{"id":357267,"date":"2025-01-20T09:00:40","date_gmt":"2025-01-20T09:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=357267"},"modified":"2025-03-07T12:02:12","modified_gmt":"2025-03-07T12:02:12","slug":"lusofonias-de-benguela-ao-bailundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-de-benguela-ao-bailundo\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; De Benguela ao Bailundo"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, no Bailundo<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofinias-Bailundo-20-1-25.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-357268 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofinias-Bailundo-20-1-25-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofinias-Bailundo-20-1-25-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofinias-Bailundo-20-1-25-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofinias-Bailundo-20-1-25-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofinias-Bailundo-20-1-25-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lusofinias-Bailundo-20-1-25.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A cidade das ac\u00e1cias rubras, Benguela, j\u00e1 n\u00e3o me recebeu pintada de laranja, pois as flores j\u00e1 ca\u00edram, na maioria das \u00e1rvores. Mas fui recebido de bra\u00e7os e cora\u00e7\u00e3o abertos pela comunidade Espiritana do P\u00f3pulo, a Igreja mais antiga da cidade, dedicada a Nossa Senhora. Tive a alegria de celebrar a Missa com uma assembleia numerosa e viva, bem como encontrar o Conselho de Pastoral da Par\u00f3quia e o numeroso e din\u00e2mico grupo de Leigos Espiritanos. Visitei ainda as Irm\u00e3s Doroteias e a original catedral da Diocese, saudando o P. Feliciano, o Vig\u00e1rio Geral.<\/p>\n<p>Com o Lobito como ponto de chegada, deixei Benguela rumo \u00e0 Catumbela onde me esperavam algumas dezenas de Religiosas e Religiosos para um tempo de encontro e forma\u00e7\u00e3o sobre Sinodalidade, Jubileu e Miss\u00e3o. Foi uma manh\u00e3 preciosa, pois pude encontrar muitos amigos, alguns que eu j\u00e1 n\u00e3o abra\u00e7ava h\u00e1 muitos anos. De l\u00e1 fui at\u00e9 S. Jo\u00e3o do Lobito onde pude ser contagiado pela felicidade, festa e f\u00e9 do povo que animou as duas Missas a que presidi. Apesar de ser enorme, a Igreja encheu para a Eucaristia dos mais velhos e, depois, a dos jovens. Foram celebra\u00e7\u00f5es de duas vibrantes horas, ao ritmo dos batuques e de vozes fortes e afinadas, quase sempre em umbundu, a l\u00edngua que \u00e9 a alma deste povo.<\/p>\n<p>Com os mission\u00e1rios, fui ainda celebrar \u00e0 Capela de S. Bento, subindo aos morros que, de noite, iluminados, parecem uma cascata sanjoanina. Fomos a p\u00e9, quase a fazer alpinismo, passando por carreiros \u00edngremes e apertados, entre as min\u00fasculas casas de adobes cobertas de zinco. A Capela estava cheia, com gente fora. No fim, cantamos e dan\u00e7amos no terreiro. Parecem faltar todas as condi\u00e7\u00f5es materiais, mas abundam a f\u00e9, a festa e a arte de bem acolher. No caminho, o p\u00e1roco partilhou a situa\u00e7\u00e3o social gritante que tem provocado muitos casos de viol\u00eancia e assaltos, sobretudo por jovens delinquentes. A pol\u00edcia teve j\u00e1 v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es e a par\u00f3quia decidiu acabar com todas as missas e reuni\u00f5es \u00e0 noite, por raz\u00f5es de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A Par\u00f3quia de S. Jo\u00e3o do Lobito, fundada em 1982, tem 39 Capelas espalhadas pelo longo e acidentado morro, sobretudo povoado a partir do in\u00edcio da guerra civil, quando milhares de pessoas fugiram do interior, \u00e0 procura de seguran\u00e7a e oportunidades no Lobito.<\/p>\n<p>O Monte Belo foi a etapa seguinte. Iniciamos viagem na estrada nacional 100, que liga o Lobito a Luanda. Depois, tomamos a estrada nacional 250, para o Huambo. A Miss\u00e3o da Ndjinga, fundada em 1933, foi destru\u00edda e ocupada durante a guerra civil. Tem uma comunidade de Irm\u00e3s Teresianas e outra de Espiritanos, ali regressados em 2024. T\u00eam Escola e Centro de Sa\u00fade. \u00c9 extensa a geografia da Miss\u00e3o com 15 Centros e 169 Capelas, com territ\u00f3rio nos Munic\u00edpios do Bocoio e do Balombo. Como quase todas as Miss\u00f5es que visitei, esta situa-se a cerca de 7kms da\u00a0 povoa\u00e7\u00e3o, uma vez que o objetivo era trabalhar com os povos origin\u00e1rios que viviam em aldeias fora das vilas, mais ocupadas pela comunidade de origem europeia. A picada que vai da estrada Lobito-Huambo at\u00e9 \u00e0 Miss\u00e3o \u00e9 t\u00e3o m\u00e1 que devemos numerar os ossos \u00e0 sa\u00edda, para voltar a p\u00f4-los no s\u00edtio \u00e0 chegada! O encontro com os mission\u00e1rios, a visita ao Monte Belo e as celebra\u00e7\u00f5es e reuni\u00f5es com o Conselho de Pastoral preencheram os tempos curtos da visita. H\u00e1 coisas que n\u00e3o se podem omitir e passar pelo Monte Belo sem comer o seu saboroso anan\u00e1s \u00e9 impens\u00e1vel nesta \u00e9poca de colheita! Tantos e t\u00e3o doces que nem vale a pena pensar fazer an\u00e1lises de glicose nos pr\u00f3ximos dias\u2026<\/p>\n<p>O Bailundo, j\u00e1 na Arquidiocese do Huambo, \u00e9 vila hist\u00f3rica e not\u00e1vel porque ali est\u00e3o as ra\u00edzes dos povos Ovimbundu, personificados nos reis Ekuikui II e Katiavala. Os tempos de guerra civil foram cru\u00e9is, com a vila e as aldeias v\u00edtimas de sucessivas tomadas e retomadas pelos ex\u00e9rcitos em conflito. A Miss\u00e3o da Hanga fica a 7 kms de picada horr\u00edveis, quase intransit\u00e1veis neste tempo de chuvas. L\u00e1 chegamos e encontramos os Espiritanos e as Irm\u00e3s de S. Jos\u00e9 de Cluny, numa Miss\u00e3o que tem uma enorme Igreja, Escola, Posto de Sa\u00fade, Internatos e centro de acolhimento a crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s. Anima uma extensa \u00e1rea, com 10 Centros e largas dezenas de Capelas. Emocionante foi a visita ao Cemit\u00e9rio onde, em lugar central, est\u00e1 sepultado o P. Jos\u00e9 Afonso Moreira, ali martirizado em 2006. Tamb\u00e9m me comovi no encontro com a trintena de crian\u00e7as acolhidas pelas Irm\u00e3s. A mais nova foi recebida com apenas alguns dias de vida. Ouvi muitas hist\u00f3rias, todas elas de arrepiar. Mas encantaram-me com a alegria espelhada nos seus rostos por ocasi\u00e3o do canto de boas vindas.<\/p>\n<p>Agora, h\u00e1 que rumar \u00e0s terras do Bi\u00e9, come\u00e7ando pelo Andulo\u2026<\/p>\n<p><em>Tony Neves, no Bailundo<\/em><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - De Benguela ao Bailundo\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6HQj8xhkLBJfMgw1202rB4?si=v-mO0O2VQgezUEhEVCfuPA&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus 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