{"id":360072,"date":"2025-02-09T09:30:49","date_gmt":"2025-02-09T09:30:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=360072"},"modified":"2025-02-08T12:48:02","modified_gmt":"2025-02-08T12:48:02","slug":"entrevista-coordenador-das-capelanias-hospitalares-afirma-que-e-necessario-infundir-esperanca-no-mundo-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entrevista-coordenador-das-capelanias-hospitalares-afirma-que-e-necessario-infundir-esperanca-no-mundo-da-saude\/","title":{"rendered":"Entrevista: Coordenador das Capelanias Hospitalares afirma que \u00e9 necess\u00e1rio \u00abinfundir esperan\u00e7a no mundo da sa\u00fade\u00bb"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">Padre Miguel \u00c2ngelo, diretor nacional da Pastoral da Sa\u00fade, rejeita um discurso pessimista sobre o setor, afirma que \u00ab\u00e9 urgente\u00bb reorganizar servi\u00e7os e convida \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no Dia Mundial do Doente, a 11 de fevereiro, que tem por tema \u00abA Esperan\u00e7a N\u00e3o Engana\u00bb<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O padre Miguel \u00c2ngelo \u00e9 diretor da Comiss\u00e3o Nacional da Pastoral da Sa\u00fade e coordenador das Capelanias Hospitalares desde abril do ano passado, sendo\u00a0Capel\u00e3o, no Hospital de Braga, desde 2007.<\/p>\n<figure id=\"attachment_360070\" aria-describedby=\"caption-attachment-360070\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-360070 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Padre-Miguel-Angelo_Pastoral-da-Saude.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Padre-Miguel-Angelo_Pastoral-da-Saude.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Padre-Miguel-Angelo_Pastoral-da-Saude-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Padre-Miguel-Angelo_Pastoral-da-Saude-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Padre-Miguel-Angelo_Pastoral-da-Saude-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Padre-Miguel-Angelo_Pastoral-da-Saude-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-360070\" class=\"wp-caption-text\">Foto Renascen\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Doente aponta-nos \u00e0 esperan\u00e7a, mas a realidade da sa\u00fade em Portugal, em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es, causa um certo desespero. Como lidar com estas realidades e como transmitir essa mensagem de esperan\u00e7a a quem sofre com a doen\u00e7a?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 mesmo nessa linha, \u00e9 n\u00f3s sermos os promotores dessa esperan\u00e7a quando n\u00e3o a h\u00e1. Podemos desanimar se olharmos s\u00f3 a fatores externos, a necessidades, a desafios, mas somos os primeiros a querer realmente que haja esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E \u00e9 muito interessante, na linha do Jubileu: infundir esta esperan\u00e7a no mundo da sa\u00fade, desde os que sofrem, os doentes, at\u00e9 aos que trabalham, certamente \u00e9 muito importante para poder marcar uma era nova, viver um tempo novo, sen\u00e3o \u00e9 tudo contra a mar\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas ser\u00e1 esse um discurso que tem acolhimento, nomeadamente nos doentes, quando os tempos m\u00e9dios de espera nas urg\u00eancias atingem um n\u00famero de horas que a pr\u00f3pria ministra da Sa\u00fade considera inaceit\u00e1veis?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu tenho visto muitas realidades. Claro que quando se fala de vida, de cuidados que s\u00e3o mesmo urgentes, n\u00e3o \u00e9 negoci\u00e1vel, n\u00e3o deve ser, em qualquer aspeto. Mas estamos se calhar a p\u00f4r a fasquia muito alta, porque queremos sempre o melhor.\u00a0 Se formos a ver outros pa\u00edses, por exemplo, n\u00f3s estamos muito bem. Agora pede-se tudo; desde cuidados de sa\u00fade, desde medicamentos caros, tudo, e tem de haver tamb\u00e9m alguma razoabilidade.\u00a0 Eu pare\u00e7o pol\u00edtico a falar&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Parece-me bastante otimista, relativamente \u00e0 realidade&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Faz parte de mim ser otimista, mas a quest\u00e3o tem a ver com sermos sensatos e com os p\u00e9s no ch\u00e3o, porque certamente os recursos n\u00e3o chegam para tudo. As quest\u00f5es da vida s\u00e3o inegoci\u00e1veis, as quest\u00f5es importantes, haver estabilidade no trabalho, haver tudo isso, mas tamb\u00e9m teremos de ser sensatos na gest\u00e3o desses recursos. E se virmos o que temos, temos muito e podemos agradecer esse muito que temos. Fez eco disso a senhora ministra quando foi agora os 45 anos do Sistema Nacional de Sa\u00fade, e se formos s\u00e9rios a ver o que temos, penso que temos muito. N\u00e3o \u00e9 o suficiente, podemos ter mais, e \u00e9 isso que queremos. Agora um discurso sempre pessimista, um discurso sempre que n\u00e3o temos, \u00e9 um desespero que \u00e9 o fim do mundo&#8230; N\u00e3o, temos de ser realistas!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas temos na realidade, do dia-a-dia, o encerramento sucessivo de urg\u00eancias hospitalares, nomeadamente de obstetr\u00edcia, que tamb\u00e9m s\u00e3o um indicador. \u00c9 necess\u00e1rio repensar um modelo de assist\u00eancia de emerg\u00eancia?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, tudo isso \u00e9 necess\u00e1rio, porque temos outros desafios com popula\u00e7\u00f5es que se reorientam. Falo por exemplo do caso de Braga: n\u00f3s temos muita imigra\u00e7\u00e3o agora brasileira, mesmo muita, e acontece noutras cidades. Tem de se repensar, tem de se repensar os servi\u00e7os para poder responder adequadamente e atempadamente \u00e0s situa\u00e7\u00f5es.\u00a0 Agora na quest\u00e3o de dar a esperan\u00e7a, de ver que \u00e9 poss\u00edvel fazer melhor e dar uma nova luz, \u00e9 este o sentido tamb\u00e9m do Papa quando, no fim da sua mensagem, atribuiu uma palavra muito especial, chamando-nos anjos de esperan\u00e7a, e podendo ser este \u00e2nimo e dizer que se pode fazer melhor. Podemos, porque temos algu\u00e9m que nos disse que era poss\u00edvel, o pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas como descreve o contacto com as pessoas com quem se cruza, nomeadamente no ambiente hospitalar, e que se deparam com estas dificuldades?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Claro que entrar numa urg\u00eancia \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel, com muita espera, com muita solicita\u00e7\u00e3o, mas a minha a\u00e7\u00e3o \u00e9 mais na proximidade: \u00e0s vezes, ouvir os desabafos, poder ser, como eu digo, a embraiagem, ou seja, as pessoas poderem ter um s\u00edtio, um local, um momento assim em que possam dizer o que sentem, dizer \u00e0s vezes o que nem sabem dizer, poder estar em sil\u00eancio, s\u00e3o espa\u00e7os diferentes. Portanto, eu n\u00e3o estou na situa\u00e7\u00e3o da medica\u00e7\u00e3o, nem do diagn\u00f3stico, nem da resolu\u00e7\u00e3o de problemas organizacionais, mas estou com as pessoas, e a ouvir, a atender e a acompanhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E certamente que houve alguns desabafos, nomeadamente no que diz respeito \u00e0 demora no atendimento? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, mas a nossa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 de assist\u00eancia mais ao n\u00edvel espiritual. Claro que temos gabinetes de atendimento diferentes, mas \u00e9 mais um n\u00edvel espiritual, quest\u00f5es de sentido de vida, quest\u00f5es de familiares, culpabilidades, situa\u00e7\u00f5es de porqu\u00ea, porqu\u00ea a mim, porqu\u00ea agora, porque \u00e9 que aconteceu isto? A nossa \u00e1rea \u00e9 diferente. N\u00e3o estamos demitidos e participamos na vida organizacional, mas a nossa \u00e1rea espec\u00edfica \u00e9 a \u00e1rea espiritual. Em Braga ainda mais (certamente que noutros ambientes do pa\u00eds), muito a n\u00edvel da resposta cat\u00f3lica, porque temos muita mais solicita\u00e7\u00e3o, muitas mais solicita\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas de sacramentos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>N\u00e3o acha, padre Miguel, que tardam medidas estruturais para que se possa gerar mais confian\u00e7a no sistema nacional de sa\u00fade?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O pa\u00eds \u00e9 muito diferente. Falar de continente e ilhas \u00e9 diferente, falar de interior e de litoral \u00e9 diferente, falar de Lisboa, Coimbra, Porto e Braga \u00e9 muito diferente de falar de interior. Por exemplo, eu em Braga tenho condi\u00e7\u00f5es melhores do que em muitos outros locais. Em Braga temos um hospital novo. N\u00e3o \u00e9 tudo perfeito, e por exemplo estamos sempre a ouvir reclamar de mais espa\u00e7o, mas se formos a comparar com outras situa\u00e7\u00f5es estamos muito melhor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por isso tenho contactado com muitas realidades. Agora, responder se \u00e9 urgente, claro que \u00e9 urgente, e certamente que est\u00e3o a trabalhar nesse sentido, de poder reorganizar, de poder fazer hospitais novos, de poder fazer respostas novas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta reorganiza\u00e7\u00e3o com as ULS (Unidades de Sa\u00fade Local) \u00e9 nesse sentido, de podermos ter uma resposta mais integrada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>No contacto que tem com a realidade, constata que de facto o grande problema est\u00e1 ao n\u00edvel dos recursos humanos, da falta de recursos humanos?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Dizem-nos que temos, por exemplo, m\u00e9dicos suficientes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Est\u00e3o mal distribu\u00eddos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Temos incentivos diferentes.\u00a0Trabalhar muitas horas, trabalhar, se calhar, menos remunerados do que no privado, claro que n\u00e3o \u00e9 incentivo. Fal\u00e1mos de m\u00e9dicos, mas podemos falar de outros profissionais.\u00a0\u00a0Se eu encontro uma situa\u00e7\u00e3o melhor, com mais condi\u00e7\u00f5es, claro que vou escolher melhor para a minha vida.\u00a0E \u00e9 nesse sentido que se pode repensar incentivos. Estamos a entrar por este tipo de linha, mas n\u00e3o \u00e9 propriamente a minha compet\u00eancia. Agora, tamb\u00e9m acredito que quem \u00e9 m\u00e9dico por voca\u00e7\u00e3o, muitas vezes n\u00e3o est\u00e1 a olhar para isso. S\u00f3 que temos essa grande diferen\u00e7a, at\u00e9 das gera\u00e7\u00f5es de m\u00e9dicos mais novos e mais velhos. Temos diferentes situa\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, pois \u00e9 muito diferente estar sozinho numa equipa pequena no interior do que ter todos os recursos num hospital grande, por exemplo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O Padre Miguel \u00c2ngelo provavelmente, j\u00e1 se deparou com o problema dos chamados internamentos sociais, porque \u00e9 outro dos graves problemas que o pa\u00eds tem vivido. Em 2024 eles voltaram a aumentar, em mar\u00e7o havia 2160 doentes internados por raz\u00f5es inapropriadas.\u00a0A solu\u00e7\u00e3o para este problema passa por haver mais camas em cuidados continuados?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De facto, eles n\u00e3o t\u00eam para onde ir. Eu acho que tem que\u00a0se repensar tamb\u00e9m, por exemplo, a assist\u00eancia domicili\u00e1ria e sobretudo em lares. N\u00e3o \u00e9 a minha \u00e1rea, mais uma vez repito, mas pela minha vis\u00e3o, j\u00e1 fui p\u00e1roco, tenho o contacto num hospital&#8230; Se o doente n\u00e3o tiver para onde ir, n\u00f3s temos cada vez mais pessoas sozinhas e sem retaguarda familiar. Se precisam realmente de cuidados n\u00e3o podem ser abandonados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E n\u00e3o ter para onde ir \u00e9 dram\u00e1tico?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu acompanho v\u00e1rias pessoas, e estou a recordar-me de uma, concretamente, que\u00a0j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 quase tr\u00eas meses no hospital, porque n\u00e3o tem para onde ir. Pessoas solteiras, pessoas que n\u00e3o t\u00eam realmente retaguarda nenhuma em casa \u00e0s vezes alugada, tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es&#8230;. o que v\u00e3o fazer? E isso sim, em pol\u00edtica social, \u00e9 necess\u00e1rio, porque, n\u00e3o sei como \u00e9 nas grandes cidades, mas se eu quiser, com uma reforma de 600, 700 euros, 1000, em Braga, e nos arredores, ter acesso a um lar, chega aos 2\u00a0mil euros de mensalidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sei como \u00e9 noutros s\u00edtios,\u00a0 mas em Braga anda por a\u00ed, pelos 2 mil euros. Eu notei o aumento, sobretudo nos \u00faltimos dois anos.\u00a0\u00a0Porque muita gente me pede ajuda para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o, e realmente, h\u00e1 tr\u00eas ou quatro ter\u00edamos respostas por 700, ou 800 euros;\u00a0 e agora o custo\u00a0 est\u00e1 nos 1900.\u00a0 E repare que h\u00e1 quatro ou cinco anos, se um lar custasse 1200 euros era considerado um luxo. Portanto, \u00e9 importante ver essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Acredito que ser\u00e1 preocupante tamb\u00e9m a quest\u00e3o do acesso aos cuidados paliativos.\u00a0\u00a0A Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Cuidados Paliativos lembra que s\u00f3 uma em cada 10 crian\u00e7as tem acesso, por exemplo a este acompanhamento em fim de vida. No total dos doentes, mais de 70% continua sem acesso a este tipo de apoio cl\u00ednico. O que fazer, na sua opini\u00e3o?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s muitas vezes queremos fazer omelete sem ovos.\u00a0Para vir dinheiro para algum lado, ele tem que sair de outro lado. Estou a lembrar-me de um discurso famoso da Thatcher (antiga primeira-ministra brit\u00e2nica) que dizia: &#8220;Somos n\u00f3s que temos de pagar&#8221;. Pare\u00e7o quase economista ou pol\u00edtico e n\u00e3o sou.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o tenho respostas para isso, imediatas, e quem tiver, penso que talvez mere\u00e7a um Nobel, um pr\u00e9mio social ou econ\u00f3mico. Mas n\u00f3s temos que repensar a longo tempo. Com muito respeito pela classe, n\u00f3s muitas vezes somos bombeiros, estamos a socorrer isto e a socorrer aquilo e penso que temos que pensar a longo prazo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Fala-se \u00e0s vezes de pactos sociais, e n\u00e3o podemos mudar uma pol\u00edtica s\u00f3 com um ano. Se chega ao poder um outro partido, num ano, aparece tudo diferente. Se queremos construir alguma coisa duradoura, ter\u00e1 que ser uma pol\u00edtica duradoura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas esta realidade n\u00e3o \u00e9 de agora, a falta de cuidados paliativos em Portugal n\u00e3o \u00e9 uma realidade de agora. \u00c9 necess\u00e1rio esse pacto para que se avance nesta mat\u00e9ria?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para come\u00e7ar n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, mas para continuar sim. \u00c9 necess\u00e1rio que, at\u00e9 como sociedade, digamos quais s\u00e3o as nossas prioridades. E se \u00e9 uma prioridade, investimos nisso. E se investimos tamb\u00e9m temos de pensar de onde vem o dinheiro. N\u00e3o quero fugir s\u00f3 para este tema do dinheiro, mas isso n\u00e3o \u00e9 o priorit\u00e1rio. O priorit\u00e1rio, realmente seria encontrar a vis\u00e3o do que queremos e depois dar os passos para l\u00e1 chegar. Eu n\u00e3o quero que se cortem as \u00e1rvores para fazer os navios, como disse o poeta. Falem-me de outro mundo, falem-me da vis\u00e3o. Depois vai-se arranjar meios, vai-se cortar as \u00e1rvores e construir os navios para l\u00e1 chegar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Avancemos para a sua opini\u00e3o sobre a lei de eutan\u00e1sia, aprovada pelo Parlamento, mas ainda n\u00e3o foi regulamentada, quando se aguarda que o Tribunal Constitucional se pronuncie sobre dois pedidos de fiscaliza\u00e7\u00e3o sucessiva a este diploma. Considera que o atual quadro parlamentar deveria voltar a analisar o diploma?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se me perguntam sobre a lei, \u00e9 claro que primeiro est\u00e1 a vida, \u00e9 um dom. A grande dificuldade da sociedade de hoje \u00e9 que encara a vida como um direito, e a vida n\u00e3o \u00e9 um direito, \u00e9 um dom. \u00c9 uma afirma\u00e7\u00e3o de f\u00e9 que n\u00f3s fazemos, seguindo este acolhimento que fazemos de Deus criador, e \u00e0s vezes, at\u00e9 como sociedade (eu vou dizer isto com todo respeito), parece que temos vergonha dos nossos valores, daquilo em que acreditamos, como fomos constru\u00eddos. E \u00e9 este dom que n\u00f3s podemos, devemos acolher e agradecer, cuidar. E ao cuidar, temos de ver realmente a situa\u00e7\u00e3o na sua globalidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es, sistemas de sofrimento, sim, mas \u00e9 preciso, por exemplo, ver um acompanhamento da dor. N\u00e3o temos, muitas vezes, e, por isso, as pessoas caem nessa dor extrema, nessa dor total.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E do outro lado, tamb\u00e9m ver e perceber a quest\u00e3o da distan\u00e1sia. \u00c0s vezes prolongamos a vida e estamos a desculpar-nos com a eutan\u00e1sia quando estamos a exercer distan\u00e1sia. J\u00e1 acompanhei v\u00e1rias pessoas que decidiram, por exemplo, n\u00e3o querer um tratamento, ponto final. E preparam tudo, e o m\u00e9dico diz, friamente, \u201cvai viver 15 dias\u201d&#8230; Num caso concreto, chegou a nove, mas \u00e9 assumido! Isto n\u00e3o \u00e9 eutan\u00e1sia. A pessoa, n\u00e3o teve dor, estava bem acompanhada. Isso \u00e9 o que precisamos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A quest\u00e3o pol\u00edtica tem de enquadrar: a regulamenta\u00e7\u00e3o, respeitando outras opini\u00f5es. Estamos numa democracia, teremos de respeitar, e temos muitas outras associa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o estamos sozinhos como Igreja. N\u00f3s temos a Federa\u00e7\u00e3o pela Vida, por exemplo, do in\u00edcio ao fim! Isto n\u00e3o \u00e9 confessional, \u00e9 uma quest\u00e3o humana, \u00e9tica, de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Falando agora da assist\u00eancia espiritual e religiosa em ambiente hospitalar em Portugal, que contributo \u00e9 dado pela dimens\u00e3o religiosa ao cuidado do doente?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A assist\u00eancia religiosa acompanha&#8230; O contributo \u00e9 poder dar tempo, dar, se for necess\u00e1rio, sil\u00eancio, dar a m\u00e3o, estar presente&#8230; O Papa falava na sua mensagem do encontro com a pessoa, pessoa a pessoa. N\u00e3o \u00e9 propriamente aquela visita r\u00e1pida, muitas vezes pode demorar dias e muitos dias&#8230; Primeiro um encontro, pessoa a pessoa. Depois abre-se, e, voltando \u00e0 mensagem, nova esperan\u00e7a para que, mesmo no sofrimento encontremos sentido. Isto n\u00e3o \u00e9 propriamente nenhuma espiritualidade, j\u00e1 estamos no campo da psicologia, dos grandes estudos de Viktor Frankl, dizer que um homem sem sentido tamb\u00e9m deixa de querer viver e \u00e9 nessa orienta\u00e7\u00e3o que n\u00f3s acompanhamos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois, em quest\u00f5es pr\u00e1ticas, temos como coordena\u00e7\u00e3o dos SAIERS, o Servi\u00e7o de Assist\u00eancia Espiritual e Religiosa, temos a coordena\u00e7\u00e3o de que todos os doentes tenham garantido este direito de viver a sua f\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Independentemente da confiss\u00e3o religiosa a que perten\u00e7am?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Isso mesmo&#8230;\u00a0 N\u00e3o \u00e9 religi\u00e3o A, B ou C que faz isto ou aquilo. \u00c9 o doente que pode viver a sua f\u00e9, com toda a sua liberdade constitucional que tem. Depois, quando pedido, no caso pr\u00e1tico nosso, quando h\u00e1 solicita\u00e7\u00e3o, reencaminhamos. Temos contactos de v\u00e1rias religi\u00f5es, se for o caso, ou n\u00f3s tamb\u00e9m respondemos. Podemos ter tr\u00eas n\u00edveis de resposta: muitas vezes come\u00e7am num simples contacto humano, espiritual; depois podemos ter j\u00e1 um n\u00edvel mais crist\u00e3o, desde evangeliza\u00e7\u00e3o, de esclarecimento de d\u00favidas (aquelas quest\u00f5es \u201co que \u00e9 que acontece depois da morte\u201d, \u201co que \u00e9 que Deus espera de mim\u201d, esses tipos de quest\u00f5es), e depois, se pedido e se for conveniente, tamb\u00e9m a parte sacramental, que pode ser a Santa Un\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o sacramento na doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m pode ser um casamento ou um batizado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E \u00e9 f\u00e1cil operacionalizar essas respostas? Acredito que para os servi\u00e7os da enfermagem, os servi\u00e7os m\u00e9dicos, ter uma refer\u00eancia, o capel\u00e3o, \u00e9 uma coisa, mas ter de canalizar diferentes pedidos, consoante a cren\u00e7a de cada doente e a f\u00e9 de cada doente, pode n\u00e3o ser t\u00e3o f\u00e1cil&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em Braga, quando acolhemos os novos colaboradores, temos v\u00e1rias sess\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o, de acolhimento, e a assist\u00eancia religiosa tamb\u00e9m participa. Temos um m\u00f3dulo em que se explicam os procedimentos e, como qual quer outro servi\u00e7o, como o servi\u00e7o de urg\u00eancia, servi\u00e7o de cirurgia, de medicina ou o que seja, tamb\u00e9m o servi\u00e7o espiritual e religioso, que tem regulamentos internos, tem protocolos, tem procedimentos, tem institui\u00e7\u00f5es de trabalho, tem essas coisas todas. As papeladas, burocracias, que s\u00e3o necess\u00e1rias, s\u00e3o mesmo muito necess\u00e1rias. Por exemplo, se um enfermeiro quiser contactar, tem o procedimento, tem meu n\u00famero de telefone, tem os contactos, n\u00f3s passamos diariamente no hospital &#8211; somos dois capel\u00e3es &#8211; e depois tamb\u00e9m temos guias que, se t\u00eam d\u00favidas, perguntam e n\u00f3s temos a resposta, ou procuramos. E se me perguntam pelas testemunhas de Jeov\u00e1, ou judeu, ou budista, como aconteceu ainda h\u00e1 15 dias, vamos contactar as religi\u00f5es mais pr\u00f3ximas que possam responder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E \u00e9 f\u00e1cil essa coopera\u00e7\u00e3o? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim&#8230; N\u00f3s temos reuni\u00f5es com as equipas e as religi\u00f5es que s\u00e3o credenciadas, tal como n\u00f3s, capel\u00e3es: somos credenciados pelo nosso bispo, e um pastor tamb\u00e9m \u00e9 credenciado pela sua religi\u00e3o e fazemos esse registo de todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Como \u00e9 que vai Portugal participar no jubileu dos enfermos e o mundo da sa\u00fade nos dias 5 e 6 de Abril, em Roma? E em Portugal, j\u00e1 neste 11 de Fevereiro, no Dia Mundial do Doente, no Jubileu do doente e os profissionais de sa\u00fade?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s t\u00ednhamos preparado um programa para o dia 5 e 6, uma proposta, que neste momento foi reduzida, por falta de inscri\u00e7\u00f5es a n\u00edvel nacional, por causa da log\u00edstica, da viagem&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>J\u00e1 tem uma ideia do n\u00famero de inscritos?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o passa diretamente por mim. A n\u00edvel nacional, essa proposta que fizemos, suspendemos. Irei eu e uma equipa mais reduzida. Sei que, por exemplo, em Braga, os enfermeiros v\u00e3o por eles, e h\u00e1 outras dioceses que fazem por eles&#8230; Depois l\u00e1 encontramo-nos&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A grande maioria celebrar\u00e1 nas dioceses, porque foi tamb\u00e9m uma das orienta\u00e7\u00f5es do Santo Padre: poder viver aqui, na diocese, na proximidade, na parte mais local, e depois, num pr\u00f3ximo ano, poder haver um encontro mundial.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Claro que h\u00e1 sempre o Jubileu em Roma, que \u00e9 uma efem\u00e9ride diferente, \u00e9 uma oportunidade muito grande, \u00e9 um momento de gra\u00e7a, como \u00e9 o Jubileu, e ser\u00e1 vivido com muitas outras de proximidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 tamb\u00e9m a proximidade com a defici\u00eancia, os capel\u00e3es, quase todos sacerdotes, v\u00e3o viver o Jubileu com os sacerdotes, alguns v\u00e3o com os di\u00e1conos. Portanto h\u00e1 muitos Jubileus em que se pode participar, e o Jubileu demora o ano todo, n\u00e3o \u00e9 propriamente s\u00f3 dia 5 e 6 de abril<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na Pastoral da Sa\u00fade, a convite do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, teremos um encontro nacional. Deixava este convite a todos, para participarem: \u00e9 na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, Dia do Mundial do Doente, dia 11, e ser\u00e1 transmitido pelos canais do Santu\u00e1rio. De manh\u00e3 constar\u00e1 um acolhimento, pelas 10h00s; depois, \u00e0s 11h00 haver\u00e1 a missa com a Santa Un\u00e7\u00e3o &#8211; j\u00e1 temos bastantes inscritos, das v\u00e1rias dioceses &#8211; e depois, de tarde, haver\u00e1 uma confer\u00eancia para aprofundarmos este tema da esperan\u00e7a e neste momento da doen\u00e7a, na viv\u00eancia quando falta a sa\u00fade. Depois teremos peregrina\u00e7\u00e3o at\u00e9 a Capelinha das Apari\u00e7\u00f5es, se o tempo permitir, ou ent\u00e3o concluiremos os trabalhos na Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Miguel \u00c2ngelo, diretor nacional da Pastoral da Sa\u00fade, rejeita um discurso pessimista sobre o setor, afirma que \u00ab\u00e9 urgente\u00bb reorganizar servi\u00e7os e convida \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no Dia Mundial do Doente, a 11 de fevereiro, que tem por tema \u00abA Esperan\u00e7a N\u00e3o Engana\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":360070,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[166,277],"class_list":["post-360072","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-dia-mundial-do-doente","tag-pastoral-da-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=360072"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360072\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/360070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=360072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=360072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=360072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}