{"id":357090,"date":"2025-01-15T15:13:40","date_gmt":"2025-01-15T15:13:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=357090"},"modified":"2025-03-07T12:02:26","modified_gmt":"2025-03-07T12:02:26","slug":"cibercultura-tornarmo-nos-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cibercultura-tornarmo-nos-mais\/","title":{"rendered":"CIBERCULTURA &#8211; Tornarmo-nos mais"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A vida tem ritmos, mas n\u00e3o \u00e9 fixa. N\u00e3o \u00e9 sempre a mesma coisa, como poder\u00edamos pensar. Ou, pelo menos, a vida evolui para nos tornarmos sempre mais. O jesu\u00edta e paleont\u00f3logo Teilhard de Chardin chamou a isto: a emerg\u00eancia do <em>esp\u00edrito<\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_357091\" aria-describedby=\"caption-attachment-357091\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-357091 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DiversidadeCultural-1024x585.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"585\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DiversidadeCultural-1024x585.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DiversidadeCultural-400x229.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DiversidadeCultural-768x439.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DiversidadeCultural.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-357091\" class=\"wp-caption-text\">Imagem criada por DALL-E com prompt de Miguel Pan\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>A tend\u00eancia de todos n\u00f3s quando ouvimos a palavra <em>esp\u00edrito<\/em> \u00e9 pensar em algo imaterial e que faz parte de uma realidade transcendente. Isto \u00e9, uma realidade que est\u00e1 para al\u00e9m do tempo e do espa\u00e7o, ainda que se manifeste no tempo e no espa\u00e7o. Para Teilhard, diz o te\u00f3logo americano John Haught \u2014 <em>\u00abesp\u00edrito \u00e9 o nome para o despertar que est\u00e1 neste momento a acontecer no pr\u00f3prio cosmos e que antes deu origem \u00e0s mol\u00e9culas e \u00e0s c\u00e9lulas vivas\u00bb<\/em> (1). Esse despertar manifestou-se na nossa esp\u00e9cie como pensamento, consci\u00eancia do sentido de beleza, do significado profundo que tem cada coisa e na criatividade natural que o ser humano tem para a inven\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. \u00c9 por aqui que se revela o caminho em que nos <em>tornamos mais<\/em>.<\/p>\n<p>Para Haught, \u201ctornamo-nos mais\u201d como express\u00e3o da cosmologia futurista de Teilhard de Chardin, significa que nos tornamos mais vivos, conscientes e libertos do determinismo cego. Repito que a vida tem ritmos, mas esses ritmos apenas asseguram a oportunidade de evoluirmos nos aspetos que nos \u201ctornam mais\u201d, transformando-nos, sobretudo, interiormente. Esta evolu\u00e7\u00e3o do nosso interior \u00e9 particularmente importante para ler os sinais dos tempos que se sobressaem no mundo onde estamos. E um desses sinais \u00e9 a emerg\u00eancia dos radicalismos divisivos.<\/p>\n<p>Na Alemanha, o partido de extrema-direita liderado por Alice Weidel ganha terreno e tem feito v\u00e1rias propostas divisivas, como a sa\u00edda do Euro para voltar ao Marco Alem\u00e3o, mas uma dessas refere-se \u00e0 \u201cremigra\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, a deporta\u00e7\u00e3o em massa de migrantes em situa\u00e7\u00e3o irregular. O mesmo prometeu Trump durante a sua campanha. E quando recentemente fui a Lisboa de transporte at\u00e9 ao Oriente, depois de um longo per\u00edodo em que habitualmente ia de carro, notei na reconfigura\u00e7\u00e3o cultural de Lisboa com uma presen\u00e7a substancial de outros povos que me faziam sentir estar imerso, literalmente, no \u201cOriente\u201d ou \u201cM\u00e9dio-Oriente\u201d. N\u00e3o era a primeira vez que tinha sentido esta varia\u00e7\u00e3o cultural em Lisboa. Em Outubro de 2024, quando voltei de uma confer\u00eancia internacional chamei um Uber e o condutor provinha da \u00cdndia. Perguntei-lhe h\u00e1 quanto tempo vivia c\u00e1 e ele respondeu \u2014 \u201cH\u00e1 quatro anos e voc\u00ea?\u201d \u2014 n\u00e3o assumindo \u00e0 partida que era portugu\u00eas, mas deduzindo que vivia em Portugal por levar-me a uma casa e n\u00e3o a um hotel.<\/p>\n<p>Que leitura fazer desta onda que pretende isolar os pa\u00edses daqueles que migram e trazem consigo a sua cultura de origem? As migra\u00e7\u00f5es fazem parte da vida planet\u00e1ria desde sempre. Entre a entrada da energia que vem do Sol, e a sa\u00edda da mesma energia para o espa\u00e7o, tudo se move. Caso contr\u00e1rio, o planeta continuaria a aquecer ou a arrefecer at\u00e9 encontrar de novo o equil\u00edbrio. Por isso, enquanto houver movimento, a vida evolui. Nesse sentido, estas migra\u00e7\u00f5es fazem parte da evolu\u00e7\u00e3o cultural, e se a nossa vis\u00e3o do mundo for determinista e fechada, s\u00e3o uma amea\u00e7a, mas se a vis\u00e3o que tivermos do mundo for a do esp\u00edrito, podem revelar-se uma riqueza.<\/p>\n<p>Confesso que a impress\u00e3o que tive em Lisboa-Oriente foi a da vis\u00e3o determinista, e na multiculturalidade, onde estamos juntos, mas divididos por sentir o inc\u00f3modo do outro. Foi nesse momento que compreendi como a minha vida interior tinha ali uma oportunidade de evoluir e de reencontrar um novo ritmo.<\/p>\n<p><em>\u00abO futuro \u00e9 melhor do que qualquer passado.\u00bb<\/em> \u2014 \u00e9 uma das emblem\u00e1ticas frases de Teilhard de Chardin que expressa como o ser humano evolui por ser um ser-de-esperan\u00e7a. O determinismo, o medo do outro que tem uma cultura diferente da minha, s\u00e3o fruto de uma vida que fixa o seu olhar no passado e anseia por retornar a esse. Est\u00e1vamos no Para\u00edso e para l\u00e1 queremos voltar. Mas a cosmologia futurista de Teilhard \u00e9 bem mais realista e o Para\u00edso n\u00e3o se encontra no passado, mas no futuro aqui presente. No <em>j\u00e1, mas n\u00e3o ainda<\/em> estudado pelos te\u00f3logos como <em>escatologia<\/em> que significa a raz\u00e3o por detr\u00e1s das coisas \u00faltimas. Um horizonte de esperan\u00e7a que aprende com o passado, mas n\u00e3o se prende a esse.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a \u00e9 um convite ao movimento, \u00e0 sa\u00edda das zonas de conforto, a um \u201cdevir\u201d que nos mant\u00e9m abertos \u00e0 novidade do outro. A emerg\u00eancia do <em>esp\u00edrito<\/em> torna-nos mais conscientes da diversidade dos povos que partilham um espa\u00e7o comum, como fruto do movimento associado \u00e0 cont\u00ednua evolu\u00e7\u00e3o cultural. Talvez a divis\u00e3o cultural seja um resultado dos ambientes-bolha que muitos vivem na esfera digital, onde o pensamento est\u00e1 desencarnado. \u201cTornarmo-nos mais\u201d talvez passe pelo despertar da comunh\u00e3o natural que faz evoluir os nossos relacionamentos e abre a nossa consci\u00eancia para a beleza da diversidade cultural.<\/p>\n<p>(1) John F. Haught, \u201c The cosmic vision of Teilhard de Chardin\u201d, Orbis Books, 2021<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/bit.ly\/NewsletterEscritos_MiguelPanao\">https:\/\/bit.ly\/NewsletterEscritos_MiguelPanao<\/a> &#8211; &#8220;<a href=\"https:\/\/cordeldeprata.pt\/produto\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo\/\">Tempo 3.0 &#8211; Uma vis\u00e3o revolucion\u00e1ria da experi\u00eancia mais transformativa do mundo<\/a>&#8221; (<a href=\"https:\/\/www.bertrand.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Bertrand<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Wook<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.fnac.pt\/Tempo-3-0-Uma-Visao-Revolucionaria-da-Experiencia-Mais-Transformativa-do-Mundo-Miguel-Panao\/a11534362\">FNAC<\/a> )<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o 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