{"id":360483,"date":"2025-02-12T11:00:18","date_gmt":"2025-02-12T11:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=360483"},"modified":"2025-03-07T11:34:23","modified_gmt":"2025-03-07T11:34:23","slug":"o-cantico-das-criaturas-de-sao-francisco-de-assis-um-convite-a-contemplacao-um-desafio-a-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-cantico-das-criaturas-de-sao-francisco-de-assis-um-convite-a-contemplacao-um-desafio-a-paz\/","title":{"rendered":"O c\u00e2ntico das criaturas de s\u00e3o Francisco de Assis: Um convite \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, Um desafio \u00e0 paz."},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Bas\u00edlio Firmino, Diocese de Lamego<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-360484 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PeBasilio-Firmino-lamego-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PeBasilio-Firmino-lamego-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PeBasilio-Firmino-lamego-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PeBasilio-Firmino-lamego-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PeBasilio-Firmino-lamego.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Todos sabemos que no ano de 1999, a revista \u201cTIMES\u201d, a fim de conhecer qual seria a personalidade mais marcante e importante do mil\u00e9nio que estava a terminar, fez uma pesquisa entre os mais de nove milh\u00f5es dos seus leitores. Curiosamente, quem ficou em primeiro lugar, n\u00e3o foi nenhum descobridor de outros mundos, nenhum cientista com as suas valiosas descobertas, nem nenhum astronauta ousado pisando o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Foi precisamente S\u00c3O FRANCISCO DE ASSIS, que mereceu a escolha dos leitores.<\/p>\n<p>E isto deve-se, n\u00e3o s\u00f3 por Francisco ter sido um l\u00edder religioso, mas sobretudo por ele continuar a ser, volvidos que s\u00e3o 800 anos, um modelo de humanismo, de fraternidade e do cuidado com a Natureza. E, se realmente refletirmos, grande parte do que mais negativo vai acontecendo no nosso mundo (guerras, conflitos, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas), t\u00eam precisamente a ver com a falta destes valores que Francisco foi, \u00e9 e ser\u00e1 uma refer\u00eancia. Por isso, a escolha dos leitores desta revista n\u00e3o poderia ter sido mais acertada e atual, para servir de exemplo aos viventes do novo mil\u00e9nio, sobretudo neste tempo de grandes mudan\u00e7as sociais, pol\u00edticas e clim\u00e1ticas, a n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>Mas, nem com esta refer\u00eancia (e de outras personalidades marcantes), temos aprendido a li\u00e7\u00e3o, pois continuamos a fazer guerras, a criar conflitos, a investir numa destrui\u00e7\u00e3o do humanismo e da fraternidade, assim como na destrui\u00e7\u00e3o de todas as formas de vida e da pr\u00f3pria Natureza. A m\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o e o descuido da cria\u00e7\u00e3o por parte do ser humano, j\u00e1 nos deu e continua a dar, tantos sinais desta falta de cuidado com tudo aquilo que foi criado (tal como n\u00f3s, criaturas de Deus), n\u00e3o para destruir e explorar, mas para cuidarmos desta \u201ccasa comum\u201d, no dizer de outro Francisco (Papa Francisco), que de uma forma muito peculiar, nos tem lembrado as li\u00e7\u00f5es do grande santo, sobretudo atrav\u00e9s da publica\u00e7\u00e3o da sua enc\u00edclica \u201cLAUDATO SI\u201d em junho de 2015.<\/p>\n<p>Uma curiosidade muito interessante, \u00e9 que neste ano de 2025 celebram-se os 800 anos que S\u00e3o Francisco escreveu o \u201cC\u00e2ntico das Criaturas\u201d, num momento em que o santo estava doente e j\u00e1 no leito de morte. Da\u00ed que, no seu poema de exalta\u00e7\u00e3o da contempla\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia de conex\u00e3o biol\u00f3gica, o grande santo tenha inclu\u00eddo o louvor pela irm\u00e3 morte. N\u00e3o esque\u00e7amos que no ano passado, t\u00ednhamos celebrado j\u00e1, os 800 anos da cria\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o do primeiro pres\u00e9pio.<\/p>\n<p>Mas, gostaria de me referir a uma outra curiosidade, no meu parecer, providencial e paradigm\u00e1tica, que surge do facto da pen\u00faltima estrofe da poesia de Francisco de Assis, ter sido acrescentada em julho de 1226 e constitui uma exalta\u00e7\u00e3o ao perd\u00e3o e \u00e0 paz.<\/p>\n<p>Isto porque o santo se encontrava na casa do bispo de Assis, com o objetivo de colocar um ponto final no conflito, que existia entre o bispo e o perfeito da cidade. E para evitar uma guerra civil e para mediar este conflito, Francisco decidiu colocar mais esta estrofe no seu \u201cC\u00e2ntico das Criaturas\u201d, como que se fosse um marco hist\u00f3rico para celebrar a paz que livraria o povo de Assis de consequ\u00eancias nefastas.<\/p>\n<p>Recordemos essa bela estrofe:<\/p>\n<p>\u201cLouvado sejais Senhor, por aqueles que perdoam pelo teu amor;<br \/>\nE suportam enfermidade e tribula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nBem-aventurados aqueles que as suportarem em paz,<br \/>\nPorque, por Ti, Alt\u00edssimo, ser\u00e3o coroados.\u201d<\/p>\n<p>Que grande testemunho de humanidade e de fraternidade nos deixa S\u00e3o Francisco, como um legado que nos ensina a construir pontes, na vez de levantar muros, resolvendo os conflitos pessoais, entre grupos ou pa\u00edses, em prol de uma paz duradoira para todos.<\/p>\n<p>Qu\u00e3o imprescind\u00edvel se torna, que todos aprend\u00eassemos esta li\u00e7\u00e3o de reconcilia\u00e7\u00e3o e de paz, nas nossas fam\u00edlias, nas nossas comunidades, no governo dos povos, em qualquer tipo de rela\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Ser peregrino da esperan\u00e7a, neste ano jubilar, significa, por um lado, aprender a contemplar e cuidar de toda a cria\u00e7\u00e3o de Deus e, por outro lado, ser construtor de paz. Ali\u00e1s, uma dimens\u00e3o est\u00e1 intimamente unida a outra, porque se estivermos em uni\u00e3o contemplativa com a cria\u00e7\u00e3o de Deus, tamb\u00e9m estaremos, certamente, em paz com todas as criaturas, incluindo, toda a humanidade.<\/p>\n<p><em>Pe. Bas\u00edlio Firmino<\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Bas\u00edlio Firmino, Diocese de Lamego<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":360484,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-360483","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=360483"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360483\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/360484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=360483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=360483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=360483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}