{"id":3598,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-indispensavel-humanizacao-da-saude\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-indispensavel-humanizacao-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-indispensavel-humanizacao-da-saude\/","title":{"rendered":"A indispens\u00e1vel humaniza\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>O antigo presidente da Comiss\u00e3o Nacional da Humaniza\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA das responsabilidades do Estado na presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade <!--more--> Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 A humaniza\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o fundamental ou vai passar para segundo plano com as actuais reformas da \u00e1rea? Walter Osswald \u2013 Penso que h\u00e1 nas sociedades mais desenWOlvidas uma grande preocupa\u00e7\u00e3o em humanizar os servi\u00e7os de sa\u00fade e esta torna-se mesmo a prioridade, na medida em que o acesso \u00e0 sa\u00fade est\u00e1 garantido. O problema coloca-se em tratar as pessoas como tal e n\u00e3o como doentes, porque quem fica doente encontra-se numa situa\u00e7\u00e3o de fragilidade especial que tem de ser tomada em considera\u00e7\u00e3o e na qual n\u00e3o deve perder os seus direitos de cidad\u00e3o. O acolhimento da pessoa doente tem de ser centrado na \u201cpessoa\u201d e n\u00e3o no caso cl\u00ednico. Isto parece um dado adquirido, mas com os avan\u00e7os da t\u00e9cnica pensa-se muitas vezes que o importante \u00e9 encontrar os sintomas, fazer um diagn\u00f3stico e instituir uma terap\u00eautica adequada, como se o doente fosse apenas um conjunto de sintomas e se limitasse \u00e0 sua doen\u00e7a.  AE \u2013 H\u00e1 uma tend\u00eancia vis\u00edvel para quantificar os servi\u00e7os de sa\u00fade que se contrap\u00f5e a essa perspectiva. \u00c9 poss\u00edvel inverte-la? WO \u2013 \u00c9 claro que a prioridade n\u00e3o \u00e9 quantificar nem ter n\u00fameros e responsabilizar \u2013 embora seja importante falar de listas de espera \u2013, mas lembrar sempre que estamos a trabalhar com pessoas, humanas, com preocupa\u00e7\u00f5es e inquieta\u00e7\u00f5es, fam\u00edlia, obriga\u00e7\u00f5es profissionais e necessidades econ\u00f3micas. Tudo isto encontra-se subvertido em caso de doen\u00e7a grave, porque isso passa para primeiro plano e tudo o mais \u00e9 secundarizado: n\u00e3o se vai trabalhar, preocupa-se mais consigo, basta ver o que acontece quando um chefe de estado fica doente. Estes dados devem ser tomados muito em conta porque isto tem reflexos na eWOlu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a: se a pessoa estiver tranquila a sua recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 completamente diferente da pessoa que al\u00e9m do mais est\u00e1 preocupada porque n\u00e3o sabe se vai ser paga a presta\u00e7\u00e3o disto ou daquilo. A humaniza\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade t\u00eam de ver a pessoa na sua globalidade e n\u00e3o apenas naquela doen\u00e7a que a leWOu ali, n\u00e3o se pode ver a sa\u00fade apenas desde o ponto de vista dos prestadores de cuidados.  AE \u2013 Por onde deve passar concretamente essa preocupa\u00e7\u00e3o? WO \u2013 Quem pensa em humaniza\u00e7\u00e3o deve come\u00e7ar pelo acolhimento, atendendo a coisas t\u00e3o simples como o desempenho do funcion\u00e1rio que atende as pessoas ou a necessidade de eliminar separa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas como um guichet. Deve-se defender o estabelecimento de um di\u00e1logo pessoa a pessoa e n\u00e3o colocar o doente em situa\u00e7\u00e3o de inferioridade, subservi\u00eancia, obrigando-o a curvar-se \u2013 ali\u00e1s, quando estive na Comiss\u00e3o da Humaniza\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade essa foi uma das minhas lutas \u2013 porque n\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para justificar estas situa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o de si deprimentes. Entre a pessoa que procura cuidados e o sistema de sa\u00fade, que \u00e9 representado por caras concretas, deve-se estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, cordial. \u00c9 preciso que estas pessoas sejam treinadas, que saibam relacionar-se e saibam ser r\u00e1pidas no atendimento e correctas na informa\u00e7\u00e3o.  AE \u2013 Quem \u00e9 que deve assumir responsabilidades e assegurar a humaniza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade? WO \u2013 \u00c9 evidente que \u00e9 o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. As outras entidades n\u00e3o t\u00eam autoridade para, por exemplo, oferecer forma\u00e7\u00e3o no hor\u00e1rio de trabalho, e o Minist\u00e9rio tem tido essa aten\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o saiba quais s\u00e3o os resultados globais. A espera a que s\u00e3o obrigadas as pessoas tem de estar tamb\u00e9m na linha da frente das preocupa\u00e7\u00f5es do Estado. As salas de espera nos Hospitais n\u00e3o podem parecer campos de concentra\u00e7\u00e3o, com pessoa em p\u00e9 ou sentadas no ch\u00e3o.  AE \u2013 Esse investimento, por\u00e9m, n\u00e3o tem retorno econ\u00f3mico. Como motivar as administra\u00e7\u00f5es hospitalares a faz\u00ea-lo? WO \u2013 Mas h\u00e1 um retorno enorme de satisfa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico! Eu ouvi as queixas apresentadas pelos utentes em rela\u00e7\u00e3o ao sistema e a grande maioria delas n\u00e3o eram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade dos servi\u00e7os prestados, mas em rela\u00e7\u00e3o ao acolhimento e encaminhamento dos doentes, isto \u00e9, os aspectos humanos. Ningu\u00e9m quer ser atendido por algu\u00e9m que nos despacha como se fossemos gado&#8230; Os espa\u00e7os devem ser dimensionados em fun\u00e7\u00e3o das necessidades, mas n\u00e3o devem gigantescos, porque isso leva \u00e0 ideia de que toda a gente tem de esperar horas! Fala-se muito das listas de espera, mas o verdadeiro inimigo \u00e9 o \u201ctempo de espera\u201d, porque n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel que uma pessoa chegue \u00e0s oito da manh\u00e3 para ser atendida \u00e0 uma da tarde.  AE \u2013 Insisto: quem deve providenciar para que isso seja poss\u00edvel? WO \u2013 Se \u00e9 poss\u00edvel marcar horas na cl\u00ednica privada, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que isso aconte\u00e7a na cl\u00ednica oficial, \u00e9 uma quest\u00e3o de cuidado m\u00ednimo. Conhe\u00e7o hospitais onde isso se faz e funciona: se n\u00e3o for poss\u00edvel marcar de meia em meia hora, pelo menos marcar dois turnos separados. N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel que se espere uma manh\u00e3 ou uma tarde inteira por uma consulta ou que v\u00e3o \u00e0s 5\/6 da manh\u00e3 para o Centro de sa\u00fade s\u00f3 para terem a certeza que ser\u00e3o atendidos. Tudo isto \u00e9 f\u00e1cil de fazer, exige apenas boa WOntade e respeito pelos direitos dos cidad\u00e3os doentes.  AE \u2013 Acredita ent\u00e3o que o futuro da sa\u00fade em Portugal pode ser mais humanizado? WO \u2013 N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel como \u00e9 uma exig\u00eancia que se realiza por si pr\u00f3pria, j\u00e1 que as pessoas v\u00e3o ficando mais conscientes da sua necessidade e porque os profissionais de sa\u00fade s\u00e3o os que sentem mais essa urg\u00eancia.  Durante cinco anos bati-me por uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es que obrigassem o sistema a colocar o doente no centro das preocupa\u00e7\u00f5es, de todo o sistema de sa\u00fade. Agora, o c\u00edrculo n\u00e3o pode ser t\u00e3o vasto que a pessoa fique perdida, tem de haver contacto com a periferia.  AE \u2013 Houve alguma coisa que o marcasse mais na sua experi\u00eancia nesta \u00e1rea? WO \u2013 Aprendi muito nesses cinco anos no contacto com os doentes e apreciei o entusiasmo dos profissionais da sa\u00fade na causa da humaniza\u00e7\u00e3o.  Ningu\u00e9m hoje pensa em enfermarias sem privacidade, mais uma s\u00e9rie de coisas pequenas que s\u00e3o importantes: sabe que h\u00e1 hospitais em que as casas-de-banho n\u00e3o permitem o acesso a pessoas em cadeira de rodas? A humaniza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os passa, pois, por uma melhoria das qualidades dos mesmos, com uma atitude mais pr\u00f3xima do paciente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O antigo presidente da Comiss\u00e3o Nacional da Humaniza\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA das responsabilidades do Estado na presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[206],"class_list":["post-3598","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3598"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3598\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}