{"id":357299,"date":"2025-01-22T09:08:39","date_gmt":"2025-01-22T09:08:39","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=357299"},"modified":"2025-03-07T11:43:46","modified_gmt":"2025-03-07T11:43:46","slug":"2025-um-ano-de-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/2025-um-ano-de-esperanca\/","title":{"rendered":"2025, um ano de esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Isabel Figueiredo, diretora do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-207515 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>No presente constru\u00edmos o futuro. Ningu\u00e9m o pode negar, tal como n\u00e3o se pode desvalorizar o passado, na constru\u00e7\u00e3o do presente. H\u00e1 uma continuidade no tempo, que nos pede olhares atentos para aquilo que j\u00e1 deix\u00e1mos e uma renovada capacidade de ver o horizonte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estas evid\u00eancias aplicam-se \u00e0s nossas vidas pessoais e familiares, mas tamb\u00e9m \u00e0 vida nacional e internacional. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s primeiras, cada um saber\u00e1 de si, claro, mas sempre nesta certeza de que somos aquilo que herd\u00e1mos, n\u00e3o apenas do ponto de vista material, mas tamb\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o que nos foi dada. E aqui, \u00e9 relevante salientar que n\u00e3o se trata apenas da forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, mas tamb\u00e9m dos valores que vivenci\u00e1mos, da cultura que apreendemos, da f\u00e9 que professamos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vem-me \u00e0 mem\u00f3ria uma recente chamada de aten\u00e7\u00e3o do Papa Francisco, ao falar da forma\u00e7\u00e3o dos sacerdotes. Dizia o Papa que a literatura era fundamental na forma\u00e7\u00e3o de um sacerdote. S\u00f3 a literatura lhes poderia dar a dimens\u00e3o de humanidade necess\u00e1ria \u00e0 sua vida de pastores. Fiquei de novo surpreendida com a vis\u00e3o deste Papa, com a sua mundivid\u00eancia, com a sua sensibilidade. Somos crist\u00e3os afortunados, por partilharmos este tempo de gra\u00e7a que nos \u00e9 dado, com este Pedro ao leme da imensa barca que somos. A beleza da literatura, a riqueza das personagens criadas, dos sentimentos expressados, das palavras que procuram descrever vidas que, na sua maioria, t\u00eam pouco de ficcionadas. N\u00e3o ter receio dos pensamentos, das cr\u00edticas, do arrojo de quem escreve e do que escreve\u2026como precisamos de gente adulta, capaz de ler, de distinguir o bem do mal, de apreender que a vida n\u00e3o \u00e9 sempre e toda a preto e branco, que os bons n\u00e3o s\u00e3o sempre bons, nem os maus sempre maus. Como precisamos de gente crescida, capaz de sentir compaix\u00e3o, miseric\u00f3rdia e ternura; capaz de dar vida \u00e0 palavra humildade, de imitar o Mestre com a consci\u00eancia de que nunca tal ser\u00e1 alcan\u00e7\u00e1vel, porque somos todos iguais, pequenos e tantas vezes perdidos nas nossas certezas. Dimens\u00f5es que se jogam na vida pessoal de cada homem, de cada mulher mais ou menos velhos, mais ou menos novo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando falamos da vida nacional e internacional, quando a olhamos com olhos de ver, descobrimos que afinal, n\u00e3o estamos assim t\u00e3o mal, como nos dizem ou fazem acreditar. Claro que se nos mantivermos fechados na nossa bolha, ou at\u00e9 mesmo na nossa bola de cristal, somos como borboletas sempre \u00e0s voltas, atra\u00eddas pela luz que queima, com as mesmas queixas, lutas e reivindica\u00e7\u00f5es.\u00a0 Mas se nos arriscarmos a levantar o olhar para o horizonte do mundo que corre l\u00e1 fora, encontramos guerras, fomes, desempregos, sa\u00fades prec\u00e1rias, velhices abandonadas, fam\u00edlias entregues \u00e0 sua sorte. E n\u00e3o estamos a falar apenas dos pa\u00edses subdesenvolvidos do continente africano, sul americano ou asi\u00e1tico. Porque a\u00ed, a lista seria bem mais extensa e detalhada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Visitei recentemente um pa\u00eds da Am\u00e9rica do Sul. Destino de muitas f\u00e9rias dispendiosas, de destinos ex\u00f3ticos e paradis\u00edacos. Um pa\u00eds com paisagens luminosas, rico e poderoso. Mas o que vi, foram terras e terras com casas sem qualquer reboco, buracos no lugar de janelas e arame farpado, muito arame farpado a proteger lojas velhas, casas velhas, barrac\u00f5es cheios de carros velhos; vi passeios cheios de gente apressada que vestia umas cal\u00e7as, uma saia, uns chinelos nos p\u00e9s. Por onde andariam os pais e m\u00e3es com vidas medianas, aquelas que permitem outra apar\u00eancia, outro olhar? Onde estariam as ruas de lojas bonitas e cuidadas? Percebi de uma forma nova, o porqu\u00ea da emigra\u00e7\u00e3o de tantos, mas tantos, que nos procuram, que fogem, que s\u00e3o tantas vezes enganados. Percebi de outra forma, porque \u00e9 que se aceita trabalhar sem recibos, ganhar os piores sal\u00e1rios, dormir em quartos partilhados, aceitar a explora\u00e7\u00e3o das suas vidas. N\u00e3o temos a no\u00e7\u00e3o do que s\u00e3o as vidas miser\u00e1veis de milh\u00f5es de pessoas, que s\u00e3o em tudo iguais a n\u00f3s e com os mesmos direitos b\u00e1sicos: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o; mas que nascem, vivem e morrem desconhecendo o significado destas palavras.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 verdade que a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, a seguran\u00e7a, a habita\u00e7\u00e3o, a justi\u00e7a s\u00e3o \u00e1reas onde estamos longe da admira\u00e7\u00e3o que temos por tantos pa\u00edses considerados evolu\u00eddos e para os quais olhamos com alguma inveja. No entanto, quando se aprofunda a vida real dos menos ricos e dos mais pobres destes pa\u00edses, h\u00e1 sempre surpresas\u2026afinal, talvez o nosso Portugal n\u00e3o seja t\u00e3o mau como nos fazem crer. Talvez as lutas partid\u00e1rias se aproveitem de tudo e de nada para conquistar aquele espa\u00e7o de poder medi\u00e1tico que permita subir numas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Talvez seja poss\u00edvel\u00a0\u00a0 fazer contas e perceber que entre o que produzimos enquanto pa\u00eds e o que consumimos, h\u00e1 uma enorme dist\u00e2ncia que nos deve questionar. Aprendi a distinguir o sector prim\u00e1rio, do secund\u00e1rio e terci\u00e1rio, quando andava na escola. E nunca entendi como podemos viver e crescer enquanto pa\u00eds, na depend\u00eancia de apenas um destes sectores. Podem crescer fortunas pessoais e grandes empresas, mas n\u00e3o se cresce como sociedade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sei que as respostas a tantas quest\u00f5es n\u00e3o nos devem fazer cair na tenta\u00e7\u00e3o do queixume, da fatalidade, do \u00abt\u00e3o pequenos que somos\u00bb. Esse ser\u00e1 o pior caminho que podemos tomar. Precisamos de pensar pelas nossas pr\u00f3prias cabe\u00e7as. Precisamos de estar atentos ao que se passa no mundo. Precisamos de ter confian\u00e7a nas nossas capacidades e nas capacidades de outros. Precisamos de ter orgulho na nossa identidade, de n\u00e3o ter medo de reconhecer erros, nem medo de arriscar um elogio ou uma prova de confian\u00e7a. Sendo que neste ano, para quem tem F\u00e9 e escuta as palavras do Papa Francisco, a palavra Esperan\u00e7a ganha uma nova dimens\u00e3o. Mas esta Esperan\u00e7a n\u00e3o pode ser patrim\u00f3nio dos crentes. Tem de chegar a todos. Tem de permitir recome\u00e7ar, refazer, reconstruir, sem distin\u00e7\u00f5es sociais, culturais ou econ\u00f3micas. A Esperan\u00e7a que o Papa nos pede, leva-nos \u00e0s fronteiras mais inc\u00f3modas do mundo em que vivemos e pede-nos gestos concretos de interven\u00e7\u00e3o e ajuda a quem mais precisa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Imposs\u00edvel? Ut\u00f3pico? Aborrecido? Enervante? Talvez. Mas o que n\u00e3o pode ser \u00e9 indiferente. A palavra Esperan\u00e7a n\u00e3o coabita com a palavra Indiferen\u00e7a. Porque se a primeira nos empurra para a frente, a segunda atira-nos para os sof\u00e1s desta vida, que s\u00e3o tantas vezes, o lugar de tantos que v\u00e3o opinando sobre tudo e nos desviam o olhar, o cora\u00e7\u00e3o e o discernimento sobre a realidade. Que 2025 seja o ano em que julgamos por n\u00f3s pr\u00f3prios, em que nos empenhamos no bem comum e damos testemunho da Esperan\u00e7a num mundo melhor, mais justo, capaz de fazer a Paz e de lutar pelo bem de todos.\u00a0 Nesta luta, o trabalho da comunica\u00e7\u00e3o social pede resili\u00eancia, discernimento e determina\u00e7\u00e3o, na certeza de que o seu valor \u00e9 inquestion\u00e1vel no an\u00fancio da verdade e na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e fraterna.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Isabel Figueiredo, diretora do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isabel Figueiredo, diretora do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":207515,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-357299","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=357299"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357299\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/207515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=357299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=357299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=357299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}