{"id":357527,"date":"2025-01-20T10:24:33","date_gmt":"2025-01-20T10:24:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=357527"},"modified":"2025-03-07T11:44:01","modified_gmt":"2025-03-07T11:44:01","slug":"nao-ha-esperanca-sem-domingo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-ha-esperanca-sem-domingo\/","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a sem Domingo"},"content":{"rendered":"<div><em>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/em><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268285\" aria-describedby=\"caption-attachment-268285\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268285\" class=\"wp-caption-text\">Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>Infelizmente, vemos que o significado e o sentido do domingo, do ponto de vista crist\u00e3o, est\u00e1 a diluir-se. Para muita gente o domingo n\u00e3o passa de outro s\u00e1bado. Para alguns cat\u00f3licos ainda \u00e9 o dia para o encontro com Deus e com a comunidade, mas para muitos deixou de o ser, h\u00e1 muito tempo. Est\u00e1 em marcha um per\u00edodo revolucion\u00e1rio de seculariza\u00e7\u00e3o do domingo. Vemos o domingo a ser preenchido com muitas atividades e iniciativas, com todo o tipo de acontecimentos e eventos, com todo o tipo de lazer e distra\u00e7\u00e3o. O seu sentido mais profundo est\u00e1 a caminhar para o eclipse.<\/p>\n<p>O capitalismo, com a sua ditadura do lucro e da produtividade, tomou conta da vida das pessoas e das fam\u00edlias. Recordo uma homilia que, em tempos, D. Manuel Linda, Bispo do Porto, proferiu, questionando a cultura e a organiza\u00e7\u00e3o social atuais, em que predomina o fatigante trabalho cont\u00ednuo e a imp\u00fadica gan\u00e2ncia capitalista, em grande preju\u00edzo para o Domingo, com os valores e institui\u00e7\u00f5es que lhe est\u00e3o ligadas, mas sobretudo em preju\u00edzo para a pessoa humana, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma m\u00e1quina de trabalho.<\/p>\n<p>O Domingo, contributo do cristianismo para a humanidade, sempre teve para n\u00f3s, europeus, uma grande carga simb\u00f3lica e um car\u00e1ter sagrado, um dia profundamente diferente, para se respirar no tempo, para se privilegiar o descanso, quebrando-se a escravatura laboral ou o peso do trabalho, o dia para o encontro com Deus e para o encontro dos crist\u00e3os entre si, para a espiritualidade e o enriquecimento interior, o dia para a fam\u00edlia, para o lazer, para o desporto, para o aprofundamento e valoriza\u00e7\u00e3o da amizade, da fraternidade e da comunh\u00e3o, o dia para o tempo livre e se contemplar a arte e a beleza da vida, o dia para a festa e o conv\u00edvio, enfim, um dia para o ser humano se humanizar e enriquecer como ser humano e dar tempo \u00e0s institui\u00e7\u00f5es humanas que t\u00eam um papel decisivo na felicidade e estabilidade da vida humana.<\/p>\n<p>Infelizmente, tudo isto est\u00e1 em colapso, ou, como afirmou D. Manuel Linda, \u00abesta marca est\u00e1 a perder-se. E a perder-se em detrimento da dignidade pessoal e dos direitos humanos. Pensemos no novo esclavagismo da labora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, \u00ablegalmente\u00bb imposta pelos novos senhores do mundo que dominam a economia e, por esta, os governos. Pensemos como os crit\u00e9rios dos \u00abturnos\u00bb, em sectores onde, para al\u00e9m da gan\u00e2ncia, nada os justifica, a par dos graves transtornos psicol\u00f3gicos do trabalhador e do fracionamento dos encontros familiares, est\u00e1 a gerar a \u00abmorte do Domingo\u00bb, o fim dos ritmos semanais, a aboli\u00e7\u00e3o dos verdadeiros momentos celebrativos e o fracionamento da fam\u00edlia e das rela\u00e7\u00f5es de amizade.\u00bb<\/p>\n<p>O Domingo est\u00e1-se a tornar um dia como os outros, um dia trivial, igual a qualquer outro dia da semana, um dia como qualquer outro para trabalhar, assim reclamado pelos grandes imp\u00e9rios econ\u00f3micos atuais, que n\u00e3o t\u00eam outro intento que n\u00e3o seja acumular lucros e mais lucros, construindo para isso as grandes catedrais e santu\u00e1rios do mundo contempor\u00e2neo, os hipermercados, os supermercados e os centros comerciais. Ao Domingo, \u00e9 ali que a maioria das pessoas aflui para passar o tempo, para estar sempre entretida e consumir, sem ter outros interesses mais nobres e realizadores para a sua vida. Como afirmou D. Manuel Linda, \u00abest\u00e1-se a gerar uma civiliza\u00e7\u00e3o fria, sem alma, individualista, sem profundidade de rela\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo sem outros contactos que n\u00e3o sejam os da \u00abrealidade virtual\u00bb.<\/p>\n<p>Reparemos como atualmente o consumo e o dinheiro est\u00e3o a desumanizar a vida e a escravizar o ser humano. Est\u00e1 instalada uma febre consumista que leva tudo na frente, promovendo estilos de vida com fins exclusivamente materialistas, trabalhar para juntar e poder comprar, trabalhar para ter sempre mais isto ou aquilo, trabalhar para se poder viajar e usufruir de coisas e mais coisas, todo o tipo de sensa\u00e7\u00f5es e prazeres que nos dizem serem inadi\u00e1veis. Nem reparamos como esta forma de viver nos est\u00e1 a tornar superficiais, isolados, ego\u00edstas, desumanizados. As fam\u00edlias mal convivem durante a semana. Marcar uma festa \u00e9 o cabo dos trabalhos. Conviver com os amigos, por vezes, \u00e9 uma experi\u00eancia fugaz e sem aprofundamento, ou ent\u00e3o com todo tipo de evas\u00f5es e excessos. O essencial, que \u00e9 o ter tempo para si e para os outros, para a fam\u00edlia, para as rela\u00e7\u00f5es humanas e seu enriquecimento, o estar com os outros com dedica\u00e7\u00e3o e sem pressa, o saborear o tempo com a arte e a beleza, o encontro, com a m\u00fasica, est\u00e1-nos a passar ao lado e n\u00e3o \u00e9 de estranhar que sejamos uma sociedade deprimida, desequilibrada, exausta, consumista, superficialmente feliz, desencantada e por vezes at\u00e9 desesperada e s\u00f3.<\/p>\n<p>A partir do momento que se quebrou a rela\u00e7\u00e3o com Deus e em parte com os outros, ou com a comunidade se quisermos, deix\u00e1mos de trilhar o caminho da esperan\u00e7a. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II afirmou-o de forma clara: \u201cQuando o domingo perde o significado original e se reduz a puro fim de semana, pode acontecer que o homem permane\u00e7a cerrado num horizonte t\u00e3o restrito, que n\u00e3o mais lhe permite ver o c\u00e9u\u201d. Ou seja, viver sem esperan\u00e7a. O Papa Francisco corrobora: \u201cAlgumas sociedades secularizadas perderam o sentido crist\u00e3o do domingo iluminado pela Eucaristia. Isto \u00e9 uma l\u00e1stima\u201d. E sabiamente sentencia: \u201cSem Cristo somos condenados a ser dominados pelo cansa\u00e7o do cotidiano, com suas preocupa\u00e7\u00f5es, e pelo temor do amanh\u00e3. O encontro dominical com o Senhor nos fortalece para viver o hoje com confian\u00e7a e coragem e seguir adiante com esperan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Um bom exerc\u00edcio para este Jubileu da Esperan\u00e7a que vamos celebrar neste ano de 2025 \u00e9 levantarmos a voz na defesa do valor e do significado do domingo e valores que lhe est\u00e3o subjacentes, ajudarmos aqueles que nos s\u00e3o pr\u00f3ximos a redescobrirem a import\u00e2ncia e o encanto da rela\u00e7\u00e3o com Deus, cuidar da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia ao domingo, refor\u00e7ar e enriquecer a vida das comunidades, dar mais tempo para estar com os outros ao domingo, acompanhar de forma mais pr\u00f3xima doentes, fam\u00edlias, crian\u00e7as e jovens, at\u00e9 imigrantes ou refugiados, testemunhar a f\u00e9 nos nossos ambientes sociais com coer\u00eancia e alegria. Nada de novo, \u00e9 verdade, mas penso que a esperan\u00e7a n\u00e3o vive de chav\u00f5es nem de modas.<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-357527","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=357527"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357527\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=357527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=357527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=357527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}