{"id":359450,"date":"2025-02-03T17:34:00","date_gmt":"2025-02-03T17:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=359450"},"modified":"2025-03-07T11:58:45","modified_gmt":"2025-03-07T11:58:45","slug":"lusofonias-do-huambo-a-luanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-do-huambo-a-luanda\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Do Huambo a Luanda"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Luanda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-359451 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Lusofonias-Huambo-3-2-2025-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Lusofonias-Huambo-3-2-2025-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Lusofonias-Huambo-3-2-2025-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Lusofonias-Huambo-3-2-2025-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Lusofonias-Huambo-3-2-2025-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Lusofonias-Huambo-3-2-2025.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Sa\u00ed do Chinguar, Prov\u00edncia do Bi\u00e9, rumo \u00e0 capital do planalto central, o Huambo. Pelo caminho, atravessei\u00a0 o Cachiungo (ex Belavista, a Tchikala-Tcholohanga (ex Vila Nova) e as Boas \u00c1guas\u2026 Quando passei ao largo da Miss\u00e3o e barragem do Cuando, a cidade do Huambo estava j\u00e1 de portas abertas para me acolher.<\/p>\n<p>Quem me conhece sabe que o Huambo est\u00e1-me impresso na vida. Ali vivi entre 1990 e 1994, tempo muito plural porque teve o cessar fogo da guerra civil em 1991, a visita do Papa Jo\u00e3o Paulo II em 1992 e, infelizmente, a tr\u00e1gica Batalha dos 55 Dias, em 1993! Ali ficamos a viver quase entre escombros durante mais um ano e meio\u2026<\/p>\n<p>O Escolasticado Poullart des Places, no Huambo, acaba de ser constru\u00eddo e dedicado ao fundador dos Espiritanos. \u00c9 grande, espa\u00e7oso, com lugar para uma trintena de jovens Espiritanos na fase final da sua Forma\u00e7\u00e3o. Ali fui recebido com festa, tive a oportunidade de encontrar o grupo que ali faz caminho rumo ao sacerd\u00f3cio e celebrei Missa com toda a Comunidade. Indo ao Huambo, era imposs\u00edvel evitar a multiplica\u00e7\u00e3o de encontros e abra\u00e7os, o que sucedeu durante os dias que ali permaneci. N\u00e3o quero esquecer o simp\u00e1tico convite do Instituto Superior Polit\u00e9cnico Cat\u00f3lico do Huambo que organizou, com casa cheia, uma confer\u00eancia sobre este projeto \u2018Lusofonias\u2019. Este evento foi ponto de encontro com o Arcebispo Em\u00e9rito, D. Jos\u00e9 Queir\u00f3s, com numerosos padres, Irm\u00e3s, seminaristas e leigos. O debate final foi aceso, como conv\u00e9m a eventos acad\u00e9micos.<\/p>\n<p>Passar no Huambo obriga-me sempre a ir ao encontro das Irm\u00e3s do Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria (Filhas d\u2019\u00c1frica), uma fam\u00edlia religiosa que partilha a espiritualidade Espiritana. Tamb\u00e9m visitei as Irm\u00e3s Espiritanas e as Irm\u00e3s Teresianas, agora vizinhas do novo Escolasticado.<\/p>\n<p>Miss\u00e3o cumprida no Huambo, era urgente rumar \u00e0 capital para queimar os \u00faltimos cartuxos e regressar a Roma. Durou mais de dez horas esta viagem entre o Huambo e Luanda. Tudo isto porque se programaram tr\u00eas paragens estrat\u00e9gicas. Alguns kms ap\u00f3s a sa\u00edda, paramos para uma foto com a famosa Pedra Cuca que anuncia a aproxima\u00e7\u00e3o da cidade para quantos a ela se dirige. Depois, chegados \u00e0 Tchipipa, fizemo-nos \u00e0 picada que leva at\u00e9 \u00e0 Miss\u00e3o do Vale do Queve, onde tantas vezes celebrei. Ali nos acolheram o P. Ndjimbu e as Irm\u00e3s Filhas d\u2019Africa. Porque a viagem era longa, fizemo-nos \u00e0 estrada e a paragem seguinte foi no Waku-Kungo, onde almo\u00e7amos com as Irm\u00e3s Nen\u00e9 e Dina, Filhas d\u2019\u00c1frica. Continuamos viagem e fizemos a \u00faltima pausa programada no Alto Dondo, visitando as Irm\u00e3s Teresianas que ali dirigem um enorme complexo escolar. Pude abra\u00e7ar a Irm\u00e3 F\u00e1tima Kavate que partilha a assinatura de um dos meus livros, foi a comentadora oficial da Televis\u00e3o P\u00fablica de Angola da visita do Papa Jo\u00e3o Paulo II e foi figura de refer\u00eancia, durante largos anos, na R\u00e1dio Ecclesia, em Luanda. A nota mais triste do Dondo \u00e9 que a sua grande f\u00e1brica de cerveja (Eka) foi encerrada, para desgra\u00e7a geral do povo, pois trouxe muito desemprego numa regi\u00e3o onde quase s\u00f3 h\u00e1 a fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica a oferecer trabalho est\u00e1vel e remunerado,<\/p>\n<p>Esta longa viagem encheu-me os olhos com a beleza das paisagens, mas tamb\u00e9m me ajudou a perceber que a maioria das pessoas continuam pobres, a residir em casas muto fr\u00e1geis, a sobreviver do cultivo dos campos e de pequenos mercados ao longo das estradas. Tamb\u00e9m vi muitas crian\u00e7as a sair ou a entrar nas escolas com bancos \u00e0 cabe\u00e7a, o que explica o fraco investimento que Angola tem feito na educa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m pude ver a quantidade de sacos de carv\u00e3o que est\u00e3o \u00e0 venda, sinal de que as \u00e1rvores est\u00e3o a ser destru\u00eddas e a ecologia integral n\u00e3o se respeita. As estradas tamb\u00e9m t\u00eam muitas zonas de buracos, mas fico feliz por ver carros, cami\u00f5es e motos a andar dia e noite, o que prova que h\u00e1 seguran\u00e7a nas estradas.<\/p>\n<p>O adeus a Angola, em dia do Padroeiro de Luanda, S. Paulo, foi precedido por uma Missa campal no espa\u00e7oso adro da Igreja da Senhora de F\u00e1tima, presidida por D. Filomeno Dias, Arcebispo de Luanda. Dezenas de padres e milhares de fi\u00e9is celebraram os 449 anos da funda\u00e7\u00e3o da capital. Podia ler-se diante do altar: \u2018Cidade baptizada, crismada e peregrina da Esperan\u00e7a\u2019, o lema escolhido para este dia.<\/p>\n<p>O dia concluiu-se com uma sess\u00e3o sobre Lusofonias no audit\u00f3rio do Col\u00e9gio das Irm\u00e3s de S. Jos\u00e9 de Cluny, no Kinaxixe.<\/p>\n<p>Deixei Angola feliz pelo que vi, ouvi e vivi. E como digo sempre \u00e0 partida: \u2018Havemos de voltar!\u2019.<\/p>\n<p>Tony Neves, em Luanda<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Do Huambo a Luanda\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/4CufhuxKXF13cEOdzcscDp?si=yKEJLAFXSwSiiQqf1ZKJjg&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em 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