol\u00edtico-econ\u00f3mica, de crise antropol\u00f3gica e social, at\u00e9 de crise religiosa, em que tudo parece desmoronar, ergue-se a desconfian\u00e7a e um olhar c\u00e9tico, levando-nos a refletir, onde tudo isto nos poder\u00e1 levar como Humanidade. A leitura dos acontecimentos tem sido feita, por vezes, num prisma individualista e pessimista, onde parece que nada faz sentido, e que nada \u00e9 perfeito como desej\u00e1vamos. \u00c9 perante este ambiente com um tom acinzentado, que a Igreja nos relembra o dom e a virtude teologal da Esperan\u00e7a. O sentido e o significado da Esperan\u00e7a podem ser desdobrados em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es, mas, o cristianismo desde o princ\u00edpio, s\u00f3 apontou o sentido da Esperan\u00e7a numa dire\u00e7\u00e3o, e essa dire\u00e7\u00e3o tem um nome, Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Juan Alfaro afirma que a \u00abteologia da esperan\u00e7a exige a an\u00e1lise pr\u00e9via da exist\u00eancia humana e da compreens\u00e3o de si mesma, que o homem vive no ato do seu pr\u00f3prio existir, para descobrir que rela\u00e7\u00e3o h\u00e1 entre a exist\u00eancia do homem e a sua esperan\u00e7a\u00bb<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Para descobrir o dom da Esperan\u00e7a \u00ab\u00e9 necess\u00e1rio reconhecer o pr\u00f3prio vazio interior, as trevas do medo, da d\u00favida e do pecado\u00bb<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, isto \u00e9, perscrutar a nossa condi\u00e7\u00e3o humana, o que muitas vezes evitamos fazer, porque nos leva a olhar para uma realidade que maior parte das vezes, n\u00e3o condiz com aquilo que achamos que somos. Poderemos perguntar-nos, o que \u00e9 realmente a esperan\u00e7a? E o que \u00e9 que implica a sua descoberta?<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a crist\u00e3 \u00e9 a a\u00e7\u00e3o de Deus, que se revelou e se cumpriu em Jesus Cristo. A\u00e7\u00e3o esta, que tem um significado eterno para a salva\u00e7\u00e3o do Homem, e por isso anseia por uma resposta sem reservas. O dom do Esp\u00edrito, como chamada \u00e0 intimidade filial, permite-nos pelo dom gratuito da f\u00e9, olhar a P\u00e1scoa de Cristo como um gesto absoluto de Deus, que nos prop\u00f5e confiar n`Ele com a entrega radical da nossa exist\u00eancia \u00e0 sua promessa amorosa. S. Paulo anuncia a esperan\u00e7a crist\u00e3 sendo a uni\u00e3o total do homem com Deus, no amor e no perd\u00e3o em Cristo, renunciando radicalmente a toda a auto-sufici\u00eancia, a toda a tentativa de salvar-se por si mesmo e pelas suas obras, e a todas as seguran\u00e7as terrenas. Nega \u00abgloriar-se\u00bb, para se gloriar na gra\u00e7a e no poder salvador de Deus, revelados na morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Diz S. Paulo, \u00ab<em>Quanto a mim, n\u00e3o aconte\u00e7a gloriar-me sen\u00e3o na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo est\u00e1 crucificado para mim e eu para o mundo<\/em>\u00bb (Gl 6,14). O ato de esperan\u00e7a implica o abandono total de n\u00f3s mesmos ao amor misericordioso de Deus. \u00c9 uma decis\u00e3o radical de compreens\u00e3o da nossa situa\u00e7\u00e3o concreta e de entrega total a Deus, que ama e perdoa sempre.<\/p>\n<p>Contudo, perante os grandes desafios contempor\u00e2neos da Intelig\u00eancia Artificial, do combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, da confian\u00e7a descontrolada das redes sociais, da perspetiva ideol\u00f3gica e relativiza\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero, Joseph Ratzinger \u2013 Bento XVI dir\u00e1, de forma prof\u00e9tica, que \u00aba verdadeira e grande esperan\u00e7a do ser humano, que resiste apesar de todas as desilus\u00f5es, s\u00f3 pode ser Deus \u2013 o Deus que nos amou, e ama ainda agora \u00abat\u00e9 ao fim\u00bb<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>A Esperan\u00e7a, no entanto, n\u00e3o \u00e9 privada nem individual, Juan Alfaro afirmar\u00e1 que \u00aba chamada radical de cada homem \u00e0 esperan\u00e7a tem, pois, car\u00e1cter comunit\u00e1rio\u00bb<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. A viv\u00eancia em comunidade, seja ela familiar ou eclesial, \u00e9 essencial, porque \u00e9 na comunh\u00e3o entre os irm\u00e3os, entre pais e filhos, que a radicalidade da Esperan\u00e7a acontece pela presen\u00e7a de Jesus Cristo, \u00ab<em>onde dois ou tr\u00eas estiverem em meu nome, eu estou no meio deles<\/em>\u00bb (Mt 18,20), e \u00e9 onde tamb\u00e9m o Amor Trinit\u00e1rio acontece, para que a sociedade atual possa ver Cristo.<\/p>\n<p>Portanto, a Esperan\u00e7a realiza-se no concreto da vida humana na Comunh\u00e3o. \u00abComunh\u00e3o de futuro quer dizer comunh\u00e3o de esperan\u00e7a\u00bb<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, isto \u00e9, diante de uma realidade com incertezas, conflitos e crises, que o imenso amor de Jesus se possa manifestar no amor ao pr\u00f3ximo, pr\u00f3ximo esse, de que muitas vezes nos afastamos, ou at\u00e9, o julgamos. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel compreender a presen\u00e7a de Cristo no outro a partir da disponibilidade a aceitar a sua fragilidade e a sua mis\u00e9ria, isto \u00e9, o seu pecado. \u00c9 neste contexto, que o dom imenso da Esperan\u00e7a se encarna, e nos transforma naquilo a que fomos chamados a ser; filhos muito amados por Deus.<\/p>\n<p><em>Lu\u00eds Serpa<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> ALFARO, Juan, <em>Esperanza Cristiana y liberaci\u00f3n del hombre<\/em>, Barcelona, Herder, 1972, p. 15.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> FRANCISCO \u2013 XVI ASSEMBLEIA GERAL ORDIN\u00c1RIA DE S\u00cdNODO DOS BISPOS, <em>Para uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o<\/em>, n\u00ba 14.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> BENTO XVI, <em>Spe Salvi<\/em>, n.\u00ba 27.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> ALFARO, Juan, <em>Esperanza Cristiana y liberaci\u00f3n del hombre<\/em>, p. 15.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> ALFARO, Juan, <em>Esperanza Cristiana y liberaci\u00f3n del hombre<\/em>, p. 16.<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Serpa, Diocese de 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