{"id":36007,"date":"2008-12-29T10:49:05","date_gmt":"2008-12-29T10:49:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/12\/29\/2008-em-balanco\/"},"modified":"2008-12-29T10:49:05","modified_gmt":"2008-12-29T10:49:05","slug":"2008-em-balanco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/2008-em-balanco\/","title":{"rendered":"2008 em balan\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>Igreja Cat\u00f3lica em Portugal viveu um ano cheio de acontecimentos, marcado por mudan\u00e7as e pelo agravamento das condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f3micas  <!--more--> 2008 foi um ano cheio de acontecimentos para a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal, tanto do ponto de vista interno como na sua interven\u00e7\u00e3o no campo social, num cen\u00e1rio de crise que se foi progressivamente agravando. J\u00e1 no in\u00edcio do ano, o Pe. Agostinho Jardim Moreira, Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza\/Portugal (REAPN) propunha a cria\u00e7\u00e3o de um organismo independente que trace um plano de luta contra a pobreza, \u201cde forma concertada entre Minist\u00e9rios, para que as pol\u00edticas n\u00e3o sejam irreais nem se inviabilizem mutuamente\u201d. Foi uma premoni\u00e7\u00e3o para a crise que se adivinhava e que assumiu uma maior gravidade nos \u00faltimos meses deste ano.  No discurso de Ano Novo, o Presidente da Rep\u00fablica, An\u00edbal Cavaco Silva, questionou se \u201cos rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas n\u00e3o ser\u00e3o, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos sal\u00e1rios m\u00e9dios dos seus trabalhadores\u201d. O mastro do barco laboral mostrava que os ventos sopravam contra a corrente. A Igreja estava atenta e denunciava as injusti\u00e7as sociais. \u201cEnquanto faltarem interven\u00e7\u00f5es estruturais, a sociedade vai continuar a ter as mesmas defici\u00eancias e mis\u00e9rias, com a riqueza acumulada na m\u00e3o de uns poucos\u201d \u2013 lamentava o Pe. Jardim Moreira. Como a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho estava a sofrer \u201cgrandes altera\u00e7\u00f5es, com consequ\u00eancias graves para a vida dos trabalhadores e suas fam\u00edlias\u201d, as Ligas Oper\u00e1rias Cat\u00f3licas (LOC) das v\u00e1rias dioceses realizaram col\u00f3quios, de Norte a Sul do pa\u00eds, para reflectirem sobre o \u201caumento do desemprego, principalmente nas mulheres e jovens, as empresas a fechar ou a deslocarem-se para outros pa\u00edses, e o n\u00e3o aparecimento de novas ind\u00fastrias para absorver os desempregados, s\u00e3o realidades que nos preocupam\u201d \u2013 denunciavam os membros da LOC de Braga. A Igreja Portuguesa esteve atenta aos fen\u00f3menos sociais e lan\u00e7ou propostas. Visto que a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade \u201cn\u00e3o valoriza a fam\u00edlia, havendo dificuldade em conciliar os hor\u00e1rios de trabalho entre todos os membros\u201d, no F\u00f3rum Nacional da LOC\/MTC, os participantes pediram que se fomentasse \u201co empreendedorismo social, que pode permitir a melhor utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos com vista \u00e0 solidariedade\u201d e se incentivasse \u201ca cria\u00e7\u00e3o de redes locais ou comunit\u00e1rias para o emprego e a qualifica\u00e7\u00e3o das pessoas\u201d. As mensagens de Natal dos bispos portugueses foram un\u00e2nimes na an\u00e1lise da realidade actual. A crise, a preocupa\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia e a aten\u00e7\u00e3o aos mais desfavorecidos foram temas que trespassaram as palavras dos prelados para a quadra natal\u00edcia. <b>Bra\u00e7o-de-ferro na Educa\u00e7\u00e3o<\/b> A quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e o bra\u00e7o de ferro entre professores, sindicatos e minist\u00e9rio foram um assunto que, desde o in\u00edcio do ano, preocupou os bispos portugueses. O mal-estar \u201cpode reflectir-se numa crise emergente\u201d \u2013 alertou, em Mar\u00e7o \u00faltimo, o secret\u00e1rio da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP). Uma previs\u00e3o que teve erup\u00e7\u00f5es mais fortes nos \u00faltimos meses do ano. As greves trouxeram milhares de professores para a rua.  A sucess\u00e3o de di\u00e1logos entre o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e os Sindicatos mostrou poucos frutos. Os dois pilares n\u00e3o cedem&#8230; Ideias fixas. No entanto, os bispos portugueses mostram preocupa\u00e7\u00e3o e D. Jorge Ortiga, Presidente da CEP, ap\u00f3s um encontro com M\u00e1rio Nogueira, afirmou: \u201cencontre-se uma solu\u00e7\u00e3o o mais rapidamente poss\u00edvel\u201d. Neste jogo de for\u00e7as quem sai \u201cprejudicado s\u00e3o os alunos\u201d \u2013 lamenta D. Jorge Ortiga. A \u201ccultura de exig\u00eancia\u201d \u00e9 fundamental na educa\u00e7\u00e3o.  Quando as diverg\u00eancias educacionais come\u00e7aram a entrar no \u00abdescalabro dos ovos\u00bb, D. Ant\u00f3nio Marto, vice-presidente da CEP, no encerramento dos trabalhos da Assembleia Plen\u00e1ria da CEP, em Novembro, avan\u00e7ou: a miss\u00e3o dos professores \u201c\u00e9 mais importante que a dos pr\u00f3prios pol\u00edticos\u201d. E explica a sua afirma\u00e7\u00e3o: \u201cs\u00e3o eles os educadores das crian\u00e7as e jovens que s\u00e3o o futuro do pr\u00f3prio pa\u00eds\u201d.  A Assembleia Plen\u00e1ria da CEP aprovou uma Carta Pastoral sobre \u00abA Escola em Portugal \u2013 Educa\u00e7\u00e3o Integral da Pessoa Humana\u00bb onde se reflecte sobre a miss\u00e3o da escola como projecto educativo orientado por valores. Ao falar sobre este documento aos jornalistas, D. Ant\u00f3nio Marto apela \u201ca um di\u00e1logo sereno e civilizado para que se possa ultrapassar as dificuldades presentes\u201d. Como a quest\u00e3o da escola merecia uma reflex\u00e3o mais aprofundada, os bispos lan\u00e7am pistas orientadoras visto que se torna \u201cnecess\u00e1rio analisar e avaliar, com serenidade e profundidade, os problemas emergentes mais importantes que afectam, no nosso tempo, a vida da escola, para melhor os poder enfrentar\u201d.  Pela sua import\u00e2ncia e pela crise que vem enfrentando, a escola \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que \u201cn\u00e3o nos pode deixar indiferentes, bem como a todos os cidad\u00e3os que tenham preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas com o presente e o futuro do pa\u00eds\u201d \u2013 real\u00e7a a Carta Pastoral. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema de toda a sociedade civil \u201cn\u00e3o apenas da escola em si, mas de todos os intervenientes da sociedade\u201d. E acrescenta: \u201c\u00c9 uma causa nacional\u201d. \u00c9 necess\u00e1rio combater o descart\u00e1vel e o vazio. A reac\u00e7\u00e3o corrosiva ao essencial e ao permanente, instalaram-se de tal modo na sociedade, que minam o sentido da vida, das rela\u00e7\u00f5es pessoais e da conviv\u00eancia sadia. D. Jos\u00e9 Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa lembrou na sua Mensagem de Natal que \u201cnas \u00faltimas semanas os acontecimentos levaram-nos a fixar a nossa aten\u00e7\u00e3o num grupo de pessoas cuja miss\u00e3o \u00e9 decisiva para o futuro de Portugal: os professores, os formadores das nossas crian\u00e7as e dos nossos jovens\u201d.   \u201cQue ningu\u00e9m ouse transformar este sofrimento em simples arma de luta pol\u00edtica, porque na batalha da educa\u00e7\u00e3o os \u00fanicos vencedores t\u00eam de ser os vossos filhos. Para estes esta batalha n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica ou sindical: \u00e9 a batalha da vida, que eles s\u00f3 vencer\u00e3o com a generosidade, a compet\u00eancia e a coragem de todos n\u00f3s\u201d, apela.  <b>Desenvolver o exerc\u00edcio da cidadania<\/b> Apesar de todo o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, assiste-se \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o dos ritmos de trabalho e a hor\u00e1rios cada vez mais longos que provocam o cansa\u00e7o e retiram tempo \u00e0 fam\u00edlia. Perante estes factos \u00e9 fundamental \u201cdesenvolver o exerc\u00edcio da cidadania e defender a dignidade e o valor da pessoa humana\u201d \u2013 apelaram os Bispos portugueses nas suas mensagens de Natal deste ano. A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz (CNJP) desempenhou um papel fulcral na defesa dos trabalhadores e lembrou que a Doutrina Social considera que os sindicatos \u201cs\u00e3o um elemento indispens\u00e1vel da vida social\u201d. Num semin\u00e1rio onde se discutiu o futuro do sindicalismo perante a globaliza\u00e7\u00e3o, Manuela Silva, presidente da CNJP, real\u00e7ou que a ac\u00e7\u00e3o colectiva \u00e9 necess\u00e1ria e \u201curgente em prol da defesa de um trabalho digno\u201d. Para perceber as dificuldades sociais que est\u00e3o enraizadas em determinadas profiss\u00f5es, D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos foi para a rua falar com os agricultores, comerciantes, pescadores e sociedade civil. No contacto com a comunidade percebe-se as raz\u00f5es do des\u00e2nimo e \u201ctentamos levantar a auto-estima das pessoas\u201d.  <b>Empreendedorismo social<\/b> Empreendedorismo social \u00e9 uma das propostas para um novo rumo social. Mais perto do final do ano, em Novembro passado, na apresenta\u00e7\u00e3o da Semana Social de 2009, D. Carlos Azevedo, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social refor\u00e7a esta ideia. A Igreja Cat\u00f3lica em Portugal \u201cdeseja que no actual cen\u00e1rio de crise surjam novas formas de empreendedorismo social, \u201ccombatendo a tend\u00eancia de delegar no Estado e noutras institui\u00e7\u00f5es a solu\u00e7\u00e3o para os problemas\u201d. E apela para que haja \u201ca responsabilidade de cada pessoa na constru\u00e7\u00e3o do bem comum\u201d. Quando foi anunciado que o novo aeroporto de Lisboa ficar\u00e1 em Alcochete, D. Gilberto Reis, bispo de Set\u00fabal, manifestou o seu regozijo. \u201c\u00c9 uma boa not\u00edcia porque permite diversificar outro grande p\u00f3lo de emprego\u201d. Uma Obra P\u00fablica que dar\u00e1 trabalho a muitas pessoas e diminuir\u00e1 o desemprego na pen\u00ednsula sadina.  Em plena crise do sector banc\u00e1rio, internacional e nacional, a Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores (ACEGE) chamava a aten\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios \u201cpara que paguem as d\u00edvidas pontualmente\u201d. A crise financeira internacional \u201cn\u00e3o teria existido se os respons\u00e1veis empresariais tivessem actuado dentro de padr\u00f5es de \u00e9tica e de responsabilidade social\u201d. Ao Estado, a ACEGE recomenda que se \u201cadoptem medidas, nomeadamente de flexibilidade laboral e de natureza fiscal, que encorajem e facilitem a acelera\u00e7\u00e3o do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional, numa estrat\u00e9gia de partilha de custos entre as empresas e o Estado no combate \u00e0 pobreza\u201d.  <b>Toda a prioridade \u00e0s Crian\u00e7as<\/b> Um grupo de ac\u00e7\u00e3o social em cada par\u00f3quia que esteja atento \u00e0s crian\u00e7as desprotegidas \u00e9 a proposta lan\u00e7ada na Nota Pastoral \u00abToda a prioridade \u00e0s crian\u00e7as\u00bb divulgada pela Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa no final da Assembleia Plen\u00e1ria de Novembro. \u201cQuando falha o lugar essencial da fam\u00edlia no desenvolvimento da pessoa humana, a sociedade \u00e9 chamada a socorrer e amparar a miss\u00e3o das fam\u00edlias\u201d. E acrescenta a Nota: \u201cEm muitos casos, v\u00ea-se obrigada, dada a insistente incapacidade e situa\u00e7\u00e3o de perigo, a encontrar institui\u00e7\u00f5es alternativas. Nelas procura manter caracter\u00edsticas similares \u00e0 fam\u00edlia: no ambiente, carinho, disciplina e demais atitudes educativas, recomendadas pela vis\u00e3o actual das ci\u00eancias humanas\u201d. Durante longos meses, a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade (CNIS) sentou-se \u00e0 mesa das negocia\u00e7\u00f5es com alguns minist\u00e9rios. O presidente da CNIS, Pe. Lino Maia frisava, no in\u00edcio do ano, que o Estado \u201cn\u00e3o pode ser o grande e \u00fanico educador das massas\u201d. Este respons\u00e1vel sublinhou que as Actividades de Enriquecimento Curricular que est\u00e3o consagradas nas escolas \u201cs\u00e3o uma c\u00f3pia reduzida daquilo que se passa na maioria dos nossos ATLs\u201d.  A livre escolha dos pais na educa\u00e7\u00e3o dos filhos foi objecto de uma peti\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada pela CNIS. Sucesso garantido, visto que mais 160 mil assinaram o documento entregue na Assembleia da Rep\u00fablica.    <b>Solidariedade aqu\u00e9m e al\u00e9m fronteiras<\/b> A receita da \u00abSinfonia das Palavras\u00bb &#8211; obra escrita pelo Pe. Almiro Mendes (diocese do Porto) \u2013 tinha como destino os mission\u00e1rios na Guin\u00e9-Bissau. Percorreu as estradas que ligam estes dois pa\u00edses lus\u00f3fonos e foi entregar um jipe \u00e0queles consagrados. Na Guin\u00e9 \u201cn\u00e3o se pode dizer que n\u00e3o se sabe\u201d, mas antes ter a capacidade de se ser \u201cinventivo e criativo, tal como o amor\u201d \u2013 disse o Pe. Almiro Por excel\u00eancia, a Quaresma \u00e9 o tempo lit\u00fargico onde se promove o valor da solidariedade. Vive-se a convers\u00e3o interior e refor\u00e7a-se a partilha com os mais desprotegidos. Os bispos portugueses apelaram aos seus diocesanos para que renunciassem ao secund\u00e1rio e ajudassem comunidades mais fr\u00e1geis. \u00c9 portugu\u00eas, mas exerce o munus episcopal em S. Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe. D. Manuel dos Santos esteve em Set\u00fabal para conhecer o projecto \u00abPonte de Esperan\u00e7a\u00bb que liga as crian\u00e7as s\u00e3otomenses aos padrinhos portugueses. Toneladas de generosidade. As campanhas do Banco Alimentar Contra a Fome recolhem, anualmente, milhares de quilos de alimentos para auxiliarem os mais fragilizados da sociedade. Com o \u00abproduto\u00bb angariado, os bancos alimentares fazem a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es.  A C\u00e1ritas Portuguesa promoveu mais uma opera\u00e7\u00e3o \u00ab10 milh\u00f5es de estrelas\u00bb. Falou ao cora\u00e7\u00e3o dos portugueses e estes mostraram que, apesar das dificuldades actuais, s\u00e3o solid\u00e1rios. As verbas angariadas destinam-se \u00e0s Caritas diocesanas e a um projecto internacional.   <b>Concordata: Um caminho com quatro anos<\/b> A regulamenta\u00e7\u00e3o da Concordata entre o Estado Portugu\u00eas e a Santa S\u00e9 \u2013 assinada em Maio de 2004 e ratificada no m\u00eas de Dezembro seguinte \u2013 foi objecto de muita reflex\u00e3o e di\u00e1logo durante o presente ano. \u201cO mal-estar existe porque a regulamenta\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o aconteceu. Era de esperar que esta estivesse efectuada\u201d \u2013 queixava-se, no inicio do ano, \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o presidente da CEP, D. Jorge Ortiga. E acrescenta: \u201c\u00e0s vezes d\u00e1-nos a impress\u00e3o de que, de maneira organizada ou camuflada, pequenos grupos n\u00e3o querem que a Igreja trabalhe num exerc\u00edcio de uma liberdade que \u00e9 pr\u00f3pria de qualquer institui\u00e7\u00e3o\u201d.  Apesar do caminho percorrido, o director do Instituto Superior de Direito Can\u00f3nico da UCP acredita que se tivesse existido \u201cum per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o na aplica\u00e7\u00e3o da Concordata, alguns problemas, que actualmente se verificam, seriam evit\u00e1veis\u201d. Com a sa\u00edda do ministro Correia de Campos da Pasta da Sa\u00fade e a entrada de Ana Jorge, o Pe. Feytor Pinto, coordenador nacional da Pastoral da Sa\u00fade, frisou que tanto o minist\u00e9rio como a pastoral da sa\u00fade estavam \u201ca encontrar uma solu\u00e7\u00e3o legal para cumprir todas as leis e garantir a assist\u00eancia espiritual nos hospitais\u201d. No final da Assembleia Plen\u00e1ria da CEP em Abril, D. Jorge Ortiga envia alguns recados ao Governo. \u201cToda e qualquer lei sup\u00f5e uma regulamenta\u00e7\u00e3o suplementar e posterior\u201d lamentou o presidente da CEP ao fazer refer\u00eancia \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da Concordata.  O Ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, esclareceu que o cargo de Bispo das For\u00e7as Armadas e das For\u00e7as de Seguran\u00e7a continua a ser exercido, nos termos do Direito Can\u00f3nico, por D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira. O despacho n\u00ba 89\/MDN\/2008, de 30 de Maio, afirma que este bispo \u00e9 uma \u201cautoridade can\u00f3nica, cujo m\u00fanus e of\u00edcio se mant\u00e9m at\u00e9 \u00e0 sua ren\u00fancia, nos termos do Direito Can\u00f3nico\u201d. O processo da regulamenta\u00e7\u00e3o da Concordata est\u00e1 a \u201candar bem\u201d, com \u201calguns dossiers quase fechados\u201d \u2013 reconheceu, em Junho passado, D. Jos\u00e9 Policarpo. Seis meses depois, a Ministra da Sa\u00fade, Ana Jorge, anunciou, em F\u00e1tima, no Encontro Nacional da Pastoral da Sa\u00fade, que \u201ctemos um acordo de colabora\u00e7\u00e3o com a Pastoral da Sa\u00fade que est\u00e1 praticamente terminado\u201d. Ainda neste contexto, o Pe. Jos\u00e9 Nuno, Coordenador Nacional das Capelanias Hospitalares, lan\u00e7a um alerta: \u201cacabou o tempo da iner\u00eancia e da rever\u00eancia e chegou o tempo da exig\u00eancia e da compet\u00eancia\u201d. A Comiss\u00e3o Parit\u00e1ria, prevista no artigo 29 da Concordata, retomou os seus trabalhos, ap\u00f3s a nomea\u00e7\u00e3o do novo chefe da Delega\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, na pessoa do embaixador Pedro Catarino. Num encontro realizado na UCP, com a presen\u00e7a do referido embaixador, D. Tomaz Silva Nunes reflectiu sobre os avan\u00e7os nas negocia\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s aulas de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica.   <b>Centen\u00e1rios<\/b> No arquip\u00e9lago dos A\u00e7ores, a figura de D. Jaime Garcia Goulart n\u00e3o foi esquecida. Se fosse vivo completava o cent\u00e9simo anivers\u00e1rio no passado 10 de Janeiro de 2008. Este pastor nasceu na Ilha do Pico (Candel\u00e1ria) e foi o primeiro bispo de D\u00edli (Timor).  No centen\u00e1rio do Regic\u00eddio (morte de D. Carlos e do Pr\u00edncipe Luis Filipe), o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Jos\u00e9 Policarpo, afirmou que erradicar a viol\u00eancia \u201cser\u00e1 a maior vit\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o e a primeira manifesta\u00e7\u00e3o da conviv\u00eancia democr\u00e1tica, baseada no respeito pela pessoa humana e suas leg\u00edtimas diferen\u00e7as\u201d. E acrescenta: \u201ccat\u00f3licos e n\u00e3o cat\u00f3licos, que ningu\u00e9m ressuscite fantasmas antigos\u201d, porque cem anos significaram um \u201ccaminho andado, e a celebra\u00e7\u00e3o das grandes efem\u00e9rides hist\u00f3ricas s\u00f3 tem sentido se celebram o presente e se abrem a um futuro novo\u201d. Em 2008, comemorou-se o centen\u00e1rio do nascimento do Beato Francisco Marto. No princ\u00edpio, este vidente de F\u00e1tima \u201cn\u00e3o viu nem escutava nem percebia nada do que se passava. Depois, come\u00e7ou a ver, mas n\u00e3o ouvia; e, finalmente, acabou por ver e ouvir, e compreender tudo\u201d \u2013 escreveu o Pe. Jacinto Farias num artigo da Ag\u00eancia ECCLESIA. Francisco Marto foi beatificado tal como a sua irm\u00e3, Jacinta Marto, pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II, em F\u00e1tima, no ano 2000. Comemorar 100 anos de vida a trabalhar \u00e9 um acontecimento in\u00e9dito. Aconteceu com o cineasta Manoel de Oliveira que completou mais um anivers\u00e1rio no \u00faltimo m\u00eas de 2008. A Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00e3o Social associou-se ao centen\u00e1rio do cineasta que foi galardoado com o Pr\u00e9mio Manuel Antunes no ano transacto. Na mensagem da comiss\u00e3o sublinha-se que Manoel de Oliveira revela o cinema como grandiosa arte do esp\u00edrito.  Ao longo do ano, a diocese de \u00c9vora esteve em festa com o s\u00e9timo centen\u00e1rio da dedica\u00e7\u00e3o da S\u00e9 da cidade eborense. Concertos e col\u00f3quios mostraram a import\u00e2ncia da maior catedral medieval do pa\u00eds.   <b>A voz e a vez dos leigos<\/b> \u00abO Escutismo \u00e9 a maior obra cat\u00f3lica no meu pa\u00eds\u00bb &#8211; afirmou, na d\u00e9cada de 20 do s\u00e9culo passado, D. Manuel Vieira de Matos, um dos pais do Corpo Nacional de Escutas (CNE). Na tomada de posse como novo Chefe Nacional do CNE, Carlos Alberto Pereira frisou que queria enriquecer a m\u00edstica do escutismo cat\u00f3lico. \u201cMadre Teresa de Calcut\u00e1, Jo\u00e3o Paulo II e os Pastorinhos de F\u00e1tima\u201d ser\u00e3o os modelos a introduzir nos programas dos escuteiros. A \u201cpedagogia do exemplo\u201d \u00e9 uma das directivas desta associa\u00e7\u00e3o que congrega milhares de jovens portugueses. A Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Rural apostou no verde para o Planeta Terra. As quest\u00f5es ecol\u00f3gicas, a reciclagem e a poupan\u00e7a da \u00e1gua estiveram no centro das preocupa\u00e7\u00f5es dos militantes da ACR. Atrav\u00e9s da metodologia pr\u00f3pria da revis\u00e3o de vida, este movimento da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica despertou os crist\u00e3os para um maior respeito pelo meio ambiente.    A fam\u00edlia portuguesa sentiu-se ferida com o pacote legislativo. Perante este cen\u00e1rio sombrio e anti-demogr\u00e1fico, D. Ant\u00f3nio Carrilho, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia, deixou recomenda\u00e7\u00f5es: \u201cse temos valores n\u00e3o os podemos calar\u201d. Numa cultura com caracter\u00edsticas espec\u00edficas, o bispo do Funchal frisa: \u201cn\u00e3o se pode deixar correr o tempo sem nada fazer\u201d. Com o aparecimento do portal \u00abDiv\u00f3rcio na Hora\u00bb, o Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa considera que este instrumento \u00e9 \u201cquase uma promo\u00e7\u00e3o ao div\u00f3rcio\u201d.  A quest\u00e3o do div\u00f3rcio n\u00e3o deve ser entendida como \u201creligiosa\u201d, mas antes de tudo como \u201cquest\u00e3o de \u00e9tica natural, quest\u00e3o de olhar o matrim\u00f3nio do ponto de organiza\u00e7\u00e3o social, como c\u00e9lula base da sociedade necess\u00e1ria \u00e0 estabilidade social\u201d \u2013 pediu D. Ant\u00f3nio Carrilho. O Bispo de Viana do Castelo defendeu a \u201csantidade do matrim\u00f3nio\u201d apesar dos maus-tratos que lhe s\u00e3o \u201cinfligidos por certas concep\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do foro legislativo\u201d. Os leigos no mundo e na cultura contempor\u00e2nea estiveram na mesa de reflex\u00e3o das jornadas do Apostolado dos Leigos. \u201cEstamos juntos, n\u00e3o isoladamente\u201d visto que a diversidade dos movimentos n\u00e3o exclui o dinamismo de conjunto a dar \u00e0 Igreja. Sair dos muros da Igreja e anunciar o Evangelho ao mundo \u00e9 a proposta do assistente nacional da JOC. A Igreja em Portugal est\u00e1 \u201cvirada para dentro\u201d e tem \u201cuma voz pouco activa\u201d \u2013 lamenta o Pe. Luciano Nogueira.  O bispo de Viseu saiu das \u201cparedes do templo\u201d e colocou-se ao lado dos trabalhadores de uma f\u00e1brica da regi\u00e3o. \u201cAt\u00e9 quando vemos o Estado que somos a adiar a justi\u00e7a, a protelar o pagamento aos seus credores e a injusti\u00e7ar aqueles que, com raz\u00e3o, neles confiam e a eles pedem, apenas, o reconhecimento dos seus leg\u00edtimos direitos?\u201d \u2013 questionou D. Il\u00eddio Leandro. Os leigos foram durante s\u00e9culos \u201cesquecidos, se n\u00e3o mesmo menosprezados, da sua dignidade e condi\u00e7\u00e3o eclesial\u201d \u2013 escreveu num artigo D. Ant\u00f3nio Marcelino. Para que se ultrapasse esta situa\u00e7\u00e3o, o prelado prop\u00f5e: \u201cUrge n\u00e3o prender os leigos ao altar, porque o seu campo de ac\u00e7\u00e3o \u00e9 o da vida e das realidades temporais, pois a\u00ed se processam as suas responsabilidades familiares, profissionais e sociais\u201d.  No mundo universit\u00e1rio, os estudantes sentem a necessidade de desempenharem \u201cum papel activo, feito de op\u00e7\u00f5es conscientes nas escolhas do dia-\u00e0-dia\u201d. Num encontro do Movimento Cat\u00f3lico de Estudantes (MCE), os participantes lamentam: \u201cA massa estudantil est\u00e1 pouco atenta ao seu meio acad\u00e9mico, tal como \u00e0s medidas governamentais que afectam o Ensino Superior\u201d. Os ventos do secularismo sopram, mas o n\u00famero de adultos a pedir o Baptismo aumenta no nosso pa\u00eds. Nas v\u00e1rias dioceses, centenas de adultos receberam o primeiro sacramento da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 na Vig\u00edlia Pascal. \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou quando o n\u00famero de adultos n\u00e3o baptizados come\u00e7ou a crescer\u201d \u2013 avan\u00e7ou o Pe. Paulo Mal\u00edcia, da diocese de Lisboa.  <b>Movimenta\u00e7\u00e3o dos bispos no \u00abxadrez\u00bb episcopal<\/b> Nos primeiros dias de 2008, Bento XVI nomeou como novo arcebispo de \u00c9vora, D. Jos\u00e9 Sanches Alves, que desempenhava as fun\u00e7\u00f5es de bispo de Portalegre-Castelo Branco e D. Am\u00e2ndio Tom\u00e1s como novo bispo coadjutor de Vila Real.  D. Jos\u00e9 Alves recebeu a ordena\u00e7\u00e3o episcopal em 1998 e, antes de exercer o seu munus episcopal nas terras do Alto Alentejo e Beira Baixa, foi bispo auxiliar de Lisboa. Na tomada de posse, o arcebispo mostrou a sua preocupa\u00e7\u00e3o pela falta de voca\u00e7\u00f5es, mas \u201ctemos alternativas que v\u00e3o ajudar a superar esta crise\u201d. Na tomada de posse, o novo bispo coadjutor das terras do Mar\u00e3o &#8211; estava em \u00c9vora desde 2002 \u2013 prop\u00f4s aos padres \u201cmenos missas de afogadilho e aos leigos menos sacramentos recebidos com leviandade\u201d.  Dos filhos de S. Jo\u00e3o Bosco veio o novo bispo auxiliar de Lisboa, D. Joaquim Mendes, natural de Paredes (diocese do Porto). O prelado mostra-se dispon\u00edvel para servir porque \u201cEu estou no meio de v\u00f3s, como aquele que serve\u201d. A cidade do Douro descobriu no Mondego um bispo auxiliar. D. Jo\u00e3o Lavrador foi nomeado, em Maio, por Bento XVI para bispo auxiliar do Porto. \u201cVou numa atitude de aprender, dado que interrompo a aprendizagem do ser presb\u00edtero para iniciar outra, do episcopado\u201d \u2013 frisou o novo bispo auxiliar do Porto.  <b>Mudan\u00e7as na Confer\u00eancia Episcopal<\/b> Depois de tr\u00eas anos na presid\u00eancia da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga foi reconduzido para o pr\u00f3ximo tri\u00e9nio. Como vice-presidente foi eleito D. Ant\u00f3nio Marto, bispo de Leiria-F\u00e1tima. O Pe. Manuel Moruj\u00e3o ocupa o cargo de secret\u00e1rio da CEP. \u201cA minha primeira expectativa \u00e9, naturalmente, aprender as regras e os saberes deste servi\u00e7o \u00e0 Igreja que me \u00e9 pedido\u201d \u2013 disse na altura da nomea\u00e7\u00e3o o sacerdote jesu\u00edta. Na primeira assembleia plen\u00e1ria do ano ratificou-se o nome do novo reitor do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima: Pe. Virg\u00edlio Antunes. Depois de 35 anos a conduzir os destinos do altar mariano, Monsenhor Luciano Guerra deu o lugar a outro sacerdote da diocese de Leiria que j\u00e1 come\u00e7ou a pensar nas comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima e defende e manifestou-se a favor \u201cda cria\u00e7\u00e3o de uma esta\u00e7\u00e3o para o comboio de alta velocidade que possa servir quem se desloca \u00e0 Cova da Iria\u201d.  <b>Bodas de Prata Episcopais<\/b> O bispo de Coimbra celebrou as bodas de prata episcopais. D. Albino Mamede Cleto confessou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que tem o sonho de construir um \u201cbom centro pastoral\u201d na cidade do Mondego e lamenta \u201co pecado de n\u00e3o ter sido capaz de responder \u00e0s necessidades desta diocese, sobretudo no cap\u00edtulo da Pastoral Juvenil\u201d. Natural da Serra da Estrela, D. Albino Cleto \u201cnunca quis perder os la\u00e7os e as ra\u00edzes tel\u00faricas daquela serra e daquelas gentes\u201d. Da paix\u00e3o pela matem\u00e1tica ao percurso pelas dioceses onde passou, D. Jos\u00e9 Pedreira recorda \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA os seus 25 anos de bispo. Este minhoto frisa que as estat\u00edsticas s\u00e3o \u201cum subs\u00eddio muito \u00fatil para programarmos as actividades pastorais\u201d. Nas suas visitas leva sempre uma an\u00e1lise sociol\u00f3gica da situa\u00e7\u00e3o dos habitantes onde anuncia a Boa Nova.  \u201cA Igreja n\u00e3o ordena bispos \u00e0 for\u00e7a\u201d \u2013 disse D. Jo\u00e3o Miranda, bispo auxiliar do Porto, \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA numa entrevista a prop\u00f3sito das suas bodas de prata episcopais. Este homem que costuma fazer longas caminhadas para contemplar o c\u00e9u e a cidade do Porto confessou tamb\u00e9m que gosta muito de ouvir: \u201c\u00e9 necess\u00e1rio saber ouvir para acertarmos nas palavras que devemos dar\u201d.   <b>O jur\u00eddico na vida eclesial<\/b> Com 1752 c\u00e2nones, distribu\u00eddos por 7 livros, o C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico celebrou o 25\u00ba anivers\u00e1rio da sua promulga\u00e7\u00e3o. A dimens\u00e3o jur\u00eddica n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 dimens\u00e3o carism\u00e1tica da Igreja, pois esta como institui\u00e7\u00e3o vis\u00edvel precisa de normas que a apoiem na sua miss\u00e3o. A prop\u00f3sito desta efem\u00e9ride, o Director do Instituto Superior de Direito Can\u00f3nico da UCP, Saturino Gomes, real\u00e7ou que a \u201crecta observ\u00e2ncia do C\u00f3digo ser\u00e1 um ind\u00edcio de que as leis podem gerar comunh\u00e3o e disciplina, tornando-se um instrumento indispens\u00e1vel para todo o Povo de Deus\u201d.  Em Maio \u00faltimo, a CEP apresentou as novas Normas das Associa\u00e7\u00f5es de Fi\u00e9is. Urgia fazer um documento que estivesse \u201cactualizado e que n\u00e3o levantasse interroga\u00e7\u00f5es sobre o valor jur\u00eddico\u201d \u2013 disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA D. Manuel Madureira Dias. Existia um documento de 1937 sobre estas quest\u00f5es e outro de 1988 que \u201cn\u00e3o teve homologa\u00e7\u00e3o papal\u201d. Depois do II Conc\u00edlio do Vaticano e da promulga\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico \u201cnecessit\u00e1vamos de dar valor jur\u00eddico \u00e0s normas\u201d.  <b>Ano Vieirino<\/b> A grandeza do Pe. Ant\u00f3nio Vieira esteve em destaque ao longo deste ano. Congressos, Exposi\u00e7\u00f5es, protocolos, concertos e lan\u00e7amentos de livros dominaram o Ano Vieirino. Para aqueles que desconheciam a obra deste jesu\u00edta, no quarto centen\u00e1rio do seu nascimento a grandeza deste imperador da l\u00edngua portuguesa marcou o ano em diversos dom\u00ednios da cultura. Ao longo da sua vida (1608-1697), o Pe. Ant\u00f3nio Vieira assumiu-se como Actor no grande teatro do mundo. Religioso, Escritor, Diplomata, Pregador, Te\u00f3logo, Profeta\u2026 conheceu o triunfo e os aplausos, mas tamb\u00e9m o insucesso, a censura e o descr\u00e9dito. A tudo isto resistiu.   Ainda no \u00e2mbito desta efem\u00e9ride, o Pr\u00e9mio Pe. Ant\u00f3nio Vieira \u2013 lan\u00e7ado pelo CUPAV \u2013 foi entregue a Ros\u00e1rio Farmhouse, directora do Servi\u00e7o Jesu\u00edtas aos Refugiados em Portugal. Neste centen\u00e1rio, o sacerdote jesu\u00edta foi o rosto de um selo especial editado pelos CTT e andou de el\u00e9ctrico nas ruas de Lisboa.  <b>Ano Paulino<\/b> \u00abAno Paulino, uma proposta pastoral\u00bb foi o t\u00edtulo da nota pastoral publicada pela CEP. A Igreja em Portugal acolheu o convite lan\u00e7ado por Bento XVI de proclamar o Ano Paulino de 29 de Junho de 2008 a 29 de Junho de 2009. Tanto os jornais diocesanos como as comunidades crist\u00e3s t\u00eam sido aut\u00eanticas abelhas na constru\u00e7\u00e3o da colmeia Paulina. Para viver este per\u00edodo, a CEP publicou tamb\u00e9m um itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico, de 52 semanas, intitulado \u00abUm ano a caminhar com S. Paulo\u00bb. O autor da obra, D. Anacleto Oliveira, disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que o ap\u00f3stolo dos gentios foi aquele \u201cque mais contribuiu para a funda\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o da igreja e do cristianismo\u201d. S. Paulo \u00e9 um modelo de crist\u00e3o em qualquer tempo. No seu percurso, ficou claro que ali n\u00e3o morou a rotina. Apesar das mudan\u00e7as e rupturas, S. Paulo foi um sedutor que levou Cristo a muitas paragens terrestres.  <b>A \u00abMarca\u00bb Bens Culturais da Igreja<\/b> Um novo olhar foi lan\u00e7ado sobre os Bens Culturais da Igreja. Por imperativo da pastoral da Igreja Cat\u00f3lica e determina\u00e7\u00f5es governamentais em ordem \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dos bens culturais, a arte crist\u00e3 merece aten\u00e7\u00e3o crescente em Portugal. Um grande impulso foi dado nesta \u00e1rea porque o objectivo \u201cfundante e fundamental da Igreja Cat\u00f3lica, na \u00e1rea do patrim\u00f3nio, \u00e9 servir a sociedade portuguesa\u201d E acrescenta Jo\u00e3o Soalheiro, director do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja: \u201cE faz\u00ea-lo \u00e0 luz da sua miss\u00e3o evang\u00e9lica\u201d. Este ano, o Dia Internacional dos Monumentos e S\u00edtios foi dedicado ao tema \u00abPatrim\u00f3nio Religioso e Espa\u00e7os Sagrados\u00bb. Ana Isabel Seruya escreveu num coment\u00e1rio para a Ag\u00eancia ECCLESIA que \u201cn\u00e3o faltam no pa\u00eds profissionais dedicados e competentes que podem contribuir para que as interven\u00e7\u00f5es se fa\u00e7am de forma adequada e cientificamente alicer\u00e7ada, evitando-se assim restauros precipitados e que, embora bem intencionados, desvirtuam muitas vezes n\u00e3o s\u00f3 o pr\u00f3prio sentido das obras de arte sagradas, como a sua pr\u00f3pria autenticidade\u201d. Ser\u00e1 que \u00e9 um acordar para o valor est\u00e9tico do Evangelho? Jo\u00e3o Soalheiro responde: \u201cA Igreja sempre teve uma consci\u00eancia muito n\u00edtida da beleza do Evangelho e da capacidade criadora que as gera\u00e7\u00f5es conseguiram ao longo dos tempos\u201d. No encerramento do Conselho Nacional para os Bens Culturais da Igreja, o Ministro da Cultura, Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Pinto Ribeiro, manifestou a disponibilidade do Governo para trabalhar com a Igreja Cat\u00f3lica na preserva\u00e7\u00e3o e restauro dos bens culturais.  <b>Valorizar o papel dos imigrantes<\/b> A Europa n\u00e3o pode cair na tentativa de \u00abdesnatar\u00bb a imigra\u00e7\u00e3o e aceitar apenas quadros qualificados. Sem os imigrantes, o continente europeu n\u00e3o pode concretizar o seu projecto de desenvolvimento\u201d \u2013 alertaram os animadores s\u00f3cio-pastorais das migra\u00e7\u00f5es.  Ao olhar para a realidade portuguesa, D. Ant\u00f3nio Vitalino, Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana, rejeita que exista um \u201cracismo generalizado\u201d na sociedade portuguesa face \u00e0 etnia cigana.  A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz (CNJP) saiu em defesa dos imigrantes quando foi aprovada a Directiva do Parlamento Europeu e do Conselho relativa ao regresso de imigrantes em situa\u00e7\u00e3o ilegal. \u00c9 um acto \u201cdiscriminat\u00f3rio e um atentado ao direito \u00e0 liberdade\u201d \u2013 defende a CNJP.   <b>A caminho dos altares<\/b> A Irm\u00e3 L\u00facia est\u00e1 mais pr\u00f3xima dos altares, visto que Bento XVI antecipou o in\u00edcio do processo de beatifica\u00e7\u00e3o da vidente de F\u00e1tima. O an\u00fancio foi feito, no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, pelo Cardeal Saraiva Martins. Na celebra\u00e7\u00e3o disse que \u00e9 importante \u201clevantar o nosso olhar para o C\u00e9u\u201d e combater a \u201camn\u00e9sia da eternidade\u201d que afecta o nosso tempo. Para postulador foi escolhido o Padre Ildefonso Moriones. O fundador do Instituto Secular das Cooperadoras da Fam\u00edlia viu reconhecerem-lhe as \u00abvirtudes her\u00f3icas\u00bb. Natural da Guarda, Monsenhor Joaquim Alves Br\u00e1s foi considerado \u00abvener\u00e1vel\u00bb pelo decreto de Bento XVI. A Santa S\u00e9 deu assim um parecer positivo ao trabalho desenvolvido sobre a vida, virtudes e fama de santidade do \u00abPrelado dom\u00e9stico\u00bb (T\u00edtulo atribu\u00eddo pelo Papa Jo\u00e3o XXIII)  Natural da Amadora, a Congrega\u00e7\u00e3o para a Causa dos Santos reconheceu \u00e0 Madre Maria Clara do Menino Jesus as virtudes her\u00f3icas. Com a aprova\u00e7\u00e3o deste decreto, a fundadora da Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o fica mais pr\u00f3xima dos altares. Ao longo da sua vida abre grande n\u00famero de casas para recolher pobres e necessitados, em Portugal, e envia irm\u00e3s para as miss\u00f5es em v\u00e1rios pa\u00edses lus\u00f3fonos. Neste momento encontra-se em estudo na referida Congrega\u00e7\u00e3o o processo de um presum\u00edvel milagre. As portas da canoniza\u00e7\u00e3o do Beato Nuno \u00c1lvares Pereira abriram-se quando Bento XVI autorizou a promulga\u00e7\u00e3o de dois decretos que reconhecem um milagre atribu\u00eddo ao futuro santo portugu\u00eas e as suas virtudes her\u00f3icas. Depois de ser beatificado por Bento XV, em 1918, tudo aponta que ser\u00e1 Bento XVI que colocar\u00e1 o \u00abSanto Condest\u00e1vel\u00bb no \u00e1lbum dos santos. A cura milagrosa reconhecida pelo Vaticano foi relatada por Guilhermina de Jesus que sofreu les\u00f5es no olho esquerdo quando fritava peixe.    <b>Especiais ECCLESIA<\/b> As comunica\u00e7\u00f5es sociais e as miss\u00f5es foram a seiva que alimentou duas edi\u00e7\u00f5es especiais da Ag\u00eancia ECCLESIA. A primeira \u00abIgreja e Media\u00bb colocou a t\u00f3nica na Info\u00e9tica e foi lan\u00e7ada em Abril. Entrevistas, coment\u00e1rios e reportagens na primeira pessoa preencheram as 80 p\u00e1ginas deste exemplar que deixou \u201c\u00e1gua na boca\u201d aos leitores.   Passados alguns meses, as miss\u00f5es \u00abad intra\u00bb e \u00abad extra\u00bb estiveram em destaque no n\u00famero especial da Ag\u00eancia ECCLESIA. Totalmente a cores e com o mesmo n\u00famero de p\u00e1ginas que o anterior, \u00abEm Miss\u00e3o\u00bb mostrou que a Igreja \u00e9 not\u00edcia e tem not\u00edcias.  <b>Igreja d\u00e1 e recebe pr\u00e9mios<\/b> A professora e investigadora de Estudos Cl\u00e1ssicos, Maria Helena da Rocha Pereira, foi a personalidade escolhida para receber o Pr\u00e9mio Manuel Antunes, institu\u00eddo pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. A galardoada foi a primeira mulher a obter o grau de doutoramento e a atingir o grau de professora catedr\u00e1tica numa universidade portuguesa.  Foi com atrapalha\u00e7\u00e3o e surpresa que a Irm\u00e3 Mafalda Moniz, das Mission\u00e1rias Dominicanas do Ros\u00e1rio, recebeu a not\u00edcia que seria uma das personalidades condecoradas pelo Presidente da Rep\u00fablica, An\u00edbal Cavaco Silva, no Dia de Portugal (10 de Junho). Recebeu a Ordem de M\u00e9rito pelo seu trabalho no Bairro 6 de Maio, na Amadora. O Pe. Luis Archer recebeu o Pr\u00e9mio Nacional de Bio\u00e9tica 2008. Atribu\u00eddo pela Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Bio\u00e9tica e pelo Servi\u00e7o de Bio\u00e9tica e \u00c9tica M\u00e9dica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, o sacerdote jesu\u00edta \u00e9 um dos investigadores pioneiros na \u00e1rea da gen\u00e9tica.  Cavaco Silva reconheceu tamb\u00e9m os pais da bio\u00e9tica em Portugal. Daniel Serr\u00e3o, Jorge Biscaia, Walter Osswald e Luis Archer receberam das m\u00e3os do Presidente da Rep\u00fablica a Ordem Militar de Santiago da Espada que distingue o m\u00e9rito liter\u00e1rio, cient\u00edfico ou art\u00edstico de personalidades portuguesas.   O seu papel relevante na defesa dos Direitos Humanos foi reconhecido no \u00faltimo m\u00eas de 2008. Referimo-nos ao bispo em\u00e9rito de Set\u00fabal, D. Manuel Martins, que foi uma das personalidades distinguidas pelo Parlamento da Rep\u00fablica, na cerim\u00f3nia de atribui\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9mio Direitos Humanos 2008.   <b>Deixaram obra na Terra<\/b> A Arquidiocese e a cidade de Braga \u201cperderam um lutador e sonhador\u201d \u2013 afirmou D. Jorge Ortiga sobre a morte do C\u00f3nego Melo. Falecido em Abril, o c\u00f3nego Eduardo Melo Peixoto era considerado o padre mais medi\u00e1tico da cidade dos arcebispos. Foi alvo de dezenas de homenagens, a \u00faltima das quais para comemorar os cinquenta anos de sacerd\u00f3cio e que juntou mais de mil pessoas. Quando era Presidente da Rep\u00fablica, M\u00e1rio Soares distinguiu-o como Comendador da Ordem de M\u00e9rito. Autora de vasta obra de escultura, medalh\u00edstica, numism\u00e1tica e ourivesaria, Irene vilar faleceu em Maio \u00faltimo. Nascida em Matosinhos, em 1930, a artista representou o pa\u00eds em diversos certames internacionais e a sua obra foi apresentada em duas exposi\u00e7\u00f5es recentes: \u00abModelar o Mist\u00e9rio\u00bb (Lisboa) e \u00abDo Gesto ao Gesso\u00bb (Matosinhos). Criou tamb\u00e9m as ins\u00edgnias episcopais (anel, cruz e b\u00e1culo) para os bispos Jo\u00e3o Miranda, Janu\u00e1rio Torgal Ferreira e Carlos Moreira Azevedo. No m\u00eas de Agosto terminou a maratona da vida terrestre de D. Manuel Almeida Trindade. Depois de completar 90 anos em Abril, o bispo em\u00e9rito de Aveiro faleceu em pleno Ver\u00e3o. O episcopado portugu\u00eas perdeu um bispo com uma sensibilidade rara e que deixou registos importantes para a hist\u00f3ria da Igreja em Portugal. Foi Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa durante tr\u00eas mandatos. Aveiro n\u00e3o esqueceu o seu bispo e \u00abbateu palmas\u00bb na despedida. Era recorrente chamarem-lhe o escritor dos afectos. Referimo-nos ao ensa\u00edsta, cronista e romancista Ant\u00f3nio Al\u00e7ada Baptista falecido no passado dia 7 de Dezembro. Fundador da \u00abMoraes Editora\u00bb e da revista \u00abTempo e o Modo\u00bb, Al\u00e7ada Baptista foi uma das figuras mais emblem\u00e1ticas do catolicismo progressista portugu\u00eas. Em 1983, este escritor recebeu de Ramalho Eanes a \u00abOrdem Militar de Cristo\u00bb e, em 1995, de M\u00e1rio Soares, a Gr\u00e3-Cruz da Ordem do Infante. Deixou para a posteridade obras de fino recorte liter\u00e1rio: \u00abPeregrina\u00e7\u00e3o Interior I \u2013 Reflex\u00f5es sobre Deus (1971)\u00bb; \u00abConversas com Marcelo Caetano\u00bb (1973); \u00abPeregrina\u00e7\u00e3o Interior II \u2013 O Anjo da Esperan\u00e7a\u00bb (1982); \u00abN\u00f3s e os La\u00e7os\u00bb (1985) e \u00abO Riso de Deus\u00bb (1994).   <b>Final<\/b> Foram not\u00edcias do ano 2008, que oxal\u00e1 n\u00e3o sejam ainda do ano que se aproxima. Mas este \u00aboxal\u00e1\u00bb &#8211; forma mo\u00e7\u00e1rabe de dizer \u00abDeus queira\u00bb &#8211; compromete-nos a todos, cidad\u00e3os e crentes, a alterar o rumo dos acontecimentos.   <i>Luis Filipe Santos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igreja Cat\u00f3lica em Portugal viveu um ano cheio de acontecimentos, marcado por mudan\u00e7as e pelo agravamento das condi\u00e7\u00f5es 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