{"id":359584,"date":"2025-03-06T09:00:40","date_gmt":"2025-03-06T09:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=359584"},"modified":"2025-03-07T11:28:10","modified_gmt":"2025-03-07T11:28:10","slug":"oracao-e-silenciamento-os-passos-decisivos-para-uma-vida-mais-plena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/oracao-e-silenciamento-os-passos-decisivos-para-uma-vida-mais-plena\/","title":{"rendered":"Ora\u00e7\u00e3o e silenciamento: os passos decisivos para uma vida mais plena"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>S\u00e3o tantas as vezes que eu sou questionado sobre o que \u00e9 rezar ou como \u00e9 que se deve rezar. Antes de tudo, rezar n\u00e3o \u00e9 um acto m\u00e1gico ou abstrato. Antes, \u00e9 a express\u00e3o e a visibilidade de uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima e pessoal. Rezar \u00e9, por assim dizer, a revela\u00e7\u00e3o do amar mais profundo e mais integral. Por isso, s\u00f3 reza quem ama e quem tem, vive e se alimenta nesta rela\u00e7\u00e3o \u00edntima que se gera entre Nosso Senhor e cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Muito relevante a este prop\u00f3sito \u00e9 o facto de que esta mesm\u00edssima rela\u00e7\u00e3o acontece n\u00e3o por nossa iniciativa, mas da iniciativa de Deus. Deus Nosso Senhor ama-nos tanto que n\u00e3o consegue n\u00e3o amar, n\u00e3o consegue ver-nos fora dele, perdidos e s\u00f3s, e imbu\u00eddos na cegueira do ego\u00edsmo e da viol\u00eancia. Ele, sempre Ele, toma a iniciativa de vir ao nosso encontro. Para melhor percebermos isto, olhemos para a famosa imagem de Miguel \u00c2ngelo na Capela Sistina (Cidade do Vaticano). Aqui vemos um Deus de bra\u00e7o e m\u00e3o estendida, ansioso por tocar na sua obra, no ser que Ele mesmo criou, esse mesmo a quem Ele quer envolver num abra\u00e7o eterno de amor. Por seu turno, vemos esta criatura, o homem, numa postura relaxada e indiferente, de bra\u00e7o esticado, mas com os dedos semi-esticados. Falta a parte dele: basta s\u00f3 esticar para tocar em Nosso Senhor, seu criador e fonte de toda a vida e sentido. Mas n\u00e3o o faz. Sim, n\u00f3s n\u00e3o o fazemos. Quantas vezes pensamos que nos bastamos a n\u00f3s mesmos? Quantas vezes pensamos que s\u00f3 em mim est\u00e3o as solu\u00e7\u00f5es e as repostas das minhas inquieta\u00e7\u00f5es? Quantas vezes n\u00e3o olhamos para Nosso Senhor com desd\u00e9m e com indiferen\u00e7a e, nessa indiferen\u00e7a, desprezamos o amor e o dom da vida que Ele tem para n\u00f3s? N\u00e3o queremos esse tesouro, n\u00e3o \u00e9? Talvez seja bem mais aliciante aquilo que \u00e9 mais imediato e palp\u00e1vel, aquilo que nos faz sentir superiores ou que nos torna sinal de bajula\u00e7\u00e3o e de honrarias. Talvez seja isso. Ou talvez ainda n\u00e3o tomemos verdadeiramente consci\u00eancia de que, ainda, n\u00e3o tenhamos tido este encontro, este encontro entre mim e Ele. E isto ajuda a explicar o porqu\u00ea de ser dif\u00edcil rezar.<\/p>\n<p>A nossa ora\u00e7\u00e3o \u00e9 tanta vez mais uma manifesta\u00e7\u00e3o do nosso querer do que propriamente do que n\u00f3s precisamos. Querer orbita sempre na superficialidade da vida. \u00c9 pr\u00f3prio de quem n\u00e3o tem vida de sil\u00eancio, vida interior ou que n\u00e3o fez o seu caminho em ordem ao autoconhecimento. Vejamos este exemplo: quando perguntamos o que queremos, a resposta \u00e9 imediata, sai logo. No entanto, quando perguntamos sobre o que n\u00f3s realmente precisamos, isto demora mais tempo, levamos mais tempo para responder. Mas porqu\u00ea? Porque o precisar \u00e9 resultado de quem j\u00e1 iniciou o seu processo de autoconhecimento e quer ter uma vida verdadeiramente espiritual. Portanto, o que precisamos nem sempre (ou nunca) \u00e9 o que queremos. E Deus nunca nos dar\u00e1 o que queremos; Ele dar\u00e1 sempre o que precisamos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o rezar \u00e9 descer at\u00e9 ao cora\u00e7\u00e3o e, descendo, vou descobrindo quem realmente sou e o que sou. Essa descoberta revela n\u00e3o s\u00f3 as minhas car\u00eancias, como tamb\u00e9m as minhas virtudes. Este trabalho \u00e9 o ponto de partida para o autoconhecimento e que, atrav\u00e9s da virtude da humildade, faz com que aconte\u00e7a o maior milagre da vida, isto \u00e9, que Deus seja Deus na minha vida e no meu cora\u00e7\u00e3o. Por outras palavras, Ele \u00e9 o \u00fanico que torna a (minha\/nossa) vida numa vida de luz, de sentido e de significado. Deixo aqui uma curiosidade. H\u00e1 quem diga que Deus Nosso Senhor tem uma \u2018fraqueza\u2019. Quem reza com humildade e de forma perseverante, Deus n\u00e3o consegue n\u00e3o ouvir, n\u00e3o deixa de n\u00e3o ajudar, n\u00e3o deixa de n\u00e3o dar o que precisamos, pois s\u00f3 Ele sabe o que real e verdadeiramente precisamos.<\/p>\n<p>Por isso, na pedagogia da ora\u00e7\u00e3o, o sil\u00eancio reveste-se de particular import\u00e2ncia. Ele que brota n\u00e3o da solid\u00e3o, mas da solitude. Mais, a solid\u00e3o, tal como a sede ou a fome, atormenta-nos. Por\u00e9m, se ela for uma solid\u00e3o habitada, suscitar-nos-\u00e1 a necessidade de estarmos fisicamente a s\u00f3s, apenas eu com os meus eus, de saber ouvir a voz interior e de escutar atentamente a voz de Nosso Senhor. Sagazmente, D. Erik Varden (monge trapista e bispo noruegu\u00eas), numa entrevista ao <em>Di\u00e1rio do Minho<\/em> (24\/4\/2023, Braga), assevera que lhe parece que \u201ca solid\u00e3o \u00e9 aquele ambiente, aquele contexto no qual \u00e9 poss\u00edvel esta recorda\u00e7\u00e3o de mim mesmo, que explicita a minha identidade, a minha personalidade e me torna dispon\u00edvel a um encontro pessoal\u201d.<\/p>\n<p>Como \u00e9 dif\u00edcil fazer sil\u00eancio e escutar. O mundo contempor\u00e2neo perdeu o primado da interioridade. Todavia, D. Jos\u00e9 Cordeiro (Arcebispo de Braga), \u00e9 muito assertivo ao dizer que \u201ca interioridade \u00e9 a for\u00e7a que faz despertar a esperan\u00e7a e assumir a responsabilidade de estar \u00e0 altura dos desafios da vida. O futuro est\u00e1 na interioridade e sem mem\u00f3ria n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a\u201d (Varden, 2024, p. 7). \u00c9 somente o sil\u00eancio que conduz ao recolhimento, \u00e0 interioriza\u00e7\u00e3o e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o interior. Que saibamos estabelecer para cada um de n\u00f3s este desafio de iniciarmos o processo de silenciamento. Por outras palavras, de iniciar a viagem de regresso ao cora\u00e7\u00e3o, o lugar onde eu sou eu, sem m\u00e1scaras, sem filtros, sem maquilhagens. A\u00ed, e somente a\u00ed, damos in\u00edcio ao processo transformador das nossas vidas. Pois, do autoconhecimento nasce o encontro comigo mesmo e, mais importante, com Nosso Senhor.<\/p>\n<p>\u00c9 simplesmente aqui, neste encontro, neste processo transformador que eu percebo que o sentido \u00faltimo da vida est\u00e1 em ser vida para mim mesmo e ser vida na vida de algu\u00e9m. D. Erik Varden resume tudo isto na perfei\u00e7\u00e3o. Diz ele: \u201cquero ser algu\u00e9m capaz de ser amigo, capaz de oferecer amizade e capaz de receber amizade, e ent\u00e3o o encontro que se seguir\u00e1 \u00e9 a gra\u00e7a de qualquer encontro. Porque um encontro verdadeiro \u00e9 sempre uma d\u00e1diva. Mas precisamos de nos preparar para receber esse presente\u201d (In., <em>Di\u00e1rio do Minho<\/em>, 24\/4\/2023, Braga).<\/p>\n<p>Ouse a dizer a si mesmo: hoje \u00e9 o dia, hoje \u00e9 o passo que vou dar para este silenciamento, para viver a minha vida na uni\u00e3o com Nosso Senhor, que possa viver a vida pela melodia da ora\u00e7\u00e3o e que dela eu possa viver a minha vida como uma solid\u00e3o habitada pela mem\u00f3ria, pela gratid\u00e3o e pela gra\u00e7a divina.<\/p>\n<p>Deixo, como nota final, a sugest\u00e3o de ouvirem o podcast \u201cE se fal\u00e1ssemos de F\u00e9\u201d (link: <a href=\"https:\/\/youtube.com\/@esefalassemosdefe?si=sYwmcKRFTU8X5c9q\">https:\/\/youtube.com\/@esefalassemosdefe?si=sYwmcKRFTU8X5c9q<\/a> ), na certeza que poder\u00e1 ajudar muito na compreens\u00e3o desta tem\u00e1tica.<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de 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