{"id":358428,"date":"2025-01-27T14:43:02","date_gmt":"2025-01-27T14:43:02","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=358428"},"modified":"2025-03-07T11:59:29","modified_gmt":"2025-03-07T11:59:29","slug":"lusofonias-por-terras-do-bie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-por-terras-do-bie\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Por terras do Bi\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, na Prov\u00edncia do Bi\u00e9<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofonias-Bie-27-1-20225.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-358429 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofonias-Bie-27-1-20225-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofonias-Bie-27-1-20225-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofonias-Bie-27-1-20225-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofonias-Bie-27-1-20225-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofonias-Bie-27-1-20225-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofonias-Bie-27-1-20225.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Bailundo foi desaparecendo da vista \u00e0 medida que nos faz\u00edamos \u00e0 estrada que nos levaria \u00e0 Miss\u00e3o de Tchicumbi, no Andulo, j\u00e1 na Prov\u00edncia e Diocese do Bi\u00e9. Tal como acontece na estrada de Cacuso para Kalandula, tamb\u00e9m aqui as pessoas aproveitam as bermas da estrada para p\u00f4r a secar o milho e a mandioca no alcatr\u00e3o, dando colorido \u00e0 paisagem e enchendo de gente as ruas. Rumamos na dire\u00e7\u00e3o do Mungo e passamos na aldeia natal de D. Zacarias Kamwenho, o Tchimbundo, cuja escola recebeu o seu nome. Em Calucinga apanhamos a estrada que liga o Cuito a Malanje e chegamos \u00e0 aldeia de Tchicumbi, que deu o nome \u00e0 Miss\u00e3o do Andulo. Ali, desde sempre, trabalham os Espiritanos e as Irm\u00e3s de S. Jos\u00e9 de Cluny, que me acolheram.<\/p>\n<p>Andulo foi considerada uma das maiores Miss\u00f5es da \u00c1frica Austral, como tantas vezes ouvi da boca do P: Carlos Salgado, que ali estava na hora da independ\u00eancia e expuls\u00e3o dos mission\u00e1rios. O que se pode ver hoje \u00e9 uma quantidade de edif\u00edcios enormes, a maioria destru\u00eddos pela guerra. Antes, havia as resid\u00eancias dos Espiritanos e das Irm\u00e3s, tinha internatos de rapazes e meninas, o Hospital, o centro de Promo\u00e7\u00e3o Feminina, as Escolas, a Escola do Magist\u00e9rio, oficinas v\u00e1rias e um territ\u00f3rio imenso ao servi\u00e7o da agricultura e cria\u00e7\u00e3o de gado. Tudo funcionava em grande e tornava aut\u00f3noma a vida da Miss\u00e3o, sempre em desenvolvimento acelerado.<\/p>\n<p>Hoje, os Espiritanos e as Irm\u00e3s est\u00e3o de regresso, mas apenas recuperaram as resid\u00eancias, a Igreja, uma parte da Escola e o Hospital. Al\u00e9m da gest\u00e3o quotidiana da Miss\u00e3o, a equipa mission\u00e1ria visita e anima 86 aldeias, a maioria com acesso muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>O povo ficou pobre e abandonado com a guerra civil e faz esfor\u00e7o por levantar-se. \u00c9 impressionante a extens\u00e3o de terras cultivadas, sobretudo com milho. Mas h\u00e1 muitas lavras em que as plantas est\u00e3o raqu\u00edticas e amarelas, ficando evidente a falta de \u00e1gua, bem como a aus\u00eancia de fertilizantes, anunciando fracas colheitas.<\/p>\n<p>A visita guiada ao Hospital, com explica\u00e7\u00f5es da diretora, a Irm\u00e3 Ana, mostrou-me quanto os medicamentos faltam e como esta \u00e9poca das chuvas faz aumentar muito o n\u00famero de casos de paludismo, a doen\u00e7a que mais mata em \u00c1frica. Na esta\u00e7\u00e3o atual, o Hospital est\u00e1 a abarrotar, com a chuva a facilitar a reprodu\u00e7\u00e3o dos mosquitos e a fragilidade f\u00edsica a colaborar com esta doen\u00e7a que j\u00e1 devia ter sido erradicada.<\/p>\n<p>Da Miss\u00e3o de Tchicumbi levaram-me para a da Chanhora, por tr\u00e1s do aeroporto do Cuito. Passamos na cidade do Andulo ( a 12kms da Miss\u00e3o e com uma placa antiga que diz estar a 245 kms de Nova Lisboa!) e seguimos para o Cunhinga, terra famosa pelo hospital de refer\u00eancia dos Redentoristas, que a guerra destruiu duas vezes e estes mission\u00e1rios reconstru\u00edram outras tantas. Ali encontraria e abra\u00e7aria os Padres Paulino Cambungo e Nelson, amigos dos tempos antigos do Huambo.<\/p>\n<p>O caminho ainda era longo, chegamos ao Cunje, onde est\u00e1 a Gare que foi constru\u00edda para servir a cidade de Silva Porto. De l\u00e1, atravessamos o rio Cuito e chegamos \u00e0 cidade que ganhou o mesmo nome. Passando o aeroporto, metemo-nos numa picada de 7kms, quase intransit\u00e1vel neste tempo de chuvas. Fui acolhido na Miss\u00e3o da Chanhora, nesta terra que foi a minha primeira casa em Angola, naquele j\u00e1 distante 1989! O momento mais forte desta visita foi a celebra\u00e7\u00e3o, em umbundu, da Missa na aldeia de Jimba Silili, que fazia parte da \u00e1rea mission\u00e1ria que acompanhava na hora da minha chegada a Angola. Tive a alegria de visitar a minha primeira resid\u00eancia em Angola, o Pa\u00e7o Episcopal do Cuito-Bi\u00e9, onde fui acolhido pelo novo Bispo, D. Vicente Sanombo.<\/p>\n<p>A \u00faltima etapa em territ\u00f3rio bieno levou-me \u00e0 Miss\u00e3o do Chinguar, situada a 75 kms do Cuito e a outros tantos do Huambo. Como fiz em todas as Miss\u00f5es, falei com os Espiritanos e reuni com os Conselhos de Pastoral, encontros sempre muito ricos e fraternos. No Chinguar, visitei o Santu\u00e1rio do Monte Tchimbango, dedicado a N. Sra de F\u00e1tima e tive a alegria de presidir \u00e0 Missa dominical, de casa cheia, e uma anima\u00e7\u00e3o muito viva, ao ritmo do canto e da dan\u00e7a. Tamb\u00e9m aqui, os Espiritanos vivem e trabalham com as Irm\u00e3s de S. Jos\u00e9 de Cluny.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima paragem ser\u00e1 a cidade do Huambo que me acolheu de 1990 a 1994. Aguardem o rescaldo desta visita que, para mim, \u00e9 sempre marcante e emocionante.<\/p>\n<p><em>Tony Neves, na Prov\u00edncia do Bi\u00e9<\/em><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Por terras do Bi\u00e9\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6QSuxUcMF7W0GnHWohjMY9?si=hMe4cUxBQwqtJsBs8FTkOw&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, na Prov\u00edncia do 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